Vencendo o espírito crítico

Shannon Kay McCoy, no artigo Overcoming a Critical Spirit, escreve sobre as características, a origem e os efeitos de um espírito crítico, e dá valiosas orientações bíblicas para substitui-lo pelo amor cristão.


Você tem a tendência de criticar e julgar os outros? Você é o tipo de pessoa que tem uma disposição negativa e sempre procura um erro em alguma coisa ou em alguém? Você acha difícil ver algo positivo em alguém ou em uma situação porque o lado negativo brilha aos seus olhos? Você se sente compelido a sempre fazer um comentário crítico “para o bem da humanidade”?

Se você respondeu “sim” para uma ou mais dessas perguntas, você pode ser alguém que tem um espírito crítico e está em perigo. Esse perigo não é do tipo “ser atropelado por um caminhão”, mas é um perigo bem mais sério – o perigo espiritual. Um espírito crítico não reflete a Deus. Seu propósito é machucar e destruir.

Um espírito crítico é a atitude negativa de um coração que condena, devasta e destrói com palavras. Em contraste a isso, a crítica construtiva envolve opiniões que têm por propósito edificar. Um espírito crítico cria pontos cegos no coração e na mente da pessoa e faz com que ela acredite que está fazendo uma crítica construtiva. Na verdade, essa é uma característica do ímpio.

4 tipos de pessoas com espírito crítico

1. O fofoqueiro
O fofoqueiro é alguém que revela segredos, difamando os outros e propagando mexericos. Ele possui informações privilegiadas sobre as pessoas e as revela com motivos pecaminosos, sem o conhecimento e o consentimento da pessoa sobre quem está falando. Os fofoqueiros procuram parecer importantes aos olhos de seus ouvintes, aparentando ser fonte de todo o conhecimento.

A perspectiva bíblica
1Timóteo 5.13 – “Além disso, aprendem a ficar ociosas, andando de casa em casa; e não se tornam apenas ociosas, mas também fofoqueiras e indiscretas, falando coisas que não devem.”
Provérbios 11.13 – “Quem muito fala trai a confidencia, mas quem merece confiança guarda o segredo.”
Provérbios 20.19 – “Quem vive contando casos não guarda segredo; por isso, evite quem fala demais.”

2. O caluniador
O caluniador é alguém que dá testemunho falso sobre outra pessoa a fim de estragar sua reputação. Ele não se importa com a verdade nem com consertar o erro. O caluniador cria o erro para infligir danos.

A perspectiva bíblica
Provérbios 10.18 – “Quem esconde o ódio tem lábios mentirosos, e quem espalha calúnia é tolo.”
Provérbios 16.28 – “O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos.”
1Pedro 2.1 – “Portanto, livrem-se de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência.”

3. O juiz
A pessoa que julga de um ponto de vista excessivamente crítico, caracterizado pela tendência de julgar e condenar com dureza, não aceita o ponto de vista dos outros porque acredita que o seu ponto de vista é o correto. Ela acredita que tem a capacidade de conhecer as motivações alheias. Possui uma incrível habilidade de apontar os erros dos outros e, ao mesmo tempo, minimizar os próprios erros.

A perspectiva bíblica
Mateus 7.12 – “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei de os Profetas.”
Tiago 2.13 – “Porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo.”

4. O murmurador
O murmurador é alguém que sempre pensa coisas negativas sobre os outros e sobre as circunstancias da vida. Suas características são o descontentamento e a ingratidão.

A perspectiva bíblica
Tiago 5.9 – “Irmãos, não se queixem uns dos outros, para que não sejam julgados. O Juiz já está às portas.”
Filipenses 2.14 – “Façam tudo sem queixas nem discussões.”

Por trás de um espírito crítico

O espírito crítico é fruto do coração. Marcos 7 alerta-nos de que os pecados como maus pensamentos, cobiça, engano, inveja e calúnia vêm de dentro do coração. Há vários fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de um espírito crítico.

1. O “Fator EU”
Ele inclui ciúmes ou inveja, vingança, raiva, ódio e rancores, e quer destruir a outra pessoa a fim de obter uma recompensa pessoal.

2. O “Fator Medo”
Ele envolve sentir-se ameaçado por alguém ou ansioso em relação a alguém, e produz um espírito crítico como forma de proteção pessoal.

3. O “Fator Controle”
Ele envolve o senso de perda de controle, e então a prática de manipular e envergonhar a outra pessoa com o propósito de retomar o controle da situação.

Os efeitos de um espírito crítico

Os efeitos de um espírito crítico são devastadores. Em Mateus 22.37 e 39, Deus ordena que nós O amemos de todo o nosso coração, toda nossa mente e toda a nossa alma, e que amemos o nosso próximo assim como já amamos a nós mesmos. Abrigar uma disposição crítica impede-nos de amar a Deus com todo nosso coração, mente e alma. A nossa comunhão com Deus fica prejudicada. Paramos de investir tempo para estar com Ele em oração e na leitura da Bíblia. Como consequência, deixamos de buscar a sabedoria que vem do Senhor. O resultado é que nossa vida espiritual é colocada de lado.

Um espírito crítico desagrada a Deus e é um pecado sujeito a ser julgado por Ele. Lucas 6.37 diz: “Não julguem, e vocês não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados”.

Um espírito crítico em ação é o contrário de amar o nosso próximo como a nós mesmos. Os relacionamentos quebram-se quando há fofoca, calúnia e julgamento. Quando somos críticos em relação aos outros, nós nos colocamos em uma posição de autoridade sobre eles. Isso isola a pessoa crítica da comunhão com outros. As pessoas têm a tendência de se afastar de alguém com um espírito autoritário, áspero e crítico.

Vencendo o espírito crítico

Vencer um espírito crítico pode ser difícil porque ele se desenvolve e toma a forma de um pecado que domina cada aspecto da vida. Ele passa a ser um estilo de vida. Para nos livrarmos de um coração crítico, precisamos nos revestir de amor ao invés de ódio, precisamos encorajar ao invés de destruir e agir com graça ao invés de afligir.

Amar ao invés de odiar
Como já dissemos anteriormente, Deus ordena que nós O amemos e amemos o próximo. Em palavras simples, é necessário parar de alimentar a carne e começar a alimentar o espírito. A Bíblia está repleta de orientações sobre tudo aquilo de que precisamos nos despojar e aquilo de que precisamos nos revestir. Em 1Pedro 2, ela nos diz para nos despojarmos de maldade, inveja e maledicência, e desejarmos o leite genuíno da Palavra. Devemos parar de pagar o mal com o mal, insulto com insulto, e ao contrário, bendizer (1Pe 3.9).

Encorajar ao invés de destruir
Naturalmente, um espírito crítico destrói. Como novas criaturas, porém, somos chamados para edificar os outros. Na Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo instrui  sobre como devemos encorajar os outros. Nosso foco deve estar em agradar o nosso próximo (15.2) e promover tudo quanto conduz à paz (14.19). Uma pessoa com espírito crítico precisa renovar sua mente e procurar fazer todas as coisas para edificação.

Agir com graça ao invés de afligir
Como cristãos, nossas palavras e ações devem refletir a graça de Deus. Devemos transmitir a graça de Deus ao invés de afligir com um espírito crítico. Efésios 4.29 diz: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça”.

As nossas palavras devem encorajar e instruir mesmo que sejam para corrigir. Devemos ser “bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (Ef 4.32).

Os cristãos não devem ter um espírito crítico. Não nos foi dada nenhuma autoridade para julgar o coração das pessoas. E saberemos que vencemos o espírito crítico quando formos caracterizados por possuir um espírito perdoador, fruto de um coração perdoado por Deus.

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O artigo Overcoming a Critical Spirit, por Shannon Kay McCoy, foi publicado originalmente no site da Biblical Counseling Coalition e usado com permissão.