Lições da história da Igreja

O puritanismo foi um movimento que surgiu dentro do protestantismo britânico no final do século 16. O termo puritano, que se tornou conhecido algumas vezes no sentido pejorativo, caracterizou um grupo que estabeleceu um compromisso radical não apenas com mudanças externas, religiosas e políticas, mas com a mudança de valores expressa numa vida de conformidade com a Palavra de Deus. A visão de Deus, das Escrituras,do homem e do pecado, e uma disposição de honrar a Deus mediante uma vida coerente com os princípios bíblicos, caracterizaram também a visão e a prática do aconselhamento entre os puritanos.

Para conhecer mais sobre o valor que as obras escritas pelos puritanos podem ter para o conselheiro bíblico, sugerimos a leitura de Os Puritanos Ingleses: um paradigma histórico do aconselhamento bíblico por Ken L. Sarles em Introdução ao Aconselhamento Bíblico, publicado pela Editora Hagnos (p. 41-65).
Ken Sarles destaca que “a característica que definiu o puritanismo foi a ênfase na vida santificada. Quer na área do aconselhamento, ou em qualquer outra área da vida e ministérios cristãos, os puritanos nos desafiam hoje, mais do qualquer outra geração da história da Igreja, por meio do total compromisso com a integridade entre a ação e a crença que expressam”. (p. 63)

Citando Tim Keller, Sarles escreve:  “Os pastores puritanos, conhecidos como médicos da alma, representam na história da Igreja a primeira escola protestante de aconselhamento bíblico” (p. 41).  A Christian Counseling and Educactional Foundation (CCEF) disponibiliza na íntegra em seu site o artigo de Tim Keller, Puritan Resources for Biblical Counseling.  Na introdução do artigo, Keller oferece seis razões por que as obras dos puritanos são um legado valioso para os conselheiros bíblicos:

  1. os puritanos tinham um compromisso com a autoridade funcional das Escrituras. Para eles, as Escrituras eram um manual abrangente para lidar com todos os problemas do coração;
  2. os puritanos desenvolveram um sistema esmerado e perceptivo de diagnostico para os problemas pessoais, identificando uma diversidade de causas físicas e espirituais, causas ligadas à índole e à influência demoníaca;
  3. os puritanos mantiveram uma estabilidade notável no tratamento dos problemas porque não estavam presos a nenhuma outra ‘teoria da personalidade’ além do ensino bíblico sobre o coração;
  4. os puritanos eram realistas quanto às dificuldades da vida cristã, especialmente no que diz respeito aos conflitos com o pecado que ainda habita em nós;
  5. os puritanos olhavam não somente para o comportamento, mas para as motivações e os desejos pessoais mais básicos. O homem é um adorador; os problemas surgem da criação pecaminosa de uma ‘imagem’ ou ídolo;
  6. os puritanos confiavam no evangelho como a solução espiritual essencial, usado tanto para conduzir ao arrependimento como para o desenvolvimento de uma autocompreensão adequada.

Em dias quando a integridade e a coerência com os valores bíblicos na vida pessoal e no ministério continuam a ser pouco populares, vale a pena conhecer e considerar o legado dos puritanos.

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