Tudo posso. Tudo o quê?!

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Nathan Buzenitz, professor de teologia no The Master’s Seminary, na Califórnia, faz uma breve consideração sobre um dos versículos mais conhecidos e citados do Novo Testamento.

Trata-se de um texto bíblico muito usado no ministério de aconselhamento e na literatura dirigida à vida cristã. É provável que você já o tenha lido e decorado, e que o repeta inúmeras vezes.

Será que você o usa corretamente?

Estamos diante de uma ironia: com o uso desse versículo fora de contexto, acontece que muitas pessoas têm virado o texto pelo avesso e feito com que ele signifique o oposto daquilo que significa de fato. Transformaram-no em um slogan de capacitação pessoal, uma declaração de autorrealização, ambição e êxito. Esse versículo tem sido banalizado por muitos como um tipo de lema motivacional para a prosperidade material, o progresso na carreira ou o sucesso atlético. Na realidade, porém, ele não é nada disso.

A esta altura, você já deve ter adivinhado que o versículo que estou descrevendo é Filipenses 4.13, em que o apóstolo Paulo escreve: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Quando lemos Filipenses 4.13 isoladamente, fora de seu contexto, é possível percebermos por que tantas pessoas lançam mão dele como uma declaração de capacitação pessoal. Aparentemente, extraída do contexto, a palavra “tudo” poderia ser uma referência a qualquer coisa que alguém possa querer realizar – desde ganhar um jogo de futebol ou perder peso, até obter um novo emprego para juntar bens materiais. Fora de contexto, este versículo é muitas vezes considerado como um encorajamento espiritual à autoconfiança, aplicável a qualquer ambição ou aspiração na vida diária. No seu contexto, porém, ele tem um significado muito específico e definido, um significado do qual a maioria de nós não quer nem ouvir falar, mas que é muito importante trazermos à lembrança.

Fora de contexto, Filipenses 4.13 é usado como uma promessa do tipo “cheque em branco”, que você pode usar conforme desejar. Mas no contexto, é um versículo sobre contentamento. Ele não se refere à possibilidade de seus sonhos se tornarem realidade nem de seus objetivos serem atingidos. Pelo contrário, ele fala sobre você permanecer alegre, satisfeito e firme mesmo quando a vida é dura e as circunstâncias que você enfrenta parecem impossíveis.

Como você pode ver, esse versículo não fala a respeito de ganhar o jogo de futebol, mas de como você reage quando seu time perde o jogo ou você se machuca e o time fica desfalcado. Ele não fala sobre conseguir aquele emprego novo, uma casa ou uma roupa nova, mas sobre encontrar satisfação no emprego que você já tem, na casa que já possui e nas roupas que estão penduradas no seu armário. Não é um versículo sobre ser capaz de mudar as circunstâncias, mas sobre a confiança na capacitação divina para que você se contente em meio às circunstâncias que você não pode mudar.

Considere o contexto de Filipenses 4.13. Escrevendo aos crentes de Filipos, Paulo disse:
(10) Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade.
(11) Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.
(12) Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez;
(13) tudo posso naquele que me fortalece.

Pelo contexto, você pode ver que quando o apóstolo Paulo diz “tudo posso naquele que me fortalece”, ele está falando sobre o contentamento. Com sua confiança depositada em Cristo, que o capacitava para perseverar em qualquer situação, Paulo tinha aprendido a estar contente qualquer que fosse a circunstância. E esta é a perspectiva que nós somos chamados a imitar. Na verdade, se você olhar para o versículo 9, logo antes dos versos que já vimos, Paulo disse:
(9) O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.

Paulo chamou seus leitores para seguirem seu exemplo, e logo em seguida falou sobre o contentamento. Evidentemente, a atitude de Paulo é a mesma que deve nos caracterizar hoje também.

Acesse o artigo completo em I can do all things

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