A “Escala da Ansiedade” para os adolescentes

Ellen Castillo

Ansiedade e os adolescentes 

A ansiedade é uma das razões mais comuns pelas quais os adolescentes buscam aconselhamento bíblico. Sua ansiedade acontece em diferentes graus, e muitas vezes é debilitante. As lutas mais comuns que eles apresentam são problemas de sono, falta de concentração, diminuição do desempenho acadêmico, tendência de evitar as situações que consideram difíceis, alterações no comportamento ou emoções e, em alguns casos, ataques de pânico.

Os gatilhos externos para a ansiedade também variam. Alguns lutam com as expectativas dos pais – notas boas, um desempenho de destaque nos esportes, e outros mais. Outros lutam com as expectativas autoimpostas de ter um bom desempenho nos mais diversos aspectos da vida. Alguns não conseguem identificar nenhum gatilho, mas ficam acordados à noite, incapazes de dormir enquanto sua mente corre. Suas preocupações com as questões deste mundo – política e acontecimentos da atualidade – ocupam a mente e geram ansiedade. O temor a homens toma conta de seu senso de identidade e propósito à medida que eles se comparam, julgam, sucumbem à pressão dos colegas e lutam com sua fé e confiança no Senhor. As informações chegam até eles em ritmo acelerado por meio das mídias sociais e de outros conteúdos on-line, dificultando a concentração nas prioridades da vida. Para os mais velhos, geralmente, existe a preocupação com planejar seu futuro.

A luta com a ansiedade pode variar muito de adolescente para adolescente. Quando olhamos para o coração, porém, eles têm muito em comum uns com os outros. O coração da ansiedade de um adolescente também tem muito em comum com o coração da ansiedade de um adulto. Um coração ansioso é um coração dividido.

Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; põe em meu coração o desejo de temer o teu nome (Sl 86.11).

Nas ocasiões em que o aconselhado vivencia a ansiedade, o foco está em seus próprios pensamentos e nas circunstâncias, em vez de estar centrado na Verdade, e ele não está confiando nas promessas de Deus. Quando uma pessoa está confiando na soberania de Deus, a ansiedade não domina o coração. Quando uma pessoa se concentra em suas preocupações e medos, a ansiedade governa o coração. Um coração dividido descreve uma pessoa cuja lealdade está dilacerada pelas circunstâncias.

A vida mental  

O alvo do aconselhamento bíblico não é erradicar completamente a ansiedade. Como todos nós sabemos, isto seria irreal, dado o mundo caído em que vivemos e as pressões que nos cercam. O alvo é aprender a aplicar as verdades bíblicas a essa experiência humana universal. Os adolescentes precisam ver o problema como uma questão de mordomia. Eles podem aprender a administrar sua ansiedade, controlando sua vida mental.

É útil começar com uma conversa sobre o antídoto para o seu coração dividido. O antídoto é comprometer-se a mudar o foco do coração com a ajuda de Deus e a cooperação do próprio aconselhado no processo. A vida mental é um aspecto do coração que deve ser tratado desde o início do aconselhamento.

Porque de dentro, do coração das pessoas, é que procedem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, o orgulho, a falta de juízo.  Todos estes males vêm de dentro e contaminam a pessoa.  (Mc 7.21-23).

Existe um elemento significativo de escolha naquilo em que pensamos. Deus nos dá liberdade de fazer escolhas sobre a nossa vida mental. Os adolescentes precisam saber que Satanás não tem poder para dominar a mente de um crente nem Deus forçará continuamente pensamentos em sua mente. Em vez disso, Deus nos dá instruções em Sua Palavra para nos ajudar a controlar nossa vida mental.

Destruímos raciocínios falaciosos e toda arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo.  (2Co 10.4, 5).

As ferramentas práticas 

Os adolescentes são mais propensos a se engajar no processo de aconselhamento se receberem ajuda prática e se usarmos abordagens práticas desde o início. Um conselheiro pode instruir o adolescente com um “Pense sobre o que você está pensando” e discutir com ele o efeito bola de neve de uma preocupação. A ansiedade tem início com um pensamento e, em seguida, começa a crescer de forma mais significativa e mais assustadora quanto mais tempo a pessoa dedicar a esse pensamento. Em alguns casos, essa bola de neve se transforma em um pleno ataque de pânico.

Concentrar-se em levar esses pensamentos cativos envolve um investimento de várias semanas, substituindo pela Verdade aquelas mentiras em que costumava acreditar. A substituição dos pensamentos não é o todo do aconselhamento, mas é um conceito importante que deve ser relembrado continuamente, durante todo o aconselhamento, se quisermos ajudar o adolescente a lidar com a ansiedade que rouba o seu vigor. Filipenses 4.4-9 é uma passagem chave para o aconselhado ansioso, pois estabelece a ligação entre a ansiedade e aquilo que pensamos.

Alegrem-se sempre no Senhor; outra vez digo: alegrem-se!  Que a moderação de vocês seja conhecida por todos. Perto está o Senhor.  Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças.  E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.  Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês.  O que também aprenderam, receberam e ouviram de mim, e o que viram em mim, isso ponham em prática; e o Deus da paz estará com vocês.

Uma ferramenta prática que os adolescentes acham útil é a “Escala da Ansiedade”. Para ajudá-los a pensar sobre o que eles estão pensando, eles devem ter uma “Escala da ansiedade” visual, algo que irão preencher a cada dia enquanto registram seus padrões de pensamento ansiosos.

Em uma folha de papel em branco, trace uma linha para cada dia da semana. À esquerda está o “0”. À direita está o “10”. No centro, o valor é “5”. O “0” representa não ter ansiedade alguma. O “10” representa um pânico completo, geralmente com sintomas físicos. O “5” representa algum nível de ansiedade intermediário entre os extremos, que indica que o adolescente gerenciou prontamente a ansiedade à medida que ela surgiu. O objetivo é que o adolescente se mantenha nessa escala de avaliação dos pensamentos ansiosos mais entre 0 a 5 do entre 5 a 10. Os adolescentes se dão muito bem com ferramentas visuais, e essa ferramenta simples oferece uma imagem de quanta ansiedade está consumindo sua mente, e eles podem acompanhar visualmente o progresso.

O adolescente deve fazer anotações, marcando os episódios de ansiedade na escala correspondente ao dia. Ele deve puxar um traço abaixo de cada incidente marcado na escala e escrever algumas palavras indicativas do que aconteceu como, por exemplo, “medo de fazer uma pergunta ao meu professor”. Se essa situação causou uma ansiedade severa ou um ataque de pânico, a linha poderia ser puxada debaixo do 10. Se a ansiedade não dominou porque os pensamentos foram capturados rapidamente, a linha poderia ser traçada abaixo do 5 ou do 6, e assim por diante. A Escala de Ansiedade pode ser acompanhada por um diário, para expandir as poucas palavras indicativas escritas na escala, visto que alguns adolescentes preferem descrever os acontecimentos mais detalhadamente – um hábito conhecido como journaling.

Essa tarefa prática dá uma excelente visão do coração do adolescente, para que o conselheiro possa começar a abordar as lutas mais profundas que levam à ansiedade. Pedir que o aconselhado leve no encontro seguinte a tarefa feita dá ao conselheiro gera um bom ponto de partida para o que será conversado no aconselhamento daquele dia.

À medida que usamos tarefas práticas como ferramentas no aconselhamento, e as discutimos semana após semana, a mudança começa a acontecer no coração. Os pensamentos ansiosos podem ser capturados mais prontamente, e as ocorrências de ansiedade debilitante podem diminuir. Um adolescente pode aprender a administrar sua ansiedade de maneira que beneficie sua saúde espiritual e emocional.

Perguntas para reflexão 

Que ferramentas práticas você pode utilizar para atingir o coração ao ajudar os adolescentes ansioso?

Como você pode aplicar as ferramentas como essa ao seu coração quando você luta com a ansiedade?

Ellen Castillo é diretora executiva e conselheira bíblica de mulheres no ministério Word of Hope, um centro de aconselhamento e treinamento bíblico na costa central da Califórnia, dedicado a servir as igrejas locais e ministrar também online. Viste o site de Word of Hope Ministries e sua página no Facebook.


Original: The Anxiety Scale for Teens
Artigo publicado pela Biblical Counseling Coalition