Nós não somos… Mas nós somos… “casos” do coração

Diane Montgomery

Beth conheceu Mateus no grupo de solteiros de sua igreja e imediatamente eles se deram bem. Começaram a sair com o grupo, mas eles se davam tão bem que logo passaram a estar sempre juntos. Eles se tornaram muito amigos um do outro, compartilhando um com o outro todas as suas lutas, as suas alegrias, os seus segredos. Beth não podia imaginar a vida sem Mateus. Mas se alguém perguntasse se eles estavam namorando, ambos responderiam rapidamente: “Oh, nós somos apenas amigos”.

Em dado momento, a amizade terminou e Beth passou a se sentir vazia e desolada. Era como se eles tivessem rompido um namoro, mas não poderia ser este o caso, pois eles eram apenas amigos. Por que suas emoções estavam tão abaladas? Por que ela se sentia tão sozinha depois de perder alguém que era “apenas um amigo?”

Daniela havia trabalhado com Tiago durante os últimos cinco anos. Dia após dia, eles trabalhavam lado a lado e ela encarava com entusiasmo cada dia de trabalho por causa de Tiago. Daniela sempre tinha algo interessante para compartilhar com Tiago, um conselho para pedir, e ela realmente gostava de passar o dia trabalhando com ele. Os outros colegas de trabalho até brincavam que Daniela e Tiago poderiam muito bem oficializar o relacionamento no Facebook pelo tanto que eles agiam como casal.

Tiago, porém, foi transferido para outra cidade, deixando para trás aqueles dias de trabalho em companhia de Daniela das nove da manhã às cinco da tarde. Daniela começou a ter horror de ir para o trabalho e até fez uma tentativa de pedido de transferência para a nova filial onde Tiago estava. Sua semana não era mais a mesma sem ele.

Por que tanto a vida de Beth quanto a de Daniela tinham mudado tanto por causa de um amigo? Por que elas não podiam viver sem aqueles rapazes? Para Beth e Daniela, aquilo que teve início como uma amizade inocente, terminou em um “caso”. Não, não foi um envolvimento de físico nem sexual, mas foi algo igualmente perigoso… um “caso” do coração.

Se não aconteceu um envolvimento sexual, será que algo estava de fato errado? O que há de mal na amizade chegada entre duas pessoas?

1. O seu coração não deve pertencer a um rapaz que seja apenas seu amigo
O seu coração deve ser preservado para Deus porque a pessoa que você de fato é e tudo aquilo que você faz têm origem no seu coração (1Rs 8.61; Pv 4.23). Quando Israel desviou-se do Senhor foi porque o povo deu o coração para outros deuses e começou a seguir os caminhos detestáveis ​​daqueles outros deuses (1Rs 8.5815.3). Os israelitas não guardaram seu coração para o Senhor e acabaram cometendo idolatria em seu coração e, em seguida, com suas ações. Nas amizades, você tem de ter cuidado para guardar o seu coração, preservando-o para o Senhor, de forma a não cometer um adultério emocional. Os rapazes podem fazer o seu coração desviar-se do Senhor (1Rs 11.4). Você tem tido o cuidado de guardar o seu coração nas amizades com rapazes? Será que aquele amigo tão chegado já se tornou a essência da sua vida?

Se ele é apenas um amigo, o seu coração deve tratá-lo como um amigo. Quando você tem uma amiga, você entrega completamente a ela o seu coração, sua mente e as emoções? Você pensa nela durante o dia todo, flutua nas nuvens à simples ideia de vê-la ou não consegue suportar a ideia de passar um dia sem encontrá-la? O seu “caso” com um rapaz nem sempre envolve sexo, mas ele envolve enviar longas mensagens de texto e imagens, conversar no chat ou pelo telefone, passar quantidade de tempo significativa a dois, e confiar um no outro mais do que em qualquer outra pessoa. Se você está investindo tanto tempo com esse rapaz, e ambos gostam muito desse convívio, por que vocês não estão namorando? Em um artigo muito perspicaz sobre a amizade entre moças e rapazes, Os perigos da “zona sem rótulo”, Gabrielle Pickle escreveu sobre o momento certo para examinar se uma amizade deve continuar indefinida ou tornar-se algo mais. Se o seu amigo está dominando o seu tempo, seus pensamentos e seus sentimentos, talvez seja hora de começar a repensar a quem pertence agora o seu coração.

2.  “Casos” emocionais podem evoluir para “casos” com envolvimento físico
Muitas vezes, estabelecemos uma equivalência entre relacionamentos impróprios e sexo, mas nem sempre deve ser assim. Não podemos racionalizar e afirmar que a intimidade emocional não é prejudicial em um relacionamento onde não exista compromisso de namoro e futuro casamento visto que ela não envolve a imoralidade sexual. A intimidade emocional é intimidade, e intimidade leva a maior intimidade, emocional ou física.

Se uma mulher unir o seu coração a um homem, é mais provável que ela venha a unir-se com ele também fisicamente. Shannon Ethridge, autora de A Batalha de Cada Mulher, escreveu sobre este assunto:

A ideia de que isso é algo totalmente inocente é enganosa. Para onde quer que o coração de uma mulher vá, seu corpo desejará acompanhar. Logo ela desejará ter contato físico com ele; é assim que os seres humanos são feitos. Quanto mais ela se ligar emocionalmente a ele, mais esmagadora será a vontade de expressar sexualmente tal apego.

Se as barreiras emocionais de uma mulher se quebrarem, não demorará muito para que as barreiras físicas também se quebrem. É preciso estabelecer limites emocionais com os amigos para ajudar a garantir que os limites físicos ficarão também no devido lugar. Cristo nos ordena que fujamos de qualquer coisa que possa nos tentar sexualmente. Então, para evitar a impureza física, você tem que fugir de impureza emocional (1Co 6.12-18Cl 3.5). Para agir sabiamente no aspecto físico, você deve agir com sabedoria primeiramente no aspecto emocional.

3.  A prática da promiscuidade emocional 
Santidade não é apenas uma questão de permanecer pura nos aspectos físico e mental. Santidade é permanecer pura também no aspecto emocional. Se você é chamada a ter uma mente pura e um corpo puro, será que você não precisa ter também um coração puro no que diz respeito às emoções?

Nós devemos amar a Deus com a totalidade da nossa mente, do corpo e da alma, o que significa guardar a pureza de cada parte de nós mesmas para que possamos adorar um Deus santo (Mc 12.30; Lc 10.27). Se estivermos envolvidas em um “caso” emocional, estaremos permitindo que uma parte de nós deixe de adorar a Deus!

Há uma razão pela qual Deus quer que você se mantenha pura tanto no aspecto físico quanto no emocional: a impureza emocional não é apenas algo impróprio para alguém que pertence a Deus, mas ela é importante para a sua própria proteção. Quando você se entrega na área física, há consequências e dor. O mesmo vale para a promiscuidade emocional. Você abre a porta para que o pecado entre em sua vida e ele irá finalmente machucá-la e também manchar o testemunho do evangelho (Ef 5.3).

Sim, os “casos” emocionais não são uma boa coisa, mas como você pode evitá-los?

1. Corte e substitua os seus pensamentos
Se você descobrir que os seus pensamentos correm soltos imaginando aquilo que o seu amigo pensaria sobre algum assunto, o que você faria se ele estivesse ao seu lado ou o quanto os olhos esverdeados dele são cintilantes, então é hora de segurar os seus pensamentos. Eles devem ser cortados o mais rápido possível porque quanto mais os seus pensamentos correrem soltos em direção ao seu amigo, mais as suas emoções os acompanharão.

2.  Estabeleça limites para o acesso ao seu coração
Quando vocês começam a ter um compartilhar profundo um com o outro, você está permitindo que o seu amigo entre em seu coração. Evite compartilhar os seus sentimentos, pensamentos e sonhos mais íntimos com um rapaz que seja apenas seu amigo. Evite compartilhar aquilo que fere o seu coração e que toca mais profundamente a sua vida. Gurde isso para o Senhor, para sua família, as suas amigas mais chegadas ou o seu cônjuge.

3.  Feche a porta de entrada
É simplesmente natural que duas pessoas que passam muito tempo juntas, a sós, comecem a se tornar emocionalmente mais íntimas. A profundidade de suas conversas crescerá, bem como seu apego um ao outro. Isso é chamado de namoro e requer a responsabilidade de um relacionamento de namoro. Uma moça precisa saber identificar quando as suas conversas com um amigo estão se tornando muito profundas ou a aproximação física está aumentando. Esse tempo que vocês passam a sós um com o outro abre as portas para um “caso” emocional e, por isso, é melhor determinar que o convívio intenso a sós é uma “entrada proibida” para aqueles que são só amigos.

4.  Proibido tocar!
O contato físico deve ser sempre evitado (Rm13.13; 1Co 6.18; Gl 5.19). Isso não significa que um abraço fraterno, ou um cumprimento afetuoso irão colocá-los a caminho da depravação. No entanto, se vocês descobrirem que estão se sentando cada vez mais perto no sofá quando vocês assistem a filmes, que as mãos tendem a ficar unidas depois do aperto de mãos inicial ou que ambos costumam encontrar pequenas maneiras de estabelecer contato físico, então você precisa reexaminar o seu coração e reajustar as suas ações.

Os “casos” emocionais são comuns e é fácil você se envolver quando menos espera. Acredite em mim, eu entendo do assunto. Mas você não tem que continuar envolvida com seu “apenas amigo”; você pode reencontrar a liberdade dando o seu coração de volta a Cristo e voltando a ter amizades que O honram. Se você está tendo um “caso” emocional, confesse ao Senhor o adultério do coração, certa de que Ele é fiel e está pronto para perdoar (1 Jo 1.9). Seja honesta com uma amiga cristã sábia, que possa ajudá-la a sair dessa situação e a manter-se responsável no futuro. Há esperança e proteção para o seu coração se você deixar que a paz de Deus o governe (Fp 4.7)!

Original: We aren’t… But we are…: affairs of the heart
Unlocking Femininity

3 comentários sobre “Nós não somos… Mas nós somos… “casos” do coração

  1. Esse texto é demais! De verdade, é incrível perceber como muitas vezes esses comportamentos que deveriamos evitar se tornam “normais” e “aceitáveis” no relacionamento entre meninos e meninas! Gostei muito!

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