Brecha em sua [nossa] santidade

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Poucos cristãos evidenciam o desejo de aprumar integralmente a sua vida com Deus. A maioria vai adiante sem dar importância a parecer-se com Cristo — das grandes escolhas aos pequenos detalhes do dia a dia, daquilo que entristece àquilo que diverte. Esta situação motivou Kevin DeYoung a escrever Brecha em Nossa Santidade.

Kevin DeYoung chama o cristão a compreender biblicamente e dar importância à santidade. Um dos capítulos do livro, cuja leitura recomendamos, tem por título “Os santos e a imoralidade sexual”. Embora o escopo do capítulo seja amplo, tratando de várias formas de imoralidade sexual, selecionamos aqui cinco citações que podem nos incentivar especialmente a uma avaliação daquilo que vemos e ouvimos nos meios de comunicação, e daquilo que postamos e curtimos na mídia social.

Existe uma brecha em sua santidade?  Aproveite a oportunidade, como diz o autor, para analisar a sua vida e enxergar que pode estar em descompasso com as Escrituras. O propósito é encorajar no caminho de Deus, de forma que você possa viver de acordo com sua Palavra.

Temo que nós – e existe um “eu” nesse “nós” – não temos olhos para enxergar o quanto o mundo já nos fez encaixar no seu molde. Se pudéssemos transportar cristãos de qualquer outro século que nos antecedeu para ver os países “cristãos” do Ocidente de hoje, penso que o que mais os surpreenderia (além de nossa fenomenal fartura) seria como os cristãos se portam como em casa quanto à impureza sexual. Ela não nos choca mais. Não nos deixa perturbados. Não ofende nossa consciência. Aliás, a menos que seja algo realmente ruim, a impureza sexual parece normal, apenas um estilo de vida e, frequentemente, simples entretenimento.

3 Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. 4 Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças. 5 Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6 Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. 7 Portanto, não participem com eles dessas coisas. 8 Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, 9 pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; 10 e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. 11 Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. 12 Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso.  Ef 5.3-12

De forma mais básica possível, vemos nesta passagem que imoralidade sexual é incompatível com vida de “reino” (v. 5). […] Mas repare que Paulo não para com o simples afirmar que não devemos praticar essas coisas. O padrão da Palavra de Deus é mais alto. Imoralidade sexual, impureza, cobiça (especialmente, neste contexto, o desejo insaciável pelo corpo de outra pessoa) não devem nem ser mencionadas entre vocês. A NVI usa a frase “nem sequer menção”. Há não muito tempo eu dirigia rumo ao meu trabalho, ouvindo um programa de entrevistas no rádio. O anfitrião do programa começou a dar as últimas “notícias” quanto a uma de nossas celebridades mais ordinárias. Enquanto ele ria acerca dessas revelações fresquinhas de depravação moral, encontrei-me curioso e enojado ao mesmo tempo. Graças a Deus, eu trabalhava neste capítulo naqueles dias, portanto o enojar triunfou e eu mudei de estação. “Nem sequer menção” não nos permite divertir com as coisas que são escandalosamente não dignas de menção. Da mesma maneira, o v. 4 fala contra obscenidade, conversas tolas, gracejos imorais, que são inconvenientes. Se formos honestos, é comum nos permitirmos estar expostos à imoralidade sexual e à tentação à impureza, e chamamos isso de divertimento “inocente”. 

Queridos irmãos e irmãs, precisamos ser mais vigilantes. Com nossos filhos, nossas famílias, com nossas contas de Facebook, com nossos textos, nosso tuitar, com nossos olhos e coração. Será que somos diferentes do que a cultura ao nosso redor? Será que não fizemos uma falsa paz conosco mesmos, por meio da qual dissemos “nós não faremos as coisas que vocês fazem nem seremos sensuais como vocês são, mas de bom grado assistiremos vocês fazendo essas coisas em nosso lugar”? O tipo de coisa que Paulo nem ousava mencionar, o tipo de coisas sobre as quais não ousava fazer piadas, os comportamentos vergonhosos demais para serem sequer citados – nós ouvimos isso tudo nos enlatados estrangeiros, seriados de TV, novelas e assistimos isso no telão do cinema. Sinto que muitos de nós ficamos entorpecidos ao veneno que estamos bebendo. Quando o assunto é imoralidade sexual, o pecado parece ser coisa normal e a justiça (em termos de valor espiritual) parece algo um tanto quanto alienígena, e acabamos nos parecendo com todos os demais à nossa volta.

Somos santos, assim declarados em Cristo, e tornando-nos gradativamente (mais) santos por seu Espírito. Imoralidade sexual não é apenas algo errado para nós. Ela não nos serve. É imprópria. […] Sei que é fácil ser excessivamente dogmático acerca de coisas que a Bíblia não trata diretamente, como filmes e música, namoro e forma de vestir. Precisamos permitir que bons cristãos tomem decisões diferenciadas para si mesmos. Não quero minimizar a realidade da liberdade cristã e da consciência. Mas se você está em Cristo, considere, por favor, se a sua consciência está funcionando tão bem quanto deveria.

A imoralidade sexual está por toda parte para vermos, e pouquíssimos de nós, com a mente de Cristo, estamos nos preocupando em fechar os olhos.

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DeYOUNG, Kevin. Brecha em nossa santidade. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. Capítulo 8.

Você pode conhecer mais a respeito do livro e ler um trecho disponibilizado pela Editora Fiel.

Assista também ao vídeo.