V-E-R antes de falar

VER_postO que eu acabei de dizer!?!? Por que eu disse aquelas palavras? Eu não queria ter dito aquilo!
Quando se trata de falar, todo cuidado é pouco, pois nossa língua pode causar muitos estragos. Sarah Bubar alerta para o uso sábio das palavras e compartilha uma estratégia que tem se provado de valor em sua vida:  V-E-R antes de falar. O artigo é dirigido às mulheres, mas trata de uma luta diária, comum a todos.

V-E-R antes de falar – Sarah Bubar
O que eu acabei de dizer!?!?
Será que você já fez a si mesma esta pergunta? Eu já fiz! E muitas vezes.

Esta frase costuma ser precedida por um sentimento de culpa que me gela o estômago. Por que eu disse aquelas palavras? Eu não queria ter dito aquilo! Foi como se as minhas palavras tivessem saído voando da minha boca, mais rápidas do que os meus pensamentos. Apesar de eu considerar minha prontidão de espírito uma bênção quando se trata de uma conversa animada entre amigos, infelizmente ela pode também fazer estragos e ser a razão por que muitas das minhas conversas começam com “Sabe, sinto muito por ter dito…”.

Com frequência, podemos encontrar todo tipo de desculpas bem elaboradas para expressar nossa frustração com palavras descuidadas. “Não sou culpada por pensar desta maneira” “É assim que eu entendo…” “Desculpe se isso machuca, mas é a verdade e você precisa lidar com ela.” “Só estou apontando uma realidade!” …e a minha desculpa favorita: “Eu sou nova-iorquina… nós costumamos falar as coisas como elas são”. Não é raro usarmos nossas palavras para espalhar veneno e dissensão na ânsia de “falar as coisas como elas são”. Embora vivamos em meio a uma geração que alega odiar a “falsidade” e querer a verdade… mesmo as verdades mais duras, pergunto-me se isso é uma desculpa válida para vomitar em palavras tudo aquilo que pensamos.

Muitas vezes nos tornamos agressivas com as nossas palavras a ponto de esquecermos que fomos exortadas por Deus para sermos um exemplo de paz diante do mundo (Mt 5.9). Deus deseja que nós, como mulheres, sejamos sábias em nossas palavras e não caluniadoras (Tt 2.3). Ele pede que sejamos todos “prontos para ouvir, tardios para falar” (Tg 1.19), e nós mulheres somos frequentemente rápidas para falar e tardias para ouvir. Então, como podemos quebrar o hábito de agredir verbalmente os outros?  Sugiro um processo de pensamento composto de três perguntas simples, que Deus trouxe à minha atenção há algum tempo, e que me ajuda a pensar antes de falar: V-E-R antes de falar.

V – É verdadeiro?

Antes de eu deixar escapar as palavras de fogo que estão na ponta da minha língua, devo parar e me perguntar: “Será que aquilo que estou para dizer é verdadeiro?”. Ao descrever os inimigos do Evangelho, Paulo diz que “as suas línguas enganam” e “veneno de serpente está em seus lábios” (Rm 3.13). Tiago fala também da língua como “um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero” (Tg 3.8). Veneno é uma toxina perigosa, que muitas vezes penetra no corpo despercebida até que seja tarde demais. A Bíblia toca no ponto crucial ao descrever nossa língua como um veneno − pela nossa língua, uma toxina letal pode entrar despercebida em nossa vida e matar nossos relacionamentos, esperança, unidade, confiança, fé, aceitação e amor, simplesmente por causa de palavras não verdadeiras que dirigimos aos outros.

O Salmista recomenda: “Guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade” (Sl 34.13). Por quê? Porque o Senhor odeia aqueles que mentem. Ele os “detesta” (Sl 5.6)! Além disso, você não pode falar pacificamente e proferir mentiras ao mesmo tempo (Sl 35.20). É simplesmente impossível. Tiago dá uma ilustração vívida desse comportamento contrastante (Tg 3.9-12). Uma mesma fonte não verte água salgada e água doce. Uma árvore frutífera não produz dois tipos diferentes de fruto. Igualmente, a bênção e a maldição não podem vir da mesma fonte. Jeremias fala de pessoas que procuram agir assim: A língua deles é uma flecha mortal; eles falam traiçoeiramente. Cada um mostra-se cordial com o seu próximo, mas no íntimo lhe prepara uma armadilha(Jr 9.8).

Quando eu era menina, minha mãe costumava identificar alguns dos meus amigos como “amigos do bom tempo”. Eles eram os meus melhores amigos em dias bonitos, mas no momento em que uma tempestade chegava, eles sumiam ou pioravam a tragédia com sua torrente de palavras. Ao chegarmos na adolescência, todas nós já experimentamos ou mesmo praticamos este tipo de amizade: amigos que são agradáveis em dado momento e se tornam cruéis no momento seguinte. Esse não é um retrato da amizade que agrada a Deus. Se você está cercada por esse tipo de amigos, distancie-se deles porque mais cedo ou mais tarde você será influenciada por eles. Se você é esse tipo de amiga, busque o perdão do Senhor e abandone o comportamento de agressão verbal. Seja tardia para falar e pergunte a si mesma: “O que vou dizer é verdadeiro?”. Se não for verdadeiro, não fale. Se as suas palavras forem aprovadas no teste da verdade, passe à pergunta seguinte.

E – É edificante?

Ao avaliarmos as nossas palavras, a edificação do nosso irmão ou irmã em Cristo deve ser sempre o objetivo. Paulo recorda-nos isso repetidamente em suas cartas. Em Romanos 14.19, ele diz: “Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua“. Precisamos estar focados na edificação uns aos outros. Lembro-me claramente de uma ocasião em que chamei a atenção de uma amiga por causa da roupa que ela estava usando. Embora fosse verdade que aquela saia era curta demais, a expressão em seu rosto mostrou que as minhas palavras não foram edificantes e que eu a havia ferido.

Se aquilo que você quer falar não é o mais apropriado para a edificação da pessoa a quem você está se dirigindo, por que falar? Qual o benefício de expressar simplesmente a sua opinião a qualquer custo? Nossas palavras não devem ter motivação egoísta. Mesmo quando se trata da verdade, não é sábio falar descuidadamente. Aprendi a lição de maneira dura naquele dia em que ofendi uma amiga querida. 1Coríntios 10.23-24 diz: “Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros”. A sua frustração e a necessidade de desabafar podem ser justificadas, mas a sabedoria busca o bem do próximo. Uma mulher sábia sabe quando abrir a boca e, mais importante, sabe quando deve manter a boca fechada. Efésios 4.29 diz com clareza: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem”. Gosto desta expressão que Paulo usa em Efésios − “conforme a necessidade“. Antes de falar a verdade, pergunte a você mesma: É apropriado dizer isso agora? Será proveitoso? Será edificante? Ou poderá derrubar e destruir? 1Pedro 3.10 diz: quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade”. Salmo 57.4 descreve a pessoa que usa desnecessariamente a sua língua como uma arma: “Estou em meio a leões, ávidos para devorar; seus dentes são lanças e flechas, suas línguas são espadas afiadas”.

Tiago 3.5 compara o prejuízo que a nossa língua é capaz de fazer a um incêndio florestal. Em agosto passado, um jogador de golfe em Irvine, na Califórnia, preparou seu arremesso como estava habituado a fazer, mas naquele dia algo deu terrivelmente errado. A bola bateu numa pedra e produziu uma faísca que deu início um incêndio que destruiu mais de 10 hectares de campo. Algo tão insignificante, uma pequena faísca, inflamou um incêndio pronto para destruir tudo e todos em seu caminho. Tiago diz que ninguém consegue domar a língua. “É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero… a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno.” São palavras fortes para uma parte tão pequena do corpo. Tiago é bem firme na sua advertência. Falar a verdade de forma que não edifica pode inflamar um incêndio com poder para redirecionar o inteiro curso da vida de uma mulher. Seja, portanto, pronta para ouvir, tardia para falar, e pergunte sempre a si mesma: A verdade que quero falar é edificante? Se não ela edificar, segure a sua língua. Se suas palavras passarem no teste da verdade e da edificação, então não há mais uma pergunta a fazer.

R – É relevante?

A última pergunta que procuro fazer a mim mesma no esforço de não ser precipitada no falar é: Será que a verdade edificante que eu quero falar é relevante? Ela é importante? Ela tem de ser dita? Ou é algo que eu posso deixar passar por agora, e posso ser paciente à espera de que o Senhor trabalhe na vida da minha amiga? Existe uma linha tênue entre fazer uma confrontação e ser graciosa para com uma amiga que está em crescimento. Ser graciosa nunca deve impedir que uma confrontação necessária aconteça. Lembre-se de que as feridas de um amigo são leais (Pv 27.6) ! No entanto, Eclesiastes 3.7 nos chama ao equilíbrio quando diz: “[Há] tempo de calar e tempo de falar“. Nem tudo deve ser falado. Há sabedoria em guardar as nossas palavras e manter as nossas opiniões para nós mesmas. No Salmo 141.3, o salmista ora: “Coloca, SENHOR, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios”. Provérbios 13.3 reitera esse princípio com uma promessa:  “Quem guarda a sua boca guarda a sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando”. E Tiago 1.26 mira o centro da questão quando diz: “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!”. Cada vez que leio este versículo, sou tomada de temor. Ver a minha fé mostrar-se vã no momento em que abro a minha boca é extremamente humilhante. Esta é provavelmente a razão por que o salmista diz no Salmo 39.1: “Vigiarei a minha conduta e não pecarei em palavras; porei mordaça em minha boca enquanto os ímpios estiverem na minha presença”. Provérbios 10.19 afirma que “quando são muitas as palavras, o pecado está presente, mas quem controla a língua é sensato”. Em outras palavras, quando eu falo muito, acabo pecando muito. Provérbios 21.23 precisa ser um lema para cada mulher: “Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento”. É tragicamente cômico quando penso quantos problemas poderiam ter sido evitados em minha vida simplesmente por manter a boca fechada. Não é necessário expressarmos todos os nossos pensamentos. Há sabedoria em guardar as palavras e manter-se oportunamente calada naquilo que não convém falar. Se adquirir sabedoria ou evitar problemas ainda não são motivação suficiente, Provérbios acrescenta: “Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele” (Pv 29.20).

Colocar guarda à sua língua não elimina todos os problemas do mundo, mas contribui muito para uma vida pacífica, para a unidade da sua família e da igreja, e para um testemunho positivo diante do mundo. Mateus diz: “Bem-aventurados os pacificadores” (Mt 5.9). Portanto, na próxima vez em que você for tentada a falar sem medir as suas palavras, com as desculpa de “ser autêntica”, lembre-se do conselho de Tiago: “Seja pronta para ouvir, e lenta para falar “. Ouça a Palavra de Deus e coloque em prática “V-E-R” antes de falar.

Original em Unlocking Femininity
Tradução de Conexão Conselho Bíblico com permissão da autora.
É permitida a reprodução em blogs ou sites desde que seja colocado o artigo por inteiro, seja dado o crédito mediante um link e não sejam feitas alterações no texto. Distribuição impressa e outros usos devem ser previamente aprovados por Unlocking Femininity.

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