5 razões por que os conselheiros precisam cultivar a humildade

Darryl Burling

Jesus não entrou no mundo anunciando que todos deveriam se colocar em posição de sentido e ouvir, pois Ele havia chegado. Em vez disso, Ele foi “manso e humilde de coração” (Mt 11.29) e Seu impacto no mundo continua a ressoar dois mil anos depois. No entanto, Jesus não tomou para Si o crédito por esse feito.

Ele disse: “O meu ensinamento não é de mim mesmo” (Jo 7.16) e “Nada faço de mim mesmo” (Jo 8.28). Paulo nos ensinou que Jesus se esvaziou de Seus direitos e privilégios legítimos em benefício de um povo que não O aceitou nem aceitou Sua ajuda.

Se quisermos ser conselheiros efetivos, teremos de imitar Jesus, cultivando essa mesma humildade. Jesus teve tamanho impacto, em parte, devido à Sua humildade, e a humildade fará de nós melhores conselheiros. Existem pelo menos cinco aspectos nos quais nosso aconselhamento se beneficiará se cultivarmos a humildade em nossa vida.

– 1 – Cultive a humildade para se tornar um melhor ouvinte
Stuart Scott escreveu “pessoas orgulhosas que falam demais fazem isso porque pensam que o que eles têm a dizer é mais importante do que aquilo que qualquer outra pessoa tem a dizer”.[1]  Como conselheiros, não temos muito a dizer. As pessoas não precisam nos ouvir, elas precisam ouvir o Senhor. O Senhor é a esperança de que cada pessoa necessita. Ele tem a solução para os problemas, não nós. Portanto, precisamos ouvir e fazer perguntas inteligentes para que possamos aplicar a Palavra de Deus com precisão e clareza.

Enquanto pensarmos ter algo importante para dizer que não vem da Palavra de Deus, nós nos ocuparemos com falar em lugar de ouvir. Portanto, como conselheiros, precisamos cultivar a humildade para nos tornar melhores ouvintes.

A habilidade no ouvir nos ajuda a responder de forma mais adequada. O livro de Provérbios conecta o ouvir ao responder: “Quem responde antes de ouvir, comete insensatez e passa vergonha” (Pv 18.13). Se queremos que o Senhor fale ao coração e às circunstâncias dos nossos aconselhados, devemos colher todas as informações necessárias, e nós as obtemos ouvindo e fazendo perguntas inteligentes. Isso exige que cultivemos humildade para ouvir.

– 2 – Cultive a humildade para escolher o problema mais premente
Depois de ouvir os problemas do aconselhado, às vezes penso que um desses problemas condiz justamente com algo em que eu estive refletindo ou algo que li. Isso me leva a uma afinidade instantânea com aquele problema e então, em alguns casos, parece-me ser fácil resolver a questão. No entanto, quando uso essa abordagem, o problema pode ficar cada vez mais emaranhado em uma variedade de outros problemas que precisariam ter sido resolvidos. Mais adiante, dou-me conta de ter escolhido começar por aquele problema antes de ter pensado sobre como melhor servir aquela pessoa.

O que causou essa confusão? Meu orgulho. Eu queria lidar com aquele problema porque era fácil, atraente ou envolvente para mim. No entanto, não era o problema principal para o qual o aconselhado precisava de ajuda, mas apenas um sintoma daquilo que deveria ser tratado.

Cultivar a humildade nos ajuda a evitar essa armadilha.

– 3 – Cultive a humildade para ir ao encontro das pessoas e caminhar com elas 
Quando nos acostumamos com ajudar as pessoas em seus problemas, existe uma tentação de dar ao aconselhado um plano de três passos para seguir, e lhe dizer que nos ligue depois. No entanto, Deus vai ao encontro das pessoas para caminhar com elas, e nós devemos fazer o mesmo.

Assim como o Senhor se dispõe a andar com o homem, nós também precisamos cultivar a humildade para ter certeza de que conseguiremos fazer como Ele faz. Afinal, nós já estivemos onde aquelas pessoas estão agora, mesmo que as especificidades de nossos problemas fossem diferentes, e sabemos que aprendemos melhor quando alguém nos alcança ali onde estamos e nos conduz pelo caminho. Como conselheiros, o Senhor traz as pessoas para nossa vida e ministério e nos dá o privilégio de caminhar com elas durante certo tempo.

É importante cultivar a humildade para ir ao encontro das pessoas e caminhar com elas, em vez de chamá-las a um lugar distante de onde estão sem levá-las até lá passo a passo.

– 4 – Cultive a humildade para demonstrar empatia e compaixão
É preciso ter humildade para chorar com os que choram (Rm 12.15). Temos coisas para fazer e um cronograma para manter. Será que essas coisas são mais importantes do que levar os fardos uns dos outros (Gl 6.2)? Às vezes, elas podem ser legitimamente mais importantes. Na maioria das vezes, porém, colocamos algo menos importante – como, por exemplo, o almoço – acima de algo mais importante como permitir que as lutas de outras pessoas ganhem nossa compreensão.

A compaixão exige que deixemos de lado as coisas que podem nos pressionar para que possamos mergulhar no mundo de outra pessoa. Isso significa que precisamos ver a dor da outra pessoa como mais importante do que outras coisas que estão em nossa agenda. Deus trouxe aquela pessoa para que possamos ministrar a ela. Quem somos nós para lhe dizer que nossa agenda é mais importante?

Devemos cultivar a humildade que nos ajuda a trabalhar com as pessoas que Deus coloca diante de nós no momento. Se nossa agenda estiver muito lotada, pode ser sinal de que temos uma perspectiva além do razoável com relação ao que podemos realizar.

– 5 – Cultive a humildade para lembrar que só Deus pode mudar os corações
Os conselheiros bíblicos são professores que aplicam a Palavra de Deus à alma daqueles que precisam ouvir o que Deus tem a lhes dizer. Isso é o que somos. Uma vez que o aconselhado recebeu a verdade, a obra de mudança no coração depende do Senhor. No entanto, é fácil ficar frustrado quando a mudança não vem. Nossa frustração revela o orgulho em nosso próprio coração.

A frustração vem de pensar que podemos fazer além daquilo que de fato é razoável. Sim, precisamos nos certificar de que nosso aconselhado siga nossas instruções, mas pode haver muitas outras questões a considerar, que requerem nossa atenção. Também pode ser que precisemos aprender a depender do Senhor e orar.

Precisamos cultivar a humildade para ser um agente de mudança, dependendo do Senhor em vez de nossa própria destreza com a Palavra de Deus.

Conclusão 
Mesmo sendo conselheiros bíblicos, ainda é fácil buscarmos nossa própria glória. Precisamos seguir o exemplo de Cristo de não buscar a própria glória no nosso ministério. Para fazer isso, devemos constantemente buscar e cultivar a humildade. Ao fazê-lo, não só cresceremos em piedade, mas também nos tornaremos mais eficazes como servos de Cristo e Sua Palavra. 

Perguntas para refletir 
— Como o cultivo da humildade pode ser benéfico para você?
— Qual é a área em que a necessidade de buscar a humildade fica mais evidente em sua vida?
— Qual seria um passo prático a dar como meio eficaz para cultivar a humildade?


[1] SCOTT, Stuart, The exemplary husband: a biblical perspective. Bemidji, MN: Focus, 2002.


Original: 5 Reasons Counselors Need to Cultivate Humility
Este artigo faz parte da série Aconselhamento bíblico e educação superior do blog BCC Grace & Truth.