Motivo de grande alegria

Paul Tautges

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança” (Tg 1.2-3).

As provações testam como está nossa fé em Deus e como nós nos comportamos diante dos outros ao enfrentarmos o sofrimento. A resposta de um cristão à provação deve ser diferente da resposta de um descrente. Tiago escreve: “considerem motivo de grande alegria”. Esta é uma ordem que nos chama a uma determinada atitude, a  uma determinada maneira de pensar. Em outras palavras, não se trata de uma opção. Tiago não está dizendo: “Bem, se você quiser considerar o sofrimento um motivo de alegria, será ótimo; mas se você quiser reclamar da vida, também poderá fazê-lo”. Não, não é isso que ele diz. Tiago deixa claro que é nosso dever como os crentes buscar ativamente uma atitude de alegria em meio à provações. Todos nós podemos entender o que significa nos alegrarmos depois que uma provação passa, mas não é isso que Tiago tem em mente. É enquanto estamos sofrendo que devemos escolher considerar a provação como motivo de grande alegria.

“Grande alegria” não se refere a uma alegria pela provação em si, mas a algo que produz na mente do crente uma perspectiva alegre. Esta alegria está em saber que a vontade boa e perfeita de Deus se concretizará como resultado dessa provação. Tiago não está nos dizendo: “Não importa quão doloroso seja o seu sofrimento, basta você colocar uma cara feliz. Finja. Não deixe que ninguém saiba que está doendo muito lá dentro de você”. A verdadeira alegria não é manter uma aparência de espiritual.

Por exemplo, quando soubemos que a nossa Kayte filha nasceu surda, não consideramos essa provação por si mesma como uma alegria. Cortou nosso coração aceitar que ela nunca nos ouviria dizer o quanto nós a amamos. No entanto, nós consideramos essa provação como alegria porque escolhemos a pensar naquilo que sabemos ser verdadeiro a respeito de Deus. Nós encontramos intencionalmente o combustível para a alegria no conhecimento de que Deus é soberano, sábio e bom, e em sabermos que Ele nunca faz nada sem um bom propósito. Deus declara que Ele cria algumas pessoas surdas (Êx 4.11). Sabemos, portanto, que Deus criou a nossa filha surda propositadamente para o Seu propósito. Diante disso, quem somos nós para não ficarmos alegres no exercício da Sua soberania? Quem somos nós para não reconhecermos que Ele tem uma boa e perfeita vontade que Ele está operando para a Sua glória? (Por sinal, pela providência graciosa de Deus, Kayte agora pode ouvir devido à maravilha de implantes cocleares).

Mais uma vez, quero deixar claro que Tiago não está falando de termos alegria pela provação em si, mas de termos a alegria em algo maior – a alegria em Deus. Tiago não está nos encorajando a viver uma forma de negação. As provações são difíceis.Elas nos machucam e doem, mas a alegria do Senhor é nossa força (Ne 8.10). Podemos e devemos nos alegrar em todas as circunstâncias, porque sabemos que Deus está operando de alguma forma por detrás e através de nossas provações a fim de fortalecer nossa fé e cumprir o Seu propósito. Jesus ensina em Lucas 6.22,23 que “Bem-aventurados serão vocês, quando os odiarem, expulsarem e insultarem, e eliminarem o nome de vocês, como sendo mau, por causa do Filho do homem. Regozijem-se nesse dia e saltem de alegria, porque grande é a sua recompensa no céu”. Isso não significa que pularemos de alegria porque algumas pessoas nos odeiam, mas que nosso coração se alegra muito porque há uma recompensa que Deus promete àqueles que O amam mais do que amam a mundo.

A alegria bíblica não equivale a felicidade. Podemos estar alegres sem estarmos felizes. A felicidade depende das nossas circunstâncias, mas a alegria não. A alegria está acima das circunstâncias. A alegria é uma decisão interior de dar glória a Deus independentemente do que nos aconteça. Por exemplo, o apóstolo Paulo estava na prisão por sua fé quando escreveu aos crentes de Filipos: “Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!” (Fp 4.4). Paulo estava sempre feliz na prisão? Creio que não. Ele nos diz que se esforçou para aprender a viver contente em toda e qualquer circunstância (Fp 4.11). Não importa qual seja a circunstância, podemos ter alegria porque ela vem do Senhor. É fruto do Espírito (Gl 5.22). Isso significa que, exteriormente, a vida pode parecer um completo caos e, ao mesmo tempo, podemos experimentar a paz interior porque o Espírito Santo é quem produz a alegria.

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Fonte: Counseling One Another
Original:Consider it all joy

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