Como aproveitar os artigos e mídias encontrados na internet

curadoria_postO desenvolvimento da tecnologia da informação e da internet abriu possibilidades na educação e no ministério com que antes nem mesmo sonhávamos. Embora algumas pessoas mantenham-se desconfiadas e resistentes a mudanças, o fato é que não estamos mais limitados aos textos impressos em papel. Com um simples clique em um site de busca, é possível localizar na internet uma grande quantidade de textos, áudios e vídeos sobre nosso assunto de interesse. A facilidade da obtenção de informação leva-nos a considerar alguns perigos e dicas para evitá-los.

 1. Cuidado!
Este post foi escrito para ajudar a evitar alguns perigos comuns a que todo “navegante” da internet está exposto.
●  Os itens que aparecem no resultado de uma busca no Google não vêm selecionados quanto à sua qualidade. Os primeiros da lista são os conteúdos mais populares, mas nem sempre os conteúdos mais populares são o alimento mais saudável para a nossa vida cristã e o ministério. Alimento saudável vem de fonte confiável. Aprenda a “navegar na internet sem naufragar.
●  Mesmo após uma seleção criteriosa, o resultado pode não ser apenas um ou dois artigos. Há vários sites que publicam diariamente material de qualidade, o conteúdo multiplica-se com grande rapidez, e podemos ser acometidos por indigestão – excesso de informação que não conseguimos assimilar. A pesquisa requer estratégia e limites.
●  Podemos ter muito alimento estocado e ainda assim morrer de fome por não saber onde ele está quando mais precisamos dele – guardamos uma enorme quantidade de links e downloads desorganizados e, consequentemente, inúteis. Um recurso mal guardado é um recurso perdido.

 2. Não rejeite a internet para o estudo e ministério: aprenda a separar o trigo do joio.
Estamos falando da internet de livre acesso, onde qualquer pessoa pode se expressar. Sim, há muito joio. Mas há trigo também! Vários autores e ministérios cristãos comprometidos com a Bíblia publicam material de qualidade. A utilidade que um recurso pode ter para o seu crescimento pessoal e para o ministério não depende de ele estar publicado na internet ou estar na estante de livros. Considere algumas perguntas que podem ajudar quando visitamos um site:
●  O site inclui uma página que fornece a filosofia e as credenciais da instituição ou do autor?
●  Qual a visão de mundo — ou os óculos para ver e explicar a realidade ao seu redor — que o autor usa? É uma visão que condiz com a Bíblia?
●  O material está baseado em uma interpretação fiel e uso criterioso da Palavra de Deus?
●  O site reproduz material de outros sites/autores? Se sim, as referências são exatas e há links?

 3. Blogs e podcasts, sim! Mas livros também: dê a cada um o seu lugar.
O blog é um tipo de site usado para a publicação rápida de textos não muito extensos. Este fato leva muitos a olharem com desconfiança para os blogs, apontando para a sua superficialidade, e suas razões merecem consideração. O primeiro deles é que um post raramente passa por um processo editorial longo e cuidadoso como aquele a que os livros estão sujeitos. No entanto, há posts redigidos com esmero e cuja classificação em termos de leitura proveitosa supera a de uma parte significativa dos livros disponíveis hoje nas livrarias evangélicas.
Um post costuma ter em média 200 palavras, quando o livro conta em média com 200 páginas para o desenvolvimento de um argumento passo por passo. No entanto, não são raras as vezes em que uma coletânea de excelentes posts tornou-se um livro excelente. Dois exemplos conhecidos são O que estão fazendo com a Igreja, de Augustus Nicodemus Lopes e publicado pela Editora Mundo Cristão, que nasceu no blog O Tempora, O Mores, e o livro Desintoxicação sexual, de Tim Challies e publicado pela Editora Vida Nova, que também nasceu de uma coletânea de posts. Quando é hora de aprender, e de discipular ou aconselhar, tanto os blogs quanto os livros têm seu lugar – cada um tem seu lugar! Bons posts são úteis para ensino, para edificação e para motivar transformação. Eles encontram uma excelente aplicação como tarefas práticas no discipulado e aconselhamento, especialmente quando as pessoas a quem estamos ministrando não têm um hábito de leitura formado, não têm tempo para uma leitura mais extensa ou não têm como adquirir um livro. A leitura de posts, porém, não substitui definitivamente a leitura de bons livros. Manter o equilíbrio é sábio, e é bom lembrar que há conteúdo de enorme valor para o cristão, e extremamente relevante para a formação do discipulador e conselheiro bíblico, que está disponível apenas em livros.

O mesmo podemos dizer para os podcasts. Eles são gravações breves, que podem ser úteis tanto para despertá-lo para um assunto novo que você talvez precise pesquisar mais, quanto para serem usados como tarefas práticas no aconselhamento para despertar uma discussão ou relembrar algo que foi falado durante o encontro. Eles não trazem todo o conteúdo de uma aula ou palestra, mas são ferramentas que podem encontrar lugar na sua rotina informacional e na sua coleção de recursos para usar no ministério.

 4. Menos é mais: não desperdice seu tempo.
Existe muita informação disponível na internet e, independentemente de ser ou não um conteúdo edificante, o fato é que não temos tempo para ler tudo quanto é publicado diariamente. Precisamos decidir quais sites acompanhar. Considere selecionar aqueles que melhor e mais diretamente contribuem para sua edificação pessoal e sua ênfase ministerial. Verifique os assuntos das postagens e a confiabilidade dos autores, confira as indicações feitas por sites que você aprecia, e peça indicações a amigos e líderes cristãos. Filtre aquilo que é mais relevante, restrinja o seu universo de navegação – leia menos, mas leia mais conteúdo de valor para o seu interesse pessoal e ministerial.

 5. Seguir: receba sem ter de ir atrás.
Depois de identificar os sites de interesse, é importante descobrir como fazer para segui-los. É bastante comum o uso da ferramenta “favoritos” do navegador para guardar os sites de que gostamos.  Esta é uma maneira imediata de guardar links, mas é necessário abrir periodicamente cada um deles para verificar se os sites foram atualizados. Isso leva muito tempo se a sua lista de favoritos reunir dezenas de sites. Uma maneira mais prática é assinar “feeds RSS” dos sites. RSS é a sigla em inglês de Really Simple Syndication, que é um formato de arquivo utilizado para compartilhar conteúdo na internet. Com esta tecnologia, as atualizações com o texto e as imagens chegam até você automaticamente, por meio de um aplicativo para ler feeds chamado de “agregador” – pense neste aplicativo como um jornal que você pode personalizar. Antes de adicionar uma nova assinatura, certifique-se de que o conteúdo vale a pena, embora a assinatura de um blog não seja um compromisso inquebrável – quando perceber que o conteúdo é mais distração do que edificação, não hesite em cancelar – lembre que menos é mais!
Ferramentas sugeridas: o Feedly é um ótimo agregador, que pode ser acessado nas várias plataformas e dispositivos móveis. Para encontrar feeds dos sites, utilize o buscador de feeds do próprio Feedly, inserindo a URL do site desejado. Você começará a receber automaticamente o conteúdo de cada atualização, e ainda pode criar pastas para organizar as entras por assunto ou de acordo com os projetos em que você está envolvido.
Um outro recurso é criar listas de interesse no Facebook, visto que boa parte dos blogs e sites possuem uma página no Facebook onde divulgam suas atualizações. Alguns gostam também de seguir sites no Twitter para atualizações.

 6. Selecionar: ganhe uma visão panorâmica com a leitura preliminar.
Mesmo dentro da lista de blogs selecionados, é difícil encontrar tempo para a leitura diária cuidadosa de todos os posts recebidos. É recomendável bater os olhos – olhar para o título e a introdução, fazer uma leitura dinâmica de alguns parágrafos para identificar o argumento – e selecionar aqueles posts que são de interesse para uma leitura mais cuidadosa, posterior.
Ferramentas sugeridasSe você está usando o Feedly, você pode marcar os posts escolhidos com  “guardar para depois”. Se você chegou por outro caminho a uma página interessante, e quer guardá-la para ler atentamente mais tarde, você pode usar a extensão do Evernote e salvar provisoriamente no caderno “nota rápida”. Se você está usando o Diigo, pode salvar como “ler mais tarde”.  Explicaremos mais sobre o Evernote e o Diigo logo adiante.

 7. Avaliar: vá a fundo no conteúdo.
Uma vez que você reduziu o material selecionado às publicações que você quer de fato ler (ou ouvir/ver) e tem condições de processar e reter, é hora de mergulhar no conteúdo. Novamente menos é mais – menor a quantidade de recursos selecionados, maior a reflexão e absorção do conteúdo. Não se limite agora a pular de um post para outro, fazendo uma leitura dinâmica, mas pense naquilo que acabou de ler, avalie as colocações do autor, decida como e quando pode aplicar. A leitura on-line não precisar ser necessariamente superficial e fragmentada, mas pode ser uma leitura muito significativa. Para isso, basta adquirir novos e bons hábitos de aproveitamento do conteúdo da internet, semelhantes aos bons hábitos na leitura de livros. Assim como aproveitamos muito mais a leitura de um livro quando fazemos anotações, aproveitamos melhor também os recursos coletados na internet quando transcrevemos trechos relevantes, registramos nossos comentários, compilamos citações sobre determinado assunto. Estas anotações poderão ser compartilhadas ocasionalmente com outras pessoas para edificar vidas.

 8. Coletar e organizar: garanta que você encontrará o conteúdo quando precisar dele.
No mundo on-line, as mudanças acontecem com extrema rapidez – com frequência, sites retiram páginas ou alteram seus endereços sem dar as indicações necessárias para que sejam localizados. Aqueles materiais que você considerou de valor precisam estar bem guardados para que você possa usá-los mais adiante. E também de nada adianta ter uma enorme quantidade de conteúdo, mas sem nenhuma organização que permita uma rápida recuperação. Além de posts, existem ótimos e-books e audiobooks, que algumas editoras evangélicas disponibilizam para download gratuito, e mensagens em áudio e vídeo para edificação pessoal e uso no ministério. Selecione o que é do seu interesse e reúna todo o material para formar uma biblioteca sempre disponível. A sua coleção de arquivos digitais, assim como a sua coleção de livros e mídias nas estantes, só será útil se você souber o que tem e puder encontrar o que precisa no momento certo, ou seja, se você tiver uma biblioteca organizada. Você pode guardar os posts em formato PDF no seu computador, mas existem hoje aplicativos que facilitam muito tanto o armazenamento como a organização. No uso de aplicativos, é importante criar “tags”, as etiquetas de identificação – por exemplo, se você está coletando links relacionados a ansiedade, crie uma tag “ansiedade” para marcá-los, de forma que você os possa encontrar rapidamente. Cuidado para ser consistente no uso de tags. Não exite uma regra padrão para atribuir assuntos, mas aqui estão algumas dicas:
● estabeleça tags relevantes para o seu uso, de acordo com o seu vocabulário e os seus interesses, para que você possa encontrar rapidamente o que procura entre tantos links;
● use quantas tags quiser e lembre que você pode mudar, adicionar ou excluir tags a qualquer momento;
● seja consistente no uso das suas tags para que você encontre o que precisa. Por exemplo, use sempre “artigos” em lugar de usar às vezes “artigo” (no singular) e outras vezes “artigos” (no plural).
Um material bem organizado, além de bem selecionado, ganha maior valor para o uso no ministério.  Para mais s detalhes de como montar a sua biblioteca, consulte Como organizar e manter uma biblioteca e Como organizar seu material de pesquisa e estudo no computador e ainda Como agilizar o estudo e ministério com aplicativos e serviços on-line.
Ferramentas sugeridas: Se você quer ter os recursos só para o uso pessoal, recomendamos o Evernote. Se você está usando o Feedly, é possível mandar o conteúdo diretamente para o Evernote, organizar em cadernos por assuntos e também colocar “tags” para facilitar a busca, além de acrescentar as suas notas. Tudo ficará disponível para uso no momento adequado, e ainda sincronizado para você usar onde quer que esteja.
É possível compartilhar conteúdo a partir do Evernote, enviando um link das suas notas ou dando acesso a um caderno, mas se você deseja compartilhar sistematicamente seus achados via internet, existem várias ferramentas como o Scoop.it ou o Pearltrees. Conexão Conselho Bíblico escolheu usar o Diigo, pela maior simplicidade de uso e apresentação para o usuário, em conjunto com o InternetArchive, que garante que aquela página está guardada para acesso posterior. O Diigo – Digest of Internet Information, Groups and Other stuff – é uma ferramenta gratuita para o compartilhamento de conteúdo encontrado na Internet. Além de oferecer extensões nos navegadores para facilitar o processo de salvar as páginas desejadas, ele disponibiliza um conjunto de funcionalidades como, por exemplo, “tags” para marcar os assuntos, listas de assuntos, realce para marcar partes do texto com diferentes cores, notas que podem ser adicionadas à página, e tudo com muita facilidade para a busca. Qualquer pessoa pode pesquisar entre os seus favoritos públicos no Diigo sem ser necessário cadastrar-se no serviço, tornando-o uma excelente ferramenta para o ministério.

 9. Compartilhar: edifique outras vidas com um ministério de disseminação de bons recursos.
Nem todos os conselheiros produzem novos materiais com regularidade, mas todos precisam ser leitores ávidos e usuários criteriosos do material que está disponível em diferentes formatos. Desta forma, em lugar de dar início a um novo site que dependeria da produção de conteúdo, é possível abraçar a ideia de compartilhar o conteúdo selecionado. Para compartilhar periodicamente pela internet, você pode recorrer à mídia social, inclusive a um blog, ou a serviços como o Diigo. Se você estiver usando o Feedly, o Evernote e/ou o Diigo, é possível compartilhar diretamente um link para o Facebook e o Twitter, postar no seu blog ou mandar por e-mail. Ao invés de simplesmente repassar conteúdo que já existe, acrescente comentários, mostre por que aquele conteúdo é relevante, escreva sua perspectiva no assunto, inclua mais referências.
Para compartilhar os recursos no ministério pessoal, você pode ou fornecer o link para baixar áudios e vídeos ou providenciar uma cópia impressa dos textos. Vários sites oferecem link para impressão de uma versão do artigo ou post só com o conteúdo, sem os demais elementos da página. Você também pode eliminar os detalhes desnecessários com o uso do PrintWhatYouLike. Se um artigo estiver dividido em mais de uma página e você precisar clicar em “próximo” para ler e imprimir a parte seguinte, você pode usar o PageZipper, que une automaticamente todas as partes antes de criar o PDF. Confira mais ideias em Como usar livros, artigos e outros recursos no seu ministério.

 10. “Curadoria da informação”: este é o nome do processo que apresentamos aqui.
Se algum dia você ouvir falar em “curadoria da informação” ou “curadoria de conteúdo”, saiba que se trata da atividade de ir à internet em busca de conteúdo relevante e de boa qualidade em determinada área de interesse com o propósito de compartilhar com um público específico. O curador de conteúdo busca, filtra, organiza, classifica e compartilha aquilo que realmente vale a pena. No seu caso, como educador, discipulador e conselheiro bíblico, trata-se de uma atividade edificante para você, pois você aprende e cresce bastante no contato com o conteúdo, e que edifica também outras pessoas, ajudando-as a encontrar aquilo de que necessitam para crescer em sua vida e ministério.

 11. Um alerta
Diga-me quais são seus sites, vídeos, imagens e posts favoritos, eu direi quem você é! No mundo atual, é muito provável que você já seja, sem mesmo ter a intenção, um curador de conteúdo. Basta dar uma olhada em seu perfil no Facebook e ver aquilo em que você está “antenado” e que compartilha: as imagens, os links para artigos, os vídeos que escolhe para seus amigos ou para os visitantes do seu perfil. O conteúdo que você divulga revela muito a seu respeito — seu caráter, seus interesses, seu investimento cristão em vidas e no ministério. Use bem o seu tempo e a internet: passe a ser um curador de conteúdo intencional para edificar vidas.

 12. Uma intimação
Se você esquecer tudo aquilo que leu até aqui, guarde este último ponto: use e compartilhe o conteúdo on-line, mas… nunca deixe sua Bíblia de lado! A leitura da Bíblia deve vir em primeiro lugar. Não podemos permitir que outras fontes – material muito bom, mas de “segunda mão” – roube nosso tempo direto de leitura da Palavra de Deus, acompanhado de meditação e estudo da Verdade.