É mesmo certo planejar?

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Não é raro encontrarmos pessoas que relutam ou mesmo se opõem à ideia de ter um planejamento estratégico para a vida pessoal ou para o ministério, pois entendem que seria um indício de querer controlar o futuro em lugar de entregá-lo a Deus. Falar em planejamento estratégico para cinco anos? Nem pensar! E sem planejamento, surgem as decisões imediatistas e desconexas.

A Bíblia ensina que não devemos planejar?   Solano Portela responde em um trecho do artigo Fundamentos Bíblicos para Estabelecer uma Cultura de Planejamento.

Na carta de Tiago (4.13-16) parece termos indicação de que definir o que vamos fazer no dia de amanhã seria errado. Ali lemos: “Atendei agora, vós que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã.  Que é a vossa vida?  Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.”

Tiago alerta para a impossibilidade do homem discernir os acontecimentos futuros que estão abrigados na soberana providência de Deus. Isto faz com que os planos efetivados possam ser frustrados — os resultados nem sempre correspondem às ações que os objetivavam. Seria errado, então, planejar? Uma leitura mais cuidadosa da passagem nos indica, entretanto, que não é errado planejar, mas sim fazê-lo na pressuposição de que Deus está ausente do todo e dos detalhes da nossa vida.  Errado é projetar as coisas como se Deus não fosse soberano, como se não detivesse o controle de tudo e de todos, como se a nossa existência fosse a coisa mais importante no universo.   Realizar planos sem a percepção da fragilidade de nossa vida e da nossa posição perante o Criador, isto sim, é errado. Mais errado ainda é o homem se orgulhar dos planos que faz, como se fossem eles a causa final dos resultados obtidos, como nos diz o verso 16, na passagem bíblica acima referida.

É este mesmo trecho que nos ensina que, se tivermos a conscientização de que Deus está acima de nossas intenções e planos, podemos e devemos planejar. Se qualificarmos o nosso planejamento com o reconhecimento da sua soberania, podemos e devemos planejar. Se especificamente e seguramente afirmarmos a nossa limitação de conhecimento, indicando que as coisas planejadas ocorrerão “se Deus quiser”, então podemos e devemos planejar o que faremos e executaremos. “Faremos isto ou aquilo”, diz o texto, se Deus for servido em nos conservar com vida. Podemos até ter a expectativa de resultados (“teremos lucro”), mas estes advirão dele.
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