A língua: como conter o fogo (Parte 2)

Mark Dutton

Depois de constatar que a língua é um teste da verdadeira espiritualidade de uma pessoa, precisamos reconhecer uma segunda verdade inescapável: nossas escolhas têm consequências. Pode ser que essas consequências (tanto as bênçãos como a disciplina de Deus) não se apresentem no exato momento que esperaríamos que elas viessem. Quando se trata de enfrentarmos as consequências resultantes de uma escolha pecaminosa, normalmente queremos que elas demorem o quanto possível. No entanto, independentemente do nosso querer, as escolhas que fazemos produzem consequências – algumas delas têm um impacto eterno que pode ser bom ou ruim.

As consequências podem funcionar em dois sentidos
Paulo escreveu em Gálatas 6.8 que se semearmos para a carne, colheremos corrupção. Isso pode impactar um casamento, uma família, uma igreja, uma amizade ou mesmo o ministério de uma pessoa e seu testemunho. No entanto, se semearmos para o Espírito, ceifaremos vida eterna – podemos desfrutar para a eternidade a vida que temos em Cristo, a graça de Deus e Sua misericórdia, amor e paciência – e todas as demais bênçãos prometidas na Palavra de Deus.

Algo que devemos lembrar é que as consequências podem ser boas ou más – dependendo da escolha que uma pessoa faz e de como Deus, em sua soberania, escolhe permitir que essas consequências se manifestem. Tiago nos advertiu sobre o resultado do uso da língua: “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim” (Tg 3.9-10).

Outro fato que precisamos encarar é que nossas palavras têm impacto maior do que nós realmente imaginamos. Em resumo, nós costumamos subestimar o poder da língua. Ela pode glorificar a Deus e ter um impacto eterno na vida dos outros ou, em determinadas situações, ela pode roubar de Deus a Sua glória e ter um impacto prejudicial em vidas.

Princípio n. 2: Reconheça os usos destrutivos da língua
Na parte 1, vimos que a língua pode ser um barômetro da espiritualidade. Agora é hora de considerarmos algumas demonstrações do poder destrutivo da língua. É interessante notar que Tiago não nos diz como o poder destrutivo da língua é demonstrado na fala humana. Ele sabe que a mente espiritual, informada pela Verdade, não encontra dificuldade para fazer as conexões. Uma vez que temos a nossa disposição o conjunto completo de verdades da Palavra de Deus, precisamos pensar de quais formas específicas, além da mentira, a nossa língua pode ser destrutiva.

Mexericos
É interessante que não precisamos caminhar muito no Novo Testamento (nem mesmo na igreja primitiva) para encontrar o pecado da fofoca. Fofocar traz a ideia de falar com alguém sobre um assunto do qual a pessoa não é parte nem do problema nem da solução. Fofocar também inclui falar pelas costas de uma pessoa aquilo que eu nunca diria diretamente a ela, e tratar levar a outras pessoas os detalhes de um problema sem antes procurar a pessoa com quem eu tenho o problema.

O escritor de Provérbios 18.8 registrou: “As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre”. A fofoca, muitas vezes, esconde-se por trás de raciocínios aceitáveis como, por exemplo: Você já ouviu falar…?, Você sabia que …?, Eu não acredito que seja verdade, mas ouvi dizer que…, Vou lhe contar isto se eu souber que não passará adiante… ” ou “Estou lhe contando isso para que você possa orar comigo”. Kent Hughes, em seu livro As Disciplinas do Homem Cristão, expressa-se muito bem ao escrever: “Esta atitude parece tão piedosa, mas o coração que se alimenta de ouvir notícias maldosas é uma arma do inferno e deixa chamas em seu rastro”. Se há um problema, só devemos falar com as pessoas que fazem parte do problema ou parte da solução do problema.

Críticas: quando menosprezamos os outros
É tão fácil encontrar o erro do outro! Gostamos de ampliar as fraquezas dos outros para melhorar a nossa imagem. Se formos honestos, teremos de dizer que grande parte da nossa crítica não passa de pura justiça própria e preconceito.

Para a pessoa que diz “Meu talento é falar o que penso”, você poderia responder: “Esse é um talento que Deus não se importaria se você enterrasse!”. Pense em Tiago 4.11: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz”.

Temos que ter cuidado com isso não apenas no sentido de dizer algo que não é verdadeiro sobre outra pessoa (mentir/fofocar), mas também quando falamos a verdade. Muitos crentes usam a verdade como uma licença justa para acabar com a boa reputação de outra pessoa. Eles pensam que encontrar erros é um dom espiritual – uma licença para conduzir uma missão de busca e destruição. Honestamente, creio que algumas pessoas pensam que há uma vaga na Trindade e entendem ser sua responsabilidade assumir o ministério do Espírito Santo. Precisamos reconhecer que uma coisa é confrontar uma pessoa com muito amor e graça, mas outra coisa é a tentativa de “colocar alguém na linha” em um aspecto no qual você acha que a pessoa está errada. O perigo que há nisso é que muitas vezes nossas pressuposições estão erradas e descobrimos que na tentativa de ser o “Espírito Santo” dessa pessoa… o vulcão entra em erupção!

Precisamos memorizar e lembrar que “a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno” (Tg 3.6). No entanto, há esperança para todos nós. Com a ajuda do Espírito Santo e o poder da Palavra de Deus, podemos aprender como substituir a língua destrutiva por uma língua controlada. Veremos isso na Parte 3.

Fonte: Faith Church Blog
Original: The tongue: how to discipline a fire (Part 2)
Tradução de Conexão Conselho Bíblico

Série em quatro posts. Posts relacionados:
Língua: Como conter o fogo (Parte 1)
Língua: Como conter o fogo (Parte 3)
Língua: Como conter o fogo (Parte 4)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s