A oração e o aconselhamento bíblico

Jared Baergen

Você já subestimou alguma coisa? Lembro-me de uma época em que eu praticava snowboard com alguns amigos tarde da noite nas colinas geladas de Vermont. Decidimos apostar corrida pela Black Diamond Trail. Todos, inclusive eu, subestimaram a importância do ar frio nas camadas finas de neve. Aconteceu de  encontrarmos uma dessas camadas de gelo ao fazer uma curva. Eu caí imediatamente, deslizei para fora da borda da pista e parei cerca de três metros abaixo. Não acertei uma árvore por centímetros. Levei um tempo para voltar à pista, mas saí com apenas alguns hematomas. Naquele dia, porém, aprendi uma lição sobre como pode ser perigoso subestimar algo.

Podemos fazer exatamente a mesma coisa em nosso aconselhamento se não formos cuidadosos. Muitos de nós subestimam a importância da oração no aconselhamento. Eu sei porque fiz isso quando comecei a aconselhar. Cremos que o aconselhamento bíblico é bíblico porque usamos a Bíblia, mas podemos facilmente negligenciar o papel da oração em nosso aconselhamento. Se pensamos que nossos aconselhados ficarão mais parecidos com Cristo devido à explicação cativante que fazemos de passagens bíblicas, subestimamos significativamente a importância da oração e a necessidade da atuação do Espírito Santo em nosso aconselhamento. Em outras palavras, o aconselhamento bíblico sem oração não é diferente do aconselhamento secular.

Podemos destacar três aspectos da importância da oração no aconselhamento. Precisamos considerá-las atentamente e em oração. Todos as três são destacadas em Tiago 5.13-16.

A importância da oração para o aconselhado
A oração é de vital importância na vida do seu aconselhado. Tiago instruiu: “Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração” (Tg 5.13). Pode ser difícil orar quando estamos sofrendo ou passando por alguma provação. A oração costuma ser nosso último recurso. No entanto, precisamos encorajar nossos aconselhados a orar. Jesus instruiu Seus discípulos a orar (Mt 6.5-13) e enfatizou a importância da oração no combate aos desejos e tentações carnais (Mt 26.41). Paulo instruiu a igreja em Tessalônica a orar sem cessar (1Ts 5.17) e enfatizou a importância da oração na batalha espiritual (Ef 6.18). É vital que você incentive seus aconselhados a orar.

Quais são algumas maneiras práticas pelas quais você pode ajudar seus aconselhados a orar? Primeiro, sempre inclua a oração diária nas atividades práticas que passar para seus aconselhados fazerem durante a semana. Desde o primeiro encontro, você quer que os seus aconselhados orem sobre a situação que estão enfrentando. Quando você voltar a se encontrar com eles, certifique-se de perguntar sobre o tempo de oração diário.

Em segundo lugar, seja específico sobre como você deseja que eles orem. Sempre peço aos meus aconselhados que orem durante vinte minutos todos os dias, se possível de joelhos, em voz alta e com uma pequena lista de pedidos de oração. Por quê? Não porque as Escrituras dizem que devemos orar dessa maneira específica, mas por que quero que meus aconselhados passem momentos concentrados em oração, sem distração. Orar em voz alta e com uma lista sempre me ajuda a estar mais focado, e orar de joelhos me lembra com quem estou falando.

Terceiro, não presuma que seus aconselhados sabem orar. Eu já fiz isso tempos atrás. Após vários meses pedindo a um aconselhado que orasse regularmente, ele me perguntou como orar. Fiquei atordoado. Presumi que ele soubesse orar. Depois desse incidente, agora ensino meus aconselhados a orar explicando o método ACAS (Adoração, Confissão, Ação de Graças, Súplica) e encorajando-os a usar um pequeno diário para escrever alguns pedidos de oração em cada uma dessas categoria. Ensine seus aconselhados a fazer algo semelhante para que aprendam como estruturar suas orações e manter o foco.

A importância da oração no encontro de aconselhamento
Também é vital incluirmos a oração no início e no final do encontro de aconselhamento. Em Tiago 5.14, 15 aqueles que estão passando por aflições são instruídos a pedir aos líderes espirituais para orar por eles e com eles.

Para ser claro, não estou dizendo que todos os conselheiros bíblicos são líderes espirituais, embora muitos o sejam. O que estou dizendo é que as pessoas que estão passando por provações, sofrimentos e doenças precisam de pessoas piedosas para orar por elas e com elas. O encontro de aconselhamento é um contexto natural para orar por seus aconselhados e modelar como orar. Sempre faço questão de começar com uma oração e sempre reservo de 10 a 15 minutos no final de cada sessão para orar. Encorajo meus aconselhados a orar e os ajudo a pensar em coisas específicas pelas quais orar. E em seguida, ambos oramos. Em Tiago 5.16, isto é ordenado: “Orem uns pelos outros”. Com o tempo, isso ensinará a seus aconselhados a importância da oração e como orar, construirá um relacionamento de confiança com eles e, o mais importante, irá ajudá-los a ter comunhão com Deus.

A importância da oração para o conselheiro
A oração é igualmente vital em sua vida como conselheiro. Depois que Tiago nos instrui a orar uns pelos outros em 5.16, ele diz: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”. Como está sua caminhada pessoal com o Senhor? Você está vivendo em retidão? Além disso, você está orando por seus aconselhados durante a semana e antes de se encontrar com eles? Não podemos esperar que nossos aconselhados cresçam em Cristo se não orarmos por eles. Também não podemos esperar que nossos aconselhados sejam ajudados por nossas orações se não estivermos caminhando em comunhão com Deus.

No final de Tiago 5, lemos: “se alguém entre vocês se desviar da verdade, e alguém o converter, saibam que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tg 5.19, 20). Esse é nosso trabalho como conselheiros bíblicos: trazer de volta pessoas que se desviaram do caminho de Deus. Aqui, porém, vem uma pergunta: Qual é a relação entre Tiago 5.13-18 sobre a oração e Tiago 5.19, 20? Creio que a resposta é clara e vital para nós como conselheiros bíblicos. Se você deseja ajudar seus aconselhados, trazê-los de volta de seu caminho errado e salvá-los de se perder, você deve ser um conselheiro que ora constantemente. Você ora regularmente? Você ora por seus aconselhados? Você confia em Deus para ajudar seus aconselhados ou você confia em sua própria sabedoria?

A importância da oração no aconselhamento bíblico dificilmente pode ser superestimada. Precisamos ser conselheiros de oração que enfatizam a oração no encontro de aconselhamento e encorajam a oração na vida dos aconselhados.


Jared Baergen é conselheiro bíblico certificado pela Association of Certified Biblical Counselors (ACBC), ensina na Racine Bible Church em Sturtevant, Wisconsin, e é autor de Walking in Christ: the key to the Christian life.



Original: The Importance of Prayer in Counseling
Artigo publicado pela Association of Certified Biblical Counselors.  Traduzido com autorização.

Tradução de Carla Silva
Revisão e adaptação para o português por Conexão Conselho Bíblico