Falando a verdade em amor sobre uma escolha determinante

Em Falando a Verdade em Amor, David Powlison compartilha com muita clareza e, sim, também muito amor, a razão de ter escolhido o aconselhamento bíblico em detrimento de outras alternativas para tratar os problemas que afligem o coração. O livro é uma leitura obrigatória para todos quantos querem de fato ajudar aqueles que estão em busca de alívio para o coração aflito.

Num momento em que a Igreja parece estar bastante indecisa quanto a que vozes ouvir e seguir, a palavra de David Powlison, alguém que conhece de perto aquilo de que fala, é muito oportuna. Powlison conheceu a Cristo quando já estava no mundo da saúde mental, como profissional, e pode se expressar com conhecimento e sabedoria sobre o assunto.

A escolha que David Powlison fez foi determinante não só para ele, mas para tantos outros a quem ele tem oportunidade de ajudar e ensinar. Ele é diretor executivo da Christian Counseling and Educational Foundation (CCEF), um ministério dedicado à capacitação de conselheiros bíblicos.

Por que escolhi ser treinado para o ministério de aconselhamento?

No início da minha vida, havia planejado fazer um curso de pós-graduação em Psicologia Clínica. Estudei Psicologia na faculdade, trabalhei quatro anos em hospitais psiquiátricos, e eu mesmo passei quase dois anos fazendo psicoterapia. Eu aceitava a afirmação de que a Psicologia fornece a verdade sobre as pessoas e que a psicoterapia possui o amor e o poder para resolver os males da alma humana. Porém, no processo de me tornar cristão, fiquei desiludido com as psicologias e psicoterapias seculares. Três coisas mudaram o meu modo de pensar e, finalmente, mudaram a direção de minha instrução e prática do aconselhamento.

Primeiro, tornei-me consciente de que os conflitos existentes entre as teorias psicológicas eram fundamentais, não incidentais. Os que traziam novas teorias e os que sustentavam o pensamento corrente eram incompatíveis entre si, tanto pessoal quanto sistematicamente. Estudei Sigmund Freud, B. F. Skinner, Alfred Adler, Carl Rogers, e a psicofarmacologia. Essas são cinco “religiões” diferentes, e elas tratam umas às outras dessa maneira! Fiquei particularmente intrigado com a psicologia das relações de objeto, a psicologia existencialista, Carl Jung, Anna Freud, Erik Erikson, Irvin Yalom, Fritz Perls e Abraham Maslow. A partir desses mestres, criei, inicialmente, meu próprio sincretismo impreciso.

Ao longo do tempo, entretanto, esse sincretismo mostrou-se instável. O caráter contraditório das partes componentes reivindicava seus direitos. Quem estava certo? Toda teoria parecia “um tanto certa” até que a teoria seguinte trouxesse uma interpretação diferente sobre as mesmas observações ou destacasse novas para mostrar que a anterior estava “totalmente errada”. Os teóricos da segunda geração, os terapeutas e os alunos em formação, como eu, tendiam a ser mais tolerantes, ecléticos e sincréticos. Tentávamos integrar visões incompatíveis da natureza humana numa síntese mais verdadeira e completa – ou pelo menos numa abordagem pessoal viável. Mas o ecletismo de princípios, como um compromisso apaixonado com uma teoria em particular, estabelecia cada pessoa como sua própria autoridade suprema, o fundador de uma idiossincrática Grande Teoria Unificada. “Cada um fazia o que achava mais reto” (Jz 17.6) é o modo como eu colocaria isso hoje. Comecei a questionar cada vez mais se as psicologias realmente ofereciam algo mais que bondade e observações sensatas a respeito das pessoas.  (p. 154)

Na sequência, Powlison trata dos demais aspectos da mudança que ocorreu em seu modo de pensar, dando uma descrição bastante detalhada de como a sua experiência no sistema de saúde mental alimentou uma desilusão e um ceticismo crescentes. Quanto mais ele aprendia sobre si mesmo e os outros, mais ele via que a condição humana de sofrimento e falta de sentido na vida, de angústia e de confusão, bem como as esperanças e os anseios do homem por alguma forma de redenção, não encontravam as melhores descrições e explicações nos sistemas em que ele havia pensado de colocar sua confiança. Nesse contexto, deu-se seu encontro com Cristo e a verdade bíblica, que passou a fundamentar a sua prática do aconselhamento.

Porém, em pouco tempo, para o louvor de Deus, encontrei a condição humana captada da melhor forma possível – não só aprisionada, mas arraigada e redimida – em Jesus Cristo da Bíblia. […] O Deus de toda consolação me deu verdade, amor e poder. Cristo expôs as pretensões dos sistemas e métodos nos quais eu tinha colocado a minha confiança. Melhor ainda, Jesus se deu a mim para que eu confiasse nele e o seguisse. (p. 156-7)

E nós, em quem estamos confiando? A quem estamos seguindo? David Powlison aponta-nos para a Verdade, em amor. Vamos ouvir, com coração aberto, dispostos a avaliar com cuidado bíblico aquilo em que temos crido, aquilo que temos recomendado e ensinado, e que temos aplicado para ajudar aqueles que estão em busca de soluções verdadeiras para seus dilemas.

“E, agora, que o Deus da paz, que trouxe de volta dos mortos nosso Senhor Jesus, o grande Pastor das ovelhas, e confirmou uma aliança eterna com seu sangue, os capacite em tudo que precisam para fazer a vontade dele. Que ele produza em vocês, mediante o poder de Jesus Cristo, tudo que é agradável a ele, a quem seja a glória para todo o sempre! Amém.” Hb 13.20, 21 (NVT)


Falando a verdade_post livroCitações extraídas de: POWLISON, David. Falando a verdade em amor: aconselhamento em comunidade. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.