Para não esquecer mais

Brad Hambrick, um dos pastores de The Summit Church em Raleig, na Carolina do Norte, e professor de aconselhamento bíblico no Southeastern Baptist Theological Seminary, compartilha sobre um fim de semana especial com seus filhos. É um encorajamento aos pais para que façam dos momentos de diversão também momentos de formação que não serão esquecidos tão logo.  

Desde que meus meninos começaram a falar, decidi usar passeios especiais como cenário para conversas especiais. Já escrevi sobre a primeira experiência, quando viajei com meu filho mais velho para comemorar sua entrada no jardim de infância.[1] Ele começou a chamá-la de nossa “Viagem Especial” e o nome pegou. Nossa “Viagem Especial II” aconteceu num fim de semana.

Além do passeio, a motivação para essa viagem era uma lição de vida. Na primeira série, meu filho mais velho está muito desanimado com a indisciplina de seus colegas de classe. Como parte de um castigo coletivo, ele já perdeu o recreio, tomou lanche em silêncio e enfrentou outras consequências ruins (algo significativo para um garoto de sete anos de idade, muito agradável e social, perfeccionista). Várias vezes, na saída da escola, ele me disse: “Papai, eu fico doido com isso… não é justo… estou triste”. A queda da sua vitalidade era visível.

No encontro de pais e professores, sua professora confirmou que ele estava se comportando bem e comentou que seus esforços para motivar os colegas a obedecerem às instruções eram “excepcionais” (um pai orgulhoso não pode deixar de registrar isso aqui). Então Sallie e eu percebemos que era tempo de procurar (1) encorajá-lo e (2) ensiná-lo sobre a responsabilidade de ser luz em um lugar escuro.

Com esse propósito, planejamos a “Viagem Especial II”. O roteiro era assistir a um jogo de futebol, ir comer steaks (o prato favorito de nosso filho de quatro anos), passar a noite em uma pousada com piscina aquecida e curtir um dia em uma fazenda com parque de diversão, próxima de onde moramos. A finalidade era ensinar duas lições:

“Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar sua vida ao seu fiel Criador e praticar o bem” (1Pe 4.19).

“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 5.16).

Tivemos ótimos momentos enquanto assistíamos ao jogo. Lá pela metade do jogo, meu filho mais velho, extrovertido, olhou para mim e disse: “Papai, é como se eu já conhecesse todos aqui”. Ele já tinha travado muitas conversas. Em seguida, pedimos duas porções de steak no Applebee e meu filho mais novo comeu até não poder mais. Mais tarde, fomos para a pousada e nadamos durante uma hora, com a piscina só para nós, antes de irmos relaxar no ofurô.

Foi então que comecei a conversa sobre a escola. Nós dois falamos durante algum tempo, e então falei em 1Pedro 4. Nós dois falamos por mais algum tempo, e então mencionei em Mateus 5. Depois decidimos brincar mais na piscina. Os meninos correram tanto atrás de mim, ao redor da piscina, que meus pés ficaram machucados. Meu propósito, e também oração, é que meu filho se lembre dessa conversa porque ela aconteceu na piscina aquecida de uma pousada muito agradável. Minha percepção é que ele foi capaz de receber esse conversa como palavras de encorajamento ao invés de um simples “faça o melhor… passe por cima disso” porque foi parte de uma viagem especial.

Voltamos para nosso quarto, peguei minha Bíblia e abri nos textos mencionados na conversa. Eles me perguntaram o porquê dessas passagens estarem marcadas em cores diferentes na minha Bíblia. Depois de conversarmos um pouco mais, lutamos na cama e eles caíram no sono enquanto assistíamos a um jogo de futebol na televisão.

Na manhã seguinte, levantamos, tomamos café da manhã e nadamos mais um pouco antes de eles decidirem que precisavam malhar na academia (outra “experiência de aprendizado” da qual eles realmente gostaram). O almoço foi no Sonic[2] e pedimos o prato favorito de meu filho mais velho. Em seguida, fomos para Vollmer’s Farm, uma fazenda com parque de diversão onde passamos a tarde. Saímos exaustos, após quatro horas de atividades. Meu filho mais novo adormeceu a caminho de casa e o de sete anos iniciou mais uma conversa sobre a escola e como reagir aos amigos.

Minha frase favorita da viagem aconteceu nessa conversa. Meu filho mais velho disse que gostaria que eu fosse professor da escola, porque “Seria preciso alguém como você, papai, para mudar [nome do aluno indisciplinado] ou então outra pessoa que atende pelo nome de Pai… você sabe, Deus”. Em seguida, enquanto fazia planos para impactar seus colegas de escola, ele disse: “Vou apenas continuar a ser um exemplo e a dizer boas palavras para o [nome]. Espero que elas entrem em seu coração e ele mude”. Pouco depois, acordamos seu irmãozinho e saímos do carro para tomar sorvete.

Enquanto tomávamos sorvete, perguntei a cada um qual tinha sido a parte favorita da viagem. O mais velho disse que foi nadar na piscina aquecida e assistir televisão depois de deitar. O mais novo disse que foi lutar na cama e malhar na academia. Então perguntei se eles sabiam qual tinha sido minha parte favorita da viagem. Procurando se mostrar ligeiramente entediado, meu filho mais velho disse: “Eu já sei, papai, foi passar tempo com a gente”.

O que penso ter aprendido com minhas primeiras duas experiências de “Viagens Especiais”:

• pernoitar naquela uma pousada com piscina aquecida foi o máximo para os meus meninos – eles gostaram mais que qualquer outra coisa e, portanto, não vão esquecer tão fácil;

• destacar um ou dois pontos para ensino, ligar os momentos de ensino a algo memorável e permitir que os assuntos escolhidos se façam presentes ao longo do passeio em várias conversas mais curtas em lugar de uma longa preleção;

• divertir-se. Eu não trocaria por nada essas duas primeiras viagens, nem mesmo por algo dez vezes mais caro. Posso dizer que foi o quanto eu me envolvi naqueles momentos de diversão que impediu que as mensagens centrais fossem massivas e matassem as viagens;

• falar sobre a “Viagem Especial” depois da volta para casa. Isto pode ajudar a reforçar as mensagens centrais sem precisar martelar o assunto. É mais fácil evitar uma “conversa indigesta” quando pergunto: “Você se lembra daquilo que conversamos junto à fogueira na nossa primeira Viagem Especial?”.

Fonte: Brad Hambrick: a Blog from a cCunselor to the Church
Original: Reflections on Our “Special Trip II”


[2] Rede americana de lanchonetes especializada em hot-dogs

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