Aconselhamento bíblico: juntos para fazer mais

Durante o ano de 2010, alguns pastores, conselheiros bíblicos e educadores cristãos juntaram-se para orar e discutir se seria o momento oportuno de criar uma coligação de organizações, líderes e participantes do movimento de aconselhamento bíblico nos Estados Unidos para fortalecer as igrejas, as organizações paraeclesiásticas e as instituições de ensino, promovendo a excelência e a unidade no ministério pessoal da Palavra – aconselhamento bíblico, discipulado, pequenos grupos, mutualidade cristã. Sua paixão motivadora era promover a mudança pessoal centrada na Pessoa de Cristo. Ontem, esses líderes cristãos anunciaram com entusiasmo o lançamento oficial da Biblical Counseling Coalition (BCC) – “Coalizão do Aconselhamento Bíblico”.

Steve Viars, pastor da Faith Baptist Church em Lafayette e presidente do Conselho da BCC, diz: “A BCC tem por propósito promover relacionamentos e disponibilizar recursos […] Cremos que juntos podemos fazer mais”.  De acordo com o diretor executivo, Robert Kellemen, a BCC pretende ministrar a três públicos: aqueles que oferecem cuidado pessoal, aqueles que buscam cuidado e aqueles que formam e treinam os cuidadores.

Por exemplo, no site da BCC e em links para outros sites, será possível encontrar blogs, resenhas de livros, vídeos, artigos e recursos sobre um tema como a depressão. Alguns desses recursos serão voltados para pastores, conselheiros bíblicos, amigos conselheiros. Outros recursos serão voltados para pessoas que procuram ajuda para lidar com a própria depressão e encontrar esperança bíblica e sabedoria. Outros recursos discutirão a depressão de uma perspectiva teológica, voltada para aqueles que formam e treinam os conselheiros.

Já é possível acessar o site da BCC, embora ele continue em construção. Entre o material disponível, destacamos a Declaração Confessional.

Declaração Confessional da Biblical Counseling Coalition (original)

Preâmbulo: falar a verdade em amor – uma visão para toda a Igreja
Somos uma comunidade de cristãos comprometidos com promover a excelência e a unidade no aconselhamento bíblico. Nosso alvo é fomentar relacionamentos de colaboração e prover recursos bíblicos consistentes e relevantes que equipem o corpo de Cristo para transformar vidas com a verdade imutável de Cristo. Desejamos investir no  crescimento de uma cooperação centrada em Cristo dentro do movimento do aconselhamento bíblico, relacionando-nos de maneira amorosa e sábia, e buscando a unidade do Espírito no vínculo da paz  (Ef 4.3).

Procuramos alcançar esse propósito organizando nosso pensamento em torno de uma questão central: “O que significa aconselhar na graça e verdade de Cristo?”. Tudo quanto fazemos brota da nossa vocação para equipar as pessoas para que amem a Deus e aos outros de maneira centrada em Cristo (Mt 22.35-40).

Nossa visão, não limitada ao aconselhamento, é que a Igreja como um todo fale a verdade em amor (Ef 4.11-16). Dedicamo-nos ao desenvolvimento da teologia e da prática do ministério pessoal da Palavra, seja ele descrito como aconselhamento bíblico, aconselhamento pastoral, discipulado pessoal, ministério de mutualidade cristã, ministério de pequenos grupos, cura das almas, cuidado das almas, amizade ou orientação espiritual. Buscamos promover o fortalecimento destes ministérios em igrejas locais, organizações paraeclesiásticas e instituições de ensino, ministrando às pessoas que oferecem cuidado, àquelas que procuram cuidado e às que treinam os cuidadores.

Introdução: somente em Cristo
O alvo do aconselhamento bíblico é a maturidade espiritual, relacional e pessoal evidenciada em desejos, pensamentos, motivações, ações e emoções que refletem cada vez mais Jesus (Ef 4.17-5.2). Acreditamos que a mudança pessoal deve ser centrada na pessoa de Cristo. Estamos convencidos de que o ministério pessoal centrado em Cristo e ancorado nas Escrituras oferece a única esperança duradoura e ajuda amorosa para um mundo caído e arruinado.

Confessamos que nós mesmos não atingimos a perfeição. Confortamos e aconselhamos outras pessoas somente à medida que continuamos a receber o conforto e o conselho de Cristo e do corpo de Cristo (2Co 1.3-11). Admitimos nossa luta para aplicar de forma coerente tudo aquilo em que acreditamos. Nós conselheiros vivemos um processo semelhante àquele pelo qual passam as pessoas que aconselhamos, e queremos, portanto, aprender e crescer na sabedoria e compaixão de Cristo.

Todo ministério cristão surge da revelação de Deus e nela está ancorado – uma revelação que consiste na Palavra escrita (as Escrituras) e na Palavra viva (Cristo). Esta verdade vale para o ministério pessoal da Palavra (o ministério de conversação e relação interpessoal que nossa cultura chama de “aconselhamento”) e para os vários ministérios públicos da Palavra. À luz desta convicção sobre o ministério centrado em Cristo e baseado na Palavra, afirmamos os seguintes compromissos centrais como conselheiros bíblicos.

O aconselhamento bíblico deve estar ancorado nas Escrituras
Cremos na autoridade, suficiência e relevância da Palavra de Deus (Is 55.11, Mt 4.4, Hb 4.12-13). A Palavra de Deus, inspirada e inerrante, interpretada corretamente e aplicada com muito cuidado, oferece-nos a sabedoria abrangente de Deus. Aprendemos a entender quem Deus é, quem nós somos, os problemas que enfrentamos, como as pessoas mudam e a provisão de Deus no Evangelho para que essa mudança aconteça (Jo 8.31-32; 10.10; 17.17). Nenhuma outra fonte de conhecimento equipa-nos inteiramente para aconselhar de maneira que transforme o coração do homem (Sl 19.7-14; 2Tm 3.16-17; 2Pe 1.3). Outros sistemas de aconselhamento estabelecem alvos diversos e assumem uma dinâmica diferente de mudança. A sabedoria dada por Deus em Sua Palavra é distinta e consistente.  Ela trata de forma abrangente o pecado e o sofrimento de todas as pessoas em todas as situações.

O aconselhamento sábio é uma aplicação criteriosa da verdade de Deus, que é plenamente abrangente, à vida complexa das pessoas (Rm 15.4, 1Co 10.6, Fp 1.9-11). Ele não se limita a colher textos bíblico para provar alguma verdade. O aconselhamento sábio exige um trabalho teológico prático constante para compreender as Escrituras, as pessoas e as situações (2Tm 2.15). Temos de desenvolver continuamente o nosso caráter, um entendimento situacional sábio das pessoas e as habilidades pastorais (Rm 15.14, Cl 1.28-29).

Quando afirmamos que a Bíblia é abrangente em sabedoria, queremos dizer que a Bíblia dá sentido a todas as coisas. Não queremos dizer que ela contém todas as informações possíveis de serem conhecidas em todo tempo e a respeito de todos os assuntos. A graça comum de Deus traz muitas coisas proveitosas à vida humana. No entanto, a graça comum não pode nos salvar de nossas lutas contra o pecado e os problemas que nos afligem. A graça comum não pode santificar nem curar a alma de todos os problemas próprios da condição humana. Afirmamos que várias fontes (como a investigação científica, as observações sistemáticas sobre o comportamento humano, a observação dos nossos aconselhados, a reflexão a respeito da nossa própria experiência de vida, a literatura, o cinema e a história) podem contribuir para o conhecimento das pessoas, e muitas fontes podem contribuir com algum alívio para os problemas da vida. No entanto, nenhuma pode constituir um sistema abrangente de princípios e práticas para o aconselhamento. Quando os sistemas de pensamento e prática reivindicam a prescrição de uma cura para a condição humana, eles competem com Cristo (Cl 2.1-15). Somente as Escrituras ensinam uma perspectiva e uma maneira de olhar a vida que permitem pensar biblicamente sobre e avaliar criticamente as informações e ações de qualquer fonte (Cl 2.2-10; 2Tm 3.16-17).

O aconselhamento bíblico deve estar centrado em Cristo e no Evangelho
Acreditamos que o aconselhamento sábio está centrado em Jesus Cristo – Sua vida isenta de pecado, a morte na cruz, a ressurreição, Seu reino presente e a promessa de Sua volta. No Evangelho, Deus revela as profundezas do pecado, a extensão do sofrimento e a largura, comprimento, altura e profundidade da graça. O aconselhamento sábio atinge o âmago dos problemas pessoais e interpessoais, levando a verdade, a misericórdia e o poder da graça de Cristo (Jo 1.14). Não há verdadeira restauração da alma nem relacionamentos que de fato honrem a Deus sem que haja um entendimento da condição desesperada em que estamos sem Cristo, e sem experimentarmos a alegria da libertação progressiva desta condição por meio da misericórdia de Deus.

Apontamos às pessoas uma Pessoa, Jesus, nosso Redentor, não um programa, teoria ou experiência. Colocamos a nossa confiança no poder transformador do Redentor como a única esperança para mudar o coração das pessoas, não em algum sistema humano da mudança. As pessoas precisam de um relacionamento pessoal e dinâmico com Jesus, não de um sistema de autosalvação, autogestão, ou autorealização (Jo 14.6). Os conselheiros sábios procuram dirigir aqueles que estão confusos – aqueles que lutam, sofrem e pecam – à esperança, aos recursos, ao poder e à vida que estão disponíveis somente em Cristo.

O aconselhamento bíblico deve estar alicerçado em teologia correta
Cremos que o aconselhamento bíblico é essencialmente uma teologia prática, pois cada aspecto da vida está relacionado a Deus. Deus quer que cuidemos uns dos outros de maneira que relacione nossas lutas à Sua Pessoa, Seus propósitos, promessas e vontade. O aconselhamento sábio emerge de uma maneira teológica de entender a vida – uma mentalidade, uma cosmovisão – que instrui como podemos entender as pessoas, os problemas e as soluções. Os melhores conselheiros bíblicos são teólogos práticos — sábios, equilibrados, atenciosos, experientes (Fp 1.9-11). Os conselheiros bíblicos estabelecem uma relação relevante entre as Escrituras e a vida de cada pessoa (Hb 3.12-19). Todo o aconselhamento sábio entende as passagens bíblicas específicas e as experiências singulares da vida de uma pessoa dentro do contexto maior da história bíblica: a criação divina, a nossa queda no pecado, o plano divino de redenção e a consumação de todas as coisas. Desta forma, envolvemo-nos em conversas específicas com cada pessoa, mas que fluem naturalmente de uma teologia bíblica abrangente da vida.

O aconselhamento bíblico deve ser dependente do Espírito Santo e da oração
Cremos que tanto a verdadeira mudança de coração como a transformação do estilo de vida dependem do ministério do Espírito Santo (Jo 14.15-16.16, 2Co 3.17-18). Os conselheiros bíblicos sabem que é impossível falar com sabedoria e amor para promover uma mudança verdadeira e duradoura se não houver uma obra decisiva, compassiva e de convencimento do Espírito no conselheiro e no aconselhado. Reconhecemos o Espírito Santo como Aquele que ilumina o nosso entendimento da Palavra e capacita para sua aplicação na vida cotidiana.

Os conselheiros sábios ministram com base na verdade que Deus revela e na força que Deus supre. Pela obra do Espírito, Deus recebe glória por todo o bem que acontece na vida das pessoas. Os conselheiros bíblicos afirmam a absoluta necessidade da obra do Espírito Santo para orientar e capacitar o conselheiro, o aconselhando e a relação de aconselhamento. A oração que expressa dependência de Deus é essencial para o ministério de aconselhamento bíblico (Ef 6.18-20). Os conselheiros sábios pedem humildemente a intervenção e direção de Deus, louvam a Deus por Sua obra na vida das pessoas, e intercedem para que as pessoas experimentem uma verdadeira mudança de vida para a glória de Deus (Fp 4.6).

O aconselhamento bíblico deve estar voltado para a santificação
Cremos que o aconselhamento sábio deve ser transformador, orientado para a mudança, e fundamentado na doutrina da santificação (2Co 3.16-18, Fp 2.12-13). O processo de mudança ao longo da vida começa no momento da salvação (justificação, regeneração, redenção, reconciliação) e continua até vermos o rosto de Jesus face a face (1Jo 3.1-3). O intuito do aconselhamento sábio é o discipulado intencional e intensivo. O fruto do aconselhamento sábio são pessoas maduras espiritualmente, que cada vez mais refletem a Cristo (nos aspectos relacional, racional, volitivo e emocional), apreciando e exaltando a Deus, e amando aos outros de maneira apropriada e sábia (Gl 5.22 -6.10).

O aconselhamento sábio busca seguir o ensinamento da Bíblia sobre o papel de Deus e a responsabilidade humana no crescimento espiritual. O poder e misericórdia de Deus nos chamam a uma resposta de fé e obediência. Uma teologia abrangente da vida espiritual fornece a base para aplicar os métodos bíblicos pertinentes de crescimento espiritual. O aconselhamento bíblico ajuda os crentes a compreenderem o que significa estar em Cristo (Rm 6.3-14). Ele equipa os crentes para aplicarem os princípios da santificação progressiva por meio da renovação de suas mentes e de práticas baseadas nas Escrituras, tendo por motivação o amor a Deus e aos outros (Rm 12.1-2).

O aconselhamento bíblico deve estar enraizado na vida da Igreja
Cremos que nós refletimos melhor a Trindade quando vivemos e crescemos em comunidade (Jo 17, Ef 4). A santificação não é um projeto de autoaperfeiçoamento, mas um processo de aprender a amar e servir a Deus e aos outros. O aconselhamento sábio insere a mudança pessoal dentro da comunidade de Deus – a Igreja – com todos os preciosos meios de graça providenciados por Deus nos relacionamentos interpessoais e no corpo (1 Co 12.12-27). Cremos que a Igreja deve ser tanto o centro como o propagador do aconselhamento centrado no Evangelho (Rm 15.14).

Por meio de exemplos e exortações, o Novo Testamento recomenda o ministério pessoal da Palavra, face a face e uns aos outros – tanto nos relacionamentos individuais como em pequenos grupos (Hb 3.12-19; 10.19-25). Deus chama a Igreja ao aconselhamento sábio e mútuo assim como Ele chama a Igreja aos ministérios públicos da Palavra na pregação, ensino e adoração, e à observância das ordenanças do batismo e da ceia do Senhor. Deus deseja que Seus filhos amem e sirvam uns aos outros, falando a Sua verdade em amor uns aos outros (Ef 4.15-16). A expressão principal e mais completa do ministério de aconselhamento deve ocorrer nas igrejas locais, onde os pastores efetivamente pastoreiam almas enquanto equipam e supervisionam as diversas expressões ministeriais de cada membro (Ef 4.11-14). Outras instituições e organizações que igualmente praticam o aconselhamento são benéficas à medida que servem ao lado da igreja local, encorajam os cristãos a aconselhar biblicamente e se propõem a impactar o mundo para Cristo.

O aconselhamento bíblico deve estar fundamentado no amor
Cremos que a encarnação de Cristo não é apenas a base para o cuidado, mas também o modelo para como cuidamos (Hb 4.14-16, Jo 13.34-35). Procuramos entrar na história de uma pessoa, ouvir adequadamente, expressar um amor atencioso e envolver a pessoa com compaixão (1Ts 2.8). O ministério pessoal da Palavra, sábio e amoroso, assume muitas formas adequadas, do conforto caridoso à repreensão amorosa, da escuta atenta à investigação pertinente das Escrituras, ao mesmo tempo que se constrói confiança e relacionamentos autênticos (1Ts 5.14-15, 1Jo 4.7-21).

O aconselhamento sábio leva em conta a variedade de experiências de cada pessoa (os desejos, pensamentos, alvos, ações, palavras, emoções, lutas, pressões situacionais, sofrimento físico, abuso, injustiça etc.). O conjunto da experiência humana é o contexto no qual entendermos como a Palavra de Deus se relaciona à vida. Estar ciente disso não só molda o conteúdo do aconselhamento, mas também molda a forma de interagir dos conselheiros para que tudo aquilo que for dito seja construtivo, de acordo com a necessidade do momento, para transmitir graça a quem ouve (Ef 4.29).

O aconselhamento bíblico deve dar atenção aos problemas do coração
Cremos que o comportamento humano está ligado aos pensamentos, intenções e sentimentos do coração. Todas as nossas ações resultam de um coração que adora a Deus ou a algo mais. Enfatizamos, portanto, a importância do coração e nos dirigimos ao homem interior. Deus entende perfeitamente e discerne corretamente quem somos, o que fazemos e por que o fazemos. Embora não possamos entender completamente o coração de uma pessoa (nem mesmo o nosso), a Palavra de Deus revela as crenças e penetra os pensamentos e intenções no âmago do coração (Hb 4.12-13).

O aconselhamento sábio procura abordar tanto os aspectos internos como os externos da vida humana para promover uma mudança profunda e duradoura à imagem de Cristo. A Bíblia é clara em afirmar que o comportamento humano não é mecânico, mas brota de um coração que deseja, anseia, pensa, escolhe e sente de maneira orientada para ou contra Cristo. O conselho sábio considera devidamente as dimensões vertical e horizontal, o interior e o exterior do indivíduo, o comportamento observável e as questões subjacentes do coração (Mt 23.23-28). Os conselheiros bíblicos esforçam-se para ajudar as pessoas em suas lutas para que aprendam a sabedoria, amem a Deus com seu coração, alma, mente e força, amem ao próximo como a si mesmas, e suportem  o sofrimento com esperança.

O aconselhamento bíblico deve ser abrangente no entendimento
Cremos que o aconselhamento bíblico deve incidir sobre a totalidade da natureza humana, criada à imagem de Deus (Gn 1.26-28). Uma compreensão abrangente da Bíblia vê os seres humanos como relacionais (espirituais e sociais), racionais, volitivos, emocionais e físicos. O aconselhamento sábio leva a pessoa a sério de modo integral em seu inteiro contexto de vida. Ele ajuda as pessoas a conduzirem a totalidade de sua vida na presença de Cristo, para que se tornem mais semelhantes a Cristo em seus relacionamentos, pensamentos, motivações, comportamentos e emoções.

Reconhecemos a complexidade da relação entre o corpo e a alma (Gn 2.7). Por esta razão, procuramos nos manter  sensíveis aos fatores físicos e às questões orgânicas que afetam a vida das pessoas. Em nosso desejo de ajudar de forma abrangente, buscamos aplicar a Palavra de Deus à vida de cada pessoa em meio aos pontos fortes e fracos do corpo. Incentivamos uma avaliação médica completa e tratamento correto diante de qualquer suspeita de problema físico.

Reconhecemos a complexidade da relação entre as pessoas e seu ambiente social. Buscamos, portanto, ser sensíveis ao impacto do sofrimento e da grande variedade de fatores sócio-culturais importantes (1Pe 3.8-22). Em nosso desejo de ajudar as pessoas de forma abrangente, buscamos aplicar a Palavra de Deus às vidas em meio a experiências sociais tanto positivas como negativas. Encorajamos as pessoas a procurarem ajuda prática adequada quando os seus problemas têm um componente que envolve educação, vida profissional, finanças, assuntos jurídicos e criminalidade (no papel de vítima ou perpetrador), e outras questões sociais.

O aconselhamento bíblico deve ser completo no cuidado
Cremos que a Palavra de Deus é proveitosa para lidar de maneira completa com os males que sofremos, bem como com os pecados que cometemos. Uma vez que, de modo geral, as pessoas lutam com experiências de combinam em alguma proporção o pecado que nos assedia e o sofrimento pessoal, os conselheiros sábios procuram discernir as diferenças e as conexões entre o pecado e o sofrimento, e ministrar adequadamente a ambos (1Ts 5.14).

O aconselhamento bíblico dirige-se ao sofrimento e se aproxima dos que sofrem de várias maneiras compassivas. Ele oferece o encorajamento, o conforto e a esperança de Deus para os feridos (Rm 8.17-18, 2Co1.3-8), encoraja o ministério de misericórdia (At 6.1-7) e busca promover a justiça. O aconselhamento bíblico dirige-se ao pecado e se aproxima dos pecadores com inúmeras expressões de cuidado. Ele oferece a confrontação bíblica dos pecados, incentiva o arrependimento, apresenta o perdão misericordioso de Deus em Cristo e compartilha o caminho poderoso de Deus para a vitória progressiva sobre o pecado (1Jo 1.8-2.2, 2Co 2.5-11, Cl 3.1-17; 2Tm 2.24-26).

Aconselhamento bíblico deve ser prático e relevante
Cremos que o compromisso com a suficiência da Palavra de Deus resulta em um aconselhamento que demonstra a relevância da Palavra de Deus. O aconselhamento bíblico oferece uma abordagem prática para a vida diária, singularmente eficaz no mundo real onde as pessoas vivem e se relacionam (1Jo 3.11-24). Mediante instrução e exemplo, a Bíblia ensina os princípios metodológicos fundamentais para a interação e a intervenção sábias (At 20.26-37, Gl 6.1-5, Cl 1.24-2.1).

Dentro das diretrizes gerais da Bíblia para o ministério pessoal da Palavra, há espaço para uma variedade de métodos práticos de mudança, todos eles ancorados na aplicação da verdade bíblica à vida pessoal e aos relacionamentos. A Bíblia nos chama ao uso de métodos sábios, que ministram de maneira centrada em Cristo às situações de vida singulares de pessoas específicas (Pv 15.23; 25.11). Devemos falar aquilo que é útil para a edificação, conforme a necessidade do momento, e que pode beneficiar aqueles que nos ouvem (Ef 4.29).

O aconselhamento bíblico deve ser orientado para o alcance de mais pessoas
Cremos que o cristianismo possui por natureza um espírito missionário. O aconselhamento bíblico deve ser uma influência evangelística e apologética poderosa em nosso mundo. Queremos levar as boas novas de Jesus e a Sua Palavra para um mundo que somente Deus pode redimir. Procuramos falar de forma relevante aos cristãos e não cristãos, para atraí-los ao Salvador e à sabedoria distinta que vem somente da Sua Palavra (Tt 2.10-15).

Queremos apresentar as reivindicações, a misericórdia, a esperança e a relevância de Cristo de forma positiva, amorosa e com espírito cristão  (1Pe 3.15). Procuramos envolver um amplo espectro de modelos de aconselhamento e abordagens. Queremos afirmar aquilo que é bíblico e sábio. Quando cremos que alguns modelos e métodos ficam aquém do chamado de Cristo, queremos criticar de maneira clara e bondosa. Ao interagir com pessoas das quais discordamos, queremos comunicar de maneira respeitosa, firme, cortês, justa e transparente. Quando identificamos um erro, queremos apontar humildemente o caminho da verdade para que todos nós possamos ser conselheiros mais verdadeiros, sábios e amoroso. Queremos ouvir com atenção aqueles que discordam de nós e aprender com suas críticas. Nossa missão de espalhar a verdade e o nome de Jesus Cristo inclui o desejo de que todos os conselheiros apreciem e aceitem a beleza de uma abordagem das pessoas, dos problemas e das soluções centrada em Cristo e com base no Palavra.

Conclusão: unidade na verdade e no amor
Estamos comprometidos com produzir um esforço conjunto entre o povo de Deus para glorificar a Cristo e multiplicar discípulos por meio do ministério pessoal da Palavra (Mt 28.18-20). Confiamos em Jesus Cristo, em quem a graça e a verdade estão perfeitamente unidas (Jo 1.14). Nós nos apegamos à Sua Palavra, onde a verdade e o amor vivem em união perfeita (Ef 4:15, Fp 1.9, 1Ts 2.8). Amamos a Sua Igreja – viver e falar a verdade em amor, crescer naquele que é a Cabeça, de quem todo corpo edifica a si mesmo em amor à medida que cada parte realiza a sua função (Ef 4.15-16).

Queremos encorajar esta unidade na verdade e no amor por meio de uma nova visão para o aconselhamento bíblico. Quando as pessoas perguntam “O que faz o aconselhamento bíblico ser verdadeiramente bíblico?”, afirmamos unânimes:

O aconselhamento bíblico acontece quando e onde o povo de Deus se compromete com conversas ancoradas na Bíblia, centradas em Cristo e no Evangelho, alicerçadas em teologia correta, dependentes do Espírito Santo e da oração, voltadas para a santificação, enraizadas na vida da Igreja, fundamentadas no amor, atentas aos problemas do coração, abrangentes no entendimento, completas no cuidado, práticas e relevantes, e orientadas para alcançar mais pessoas.

Convidamos você para que se junte a nós nessa jornada de promoção da excelência e da unidade do aconselhamento bíblico. Junte-se a nós na busca de equiparmos uns aos outros para promovermos por meio do ministério pessoal da Palavra uma mudança pessoal centrada na pessoa de Cristo.

2 comentários sobre “Aconselhamento bíblico: juntos para fazer mais

  1. Parabéns Cecília, pelo seu empenho, dedicação em traduzir artigos, notícias e agora a “Declaração Confessional” da Coalizão de Conselheiros Bíblicos.

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