Lições de um conselheiro bíblico

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Bob Kellemen compartilha com a Biblical Counseling Coalition cinco lições que fazem parte de seu aprendizado ao longo de trinta anos de ministério.

Tenho aprendido que aconselhamento bíblico é sobre as Escrituras e o coração.
Se existe um versículo que capta os batimentos cardíacos do meu ministério de aconselhamento bíblico, depois de três décadas, é 1Tessalonicenses 2.8: “Sentindo, assim, tanta afeição por vocês, decidimos dar-lhes não somente o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida, porque vocês se tornaram muito amados por nós”.

Quando terminei a faculdade e os estudos no seminário, eu era 90% Bíblia e 10% coração. Eu dirigia meu foco predominantemente para a verdade e não suficientemente para o amor (“falando a verdade em amor”  Ef 4.15 ). Não creio que a resposta seja um “equilíbrio de 50% + 50%” entre verdade e amor. Tenho aprendido que o modelo bíblico é 100% de verdade  e 100% de amor. Paulo enfatiza isso em Filipenses 1.9: “Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção”.

Como conselheiro bíblico, quero me apropriar da oração de Paulo. Quero que meu amor pelas pessoas que aconselho torne-se cada vez mais abundante à medida que o meu conhecimento bíblico e a profundidade do meu discernimento também forem aumentando mais e mais. Quero entrar profundamente na vida das pessoas com o amor e a sabedoria de Cristo, e envolvê-las profundamente com a graça e a verdade de Cristo.

Tenho aprendido que aconselhamento bíblico é sobre o sofrimento e o pecado.
Uma frase que tenho em lugar visível no meu escritório capta bem a segunda lição que tenho aprendido: “O cuidado pastoral é incompleto a menos que possa lidar de forma abrangente tanto com os danos que sofremos quanto com os pecados que cometemos”.

Quando terminei a faculdade e os estudos no seminário, meu foco concentrava-se em “noutheteo” e era limitado com respeito a “parakaleo“. Isso significa que minha atuação era predominantemente de confrontação de pecados, mas não estava igualmente afinada para oferecer conforto às pessoas em seu sofrimento.

Em 2Coríntios 1.3-7, Paulo nos diz oito vezes que Deus nos chama e prepara para confortarmos uns aos outros (parakaleo). Da mesma forma, ele nos diz em Romanos 15.14 que Deus nos equipa para confrontar cuidadosamente uns aos outros (noutheteo). Não se trata de um ou de outro, mas de ambos.

Precisei aprender a lição de João 9.1-3 − muito do nosso sofrimento não se deve ao pecado pessoal, mas ao fato de vivermos em um mundo caído, pecador. Precisei aprender tanto, que acabei escrevendo um livro sobre esse assunto: God’s Healing for Life’s Losses: how to find hope when you’re hurting [A Cura de Deus para as Perdas da Vida: como encontrar esperança quando você está ferido].

Tenho aprendido que aconselhamento bíblico é sobre a intersecção da história divina com a nossa história.
Quando terminei a faculdade e os estudos no seminário, eu sabia mais sobre o ministério de pregação da Palavra do que sobre o ministério pessoal da Palavra. Eu estava mais bem preparado para pregar a Palavra de Deus do que para me envolver com meus irmãos e irmãs em Cristo no contato um a um.

Décadas atrás, eu costumava me apressar em abrir a Palavra de Deus e esperava que as pessoas me ouvissem antes mesmo que eu as tivesse ouvido atentamente. Tenho apredido que é preciso ter “pés pivotantes” para ministrar no aconselhamento: um dos pés deve se firmar e entrar na história de vida da pessoa enquanto o outro pé deve se firmar e levar a pessoa rumo à história eterna de Deus.

Tenho chegado à compreensão de que o aconselhamento bíblico não é uma pregação para uma audiência de um. O aconselhamento bíblico não é um monólogo nem mesmo um diálogo, mas é um trílogo: o conselheiro e o aconselhado ouvem juntos o Conselheiro Divino, por meio da Palavra de Deus e o Espírito de Deus.

Tenho aprendido que aconselhamento bíblico é sobre você e eu.
Fiquei em dúvida sobre como colocar minha ideia em poucas palavras neste subtítulo. O quero dizer é que o aconselhamento não é “tamanho único”. Precisamos cuidar individualmente de cada aconselhado, conhecê-lo e nos relacionarmos com ele de forma distinta.

Meu primeiro ministério de aconselhamento pastoral foi em uma mega-igreja urbana com mais de três mil membros e uma longa história de “excelência” e “profissionalismo” no ministério. Antes de dar início ao aconselhamento, as pessoas preenchiam um Formulário de Informações Pessoais com quatro páginas. Não há nada errado nisso… naquele contexto. Meu segundo ministério pastoral foi em uma pequena igreja rural. Na minha primeira semana de ministério, um irmão idoso veio conversar comigo. Puxei um Formulário de Informações Pessoais. Aquele querido irmão deu uma olhada no formulário, olhou para mim com seus olhos de idoso experiente e sábio, e me disse: “Pastor Kellemen, não sei como as coisas eram feitas no lugar de onde veio, mas aqui nós não fazemos isso”. Sou grato àquele irmão experiente.

Aprendi naquela ocasião, e continuo a aprender, que não devo impingir um “modelo” de aconselhamento sobre as pessoas. Eu não tiro da minha “caixa de ferramentas” as “habilidades” ou os “métodos” prontos para uso no aconselhamento. Pelo contrário, estabeleço um relacionamento com a pessoa, envolvo-me de coração para coração para juntos explorarmos de que forma a Palavra de Deus relaciona-se com sua vida diária.

Deus planejou e criou cada um de nós de forma admirável e maravilhosa – corpo, alma, pano de fundo cultural e familiar, experiências de vida e muito mais. Quero que o meu aconselhamento seja um relacionamento de “uns aos outros” entre duas pessoas singulares, portadoras da imagem de Deus.

Tenho aprendido que o aconselhamento bíblico é sobre Cristo e o corpo de Cristo.
Dizer que o aconselhamento é sobre você e eu não significa que paramos em nós dois. Francamente, eu não quero atrair as pessoas a mim.  Eu quero dirigir as pessoas a Cristo. Ele está sempre disponível (Hb 4.14-16). Ele está perfeitamente disponível (Hb 2.17-18).

Ao longo dos últimos trinta anos, tenho aprendido também que o aconselhamento bíblico é sobre o corpo de Cristo. Os membros da minha igreja ou os aconselhados não podem se tornar dependentes de mim. Quero que eles sejam dependentes uns dos outros na mutualidade do corpo de Cristo. É por isso que a participação no culto de adoração e, pelo menos, em uma classe de escola dominical e/ou um grupo pequeno é sempre um requisito para meus aconselhados.

Tenho aprendido que para que o aconselhamento bíblico tenha um impacto duradouro, que vá além do breve tempo que passamos juntos a cada semana, os aconselhados devem estar envolvidos em comunhão espiritual com o corpo de Cristo e praticar as disciplinas espirituais que os conectam a Cristo.

Fonte: Biblical Counseling Coalition
Original: Lessons learned as a biblical counselor: reflections after thirty years of biblical counseling

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