Cinco coisas que esquecemos sobre Deus quando murmuramos


Brent Osterberg

Por que nossa tendência é relevar o pecado da murmuração? Será porque adotamos a ideia comum de que todos precisam desabafar de vez em quando? Será porque acreditamos que melhor do que sermos falsos na presença uns dos outros é sermos autênticos – dizendo, por exemplo, “Só estou falando que…” ou “Estou sendo sincero”? – e expressarmos nossas queixas? Será porque pensamos que isso de alguma forma mudará nossas circunstâncias? Seja qual for o motivo, é, em última análise, uma desculpa, considerando o que Deus diz em Sua Palavra sobre a murmuração.

Em Êxodo 16, quando o povo de Israel murmurou contra Moisés e Arão, dizendo que eles os haviam levado para o deserto para matá-los de fome (vv. 2, 3), Moisés apontou que, na verdade, eles estavam murmurando contra o Senhor (vv. 7, 8). Além disso, em Filipenses 2.14, 15, Paulo nos mostra a gravidade da murmuração, revelando o poderoso impacto de nos recusarmos a murmurar. Quando fazemos isso, mostramos que somos “irrepreensíveis e puros, filhos de Deus inculpáveis ​​no meio de uma geração pervertida e corrupta”. Em meio a essa geração, brilhamos como luzeiros. A implicação aqui é que murmurar afeta negativamente o nosso testemunho perante o mundo.

Deus claramente condena a murmuração, e nós deveríamos fazer o mesmo. No entanto, para isso, precisamos definir o que é murmura. Em seu livro, Stop Your Complaining,[1] Ronnie Martin afirma: “[Murmurar é] esquecer-se de quem Deus é”. ¹ Quando murmuramos, expressamos pecaminosamente nossa insatisfação porque não priorizamos a lembrança do caráter e das promessas de Deus. O que, então, esquecemos sobre Deus quando murmuramos? A lista é longa, mas aqui veremos cinco coisas.

Em primeiro lugar, quando murmuramos, esquecemos que Deus é nossa autoridade suprema. Considere as palavras de William Barcley sobre murmurar: “No final, tudo se resume a isto: estamos permitindo que Deus seja Deus, o Soberano do universo que estabelece todas as coisas para o nosso bem e para a Sua glória? Ou achamos que Deus está à nossa disposição para nos suprir e organizar a nossa vida como nós achamos melhor?”[2] Quando nos lembramos de que Deus é Deus e nós não o somos, não murmuramos quando Ele permite circunstâncias difíceis em nossa vida. Em vez disso, respondemos a Ele como Maria respondeu quando Gabriel lhe anunciou que ela, embora virgem, ficaria grávida e daria à luz o Filho de Deus: “Aqui está a serva do Senhor; que aconteça comigo o que você falou” (Lc 1.38).

Em segundo lugar, quando murmuramos, esquecemos que Deus derramou abundantemente a Sua graça sobre nós em Cristo. Em Efésios 1.3, Paulo nos diz que Deus nos abençoou “com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (ênfase minha), mas quando murmuramos, agimos como se Deus nos tivesse deixado espiritualmente pobres. Como diz Stephen Altrogge: “Quantas vezes nos levantamos do banquete das bênçãos de Deus e expressamos somente uma queixa?”[3] A verdade é que, mesmo em nosso pior dia, por causa do incrível amor de Deus, somos Seus filhos amados, aos quais Ele concedeu todas as Suas preciosas promessas. Absolutamente nada pode nos separar do Seu amor infinito, enquanto Ele nos guarda pela fé até alcançarmos a nossa herança, que para uma herança que não pode ser destruída, que não fica manchada, que não murcha e que nos está reservada nos céus (Rm 8.38, 39; 1Pe 1.4, 5).

Em terceiro lugar, quando murmuramos, esquecemos que Deus sabe o que é melhor para nós. Passar por circunstâncias indesejáveis ​​pode nos levar a desconsiderar promessas preciosas, como a encontrada no Salmo 84.11: “O Senhor dá graça e glória; não recusa nenhum bem aos que andam retamente​”. As dificuldades não nos agradam, e então murmuramos como se tivéssemos o direito de definir o que é realmente bom para nós. No entanto, a conformidade com Cristo é muito melhor do que o conforto físico ou a aprovação social, e Deus planejou cuidadosamente “todas as coisas” em nossa vida para atingir esse propósito (Rm 8.28, 29). Quando nos lembramos disso, em vez de murmurar, dizemos com confiança: “Se Deus quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tg 4.15).

Em quarto lugar, quando murmuramos, esquecemos que Deus nos libertou do pecado da murmuração. Uma vez que estamos unidos a Cristo em Sua morte e ressurreição, não precisamos murmurar. A murmuração não é inevitável. Podemos fazer a escolha de responder às situações de maneira que agrade a Deus. De fato, porque o poder escravizador do pecado foi “destruído” e pela morte e ressurreição de Cristo “andamos em novidade de vida”, tendo todo o poder necessário para renunciar à murmuração em troca do contentamento que glorifica a Cristo em todos os aspectos da nossa vida (Rm 6.4-11). Por exemplo, mesmo quando todos no seu emprego estiverem murmurando contra seu chefe, você pode escolher trabalhar bem e com gratidão, sabendo que Deus lhe deu um emprego e que você trabalha em primeiro lugar para Ele (Cl 3.23, 24). Ou quando o preço do café subir novamente, você pode escolher lembrar ao seu cônjuge que Deus sempre providenciou o necessário para sua família.

Em quinto lugar, quando murmuramos, esquecemos que a nossa satisfação está em Deus. Quando cedemos à carne, acreditamos na mentira de que a satisfação depende das nossas circunstâncias. Assim, murmuramos, pensando que perdemos a alegria porque as coisas não saíram como queríamos. A verdade é que, independentemente das nossas circunstâncias, podemos estar satisfeitos porque Deus é a nossa satisfação e Ele nunca nos deixará nem nos abandonará (Hb 13.5). No Salmo 73, inicialmente, Asafe acreditava na necessidade de conforto e prosperidade para estar contente (vv. 12-14); após o arrependimento, ele reconhece corretamente que Deus é a fortaleza do seu coração e a sua herança para sempre” (v. 26). O maior dom do evangelho é o próprio Deus, “pois também Cristo padeceu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus” (1Pe 3.18). Haverá muitas circunstâncias desejáveis ​​que nunca experimentaremos, mas comparadas à doçura da comunhão com Deus, todas elas são como acender uma lanterna sob o sol do meio-dia.

Infelizmente, murmurar ainda é um pecado muito comum, mas não precisa ser… nem para você, nem para mim. A solução está em nos lembrarmos do nosso grande Deus, de quem Ele é e daquilo que Ele fez por nós em Cristo. Para cada tentação de murmurar, existe uma verdade na Palavra de Deus pronta para combatê-la… se tão somente decidirmos não a esquecer.


[1] MARTIN, Ronnie. Stop your complaining. Fort Washington, PA: CLC Publications, 2015, p. 16. Tradução nossa.
[2] BARCLEY, William. O segredo do contentamento. São Paulo: Nutra, 2014, p. 58.
[3] ALTROGGE, Stephen. The greener grass conspiracy. Wheaton, Il: Crossway, 2010, p. 104. Tradução nossa..


Brent Osterberg é pastor na Igreja Bíblica Living Hope em Mansfield, Texas, e conselheiro certificado pela ACBC.


Original: Five Things We Forget About God When We Complain
Artigo publicado originalmente em Association of Certified Biblical Counselors
Tradução e adaptação para o português de Conexão Conselho Bíblico com permissão.