“Vou desenhar para você…”

O valor de uma ilustração é ajudar seu discípulo ou aconselhado a reter uma verdade bíblica e a entender como aplicá-la de maneira prática na vida diária. Em Let me draw you a picture…of a marriage in trouble, Rick Thomas incentiva os discipuladores e conselheiros bíblicos a lançarem mão de recursos gráficos e da tecnologia − se ela estiver disponível.

Talvez você continue a desenhar com canetas em folhas de papel. O importante, porém, é que se sinta desafiado a ilustrar os princípios bíblicos para facilitar a compreensão e a aplicação na vida do seu aconselhado.

Se você e eu nos encontrarmos em alguma situação de aconselhamento ou discipulado, é provável que você vá embora com um material ilustrativo nas mãos. Durante anos, mantive uma pilha de papel disponível na minha mesa, que uso para desenhar conceitos espirituais de maneira prática.
Uso imagens que ilustram conceitos. Aprendi a ensinar desta maneira com Jesus, o Mestre Ilustrador. Ele costumava ir do concreto e prático, para o espiritual e abstrato. Ele usou ilustrações da vida real para comunicar Sua verdade. Aparentemente, nada o limitava.  Ele desenhava na areia e apontava para o céu. Ele usou os fios de cabelo, os lírios, os pássaros e as figueiras. Imagino que o tempo passado ao lado do Salvador devesse ser visualmente estimulante e espiritualmente restaurador.

Em qualquer contexto de discipulado, sei que uma pessoa recebe mais informação do que pode reter, processar ou aplicar. Por isso, quando ministro às pessoas, quero tirar proveito não apenas dos ouvido como porta de entrada, mas também dos olhos. Ao término do nosso encontro, eles levam para casa uma pilha de papéis para que possam “esticar o encontro de aconselhamento” ao longo de toda a semana.

No ano passado, comprei um iPad que tem um maravilhoso aplicativo Adobe Idea, que comecei a usar em lugar da pilha de papéis que ficava disponível em minha mesa. Agora posso esboçar os conceitos no meu iPad e eles podem acompanhar no meu monitor wide-screen. Depois, posso enviar para eles a ilustração pelo e-mail como um arquivo PDF. A imagem que ilustra este post é fruto de um desses “momento de aconselhamento” com um casal que me procurou em busca de ajuda para seu casamento.

As partes do desenho
A linha preta grossa, que vai de alto a baixo no centro do desenho, representa duas pessoas que se juntaram em uma união de uma só carne. Este é o casamento bíblico, nos moldes em que deveria ser. A linha branca tortuosa que corta a linha preta mais larga representa uma divisão na união de uma só carne. Evidentemente, o coração de uma só carne, no centro inferior da página, está dividido também.
A seta vermelha grande, na parte superior da página, representa a direção na qual o casamento de uma só carne deveria se mover. Essa é direção da plenitude do casamento, expressão de Deus na vida do casal.
Os números “1”, em ambos os lados da página, representam o marido e a esposa antes de se casarem. Eles eram indivíduos isolados. Como casal, eles se uniram e fizeram um voto diante de Deus de serem uma só carne (a linha preta grossa).
Biblicamente, as duas pessoas deveriam se mover em direção à plenitude do casamento bíblico e expressão de unidade, que é representada por um único coração. No entanto, como dissemos, este único coração está dividido, assim como a linha preta que percorre o centro da página.
O último símbolo, e o problema identificado naquele casamento, é a linha azul que circunda o número “1” à direita e, então, você pode ver uma seta que sai deste círculo e leva ao outro número “1”, à esquerda.

A ideia central
A ilustração com um todo diz respeito a um marido que quer acima de tudo que sua esposa seja cada vez mais parecida com ele, em lugar de ambos seguirem o modelo de Cristo e serem mais parecidos com Cristo e Sua Igreja (Ef 5.25). Em geral, a atitude e prática do marido com relação à esposa tem sido querer moldá-la de acordo com seus próprios desejos, expectativas e pontos forte. É o problema clássico do casamento em que um marido espera que sua esposa espelhe as qualidades que ele tem, em lugar de ajudá-la a amadurecer naquilo em que Deus a dotou especificamente.
No caso em estudo, o marido é organizado e a mulher não é. Ele espera, portanto, que ela seja mais parecida com ele na organização. O marido é pontual; a esposa, portanto, deve ser pontual também. O marido é dinâmico; a esposa deve ser dinâmica também. Você já entendeu o quadro.

Uma reviravolta interessante
Como você pode imaginar, o marido não tem apenas pontos fortes, mas tem também pontos fracos. No entanto, ele não costumava destacá-los nem falar sobre eles. A ênfase recaia nos pontos fortes dele e nas fraquezas dela: aqui estão os pontos em que eu estou certo e aqueles em que você está errada.
A esta altura, com o gráfico, ele parece entender que ela também tem pontos fortes, e ele tem pontos fracos. Os pontos fortes dela podem ser uma grande ajuda para compensar as fraquezas dele.  No casamento bíblico, duas pessoas com diferentes pontos fortes e fracos devem se unir para descobrir como alavancar suas forças individuais, enquanto trabalham seus pontos fracos para que o casamento tenha um impacto mais profundo na comunidade na qual Deus os colocou como casal.

Na prática
O casamento não deve consistir em olhar para quem consegue ou não fazer isso ou aquilo. Isso é inútil, é um desperdício de energia, e mantém o casamento fora de foco. Um casamento sólido deve ter uma declaração bíblica de missão alinhada com “como duas pessoas podem se unir para formar ‘uma só’, mais completa, de maneira a engrandecer o nome de Deus no contexto em que vivem”.
Um casamento é uma pequena expressão de uma igreja local. Na igreja a ênfase não está (ou não deveria estar) em quem faz o quê, mas em colocar as pessoas certas, de acordo com os dons que receberam, nos contextos certos para o avanço do Evangelho. É maravilhoso quando o introdutor à porta da igreja, que recebeu determinados dons, e o pastor, que recebeu outros dons, expressam no contexto adequado os dons recebidos. Se o pastor esperar que o introdutor seja um pastor, ou vice-versa, haverá confusão e mágoas.

Tornou-se evidente para mim, há muitos anos, que minha esposa é capacitada na área administrativa. Eu sempre disse: “Lucia consegue administrar um pequeno país em desenvolvimento”. Ela tem o dom da administração. Eu seria um tolo se não incentivasse seus pontos fortes para a glória de Deus. Portanto, cerca de 10 anos atrás, eu lhe entreguei as nossas finanças para administrar. Não tive surpresas: ela fez um trabalho muito melhor do que eu poderia ter feito. A boa notícia é que ela me liberou para usar meus pontos fortes em outras áreas. Ela goza de um senso de realização e nosso Deus é glorificado.

Lembre-se do Evangelho
O marido precisa de ajuda para identificar quais são os pontos fortes de sua esposa e, em seguida, ajudá-la a crescer na expressão destes. Ele também precisa ter uma melhor compreensão do Evangelho. O Evangelho dirige-se a pessoas fracas e quebrantadas. Se Cristo ficasse irritado por não atendermos às Suas expectativas, estaríamos miseravelmente perdidos. Nós não podemos mudar sem Sua ajuda e sem a ajuda uns dos outros!  Finalmente, o marido precisa lembrar o que Cristo pensa a respeito dele e de seus pontos fracos também.

“Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” − Ef 4.32 (NVI).

Fonte: Counseling Solutions

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