A Bíblia está ficando no banco de trás do seu aconselhamento?

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Stuart Scott

Os conselheiros bíblicos seriam os primeiros a afirmar que a Palavra de Deus é a fonte do nosso aconselhamento e o agente do Espírito para a mudança. Na prática real, porém, estamos comunicando isto de forma efetiva aos nossos aconselhados? Estamos dependendo realmente do poder de Deus, por meio da Sua palavra, para atingir, confortar e transformar corações? Aqueles que ministram de maneira informal nas nossas igrejas entendem o valor de apontar para a Palavra antes de apresentar um recurso externo?

Na supervisão de alunos que estão sendo treinados em aconselhamento bíblico, tenho notado que eles facilmente indicam materiais suplementares como tarefa prática para os aconselhados, mas dificilmente abrem a Palavra de forma significativa com eles. Com certeza, é muito mais trabalhoso abrir a Palavra de Deus para explicá-la, e dialogar durante um encontro, do que pedir ao aconselhado para comprar uma apostila ou um livro e trabalhar em cima desse conteúdo.

No entanto, penso ser primordial que nossos aconselhados compreendam, por meio do que acontece durante e depois do encontro, que a Bíblia é o ponto central no nosso aconselhamento. Deveríamos nos perguntar frequentemente: Estou dando o devido destaque a isso? Será que apenas me refiro às verdades bíblicas? Será que passamos a maior parte do nosso tempo só falando sobre os problemas e investimos bem pouco tempo na Palavra de Deus? Aqueles que procuro ajudar estão, predominantemente, lendo livretos e ouvindo podcasts? Ou estou encaminhando os aconselhados para páginas preciosas das Escrituras de modo que o Espírito use a Palavra e cumpra Sua obra?

Se um irmão ou uma irmã chegam a você e perguntam “Você sabe de algo que poderia ajudar minha irmã que está lutando com automutilação?”, ou se a pergunta é sobre depressão, você diz: “Ah sim, conheço tal livro sobre ‘automutilação’, desse o daquele autor” ou “Você tem que comprar tal livro sobre depressão, de tal e tal autor”? Não daríamos à Palavra do Deus digno de toda honra o lugar que melhor lhe cabe se nos esforçássemos para apontar aos aconselhados primeiramente a Bíblia?

Não quero minimizar a utilidade dos ótimos recursos que estão disponíveis. Eu mesmo sou o autor de alguns deles! Entendo que às vezes temos apenas uma oportunidade para oferecer alguma ajuda significativa, e não quero comunicar que não devemos indicar, ou usar como tarefa prática, recursos que são baseados na Bíblia. Eles podem ajudar bastante no processo de aconselhamento.

O que quero enfatizar é que a Palavra de Deus não deve ficar em segundo lugar em relação aos comentários sobre ela, sejam nossos ou de outros. Durante os encontros, devemos levar as pessoas a passagens específicas da Palavra de Deus, devemos indica-las para as tarefas práticas, e só então recomendar livros, nossos ou de outros autores, como complementos para uma melhor compreensão e aplicação da Palavra que foi compartilhada. Existe uma diferença entre essas duas abordagens. A última comunica onde de fato estão as palavras que oferecem vida e resposta.

Antes de recomendar um recurso, pode ser útil destacar um trecho ou outro. Também é muito importante escolher cuidadosamente recursos que contenham vários versículos bíblicos, usados com precisão. E certifique-se sempre de que o aconselhado esteja procurando em sua Bíblia as referências citadas e respondendo às palavras dirigidas diretamente a ele por Deus.

Não queremos encorajar aqueles que aconselhamos a se tornarem fãs de determinados autores no aconselhamento bíblico. Queremos que eles se encantem com o Deus da Bíblia e os tesouros de Sua Palavra.

O que estou propondo é simplesmente que faríamos bem em perguntar continuamente a nós mesmos:
“Quando aconselho, o que estou fazendo especificamente para facilitar o temor a Deus e uma dependência de Deus?”.
“Estou me esforçando para que os aconselhados mergulhem nas Palavras de Jesus?”
“No mínimo, estou comunicando a importância que isso tem, mantendo a Bíblia sempre ao meu alcance e levando os outros a fazer o mesmo?”

Não são o desabafar do coração nem mesmo a nossa “conversa santa” sobre os princípios bíblicos os meios mais efetivos para cumprir a obra de Deus em um coração, mas a própria Palavra de Deus. Jesus orou ao Pai: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).  Então, tenhamos certeza de que a estamos usando em primeiro lugar, de que estamos mantendo a Bíblia no banco da frente quando ajudamos outras pessoas (Sl 19.7-14; Hb 4.12; Sl 119).



Original em ACBC:   Is The Bible taking a backseat in your counseling