Lidando com rejeição e ofensas

Lou Priolo


Não sei exatamente por que isso acontece, mas ultimamente, quando aconselho em meu escritório, tenho me dado conta de ir cada vez com mais frequência ao quadro branco para desenhar um diagrama específico. Ele tem a ver com como nós, cristãos, devemos reagir quando as pessoas nos machucam repetidamente.

Às vezes, presumimos que o simples fato de depositar nossa fé em Cristo e aprender a perdoar aqueles que pecaram contra nós no passado é suficiente para nos capacitar para lidar com episódios presentes e futuros de rejeição e ofensa. Pode não ser assim. É claro que compreender e obedecer ao Evangelho é fundamental para tudo o que se segue, e Jesus deixou claro que, uma vez perdoados, uma das nossas maiores obrigações é perdoar aqueles que pecam contra nós. Para mais informações sobre esse mandamento, consulte meu livreto Amargura: a raiz que contamina. No entanto, se estivermos treinados para responder de forma contrária à Bíblia, há algo mais necessário que precisa ser feito: precisamos aprender a substituir as respostas pecaminosas habituais – tanto internas, quanto externas – por alternativas bíblicas.

Efésios 4.31, 32 serve como um paradigma para este conceito

“Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo.” Ef 4.31, 32 – NVI

Ao longo dos anos, tanto em nosso coração quanto em nossa comunicação com outras pessoas, nós nos treinamos em dar respostas pecaminosas quando somos rejeitados Elas incluem amargura, ira, indignação, gritaria (falar de forma exaltada e pouco amorosa) e calúnia (acusar falsamente nosso ofensor frente a outras pessoas).

A maneira bíblica de reagir quando somos rejeitados ou ficamos magoados com uma ofensa inclui bondade, compaixão e perdão. Isso nos leva ao seguinte diagrama: 

Quando as pessoas nos rejeitam, ou quando não nos amam, apreciam ou honram como deveriam, isso dói. Muitas vezes, interpretamos a rejeição e as ofensas através das lentes de nossas experiências passadas, em vez usar as lentes das Escrituras. A rejeição leva a uma enxurrada de pensamentos que, por sua vez, desencadeiam nossos sentimentos e, em última análise, nossas ações, o que inclui respostas verbais e físicas. Com o tempo, essas respostas internas e externas tornam se automáticas ou naturais para nós. Muitas vezes, pensamos, falamos e fazemos ou deixamos de fazer algo sem parar para considerar se as nossas respostas agradam a Deus. Justificamos nossas respostas pecaminosas com: “Deus certamente entende o quão errado foi ser rejeitado por aquela pessoa e o quanto isso dói porque, afinal, foi Ele quem nos criou com emoções”.  

No entanto, se em nosso coração reagimos à rejeição e às ofensas de forma não bíblica – por exemplo, com indignação pecaminosa, orgulho ou autopiedade – ou se vemos a “rejeição” como um pecado contra nós, quando não foi o que realmente aconteceu, exageramos em nossa dor simplesmente por não estarmos interpretando e, consequentemente, respondendo à “ofensa” biblicamente. Se é isso que estamos fazendo, precisamos nos arrepender e repensar nossas respostas à luz das Escrituras. Se não mudamos nossa maneira de pensar, podemos responder de forma não bíblica tanto em palavras quanto em ações.  

Por exemplo, se nossas respostas pecaminosas à rejeição e às ofensas incluem manifestações internas e/ou externas de amargura, indignação, ira, gritaria, calúnia ou malícia, elas devem ser deliberadamente substituídas por respostas internas e externas bondosas e compassivas, fruto de perdão. Isso significa que você e eu não podemos dizer “perdoei a pessoa em meu coração” e, ainda assim, manter a pessoa à distância. É claro que Efésios 4.31, 32 não representa o espectro completo de respostas certas e erradas à rejeição e às ofensas, mas, conforme expliquei acima, serve como um paradigma. 

O que digo àqueles a quem aconselho, e às vezes a mim mesmo, é que, longe de ser algo automático, é preciso um esforço deliberado e consciente para mudar nossa maneira de reagir ao sermos vítimas do pecado de outros. Com o tempo, isso provavelmente se tornará automático. Mesmo que tenhamos sido perdoados por Deus e tenhamos o desejo de obedecer Sua Palavra, perdoando aqueles que pecaram contra nós, ainda precisamos nos esforçar para pensar corretamente e nos treinar na prática de virtudes piedosas de bondade, compaixão e amor. 

É fácil desenhar esse diagrama para alguém e explicá-lo. No entanto, a dor que as pessoas que você aconselha podem estar sentindo devido à rejeição e às ofensas em relacionamentos passados ​​pode dificultar a colocação em prática daquilo que você está ensinando. Levará tempo. Elas provavelmente tropeçarão no caminho. Elas podem ter dificuldade para se concentrar no que Deus está pedindo que façam, porque ainda estão sofrendo. Portanto, seja paciente com seus aconselhados, reconheça que você sabe que este é um processo difícil e ajude-os a buscar a capacitação graciosa do Espírito Santo para obedecer ao que Deus pede. Deus não nos deixou à própria sorte para mudar, mas nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo, e podemos ter certeza de que Aquele que começou a boa obra em nós a completará até o dia de Cristo Jesus (Fp 1.6).


Lou Priolo (1954–2023) atuou como conselheiro bíblico em tempo integral por quase 40 anos, foi autor de diversos livros e recursos sobre aconselhamento, e um palestrante internacional que encorajou e capacitou pastores no aconselhamento bíblico.


Original: Handling Rejection and Hurt
Artigo publicado originalmente em Association of Certified Biblical Counselors
Tradução e adaptação para o português de Conexão Conselho Bíblico com permissão.