#09 – Como aproveitar os artigos e mídias encontrados na internet

O desenvolvimento da tecnologia da informação abriu possibilidades para a educação e o ministério com que antes nem mesmo sonhávamos. Embora algumas pessoas mantenham-se desconfiadas e resistentes a mudanças, o fato é que não estamos mais limitados aos textos impressos em papel. Com um simples clique em um site de busca, é possível localizar na internet uma grande quantidade de textos, áudios e vídeos sobre nosso assunto de interesse. A facilidade da obtenção de informação leva-nos a algumas considerações importantes.

1. Cuidado!
Esse post foi escrito para ajudar a evitar alguns perigos comuns a que todo “navegante” da internet está exposto.
● Os itens que aparecem no resultado de uma busca no Google não vêm selecionados quanto à sua qualidade. Os primeiros da lista são os conteúdos mais populares, mas nem sempre os conteúdos mais populares são o alimento mais saudável para a nossa vida cristã e o ministério.
●  Mesmo após uma seleção criteriosa, o resultado pode não ser apenas um ou dois artigos. Há vários sites que publicam diariamente material de qualidade, o conteúdo multiplica-se com grande rapidez, e podemos ser acometidos por “indigestão de informação” – um excesso de informação que não conseguimos assimilar. Você precisa aprender a encontrar e escolher recursos.
●  Podemos ter muito alimento estocado e ainda assim morrer de fome por não saber onde ele está quando mais precisamos dele – reunimos uma enorme quantidade de links e downloads desorganizados e, consequentemente, inúteis. Um recurso mal guardado é um recurso perdido!

2. Não rejeite por completo a internet.
Estamos falando da internet de livre acesso, onde qualquer pessoa pode se expressar. Sim, nem tudo que reluz é ouro! No entanto, vários autores e ministérios cristãos comprometidos com a Bíblia publicam material de qualidade – verdadeiro ouro para a sua formação e atuação. A utilidade que um recurso pode ter não depende de ele estar publicado na internet ou estar na estante de livros. Considere algumas perguntas que podem na escolha de bons recursos on-line:
●  O site inclui uma página que fornece a filosofia e as credenciais da instituição ou do autor?
●  Qual a visão de mundo — ou os óculos para ver e explicar a realidade ao seu redor — que o autor usa? É uma visão que condiz com a Bíblia?
●  O material está baseado em uma interpretação fiel e uso criterioso da Palavra de Deus?
●  O site reproduz material de outros sites/autores? Se sim, as referências são exatas e há links?

3. Post e podcasts, sim, mas livros também: dê a cada um o seu lugar.
Muitos olham com desconfiança para os blogs, apontando para a sua superficialidade. É verdade é que um post raramente passa por um processo editorial longo e cuidadoso como aquele a que os livros estão sujeitos. No entanto, há posts redigidos com esmero e cuja classificação em termos de leitura proveitosa supera a de uma parte significativa dos livros disponíveis hoje nas livrarias evangélicas. Também é verdade que post costuma ter em média 200 palavras, enquanto que um livro conta em média com 200 páginas para o desenvolvimento de um argumento passo a passo. No entanto, não são raras as vezes em que uma coletânea de excelentes posts tornou-se um livro excelente. Dois exemplos conhecidos são O que estão fazendo com a Igreja, de Augustus Nicodemus Lopes e publicado pela Editora Mundo Cristão, que nasceu no blog O Tempora, O Mores, e o livro Desintoxicação sexual, de Tim Challies e publicado pela Editora Vida Nova, que também nasceu de uma coletânea de posts. Quando é hora de aprender, e de discipular ou aconselhar, tanto os blogs quanto os livros têm seu lugar. Os posts e podcasts encontram uma excelente aplicação como tarefas práticas no discipulado e aconselhamento, especialmente quando as pessoas a quem estamos ministrando não têm um hábito de leitura formado, não têm tempo para uma leitura mais extensa ou não têm como adquirir um livro. Também são adequados para quando queremos preparar o aconselhado um assunto que será tratado no encontro seguinte ou queremos que ele relembre algo que foi falado durante o encontro anterior. 

4. Menos é mais: não desperdice tempo para ler e coletar conteúdos inúteis.
Existe muita informação disponível na internet e, independentemente de ser ou não um conteúdo edificante, o fato é que não temos tempo para ler tudo quanto é publicado diariamente. Precisamos decidir quais sites acompanhar, e quais descartar. Verifique os assuntos das postagens e a confiabilidade dos autores, confira as indicações feitas por sites que você aprecia, e peça indicações a amigos e líderes cristãos. Filtre aquilo que é mais relevante, restrinja o seu universo de navegação – leia menos, mas leia mais conteúdo de valor para o seu interesse pessoal e ministerial.

5. Seguir: receba conteúdo sem ter de ir atrás.
Depois de identificar os sites de interesse, é importante descobrir como fazer para segui-los. É bastante comum o uso da ferramenta “favoritos” do navegador para guardar os sites de que gostamos.  Essa é uma maneira imediata de guardar links, mas é necessário abrir periodicamente cada um deles para verificar se os sites foram atualizados, o que leva muito tempo se a sua lista de favoritos reunir dezenas de sites. Uma maneira mais prática é assinar “feeds RSS” dos sites. Com esta tecnologia, as atualizações com o texto e as imagens chegam até você automaticamente, por meio de um aplicativo para ler feeds chamado “agregador” – pense neste aplicativo como um jornal que você pode personalizar.
Ferramenta sugerida: o Feedly é um ótimo agregador, que pode ser acessado nas várias plataformas e dispositivos móveis. Você recebe automaticamente o conteúdo de cada atualização dos seus sites favoritos, e ainda pode criar pastas para organizar as entras por assunto ou de acordo com os projetos em que você está envolvido. E mais, a assinatura da feed de um blog não seja um compromisso inquebrável: quando perceber que o conteúdo é mais distração do que edificação, não hesite em cancelar – lembre-se de que menos é mais, menor a quantidade de recursos selecionados, maior a reflexão e absorção do conteúdo.

6. Selecionar: ganhe uma visão panorâmica do conteúdo.
Mesmo dentro da lista de blogs selecionados, é difícil encontrar tempo para a leitura diária cuidadosa de todos os posts recebidos. É recomendável bater os olhos – olhar para o título e a introdução, fazer uma leitura dinâmica de alguns parágrafos para identificar o argumento – e selecionar aqueles posts que são de interesse para uma leitura mais cuidadosa, posterior. Se você está usando o Feedly, você pode marcar os posts escolhidos com  “guardar para depois”. Se você chegou por outro caminho a uma página interessante, e quer guardá-la para ler atentamente mais tarde, você pode usar a extensão do Evernote e salvar provisoriamente para uma avaliação posterior mais detalhada. Conheça mais sobre o EVERNOTE.

7. Avaliar: vá a fundo no conteúdo.
Uma vez que você reduziu o material selecionado àquilo que você quer de fato ler (ou ouvir/ver) e tem condições de processar e reter, é hora de mergulhar no conteúdo, fazer uma leitura cuidadosa, avaliando as colocações do autor e considerando como e quando aplicar. A leitura on-line não precisar ser necessariamente superficial e fragmentada, mas pode ser uma leitura muito significativa. Assim como aproveitamos muito mais a leitura de um livro quando fazemos anotações, aproveitamos melhor também os recursos coletados na internet quando anotamos, registramos nossos comentários, compilamos citações sobre determinado assunto. Estas anotações podem ser compartilhadas ocasionalmente com outras pessoas para edificar vidas.

8. Coletar e organizar: garanta que você encontrará o conteúdo quando precisar dele.
No mundo on-line, as mudanças acontecem com extrema rapidez – com certa frequência, os sites retiram páginas ou mudam de servidor, dificultando o acesso habitual. Aqueles materiais que você considerou de valor precisam estar guardados e organizados para que você possa recuperá-los e usá-los mais adiante. Selecione o que é do seu interesse e reúna todo o material para formar uma biblioteca de links sempre disponível. Você pode salvar páginas da internet em formato PDF e armazená-las no computador, mas pode também guardar os links ou salvar o conteúdo em aplicativos próprios que permitem também organizá-las por assunto com praticidade.
Ferramentas sugeridas: Se você quer ter os recursos só para o uso pessoal, recomendamos o EVERNOTE. Se você está usando o Feedly, é possível mandar o conteúdo diretamente para o Evernote, organizar em cadernos por assuntos e também colocar “tags” para facilitar a busca, além de acrescentar as suas notas. Tudo ficará disponível para uso no momento adequado, e ainda sincronizado para você usar onde quer que esteja.  É possível compartilhar conteúdo a partir do Evernote, enviando um link das suas notas ou dando acesso a um caderno, mas se você deseja compartilhar sistematicamente seus achados via internet, existem outras ferramentas mais próprias para isso. Entre estas, escolhemos o Diigo, pela simplicidade do uso. O Diigo – Digest of Internet Information, Groups and Other stuff – é uma ferramenta gratuita para o compartilhamento de conteúdo encontrado na Internet. Além de oferecer extensões nos navegadores para facilitar o processo de salvar as páginas desejadas, ele disponibiliza um conjunto de funcionalidades como, por exemplo, “tags” para marcar os assuntos, listas de assuntos, realce para marcar partes do texto com diferentes cores, notas que podem ser adicionadas à página, e tudo com muita facilidade para a busca. Qualquer pessoa pode pesquisar entre os seus favoritos públicos no Diigo sem ser necessário cadastrar-se no serviço, tornando-o uma excelente ferramenta para o ministério.

9. Compartilhar: edifique outras vidas com a disseminação de bons conteúdos.
Nem todos os conselheiros produzem novos materiais com regularidade, mas todos podem compartilhar bons conteúdos. Em lugar de manter o próprio blog, que dependeria da produção de conteúdo, é possível abraçar a ideia de compartilhar o conteúdo que você habitualmente seleciona. Para compartilhar pela internet, você pode recorrer à mídia social ou ao e-mail. Ao invés de simplesmente repassar conteúdo que já existe, acrescente comentários, mostre por que determinado conteúdo é relevante, escreva sua perspectiva no assunto, inclua mais referências.

10. “Curadoria de conteúdo”: este é o nome do processo que apresentamos aqui.
Se algum dia você ouvir falar em “curadoria de conteúdo”, saiba que se trata da atividade de ir à internet em busca de conteúdo relevante e de boa qualidade em determinada área de interesse com o propósito de compartilhar com um público específico. O curador de conteúdo busca, filtra, organiza, classifica e compartilha aquilo que realmente vale a pena. No seu caso, como educador, discipulador e conselheiro bíblico, trata-se de uma atividade edificante para você, pois você aprende e cresce bastante no contato com o conteúdo, e que edifica também outras pessoas, ajudando-as a encontrar aquilo de que necessitam para crescer em sua vida e ministério.

11. Um alerta
Diga-me quais são seus sites, vídeos, imagens e posts favoritos, eu direi quem você é! No mundo atual, é muito provável que você já seja, sem mesmo ter a intenção, um curador de conteúdo. Basta dar uma olhada em seu perfil no Facebook e ver aquilo em que você está “antenado” e que compartilha com seu amigos: as imagens, os links para artigos, os vídeos que escolhe para seus amigos ou para os visitantes do seu perfil. O conteúdo que você divulga revela muito a seu respeito — seu caráter, seus interesses, seu investimento cristão em vidas e no ministério. Use bem o seu tempo e a internet: passe a ser um curador de conteúdo intencional para edificar vidas.

12. Uma recomendação
Se você esquecer tudo aquilo que leu até aqui, guarde este último ponto: leia, colete, use e compartilhe o conteúdo on-line, mas nunca deixe sua Bíblia de lado! A leitura da Bíblia deve vir em primeiro lugar. Não podemos permitir que outras fontes – material muito bom, mas de “segunda mão” – roube nosso tempo direto de leitura da Palavra de Deus, acompanhado de meditação e estudo da Verdade.