Passo 3: Aprenda a interagir com os recursos que você escolheu para a sua coleção, conectá-los um ao outro e registrar seu aprendizado.

O processo de encontrar e escolher recursos não acontece para que você seja um “colecionador”. O propósito é que você aproveite os recursos coletados para crescer na vida cristã e se preparar para investir na vida de outras pessoas. É preciso interagir proveitosamente com os recursos: ler os livros e artigos, ouvir as gravações e assistir aos vídeos, fazer anotações e organizar os dados tanto para sistematizar o seu aprendizado quanto para se preparar para a comunicação oral e escrita no ministério. Nos exemplos dados, enfatizamos a leitura, mas boa parte das sugestões aplicam-se igualmente à interação com áudios e vídeos.

A LEITURA INTERATIVA

No processo de escolha dos itens, explicado no passo anterior, já aconteceu uma leitura preliminar. Você já identificou o autor, a proposta e os pontos tratados, e teve uma primeira ideia sobre o desenvolvimento do conteúdo. Na fase atual, a leitura interativa, cada texto deve ser lido atentamente, uma ou mais vezes, para a boa compreensão do conteúdo e um diálogo com o autor.

● Mantenha uma lista de controle das suas leituras. Nem sempre você encontra tempo para ler tudo quanto gostaria. Identifique, portanto, as leituras mais importantes, considerando as áreas em que você deseja crescer pessoalmente e as necessidades ministeriais imediatas – busque o equilíbrio, nem sempre fácil, entre o importante e o urgente. Divida os livros em diferentes categorias e ordene-os dentro delas, levando em conta uma continuidade dentro do assunto em foco. Se o objetivo for estudar o desenvolvimento de um assunto ao logo do tempo, a leitura cronológica (do item mais antigo para o mais recente) é recomendável. Em outros casos, é preferível ir dos textos gerais para os mais específicos — por exemplo, entenda o conceito de aconselhamento bíblico para depois considerar o aconselhamento de adolescentes. Se você tem na lista dois ou mais livros de um mesmo autor, é recomendável lê-los em sequência e do mais antigo para o mais recente, de forma a perceber a evolução do pensamento do autor. À medida que surgirem novos títulos, acrescente-os à lista. Você se sentirá mais incentivado a concluir um livro se já tiver uma lista de espera com outros títulos. Se adquiriu um livro novo com a intensão de ler, não deixe de colocar na lista antes de colocar na estante. Isso garantirá que ele não fique esquecido.

● Tenha alvos definidos.  Estabeleça um alvo para o semestre ou para o ano medido em número de livros — por exemplo, ler doze livros no ano. No entanto, estabeleça também um alvo semanal de leitura que seja razoável para você, medido em número de páginas. Trabalhe com determinação. Embora você tenha um alvo a cumprir, não se prenda demasiadamente a um número estabelecido de páginas ou capítulos por dia, pois alguns capítulos podem ser de leitura e compreensão mais demorada do que outros. Controle o seu andamento, mas com uma flexibilidade razoável.  Lembre-se de que o tempo para leitura deve estar marcado na sua agenda e precisa ser condizente com as demais atividades do seu dia ou semana. Não ceda à tentação de usar o tempo planejado para leitura com outras atividades, a não ser em situações de extrema necessidade.
Um encorajamento para os iniciantes: se você separar 45 minutos diários para a leitura e conseguir ler nesse período uma média inicial de 20 páginas, você já poderá ler 600 páginas por mês! Com o tempo e a prática, sua velocidade de leitura pode aumentar.

● Crie uma rotina de leitura. As horas do dia separadas para leitura e estudo devem condizer com o seu ritmo físico de rendimento. Por exemplo, se você sente mais sono à noite, não separe as últimas horas do dia para a leitura, pois você dormirá sobre o texto. A verdade, no entanto, é que se você não estiver com o seu sono em dia, com certeza terá maior dificuldade para se concentrar em qualquer hora do dia. Durante um bloco maior de tempo separado para leitura, se você sentir dificuldade para concentrar a atenção, faça uma pausa de cinco minutos a cada meia hora, por exemplo. Levante, caminhe, faça alguma atividade enquanto reflete sobre as ideias já lidas. Ao terminar seu tempo de leitura, deixe registrado o ponto onde você parou.

● Escolha o ambiente de leitura adequado para você. Na medida do possível, estabeleça um lugar habitual para ler e estudar, um lugar que favoreça a concentração. Fuja das distrações, e especialmente das redes sociais. Pode ser que você consiga se concentrar melhor com uma música de fundo, desde que a letra da música não o distraia.

● Conheça o autor com quem você está dialogando. Todo livro traz consigo algo do coração e da mente de um autor. Se for a primeira vez que você estiver em contato com determinado autor, procure conhecer quem é a pessoa com quem você passará várias horas de leitura e conversará ao longo do texto. Normalmente, os livros trazem uma breve biografia do autor, mas você pode ir ao Google e conhecer muito mais. Procure levantar não só os dados pessoais como idade e família, mas sua formação e seu envolvimento ministerial.

● Estude os livros.  Comece sempre por identificar a caminhada proposta pelo autor, assim como você costuma olhar para um mapa que lhe dá o percurso antes de você começar uma nova viagem. Isso você fará pelo sumário do livro, onde os títulos e subtítulos das seções o ajudam a entender o desenvolvimento do argumento. Enquanto alguns livros, ou algumas partes de um livro, podem ser objeto de uma leitura rápida devido ao tipo de conteúdo, outros exigem uma leitura mais lenta ou mesmo mais do que uma única leitura para que se chegue a uma boa compreensão do conteúdo.

## Trabalhe um capítulo por vez: perceba a estrutura e entenda a mensagem. Identifique a introdução, a ideia central, a argumentação, as ideias complementares, a conclusão. Dê atenção aos subtítulos para entender o desenvolvimento da ideia central.  Esteja atento às palavras que indicam a estrutura do capítulo — “primeiramente”, “em segundo lugar”, “portanto”, “finalmente”. Terminada a leitura de um capítulo, resuma o que o autor comunicou, e faça anotações (falaremos logo mais sobre as anotações): Qual é a mensagem básica do capítulo? Quais os conceitos discutidos? Quais os argumentos? Qual a conclusão do capítulo e como ela coopera para o livro como um todo? O que faltou tratar nesse capítulo?
## Durante a leitura, se você encontrar parágrafos mais difíceis de entender, não pare demasiadamente, mas registre sua dúvida e siga em frente, pois o esclarecimento pode vir pela continuidade da leitura.
## Leia as notas de rodapé ou as notas no final do livro. Elas costumam ter observações que auxiliam ou ampliam a compreensão do texto.
## Certifique-se de entender os termos usados pelo autor. Tenha por perto um dicionário, pois ele é seu aliado quando o autor utiliza uma terminologia com a qual você não está familiarizado.
## Tenha sempre por perto a sua Bíblia. Quando houver referências bíblicas sem o texto completo, pare e leia na sua Bíblia para que você compreenda o pensamento do autor. Aproveite para verificar a hermenêutica e a adequação das aplicações feitas pelo autor.

● Leia com interesse e discernimento. Algumas vezes, é proveitoso ler obras de autores dos quais discordamos, mas não leia apenas para derrubar seus argumentos. Leia de forma graciosa, com interesse em entender, e não permita que a interferência de preferências pessoais o leve a uma visão distorcida do conteúdo ou a manipular tendenciosamente o texto. Cada texto pode e deve ser avaliado, mas nunca distorcido para dizer aquilo que seus autores não disseram.  Tome posição − é coerente, é relevante? Se o autor dá uma base bíblica para seus argumentos e afirmações, verifique se ela condiz com uma interpretação correta da Bíblia ou se o texto bíblico foi tirado do contexto. Se você encontrar um livro que é particularmente controverso, pode ser útil procurar uma resenha que interaja com os argumentos e lhe permita entender melhor as implicações, ou procure conversar com um amigo que já tenha completado a mesma leitura. Você não precisa temer a leitura de autores dos quais discorda, desde que você leia com discernimento e tome posição ao lado das Escrituras. Ao mesmo tempo, não tema quando for hora de deixar de lado um livro que não trata daquilo que você esperava ou não trata satisfatoriamente do assunto, sendo impreciso ou incompleto. Você é responsável por aproveitar bem o seu tempo!

● Estabeleça conexão com outros conteúdos. Verifique se o autor está envolvido em um debate com outros escritores. Em que ponto ele se insere na história da discussão desse assunto? Os termos que o autor usa são típicos de uma filosofia ou metodologia de aconselhamento? Que outras abordagens do assunto você já conhece e quais precisa conhecer? Se o autor cita outros autores, na medida do possível, recorra às fontes originais para ampliar seu conhecimento.

● Compartilhe a leitura com outros. A leitura costuma ser vista como uma atividade individual. No entanto, ela não só pode, mas deve estar associada a uma atividade relacional extremamente proveitosa. Peça indicações de livros a pessoas que compartilham seus interesses. Troque ideias com outras pessoas, a partir de uma leitura, pois fazê-lo contribui para que você organize melhor as suas ideias de maneira a poder expressá-las e, na conversa, amplie a compreensão de leitura. Outros tiveram um entendimento semelhante ao seu? Outros podem esclarecer alguns pontos que ficaram confusos para você?

● Leve sempre um livro ou um artigo com você. Embora a leitura de textos mais pesados possa render mais se você estiver no seu local de estudo, você pode também aproveitar outros momentos do dia para leitura, e especialmente o tempo de espera em consultórios, filas e outras situações de “tempo morto”. Reserve para tais momentos as leituras mais leves, que você já deve ter identificado na sua lista inicial de leituras, e tenha sempre com você algo pronto para ler, colocado de antemão em seu smartphone ou tablet em forma de e-book ou PDF.

AS ANOTAÇÕES

É fácil esquecer o que lemos quando não mantemos um registro da leitura interativa. Um benefício “extra” de fazer anotações é que esta prática o mantém desperto durante a leitura e treina a sua expressão em palavras. Quem diz que entendeu aquilo que leu, mas não sabe expressar as ideias em palavras, geralmente não entendeu o conteúdo do livro.

 O que anotar
No início de um capítulo, ou se houver espaço em branco no final, registre uma frase ou parágrafo que resuma aquele capítulo. Você terá uma referência rápida quando voltar a folhear o livro.
## Registre perguntas, dúvidas, comentários que surgirem durante a leitura — aquilo que você aprova ou de que discorda.
## Registre anotações cuidadosas, extensas e ordenadas de o conteúdo que o impactou e que tenciona aproveitar mais tarde. Não esqueça de registrar o número da página onde a informação se encontra. Se você não anotar esses dados durante a leitura, poderá mais tarde gastar muito tempo para encontrá-los novamente e dar crédito preciso à informação em uma citação. Por falar em citações, registre, entre aspas, as palavras exatas do autor, com a devida pontuação, para poder citar corretamente.  Anote também os seus comentários e as ideias que surgiram durante a leitura, mas quando for registrar observações pessoais, identifique por meio de cores ou usando colchetes para, mais tarde, saber distinguir entre as ideias do autor e os comentários feitos por você.
## Compile um sistema de referências cruzadas, identificando quando o autor trata o mesmo assunto em diferentes momentos.
## Faça esquemas ou mapas conceituais do livro ou dos capítulos, pois eles facilitam a compreensão do desenvolvimento do argumento.

● O momento de fazer anotações
É possível usar diferentes meios para registrar e organizar as anotações de leitura. Você precisa descobrir aquele que dá melhores resultados no seu caso. O importante é que as suas anotações sejam bem organizadas e de acesso fácil para que você não se sinta perdido em um mar de ideias que, mais adiante, não servirão para nada.

## As primeiras anotações — no livro. Algumas pessoas não gostam de “estragar” o livro com anotações. No entanto, se o livro impresso for seu, considere vencer a barreira do “estrago arrepiante” e tenha um lápis ou caneta na mão porque as anotações são extremamente úteis na leitura interativa.  Se o texto estiver em formato digital, aproveite o sistema de notas oferecido pelo aplicativo que você estiver usando. Identifique as palavras importantes, as definições, frases ou parágrafos para referência futura. Você pode ainda usar as páginas finais do livro para anotar os assuntos tratados pelo autor e compilar um índice tópico pessoal.

anotacaoEstabeleça um “código” de marcas como, por exemplo, pontos de exclamação e de interrogação, que podem identificar uma ideia que é especialmente marcante e precisa ser lembrada ou um trecho que precisa de uma análise mais aprofundada. Adicione notas de referência cruzada. Identifique e marque a estrutura do texto em pontos – use números ou letras.  Use setas para ligar palavras ou ideias.
postitSe o livro for emprestado, tenha em mãos um bloco do tipo “Post-it”. Para quem não quer ou não pode fazer marcas no livro, o ‘Post-it” e os pequenos marcadores “flags” são recursos úteis para anotações breves. O recurso de fotografar parte do texto também pode acontecer nesta etapa, mas é preciso guardar adequadamente e catalogar as fotos para que o conteúdo possa ser usado com proveito. Nunca faça anotações a lápis para apagar, pois a borracha sempre danifica o papel.

## As anotações mais extensas — extraídas do livro. Algumas pessoas preferem fazer anotações mais extensas a cada capítulo lido. Outras deixam para redigir as anotações ao término da leitura do livro. Outras ainda, completam a leitura de todos os livros de uma bibliografia selecionada para determinado propósito e, seguida, voltam às partes grifadas de cada livro, pois assim selecionam para anotações detalhadas apenas aquilo que de fato é relevante em cada livro e autor, e evitam repetições. O importante é registrar anotações cuidadosas e ordenadas do conteúdo que se tenciona aproveitar.

● As características de uma boa anotação
## É fiel ao relatar a ideia exposta pelo autor consultado.
## É clara e completa o suficiente para ser compreendida quando for consultada mais tarde.
## É precisa na indicação das fontes: obra, autor, página e outros dados bibliográficos.

● Onde registrar e guardar as anotações
## O velho método das fichas de leitura. Esse método ainda pode ser válido se você estiver longe do seu computador e não tiver a mão um aparelho móvel que permita instalar um aplicativo de notas que sincronize os dados. É altamente recomendável que, mais tarde, você as digitalize e guarde para não correr o perigo de perder algumas folhas soltas que contêm anotações preciosas.
## Os documentos e planilhas digitais. Esse método permite fazer buscas rápidas e acessar o documento em qualquer computador ou dispositivo móvel usando as ferramentas de sincronização e busca. Com esse método, é possível copiar e colar as suas anotações quando estiver produzindo um novo recurso. Nunca esqueça, porém, de manter um backup do seu trabalho. Se você usar este método é muito importante que dê nome aos documentos e os reúna em pastas de forma a poder encontrá-los. Nessas mesmas pastas podem ser arquivadas também as imagens, os documentos formato PDF e até os áudios e vídeos referentes a determinado assunto.
## As notas registradas em aplicativos. Vários aplicativos permitem que você guarde as anotações nos diversos formatos, imagem, gravações em áudio e vídeo, trabalhando on-line ou off-line, organize em “cadernos” e as classifique por “tags’, ou assuntos, de forma a facilitar a busca na hora do uso. Quais são os melhores aplicativos? A escolha depende bastante de uma preferência pessoal.

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QUADRO DE APLICATIVOS

Uma dica é que embora a variedade de aplicativos disponíveis com funções bem específicas seja grande, e a cada dia surjam novidades no campo da tecnologia, “menos pode ser mais” na hora de agilizar o seu trabalho. Isso quer dizer que a escolha de um aplicativo estável e que lhe proporcione as principais ferramentas de trabalho pode ser mais proveitosa do que o uso de um conjunto de aplicativos que podem mais confundi-lo do que ajudar.  Nossa principal sugestão para a gestão e a pesquisa de sua coleção de recursos é o Evernote. Ele  pode ser o“cérebro virtual” do conselheiro.

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O EVERNOTE PARA O CONSELHEIRO BÍBLICO

● A reprografia. E o que dizer da prática de fazer cópias reprográficas de livros ou artigos, as “cópias xerox”, para coletar informação consultada especialmente em bibliotecas ou livros emprestados de amigos? Até 1998, a lei 5.988/73, que regulava a reprodução de obras possibilitava uma reprodução integral. Os direitos autorais no Brasil são regulados hoje pela Lei 9.610/98. No artigo 46, a lei indica que não constitui ofensa aos direitos autorais “a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro”. O que devemos entender por “pequenos trechos”? O texto da lei não define se um pequeno trecho significa, por exemplo, um capítulo ou se deve ser mensurado em forma de uma determinada porcentagem. A falta de objetividade abre espaço para interpretações diferentes. As opiniões variam entre 10 a 30% de um livro, ou até mais. Alguns falam em um capítulo de livro ou um artigo de revista. E como aplicar a regra dos “pequenos trechos” para obras que não podem ser fracionadas em 10%, 20% ou 30%, como ilustrações, fotografias e desenhos? O assunto, de fato, é controverso e a Lei está em processo de revisão. Cabe a você, por enquanto, conhecer e avaliar a questão, e decidir como agir para que não fira a sua consciência e o testemunho cristão.