Passo 5. Aplicar com eficácia

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Pouco valor há em reunir e organizar o material impresso e digital se essa coleção não favorecer alguma transformação em vidas: na sua vida e na vida de outras pessoas. Para cada recurso que faz parte da sua coleção, você deveria ser capaz de dizer para que ele está lá, qual a utilidade: Este livro (ou vídeo, ou áudio) é útil se você quiser…  

.…..1. APLIQUE NO CRESCIMENTO PESSOAL E MINISTERIAL

Ainda que seja recomendável frequentar cursos e conferências para o aperfeiçoamento ministerial, é possível tirar proveito de um plano pessoal de estudo. Você encontra orientações mais detalhadas para um roteiro de estudo em Aprender mais sobre o aconselhamento bíblico: plano pessoal de estudo. O aprendizado independente não substitui de forma integral um curso no qual você tem oportunidade de interagir com professores e colegas, e de exercitar-se na prática ministerial com acompanhamento. No entanto, é algo que você deve buscar ativamente ao longo da vida, e uma coleção de recursos bem selecionada e organizada é fundamental para isso.

……2. APLIQUE NO MINISTÉRIO UM A UM

Em conversas ocasionais, presenciais ou on-line. Aproveite as oportunidades para citar e ou recomendar algum texto que você leu, e mencione os destaques do livro ou artigo e como esses se aplicam à vida da pessoa. Recomende áudios e vídeos, aproveitando boas palestras e sermões disponíveis na internet.  Nos contatos on-line, envie os links por e-mail, Facebook ou outro meio de comunicação. Quando você não pode estar presente ao lado de uma pessoa, os materiais com conteúdo baseado na Palavra de Deus podem ser um veículo para encorajar, dando esperança à pessoa. Eles podem também expor o coração e o comportamento à luz da Bíblia, e ainda ensinar a pensar biblicamente a respeito de um problema que a pessoa esteja enfrentando e da solução providenciada por Deus, além de aplicar o ensino de forma prática.

Durante os encontros de discipulado-aconselhamento. Tenha o hábito de destacar textos importantes nos livros e artigos que você lê, e use citações adequadas ao problema com o qual está lidando. O ideal é você ter as suas citações guardadas e organizadas por assunto, de modo que possam ser facilmente recuperadas para aplicar no ministério. Dependendo da necessidade da pessoa que você está ajudando, use essas citações que já o impactaram. Abra um livro e leia um trecho para o seu aconselhado, compartilhe como ele foi importante para o seu crescimento e explique como ele se relaciona com os problemas do seu aconselhado. Você pode pedir que ele mesmo leia e, em seguida, você pode fazer perguntas para verificar o entendimento e suscitar possíveis aplicações, dando tempo para ele pensar e responder. Deixe o aconselhado fazer perguntas e discutam os pontos mais “difíceis de digerir”.

No discipulado, uma atividade muito edificante para discipulador e discípulo é escolherem um bom livro e ambos lerem um capítulo por semana, ou a cada quinze dias, e marcarem um encontro para conversar sobre o conteúdo.

No intervalo entre encontros. Muitas vezes, pela limitação de tempo, não podemos ensinar tudo quanto gostaríamos ou seria necessário ensinar. Outras vezes, quando estamos envolvidos em uma sequência de encontros semanais ou quinzenais com um aconselhado, queremos que a pessoa não interrompa o aprendizado iniciado durante o encontro – queremos manter a verdade bíblica viva em sua mente e na prática. É nesses contextos que os recursos informacionais se tornam particularmente úteis nas tarefas práticas para o aconselhado fazer entre um encontro e outro com o propósito de despertar a discussão e a aplicação. Seja enfático ao atribuir a tarefa. Não diga: “Leia isto [ou ouça isto] porque você irá gostar”. Diga: “Leia [ou ouça] isto porque é a base para o nosso próximo encontro e você precisará ter completado a tarefa para prosseguirmos”.  Você pode também preparar perguntas para entregar à pessoa. Evidentemente, é algo excelente quando o aconselhado pode ter o livro e voltar a consultá-lo mais adiante. Dependendo, porém, do poder aquisitivo das pessoas a quem você ministra, é preciso você ter os livros essenciais, aqueles que você costuma atribuir como tarefa, disponíveis para emprestar. No caso de artigos disponíveis na internet, talvez você precise imprimi-los se a pessoa não tem como acessá-los.

Conheça o aconselhado, conheça o recurso! Para acertar no tipo de recurso e na dosagem, é preciso que você conheça muito bem tanto os recursos quanto a pessoa. Algumas pessoas têm maior habilidade na leitura do que outras, e ficam motivadas quando você pede a leitura de um livro inteiro. Para outras, a leitura não pode passar de um breve artigo bem específico e adequado à necessidade. Para pessoas com dificuldade na leitura, os vídeos são excelentes.  Áudios e podcasts também são práticos por não exigirem atenção visual. Por isso é recomendável que a sua coleção de recursos não inclua apenas livros.  Você encontra posts, podcasts e vlogs excelentes em sites e blogs.  Tome cuidado, porém, para que essas tarefas não tirem o seu aconselhado da leitura diária da Palavra de Deus.

A recomendação de um livro para um aconselhado que esteja dando seus primeiros passos na vida cristã é diferente da indicação de livros para alguém que você esteja discipulando no ministério, e que poderá se beneficiar de textos para leitura crítica. Neste caso, aproveite o uso de livros e mídias para ajudar a pessoa a aprender a identificar a qualidade dos recursos que ela encontrará no futuro. Não dê apenas o peixe – ensine a pescar!  Quatro perguntas podem ajudar no aprendizado de avaliar os recursos informacionais.

1- Este livro está alicerçado na verdade bíblica?
Seja qual for o assunto, o conteúdo do livro foi elaborado a partir da Bíblia, ou será que o autor partiu da sabedoria e experiência humana e foi depois à Bíblia para encontrar textos que de alguma forma pudessem validar teorias alheias à Palavra de Deus? Na Bíblia, Deus nos dá o privilégio de aprender a ver a vida através da Sua perspectiva. Se queremos entender o ser humano e seus problemas pessoais e interpessoais, e encontrar soluções cristãs, devemos ir diretamente ao ensino e instruções do Autor da vida. Esta é a diferença, por exemplo, entre O Coração da Ira, por Lou Priolo e Educando Crianças Geniosas, por James Dobson. Ambos são escritos por cristãos para ajudar os pais a lidarem com filhos difíceis de conduzir. O primeiro ensina a lidar com o filho a partir da Bíblia, enquanto o segundo busca alicerce em teorias e experiências humanas. Isso não quer dizer que não há absolutamente nada certo ou aproveitável no livro de James Dobson, mas ele não ensina a construir sua perspectiva de vida a partir do alicerce firme e imutável da Palavra de Deus. As teorias e observações humanas podem mudar, a Palavra de Deus é viva e eficaz de geração em geração.

2-  Este livro usa com precisão a verdade bíblica?
É natural que livros cristãos usem textos bíblicos no desenvolvimento de seu argumento. Alguns usam os textos bíblicos adequadamente, enquanto outros usam versículos com interpretação errada ou fora do contexto. Se você quer entender mais sobre este aspecto, consulte Estudo da Bíblia e Uso no Aconselhamento ou leia o capítulo Interpretando a Palavra de Deus Corretamente em Mulheres Aconselhando Mulheres, compilado por por Elyse Fitzpatrick.

3-  Este livro reflete o evangelho de Cristo?
Os cristãos devem pensar e agir distintamente como alguém que “está em Cristo” nas diversas áreas da vida, que pensa continuamente com a mente de Cristo. Os cristãos devem ver a vida à luz de duas realidades fundamentais: a nossa luta contínua com o pecado e nossa necessidade contínua da obra e da graça de Cristo. Assim como é bastante fácil deslizar para “meia dúzia de regras para…” ou “meia dúzia de dicas para…”, também é fácil deslizar para uma graça que desconsidera a necessidade constante de verdadeiro arrependimento diante de Deus como base de uma mudança real e duradoura (Ef 4.22-24) que acontece pela graça (Fp 2.12, 13). Vários livros cristãos oferecem orientações práticas para uma vida bem-sucedida, mas esquecem que de nada vale sermos bem-sucedidos se este “sucesso” não for resultado de um coração transformado verdadeiramente por Cristo e que vive conscientemente perante Deus (Rm 12.1, 2).

4-  Este livro é útil para o ensino, a repreensão e a correção, e também a educação na justiça?
Bons livros devem não apenas ensinar a verdade de Deus, mas também levar o leitor a estudar mais a Bíblia, perceber claramente em quais pontos ele tem ficado aquém do plano de Deus para sua vida e ajudá-lo na aplicação prática da verdade. A Bíblia é muito clara em dizer que conhecimento deve ser seguido pela prática: “Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática. E o Deus da paz estará com vocês” (Fp 4.9). Conhecimento deve resultar em vida agradável a Deus: “Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra” (Cl 1.9, 10).

Em todas as situações. Parte fundamental da sua tarefa ministerial é mostrar a Pessoa de Cristo, e a supremacia e suficiência das Escrituras para lidar com os problemas do cotidiano de forma agradável a Deus. Não permita que as pessoas que você discípula e aconselha aprendam a depender de livros e mídias, e recebam um ensino bíblico sempre de segunda mão. É bom e útil você usar recursos como livros e mídias, mas use uma boa “dose direta” de Bíblia. Abra a Bíblia, mostre onde estão os textos citados nos livros, incentive a memorização de versículos, atribua leitura e estudo bíblico como tarefa. Cuidado para não criar uma “cultura de leitura”, mas não uma “cultura de Bíblia” entre seus discípulos e aconselhados!

……3. APLIQUE NO MINISTÉRIO COM GRUPOS DE DISCIPULADO E TREINAMENTO

No trabalho com grupos de discipuladores e conselheiros, além de poder aplicar as sugestões dadas acima, considere ainda algumas outras possibilidades.

Organize grupos de leitura. Em um ambiente de pequeno grupo, os livros ganham vida por meio das discussões e troca de experiências. No grupo de pessoas que você treina e acompanha, sugira a formação de um ou mais grupos de leitura. Cada grupo deve escolher um livro de acordo com o interesse dos participantes. Os encontros podem acontecer a cada capítulo lido individualmente, com frequência semanal ou quinzenal, e as perguntas de discussão devem ir além do tradicional “O que você achou do capítulo?” ou “Qual o parágrafo de que você mais gostou?”. Para ver o crescimento concreto em vidas, incentive uma discussão objetiva não só das melhores partes do texto, mas de possíveis aplicações concretas e contextualizadas do texto aos problemas do cotidiano da vida pessoal e ministerial dos participantes. E nos encontros seguintes, incentive o acompanhamento das aplicações que foram sugeridas. Aproveite também para ler livros que ajudem a formar uma filosofia bíblica do ministério e deem boas sugestões para a prática ministerial. Se no seu ministério nunca houve grupos de leitura, é bom que você mesmo forme e lidere inicialmente um grupo pequeno. Mais adiante, cada participante do seu grupo poderá formar e liderar outros grupos – invista em multiplicação!

Mantenha uma lista de livros e outros recursos recomendados. Mantenha uma lista de recursos em local facilmente acessível para o grupo e, caso você tenha um blog ou página no Facebook, disponibilize essa lista para que outras pessoas também aproveitem o acesso a ela. Mantenha a lista de títulos sempre atualizada e organizada por assunto, incluindo também materiais para estudo da Bíblia e da teologia cristã, além do aconselhamento bíblico. Para os livros, consulte as bibliografias de Conexão Conselho Bíblico.  Para uma variedade de recursos com acesso on-line, consulte a Infoteca e também nosso indicador de sites e blogs.

Incentive a formação de uma biblioteca para o ministério. Nem todos têm os recursos financeiros necessários para adquirir todos os livros e mídias que podem ser úteis no treinamento e prática ministerial. Uma biblioteca com ênfase em recursos para o discipulado e aconselhamento, e também recursos para o estudo bíblico-teológico do discipulador e conselheiro, pode colocar bons livros e mídias ao alcance de todos. Não há necessidade de ser uma biblioteca muito grande, mas deve ser uma biblioteca de qualidade. Você pode pedir doações ou bons descontos às editoras, explicando a iniciativa. Cada participante do ministério também pode colaborar com itens para o acervo, dependendo da disponibilidade pessoal. Você pode consultar nossas orientações iniciais para planejar um Centro de Recursos para Educação e Ministério.

……4. APLIQUE NO MINISTÉRIO DE AMPLO ALCANCE: O CONSELHEIRO COMO MEDIADOR DE RECURSOS

O seu ministério pode ter um alcance amplo se você usar a internet para a disseminação dos recursos que você seleciona. Se você ouvir alguém falar em “curadoria da informação”, saiba que se trata da atividade de ir em busca de recursos informacionais relevantes e de boa qualidade em determinada área de interesse com o propósito de compartilhar com outros. O curador busca, filtra, organiza, classifica e compartilha aquilo que realmente vale a pena. No seu caso, como discipulador-conselheiro bíblico, trata-se de uma atividade edificante primeiramente para você, pois você aprende e cresce bastante no contato com o conteúdo. Em seguida, você edifica também outras pessoas, ajudando-as a encontrar aquilo de que necessitam para crescer em sua vida e ministério. Para compartilhar periodicamente pela internet, você pode recorrer à mídia social ou ter um blog dedicado ao tema. Ao invés de simplesmente repassar conteúdo que já existe, acrescente comentários, mostre por que aquele conteúdo é relevante, escreva sua perspectiva no assunto, inclua mais indicações.

Um alerta. Diga-me quais são seus sites, vídeos, imagens e posts favoritos, eu direi quem você é! No mundo atual, é muito provável que você já seja, sem mesmo ter a intenção, um curador de conteúdo. Basta dar uma olhada em seu perfil no Facebook e ver aquilo em que você está “antenado”, e que curte e compartilha: as imagens, os links para artigos, os vídeos que escolhe para seus amigos ou para os visitantes do seu perfil. O conteúdo que você divulga revela muito a seu respeito — seu caráter, seus interesses, sua perspectiva a respeito de Deus e da vida cristã, seu investimento em vidas. Use bem o seu tempo e a internet: passe a ser um curador de conteúdo intencional para edificar vidas. Aprenda mais em Como aproveitar os artigos e mídias encontrados na internet.

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Um desafio. Torne-se uma referência na sua igreja ou ministério para espalhar indicações de bons recursos para o crescimento cristão. Você pode ir além: crie o hábito de dar bons livros de presente, separando no seu orçamento uma quantia para este investimento. Aproveite também aquelas ocasiões em que, necessariamente, você teria de dar um presente como, por exemplo, o aniversário de um amigo ou a troca de presentes de amigo secreto no final do ano.