As resoluções de Ano Novo

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Um ano termina, outro começa. É época das “resoluções de Ano Novo”: fazer exercício físico regularmente, manter uma alimentação saudável, manter os gastos dentro do orçamento mensal e banir as dívidas, investir tempo no relacionamento com as pessoas queridas, manter arrumado aquele quarto da bagunça, e assim vai. Estas resoluções têm em comum o desejo de adquirir novos hábitos de maneira consistente. Como chegar ao final de 2011 com um saldo de resoluções cumpridas? No artigo Self Control: the battle for one more, publicado em The Journal of Biblical Counseling v.19, n. 2 (p. 24-31), Edward Welch escreve sobre a estratégia necessária para que as resoluções tomadas não sejam meras intenções varridas pelo primeiro sopro de vento.

Biblicamente, sabemos que a questão vai muito além das simples “resoluções de Ano Novo” declaradas a cada 31 de dezembro. Devemos tomar a decisão de agradar a Deus em todas as esferas da vida e estamos em guerra declarada contra a própria carne e as tentações de Satanás. Precisamos de uma estratégia, de um plano de ação bem formulado.

Se a nossa batalha fosse contra um inimigo insignificante, o planejamento seria desnecessário. No entanto, visto que o nosso inimigo é sutil e astucioso, uma estratégia é essencial. A ausência de estratégia é um dos maiores motivos por que as resoluções de Ano Novo acabam no monte de sucata. Depois de exceder na comida durante as festas natalinas, tomamos a decisão de comer com sabedoria. A nossa decisão, porém, não costuma durar além do jantar do dia seguinte. […] Não houve um plano bem pensado, nenhuma consideração do âmbito espiritual envolvido, nenhum clamor pela graça de Deus em Cristo, nenhum desejo real de repreender a nós mesmos, nenhum pedido de ajuda e conselho de outros irmãos e irmãs em Cristo.

Aqui está um bom indicador para saber se você deseja ou não crescer em domínio próprio: você tem uma estratégia clara e publicamente declarada? Em outras palavras, se alguém disser “Desta vez, vou mudar de verdade − acho que não preciso de nenhuma ajuda”, essa pessoa ainda precisa entender o ensino bíblico sobre o domínio próprio. Uma coisa é tomar uma decisão. Outra coisa completamente diferente é arrepender-se, buscar conselho e, com a ajuda de outros, desenvolver um plano de mudança concreto e centrado em Cristo.

Evidentemente, o ponto central de qualquer plano deve ser Jesus Cristo. O domínio próprio, como as demais característica da sabedoria, é aprendido ao contemplarmos a Pessoa de Cristo. Do ponto de vista estratégico, isso não tem precedentes. Talvez esperemos que Deus grite conosco e nos ordene, mais uma vez, que nos endireitemos. Os caminhos de Deus, porém, são muito melhores do que os nossos e são raramente previsíveis. Ao invés de nos dar doze passos nos quais confiar, Ele nos dá uma Pessoa que precisamos conhecer. À medida que Jesus é conhecido e exaltado, você pode perceber que o domínio próprio fica mais evidente. A base para toda mudança é a cura dupla para o pecado: no evangelho, fomos libertados tanto da condenação como do poder do pecado. Fomos libertados “a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livra da ira que há de vir”  (1Ts 1.9,10).

Tradução de Conexão Conselho Bíblico

Como festejar quando a dor está presente?

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A atmosfera de festa está por toda parte. As luzes brilham, as músicas natalinas ressoam, as crianças estão empolgadas.  A alegria do Natal, porém, pode ser nublada por circunstâncias reais, que não só  persistem a despeito das festas, mas podem até mesmo se acentuar durante esta época do ano. Jeremy Lelek, presidente da  Association of Biblical Counselors, convida-nos a não ignorar a presença intrusiva  da dor que resulta da convivência com familiares difíceis, do primeiro Natal após a morte de um ente querido, de dificuldades financeiras da família ou do isolamento e solidão que podem sobrevir mesmo quando não queremos.

No artigo  Encontrando a paz neste Natal, estão algumas sugestões práticas para celebrar o Natal a despeito das circunstâncias.

.• Relacionamentos difíceis na família − Lembre as palavras penetrantes de Jesus Cristo: “Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam. Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os ‘pecadores’ amam aos que os amam” (Lc 6.27, 28, 32). Procure viver para o propósito maior e mais glorioso para o qual você foi criado. Não se prenda a quão irritantes ou frustrantes os membros da sua família podem ser nem se concentre em pensar o quanto e como eles precisam mudar. Ao invés disso, reconheça as dificuldades que você enfrenta com eles como um contexto em que você pode (e é chamado a ) mudar para refletir melhor a Cristo (Rm 8.28-29). O que é mais importante para você − que as pessoas correspondam aos seus desejos ou que você corresponda ao chamado de Deus?

• Primeiro Natal sem um ente querido − Paulo exorta os cristãos em 1 Tessalonicenses 4.13: “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança”. Os crentes em Jesus Cristo sentem a dor da perda, mas seu luto deve assumir uma conotação diferente da tristeza dos descrentes. Não existe uma pílula mágica para aliviar a dor da perda. No entanto, manter o foco em Cristo ao passar pela experiência do luto pode fazer toda a diferença. Três recomendações: primeira, relembre o dom precioso do amado Redentor, que deu a própria vida para que a morte fosse eternamente destruída, e dê graças por este sacrifício maravilhoso. Segunda, use a intensidade com que você conhece a perda para aliviar a dor de outros por meio de palavras amáveis, interesse sincero ou um gesto carinhoso de “amor a Deus” e “amor ao próximo” (Mt 22.37-39). Terceira, agradeça a Deus pelos bons momentos e as lembranças preciosas que você guarda.

• Dificuldades financeiras − Seja um bom mordomo dos recursos que Deus lhe deu. Resista à pressão cultural, típica desta época do ano, de gastar simplesmente para agradar aos outros. Considere a sabedoria de Paulo, que disse: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade” (Fp 4.12). Interprete as possíveis dificuldades desse ano como um momento em que a mão do Deus misericordioso está guardando você e sua família da vaidade do consumismo, e considere como bênção poder perscrutar o sentido mais profundo do Natal.

• Isolamento e solidão − Se por alguma razão as festas natalinas o surpreenderem com mais tempo a sós do que você gostaria ou está acostumado, considere o seguinte: estabeleça em seu coração o propósito de se concentrar em amar a Deus e os outros nesta época de Natal (Mt 22.37-39).  Planeje ser uma bênção de forma prática para um amigo, um parente ou vizinho, em vez de focar, por antecipação, no medo da solidão que você poderia sentir neste Natal. Recuse-se a mergulhar na autocomiseração. Planeje um passeio, uma visita a um parque. Ao admirar a beleza da natureza, lembre-se  do Criador e Sua presença eterna como você (Rm 1.20). Quando estiver sozinho, encontre conforto em Seu amor e Sua presença. Separe um tempo para abrir sua Bíblia e leia a história gloriosa da redenção que Deus ofereceu gratuitamente a você. Adore a Deus!

Pode Deus realmente sofrer?

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Cláudia Kriger

“Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu.” (Hb 5.8)

Jesus é o modelo do perfeito Sofredor. Já no “Evangelho de Isaías”[1]capítulo 53, foi predito esse aspecto da sua humanidade, que tem desafiado gerações de pensadores cristãos com a seguinte questão: como poderia ser real o sofrimento do Deus vivo, onipotente e soberano sobre todas as coisas? Miríades de elaborações teológicas têm circulado pela cristandade, algumas delas bastante perigosas. Por exemplo, no segundo século da era cristã, houve uma disputa sobre a verdadeira humanidade de Cristo e uma das vertentes afirmava que ele não havia encarnado no sentido lato da palavra, um tipo de pré-gnosticismo que foi refutado e condenado no Concílio de Calcedônia, em 451.

Os gregos tinham uma perspectiva distinta sobre os seus deuses. A chamada apathéia, de onde deriva o termo “apatia” em português, era o estado perfeito, a “virtude” da total incapacidade de as divindades olímpicas se identificarem ou se deixarem afetar pela realidade humana. Segundo este ponto de vista, por ser essencialmente a encarnação de Deus, o Espírito perfeito, Jesus não poderia teoricamente se sujeitar às mazelas que o confinamento ao corpo prevê para os humanos: doença, cansaço, fome, sonoapelos sexuais etc − indícios da inferioridade da matéria em relação ao espírito, que configuram um ambiente indigno para a divindade absoluta. Assim, o Jesus terreno teria apenas aparência humana: seria uma entidade cuja essência divina não se submeteu de facto à realidade terrena e, portanto, nunca sofreu de verdade. Essa heresia chamada docetismo infelizmente ainda ronda a mente de muitos no século XXI.[2]

Certo dia, em uma reunião de mulheres cristãs, ao meditarmos nas afirmações de Hebreus 4.15 e 5.8, uma delas perguntou: “Como pode ser verdade que Cristo entende nossos sofrimentos e tentações se ele, sendo Deus verdadeiro, não podia ser afetado por elas? Será que ele não era somente um tipo não real, uma aparência de homem?”. Assim como aconteceu com aquela minha amiga, pode ser que essa dúvida ronde sua mente também, especialmente se você, como eu, está vivendo momentos dolorosos, de muita pressão, e sua fé precisa de referenciais bíblicos estáveis para permanecer na luta sem desistir. Pode Deus realmente sofrer?

Das razões bíblicas para a total e absoluta humanidade de Jesus, escolho citar duas: a primeira é que a Escritura nos assegura ser ele Deus encarnado (Jo 1.114-16) e explica claramente que a negação da encarnação real de Cristo é a negação do cerne da salvação conforme anunciada por Deus e pregada pelos apóstolos (cf. 1Jo 4.1-2). A crença na encarnação do Deus-Filho é crucial por ser imprescindível que o Redentor fosse absolutamente Deus para cumprir a exigência de um sacrifício perfeito e definitivo pelos pecados (Hb 7.24-28) e fosse totalmente humano para poder derramar seu sangue, morrer verdadeiramente e vencer a morte pela ressurreição, garantindo assim a nossa completa redenção, tanto espiritual como do corpo, na glória vindoura (Hb 10.8-141Co 15.3-7;12-24). Como Deus-Homem, ele foi, ao mesmo tempo, sacerdote perfeito e sacrifício perfeito.

A segunda razão é sua plena identificação com a realidade do sofrimento do ser humano. Esse conceito é de tal grandeza que só pode nos levar a amá-lo cada vez mais. Pare e pense: o Filho Amado de Deus escolheu deixar a perfeição do céu, onde era servido por anjos, para se sujeitar a viver como um simples mortal. Também este é um pensamento teológico fundamental, a chamada kenosis,o esvaziamento voluntário de todos os seus privilégios de Deus com o propósito de modelar o que Paulo chamou de ”perfeita varonilidade”, ou seja, a “humanidade plena” conforme desejada por Deus até a realização da obra expiatória no Calvário (Fp 2.5-11Ef 4.13). E é aqui que encontramos a rocha sobre a qual podemos edificar nossa esperança nas horas em que todas as estruturas parecem ter sido demolidas e nos faltam forças para continuarmos a crer e obedecer.

Um dos aspectos mais tocantes (e chocantes) da encarnação de Jesus foi a profundidade com que as realidades dolorosas do mundo caído tocaram o seu ser. O autor de Hebreus (que não foi Paulo nem Priscila) afirma que ele foi “tentado em todas as coisas, porém sem pecado” (Hb 4.15). Peço que tome tempo para ler cada uma das referências e verificar se você se identifica com algumas dessas situações de risco: Jesus chegou ao planeta como um bebê qualquer, indefeso e dependente (Lc 2.6) e em um país sitiado, subjugado pela Roma imperial. Ainda não tinha dois anos e correu risco de morte pela loucura de Herodes, precisando fugir e se exilar no Egito em companhia dos seus pais (Mt 2.13-16).

Quando adulto, foi tentado por Satanás quando se achava só, exausto e faminto, situações de alto grau de vulnerabilidade (Mt 4.1-11). Sofreu rejeição familiar e dos seus compatriotas (Mc 6.1-6). Foi chamado de ”agente do Diabo” pelas autoridades religiosas da época (Mt 12.22-24). Grande parte dos seus companheiros estava com ele pelo que poderia fazê-los lucrar (Jo 6.60-61). Sofreu a perda de seu grande amigo Lázaro e chorou ao ver a dor de suas irmãs (Jo 11.33-35). Foi mal-compreendido pelos seus discípulos, que o abandonaram na noite mais longa de sua vida (Lc 22.45). Foi abertamente traído por Judas Iscariotes (Lc 22.4) e três vezes negado por Pedro (Mt 26.69-75). Agonizou em oração no horto, quando sabia que a hora de sua morte era chegada (Lc 22.44). Foi acusado de traição por testemunhas compradas, julgado culpado e condenado à morte por judeus e romanos, no mais corrupto dos tribunais que já houve na história da humanidade (Mt 26.57-6727.11).

Na hora de sua difícil e escandalosa morte, quando foi pregado na cruz completamente nu, experimentou zombaria e teve sede (Mt 27.33-44). Seu corpo foi açoitado: pés e mãos atravessados por pregos de vinte centímetros de comprimento, seu lado furado por uma lança romana (Jo 19.34). Mas, de todas as dores, a maior se traduz no clamor elevado ao céu que lhe pareceu de bronze: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni? (Mt 27.46-47). A grande ausência do seu Pai! Finalmente, morreu, solitário, a mais violenta das mortes, a qual era reservada para os piores bandidos. E ele era o Justo, o Santo, o Perfeito, o Grande Autor da salvação, o Filho do Deus vivo!

Que quadro sombrio! Enquanto escrevo, penso que meus sofrimentos, que são reais e me abalam a ponto de acordar à noite chorando e clamando por misericórdia e alívio da alma, tomam uma coloraturadiferente se colocados contra este escuro pano de fundo.

Algumas conclusões: 1) Além de concretizar o propósito divino primário de me salvar, a opção de Jesus por deixar seu conforto celestial e encarnar plenamente lhe permitiu ter empatia para comigo em minhas situações dolorosas. Em outras palavras, ele sabe na prática o que eu sinto quando a vida me dá “uma rasteira” (Hb 2.17). Todavia, o texto de Hebreus 5.8 me diz que “o Filho aprendeu obediência pelo que sofreu“. Mais do que mera identificação, Jesus, no papel de sumo-sacerdote de uma aliança indestrutível, além de se compadecer de mim, oferece-me condições de enfrentar a tempestade de modo digno do Senhor (Hb 2.18 e 4.14-15).

2) Em sua primeira carta, Pedro afirma que as experiências de sofrimento de Cristo nos dão um “gabarito” (hypogrammos), um modelo, para que possamos reproduzir sua conduta santificada em meio aos desafios de nossa caminhada cristã (1Pe 2.21). Suas dores reais nos propiciaram condições de encararmos as contrariedades da vida de forma diferenciada (leia o capítulo 2 inteiro de 1Pedro: ele ilumina o capítulo 3, que aborda o desafio da postura da esposa cristã sob pressão). Nas palavras de um antigo diretor do seminário onde estudei, quando observamos as reações de Jesus ao sofrimento injusto, passamos a considerar a oposição como oportunidade da ação divina em nós. Foi exatamente isso que o Homem-Deus fez: “Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem desanimem” (Hb 12.2b-3 – itálico da autora). Por isso, o autor inicia o capítulo nos dando a chave para lidarmos com a dor de forma correta: olharmos fixamente para Jesus, que, em sua humanidade, modelou e deu sentido ao sofrimento que aqui passamos  (Hb 12.1-2 e 4; veja também Rm 8.28-29 e a conclusão paulina sobre a causa primária desta esperança: o amor inabalável de Deus por nós – Rm 8.31-39).

Sim, Deus sofreu de verdade! Jesus é o ”homem de dores e experimentado no sofrimento” anunciado por Isaías 53.3 (leia o capítulo todo). Suas dores não eram “acidentes de percurso” nem meras representações: os tormentos que viveu e o levaram à cruz eram reais e de tal grandeza que tornaram sua aparência desfigurada e desagradável ao olhar do profeta-vidente. Em sua perfeita humanidade, ele sentiu os golpes que os homens recebem por sua opção de andar longe do Pai. Contudo, sua vinda tinha propósitos definidos. Ele veio para sofrer por mim e por você. Por isso, ele sabe bem o que você e eu sentimos neste exato momento. Ele entende! Justamente por causa da Encarnação, não precisamos mais ficar caídas pelo caminho sob o peso da provação: o Deus-homem já trilhou a nossa apertada vereda antecipadamente e nos convida a acompanhá-lo na jornada. Ele sofreu, morreu e ressuscitou para nos dar vida, esperança e poder. Vamos a ele nesta confiança e receberemos misericórdia e graça na hora da maior tribulação. Ele está à distância de uma oração!


[1] Refiro-me ao livro de Isaías, profeta do século oitavo a.C., cuja mensagem é tão  enfaticamente messiânica que se assemelha ao conteúdo dos evangelhos.

[2] Para uma excelente abordagem sobre o gnosticismo, leia o livro A Face de Deus, de Michael Horton, Editora Cultura Cristã. Ele mostra de forma explícita o quanto esta heresia antiga ainda se apresenta infiltrada no meio cristão evangélico contemporâneo. É um super alerta para todas nós.

Pureza sexual significa usar proteção

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Diane Montgomery

Quando o assunto é sexo antes do casamento, o que você ouve falar hoje em dia? A mídia, seus colegas, alguns pais e professores dizem: “Tenha sempre o cuidado de usar proteção”. Sabe de uma coisa? Deus diz o mesmo, mas por razões inteiramente diferentes e de maneira completamente diferente.

O mundo diz que quando você decide fazer sexo fora do casamento, você deve se proteger para que não tenha que sofrer as consequências de uma gravidez ou doença. A proteção de Deus, porém, é diferente. Ela não é uma pílula que você pode tomar na manhã seguinte nem está em uma caixa de preservativos que você pode comprar no supermercado. A proteção de Deus guarda não apenas o seu corpo, mas preserva de muita dor o seu coração e o coração do seu futuro cônjuge. De que tipo de proteção estamos falando? O que Deus diz em Sua Palavra sobre nos preservarmos puras?

1. Proteja a sua santidade.
A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo. (1Ts. 4.3-8) 

O corpo, porém, não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo. Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo.  Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos?  Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo. (1Co 6.13, 18-20)

Deus disse: “Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16).  Deus está presente apenas em meio à  santidade e à pureza. Ele enviou Seu Filho para morrer por nós para que, ao cremos em Jesus, sejamos declarados justos e possamos viver com Ele. No entanto, quando você diz “Deus, eu vou ignorar os Seus mandamentos que me dizem que não devo praticar a imoralidade sexual e, ao invés disso, vou fazer o que meu namorado e eu queremos fazer”, você rejeita Deus e peca contra seu próprio corpo. Deus diz que você deve fugir das práticas sexuais fora do casamento porque elas não são adequadas para você. Ele deseja que você seja santa não só porque é o melhor para você, mas porque a santidade protege você e outras pessoas de sofrimento e de dor.

2. Proteja  a sua reputação e a reputação do Evangelho
Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras […] a fim de que a palavra de Deus não seja difamada. (Tt 2.4,5) 

Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? (1 Co 6.19)

Debaixo da liderança de Tito, as mulheres mais velhas deviam ensinar as mais jovens a serem piedosas e  viverem  de tal forma que ninguém pudesse dizer nada que ferisse a boa reputação tanto delas como da Palavra de Deus. O domínio próprio e a pureza são sinais de uma mulher de Deus, de uma mulher separada para Cristo. Ela ama tanto o seu Senhor que escolhe viver uma vida santa e pura em lugar de ceder às tentações que só prometem prazer temporário, pois ela quer que ninguém encontre razão para difamar os filhos de Deus ou a Palavra de Deus.

Como mulheres cristãs, somos separadas do mundo. Nossa a aparência e maneira de agir devem ser diferentes, pois temos que refletir a pessoa de Cristo e o Espírito Santo que habita em nós. Quer você goste ou não, o mundo está observando constantemente o que você faz, e quer ver se você age de uma maneira diferente. Você diz que é cristã, mas você age como aqueles que não conhecem a Cristo, faz as mesmas coisas que eles fazem e vai aos mesmos lugares que eles frequentam? Por que outras pessoas seriam atraídas a amar e obedecer a Deus se você mesma não ama a Deus nem obedece aos Seus mandamentos? O que as pessoas vêem em você é o que elas pensarão a respeito de Deus.

Você não está sozinha, você pertence a Deus e, portanto, deve honrar o seu corpo que é habitação de Deus. Viva de maneira irrepreensível e não permita um traço sequer de imoralidade sexual em sua vida. Se pureza significa que você e seu namorado não devem ficar a sós para que Cristo seja glorificado, façam isso! Se pureza significa manter sempre a porta aberta para que a reputação do Evangelho seja protegida quando vocês estão sozinhos em um cômodo da casa, façam isso! Se pureza significa adiar o contato físico por algum tempo após o início do namoro para que ninguém os acuse de qualquer imoralidade, mas queiram saber quem é o seu Salvador e Senhor, façam isso! O que fica evidente aqui é a quem você ama mais −  a si mesma ou a Cristo e Seu Evangelho, cuja valor é eterno?

3. Proteja seu irmão em Cristo
Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. (Mt 5.28)

Mateus 5.28 adverte os homens com respeito à maneira de olhar para as mulheres.  Eu costumava pensar que fosse natural para eles lançar um olhar sensual para as mulheres. De acordo com o ensino de Jesus, porém, esse tipo de olhar equivale a cometer adultério no seu coração, e trata-se de pecado. Mas o que isso tem a ver conosco?

Se você soubesse que poderia salvar alguém da sua família de muita dor de cabeça e problemas, você não se esforçaria ao máximo para fazê-lo? Por que não fazer o mesmo para com o seu irmão em Cristo? Bem, eu sei que pode parecer estranho pensar assim, mas o rapaz com quem você namora − e ele deve ser um cristão − é seu irmão em Cristo. Ele faz parte da sua família cristã. Você pode protegê-lo escolhendo propositadamente vestir-se de maneira que evite que ele olhe para você com lascívia. Uma filha do Rei não quer despertar intencionalmente os rapazes para que olhem para ela com lascívia e pequem em seu coração. Uma filha do Rei cuida de seu irmão em Cristo, vestindo-se de maneira que não o incite a pecar, mas que edifique, e que também glorifique a Deus.

Você protege o seu irmão não apenas quando se veste de maneira que honra a Deus, mas também quando age de modo que não dá oportunidade para que ele tropece na área sexual. Talvez ele  pressione você para fazer certas coisas, e você ceda. Ou pode ser que você mesma o pressione em algo que o coloque numa situação vulnerável. Em ambos os casos, você não está protegendo seu irmão e também não está protegendo a futura esposa dele. No namoro, você ainda não sabe com certeza se vocês dois estarão juntos para sempre, mas você sabe que ele terá uma futura esposa. Não seria terrível se um dia a esposa do seu ex-namorado ficasse sabendo aquilo que vocês fizeram a portas fechadas? Viva de tal forma que você não tenha nada de que se envergonhar, pois você se importou o suficiente com seu irmão em Cristo para protegê-lo de cair.

4. Proteja-se para o seu futuro cônjuge
O seu braço esquerdo esteja debaixo da minha cabeça e o seu braço direito me abrace.  Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar: Não despertem nem incomodem o amor enquanto ele não o quiser. (Ct 8.3,4)

Sua mão esquerda está sob sua cabeça? Sua mão direita a abraça? Essa noiva retratada em Cantares está agora com seu amado, seu marido. Ele a aconchega como esposa, e ela prova a alegria de ter sido pura e de poder conhecer toda a beleza do plano do Deus em pureza. Ela está finalmente com seu marido e implora às suas irmãs que não despertem o amor até que chegue o momento certo, ou seja, o momento de Deus − após o casamento.

Deus deseja o melhor para você. Ele quer o bem de Seus filhos quando diz: “Não desperte o amor antes da hora; fuja e evite a imoralidade sexual”. Sexo fora da vontade de Deus só traz dano a você e aos outros. Deus diz: “Minha filha, tenho algo lindo e maravilhoso destinado para você, mas somente se você andar nos Meus caminhos e permanecer pura. O sexo, conforme Eu o planejei, só é verdadeiramente agradável dentro do casamento”. Deus não sonega de você nenhum bem. Se você confiar nele, Ele a conduzirá no caminho certo e cuidará de você.

Meu marido esperou oito anos para beijar a sua futura esposa. Ele sabia que aquela moça em quem ele estava interessado seria a esposa de alguém, mas não sabia ainda se ela seria a sua esposa, e ele não queria beijar a esposa de outro homem. E então, quando começamos a namorar, ele ainda esperou para me beijar até que Deus deixasse bem claro que tudo caminhava para eu ser a sua esposa. Ele se guardou e nunca se arrependeu disso, mas lamentaríamos qualquer coisa que tivéssemos feito que não nos preservasse puros um para o outro.

5. Proteja seu futuro casamento
O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros.. (Hb 13.4)

As consequências das experiências sexuais anteriores ao casamento terão reflexo no seu casamento e você terá de lidar com elas. Elas não costumam desaparecer em um simples passo de mágica quando você se casa. Os parceiros e as experiências do passado carregam potencial para afetar o relacionamento com seu marido, e até mesmo o seu leito conjugal. Podem surgir  preocupações de ambos os lados: “Sou bom o suficiente em comparação com os outros?” ou “Ele está me comparando às outras? “.

O mundo diz: “É preciso experimentar para ver se vocês são compatíveis sexualmente. Aproveite agora, pois talvez não tenha outra oportunidade”. Deus, porém, diz: “Confie em mim. Quando você se casar, você nunca se arrependerá de ter protegido a si mesma. Se você não se guardar, quando finalmente encontrar aquele que será seu cônjuge, você se arrependerá profundamente de não ter esperado e se mantido pura para o leito conjugal”.

Certa vez, uma pessoa sábia me disse: “Você nunca se arrependerá de ir bem devagar nos relacionamentos, mas você sempre se arrependerá de ir rápido demais”.  Deus traçou um plano nas Escrituras e lhe deu as ferramentas para proteger a sua pureza sexual. Ele sempre prometeu ser bom para com você e lhe dar o melhor para protegê-la do dano e da destruição do pecado. Você precisa seguir os mandamentos de Deus e andar em Sua vontade, pois qualquer passo fora do plano de Deus só traz dor e angústia. Eva começou a duvidar de Deus e a pensar que Ele estava retendo dela algo bom, enquanto Deus procurava guardá-la do pecado e proporcionar para que ela e Adão vivessem em Sua presença no mais belo lugar criado. Visto que Eva duvidou da bondade de Deus para com ela e desobedeceu Suas ordens, o pecado entrou no mundo e, com ele, o sofrimento e a dor.

Você confia no Salvador que morreu na cruz em seu lugar, ou você está começando a duvidar de Sua bondade? Você crê que Ele tem um plano maravilhoso para você quando lhe diz “espera!”? Se você já duvidou e caiu em tentação, você provavelmente sabe a dor que isso traz. Mas Deus diz: “Volte para mim e eu darei alívio. Não é tarde demais”. Há sempre perdão e graça em Cristo, não importa o que você tenha feito em seu passado. Ele está pronto a redimir. E se você ainda não se desviou da vontade de Deus nessa área, continue firme, minha irmã. Você nunca se arrependerá. Deus não mente. Ele é bondoso e amoroso para conosco, por isso vamos confiar plenamente em Seu plano para nós.

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Original em Unlocking Femininity
Tradução de Conexão Conselho Bíblico com permissão da autora.