Conflitos no ministério: como responder com sabedoria

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Robert Kellemen

Neemias estava trabalhando para Deus na construção do muro de Jerusalém, mas muitos resistiam ao seu ministério. À semelhança de Neemias, nós também podemos esperar uma boa dose de inveja, deslealdade, apatia, agressividade, zombaria e hostilidade quando buscamos edificar o povo de Deus. Nossa oração é por poucos ou mesmo nenhum conflito. No entanto, imagine o quadro descrito a seguir como o pior cenário, uma perfeita tempestade. Neemias é um modelo para nós de como enfrentar a pior tempestade ministerial que se possa imaginar.

Espere por inveja − Responda com unidade.
Sambalate e Tobias ouviram que o rei havia aprovado o plano de Neemias e “ficaram muito irritados quando viram que havia gente interessada no bem dos israelitas” (Ne 2.10). Eles questionaram o caráter de Neemias não porque estivessem genuinamente preocupados, mas por estarem com medo e inveja. A intrusão de um estranho ameaçava sua base de poder e influência.

Em lugar de enfrentar esses homens de igual para igual, Neemias encorajou o povo de Deus para o minstério ombro a ombro (Ne 2.17,18). Ele convidou um grupo de homens de confiança para que avaliassem a necessidade, e então chamou o povo a se unir para vencer o problema. Neemias não teve uma atitude de fuga com relação ao inimigo, mas se esforçou para manter a família de Deus focada no trabalho com propósito.

Espere por deslealdade − Responda com humildade e integridade
Quando Gesém juntou-se a Sambalate e Tobias, Jerusalém ficou cercada de inimigos. Quando viram o povo de Deus unido no serviço, eles levantaram acusações falsas. “O que vocês estão fazendo? Estão se rebelando contra o rei?” (Ne 2.19). Eles tomaram por mal as boas obras de Neemias, pois Satanás maldiz a quem Deus abençoa.

Em resposta à sua deslealdade, Neemias falou a verdade em amor, com humildade e integridade. Em lugar de defender a si mesmo, ele exaltou a Deus. “O Deus dos céus fará que sejamos bem-sucedidos” (Ne 2.20). Ao invés de exaltar a si mesmo, ele olhou para si pela perspetiva de Deus. “Nós, os seus servos, começaremos a reconstrução” (Ne 2.20).

Neemias não recusou teimosamente sondar seu coração. Pelo contrário, ele já tinha feito isso diante de Deus. “Confesso os pecados que nós, os israelitas, temos cometido contra ti. Sim, eu e o meu povo temos pecado” (Ne 1.6). A autoconfrontação bíblica e a confissão a Deus são o antídoto para o veneno das acusações falsas.

Espere por apatia − Responda com persistência
Os problemas vindos de fora já são difíceis o suficiente, mas os problemas internos são ainda mais duros de suportar. Neemias lançou-se ao trabalho com grande entusiasmo e logo teve de enfrentar uma possível interrupção. “…mas os nobres dessa cidade não quiseram se juntar ao serviço, rejeitando a orientação de seus supervisores” (Ne 3.5).

Curiosamente, o texto não oferece uma única palavra em resposta. O trabalho foi em frente sem interrupção. Embora desse as boas-vindas a todos quantos oferecessem apoio, Neemias era suficientemente persistente para ir adiante sozinho caso fosse necessário. No desempenho perseverante de suas responsabilidades, ele estava preparado para a possibilidade de ter ao seu lado ninguém mais além de Deus. Seu vigor não foi influenciado pela apatia dos outros.

Espere por agressividade − Responda com vulnerabilidade
Em Neemias 3, trinta e oito diferentes equipes de trabalho operavam harmoniosamente para o avanço do serviço de Deus. E então, lemos: “Quando Sambalate soube que estávamos reconstruindo o muro, ficou furioso. Ridicularizou os judeus” (Ne 4.1,3).

Quando alguém nos instiga, nossa inclinação é instigar também. Quando alguém bate de frente conosco,  somos tentados a fazer o mesmo. Neemias preferiu ficar face a face com Deus. Em sua vulnerabilidade, ela orou: “Ouve-nos, ó Deus, pois estamos sendo desprezados” (Ne 4.4). Desprezar significa ver alguém como insignificante, inútil, sem valor. No Antigo Testamento, situações semelhantes resultaram frequentemente em desânimo. Pense nesta palavra: des-ânimo − ou seja, ver sua coragem derreter-se, sentir-se pequeno e encolhido, sobrecarregado e incapaz. Ao invés de ceder desta forma, Neemias entregou-se a Deus.

Espere por zombaria − Responda com a verdade de Deus
As críticas geralmente vêm em grande quantidade. É o que Sambalate e Tobias fizeram. Na presença de seus associados, Sambalate ridicularizou os judeus. “O que aqueles frágeis judeus estão fazendo? Será que vão restaurar o seu muro? Irão oferecer sacrifícios? Irão terminar a obra num só dia? Será que vão conseguir ressuscitar pedras de construção daqueles montes de entulho e de pedras queimadas?” (Ne 4.2). Tobias, que estava ao seu lado, disse: “Pois que construam! Basta que uma raposa suba lá, para que esse muro de pedras desabe!” (Ne 4.3). Eles se completaram em seu ataque cruel ao caráter dos judeus, sua zombaria implacável e sua trama de horror malicioso.

De gota em gota, isso fez efeito. O versículo 10 registra os sentimentos do povo. Os comentaristas  sugerem que este texto foi, na verdade, entoado como um canto fúnebre e poderia ser traduzido como:
A nossa força para carregar o fardo está diminuindo.
O monte de entulho é tão grande,
E nós estamos curvados,
Incapazes de cumprir esta tarefa impossível.

Naquele momento, os judeus necessitavam de perspectiva, necessitavam da verdade de Deus. Neemias olhou para a situação, reuniu o povo e disse: “Não tenham medo deles. Lembrem-se de que o Senhor é grande e temível, e lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas” (Ne 4.14). Quando a vida desaba, nossa perspectiva se acanha. Quando nossa perspectiva se acanha, precisamos de uma dose maciça de perspectiva eterna − a perspectiva de Deus. Precisamos nos lembrar de quem é Deus, quem nós somos em Cristo, quem é Aquele que nos chamou e aquilo que Ele nos chamou para fazer.

Espere por hostilidade − Responda com criatividade
Quando metade do trabalho estava completo, a oposição cresceu. “Nesse meio tempo fomos reconstruindo o muro, até que em toda a sua extensão chegamos à metade da sua altura, pois o povo estava totalmente dedicado ao trabalho” (Ne 4.6). Sambalate e sua equipe ouviram falar sobre o  progresso e “ficaram furiosos. Todos juntos planejaram atacar Jerusalém e causar confusão” (Ne 4.7,8). Para piorar, “os judeus que moravam perto deles dez vezes nos preveniram: ‘Para onde quer que vocês se virarem, saibam que seremos atacados de todos os lados’” (Ne 4.12).

A metade do caminho é com frequência o ponto em que enfrentamos maior oposição e maior tentação de abandonar a tarefa. É o ponto em que outros começam a tomar conhecimento do nosso progresso, mas também o ponto em que começamos a perceber que a tarefa que ainda temos pela frente é enorme. Os grandes líderes reagem à possível morte e destruição de um sonho com vida e criatividade. Você pode definir a grandeza de um líder por aquilo que é preciso para desencorajá-lo e pela sua maneira de encorajar a todos ao seu redor.

Muitas vezes, a atitude criativa no momento de crise requer não somente pensar e orar, mas também agir de maneira prática. “Mas nós oramos ao nosso Deus e colocamos guardas de dia e de noite para proteger-nos deles” (Ne 4.9). Com criatividade, Neemias sugeriu que trabalhassem e se protegessem: “Daquele dia em diante, enquanto a metade dos meus homens fazia o trabalho, a outra metade permanecia armada de lanças, escudos, arcos e couraças” (Ne 4.16). Com criatividade, Neemias também enfatizou tanto a individualidade quanto a comunidade: “Lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas… todos nós voltamos para o muro, cada um para o seu trabalho… Do lugar de onde ouvirem o som da trombeta, juntem-se a nós ali…” (Ne 4.14, 15, 20).

Das seis áreas de conflito, quais você já enfrentou no ministério? Das seis respostas bíblicas, qual você gostaria de colocar em prática no seu ministério?

Resumo do capítulo 5 de Equipping Counselors for Your Church.
Original

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