Namoro: um termo ausente na Bíblia

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Dilean Melo

Um artigo para os mais jovens e seus líderes
Quando consideramos alguns temas da nossa vida que não conseguimos localizar na Bíblia por aquele termo com que estamos familiarizados (por exemplo, a palavra namoro), pensamos, infelizmente, que podemos viver e fazer o que bem entendemos ou, pelo menos, que nossa visão sobre o tema − que talvez já esteja bastante comprometida com aquilo que o mundo oferece e ensina − é suficiente para caminharmos afastados das orientações da Palavra de Deus.

É verdade que a palavra namoro não aparece na Bíblia, mas os princípios que dirigem esse relacionamento devem ser buscados na Bíblia e vividos por todos aqueles que desejam andar segundo a vontade de Deus, como Seus filhos. “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os Seus mandamentos não são penosos, porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5.3,4).

Vejamos alguns dos princípios bíblicos que devem nos nortear em resposta às perguntas mais frequentes sobre o namoro.

O conselho do Senhor ou os conselhos dos homens?
A quem vamos ouvir em primeiro lugar? Precisamos fazer uma distinção entre o conselho do Senhor e os conselhos humanos. “O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do Seu coração, por todas as gerações” (Sl 33.11). O conselho do Senhor distingui-se dos conselhos humanos por levar o homem a viver de forma prática os ensinos, os mandamentos e a vontade de Deus revelada ao longo de toda a Sua Palavra. Quando falamos em vontade de Deus, precisamos entender que Deus Se revelou por meio das Escrituras e do Seu Filho Jesus. A Sua vontade consiste no desenvolvimento da santificação − eu, como servo de Cristo, decido obedecer a tudo quanto Deus deixou registrado nas Escrituras. O resultado prático da vontade de Deus está registrado em Romanos 8.29: “… para serem conformes à imagem de seu Filho …”.

O conselho dos homens é o resultado da experiência pessoal de cada um, a qual deve ser sempre submetida a um exame das Escrituras. Nem todo conselho humano é necessariamente ruim ou pecaminoso, mas não tem “peso” igual ao conselho do Senhor.

E os “rolinhos”?
Querer namorar é algo natural. Gostar de alguém também é, mas precisamos pensar seriamente sobre isso. Uma coisa é ter um sentimento por uma pessoa e colocar diante de Deus em oração, pedindo que Ele oriente sobre o que fazer, depois de verificar se a pessoa em questão preenche o primeiro pré-requisito necessário para começo de conversa, ou seja, se a pessoa é cristã. Outra coisa é o “rolinho”. Os padrões bíblicos que vamos seguir até aqui encontram-se em 2Coríntios 6.14 − “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” − e 2Timóteo 2.22 − “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor”.

Manter um relacionamento de “rolinho” caracteriza uma defraudação, e é pecado, visto que você dá à pessoa a impressão de um relacionamento que você não sabe se estará pronto a cumprir ou não no futuro. Você pode “ficar de rolinho”, a pessoa pode achar que você vai namorar com ela, mas isso acaba não acontecendo. O que você deve fazer como crente é orar a Deus, em particular, até o momento de chegar abertamente para a pessoa de quem gosta e, de forma aberta e sincera, conversar sobre o assunto. Isso feito, inicia-se um período de oração, caso haja uma reposta positiva por parte da outra pessoa, mas não de “rolinho”. Esse período de espera envolve oração com os pais e aconselhamento para fazerem o que é certo.

Os pais?!!! Devo ouvi-los?
Caso os pais não apóiem o namoro, nem continue a pensar sobre o assunto. Não faça nada escondido nem de forma enganosa. Lembre-se de que você deve honrar seus pais, sendo obediente a eles. Êxodo 20.12 diz: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. Efésios 6.1 diz: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”. Entregue o assunto nas mãos de Deus em oração para que no tempo dEle tudo aconteça de forma natural e pacífica.

Muitos adolescentes querem uma independência e uma liberdade que não é correta, pois ela busca somente seus próprios interesses e a satisfação imediata dos desejos do coração. Isso está muito longe do que a Bíblia nos ensina e é prova de falta de maturidade de acordo com 1Pedro 5.5 −  “Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade…”. Se devemos nos portar humildemente em submissão aos mais velhos, com certeza isso se aplica àqueles que nos criaram com amor e, muitas vezes, com grande sacrifício.

Maturidade. É mesmo tempo de namorar?
Falando em maturidade, vamos olhar para alguns conceitos. O primeiros deles já foi mencionado no ponto anterior. Você precisa honrar os mais velhos e ser submisso a eles, reconhecendo que com eles você aprende a viver a vida de forma sábia.

Existe, pelo menos, mais dois textos bíblicos muito importantes para analisarmos quando pensamos sobre maturidade. O primeiro é Efésios 4.11-14, que nos ensina que a maturidade que devemos alcançar faz parte de um processo de crescimento espiritual. “…Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo…” Creio que isso não se aplica somente à vida da igreja como um todo, mas a todos os aspectos da nossa vida pessoal. Como salvos por Jesus, não podemos (e nem temos como) separar em nossa vida as áreas espirituais e as não espirituais. Gostaria de chamar atenção para dois aspectos nesse texto:
1 – o pleno conhecimento do Filho de Deus − a maturidade relaciona-se com o quanto conheço pessoalmente a Jesus;
2 – o trabalho mútuo de aperfeiçoamento dos santos − a maturidade envolve meu relacionamento com outros crentes, não somente com a pessoa com quem desejo namorar.

Você deve avaliar a si mesmo e responder a estas perguntas:
Tenho crescido no meu relacionamento com Deus?
A pessoa que estou pensando em namorar demonstra esse mesmo tipo de desejo e crescimento?
Tenho contribuído para a edificação das pessoas ao meu redor?

O segundo texto que quero comentar enquanto pensamos sobre maturidade é Gênesis 2.18-24. É interessante como aqui Deus descreve o processo da criação da mulher. Veja que Deus havia criado o homem, dado ordens a ele e o colocado para trabalhar. Antes de Deus lhe dar Eva, Adão já havia dado nome aos animais em cumprimento àquilo que Deus havia lhe ordenado. Creio que podemos aprender algo sobre maturidade aqui. O homem teve um tempo para trabalhar e cuidar do que Deus havia confiado a ele, e depois ele recebeu (dada por Deus) a mulher como sua companheira e auxiliadora. A exemplo do texto bíblico, deveríamos nos preocupar primeiro com aquilo que diz respeito aos nossos deveres, ao crescimento pessoal e à maturidade, e depois receber como dádiva de Deus aquela pessoa que Ele tem para nós.

Com quem devo namorar?
O texto de 2Coríntios 6.14 mostra que não devemos nos colocar em julgo desigual com pessoas que não crêem em Jesus como Salvador. Se isso não bastasse, 2Timóteo 2.22 nos ensina a “…fugir das paixões da mocidade e seguir a justiça, a fé, o amor e a paz com os que de coração puro invocam o Senhor”. Estes textos determinam os nossos relacionamentos. Eles dizem com quem devemos nos unir e com quem não. Fugimos das paixões carnais − sejam elas relacionadas ao namoro ou outras paixões/inclinações da nossa carne − e nos unimos àquelas pessoas que buscam de todo o coração seguir a Jesus. Se Jesus é o nosso Senhor e Rei, devemos obedecê-lO em tudo aquilo que Ele ordena. Aliás, essa é uma forma de mostrarmos o quanto O amamos − “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15) − e que somos Seus amigos, pois “vós sois meus amigos, se fazeis o que Eu vos mando” (Jo 15.14).

Quanto tempo deve durar o namoro?
Não há um verso bíblico que trate esta questão de forma direta, mas existem dois princípios nos quais devemos sempre nos apoiar. Eles falam sobre defraudação e santificação, e estão em 1 Tessalonicenses 4.3-6: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação […], que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão”.

O primeiro, a defraudação, diz respeito a como devemos lidar com nosso semelhante, sem criar expectativas que não vamos poder suprir e que iludem a pessoa. Quando temos um namoro muito longo, devido à  intimidade e proximidade, corre-se o risco de acabar “baixando a guarda” quanto a questões muito sérias relacionadas, principalmente, à sexualidade.

O segundo, a santificação, pode ser decorrente do primeiro. Há um dito popular que faz muito sentido: gasolina de crente também pega fogo. O que esse dito quer dizer é que os cristãos também sentem desejos e podem acabar caindo em tentação, levados pela luxúria. Em 1 Tessalonicenses 4.3, quando Paulo nos fala sobre a vontade de Deus, ele nos diz que devemos buscar a santificação e nos afastar de toda sorte de imoralidade, usando o corpo para a santidade. O que a experiência nos mostra é que os casais que namoram muito tempo têm mais problemas com esse mandamento. A proximidade torna-se um atenuante e eles acabam por descuidar da pureza em todas as áreas do relacionamento e confundir o tempo de namoro com um passo mais avançado.

O namoro cristão deve ser fruto de um compromisso pessoal com o Senhor. Tudo aquilo que fazemos, falamos, pensamos deve ser para Sua glória (cf. 1Co 6.20 e Ef 1.12). O namoro cristão não deve ser diferente. E… a Bíblia tem, sim, princípios para responder nossas perguntas e guiar no namoro.

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