Quando o aconselhamento chega ao “fim da linha”

Jonathan Holmes, em 8 Recommendations: “When counseling hits a dead end”, oferece algumas recomendações para considerar naqueles momentos nos quais você acha que não faz mais sentido caminhar com um aconselhado que não responde à sua ajuda conforme esperado, e o aconselhamento parece alcançar um beco sem saída.


8 recomendações

Ainda me recordo vividamente de muitas das aulas das matérias de aconselhamento bíblico que cursei. Na matéria Problemas e procedimentos, cobrimos a partir de uma perspectiva bíblica uma variedade de questões que incluíam tanto os fundamentos quanto uma metodologia para o ministério. Na matéria Prática do aconselhamento, nós “praticamos” aconselhando um colega de classe que, sem surpresas, respondeu muito bem ao meu “aconselhamento” em apenas três curtos encontros.

Uma das coisas que não me recordo de termos tratado (ou talvez eu tenha faltado nesse dia) foi o que fazer quando o aconselhamento chega no fim da linha. Conquanto todos nós gostaríamos de pensar que o nosso aconselhamento vá seguir de forma maravilhosa as etapas do plano estabelecido, com uma trajetória ascendente de santificação progressiva, nosso lado mais realista reconhece que na vida raramente acontece assim. A trajetória é melhor representada por uma linha ondulada, cheia de buracos, contratempos e barreiras do que por uma linha suave e plana.

Como pastor conselheiro, uma das perguntas mais frequentes que recebo da nossa equipe de conselheiros e cuidadores é o que fazer quando você já fez todas as “coisas certas” e nada parece funcionar. Aqui estão oito recomendações que compartilho com eles para que continuem encorajados mesmo quando o aconselhamento parece ter chegado ao fim da linha.

1.. Ore
A oração parece ser um item obrigatório, superficial e até mesmo um pouco pedante em uma lista como esta, mas é justamente por essa razão que ela precisa estar aqui no topo da lista. Muitas vezes nós vemos a oração como o “Plano Z” ao invés de “Plano A”.

Nós não oramos apenas, mas nós nos comprometemos a orar por, durante e depois de nossos encontros de aconselhamento porque não podemos atuar sozinhos. Tiago escreveu: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1.5). Pelo contexto, sabemos que se trata de sabedoria para entender as provações e tentações da vida. Quando o aconselhamento chega ao fim da linha, a primeira coisa a que quero me dedicar é a oração de súplica a Deus por sabedoria quanto a qual caminho seguir.

2.. Faça uma revisão de suas anotações e das tarefas dadas ao aconselhado
Espera-se que à medida que você prosseguiu com o aconselhamento em uma sucessão de encontros, você tenha feito anotações e reunido os resultados das tarefas dadas. Eu encorajo nossos conselheiros a que voltem ao início e releiam suas anotações. Frequentemente, aquilo que escreveram acaba por fugir de sua memória e a redescoberta desse conteúdo desperta para uma nova oportunidade ou novo ângulo de engajamento do aconselhado.

Reconsidere o resultado das tarefas dadas aos aconselhados. Você vê crescimento e mudança naquilo que eles relatam? Volte para os registros iniciais do aconselhamento. Qual a razão inicial para eles terem entrado em contato com você? Como a questão inicial foi ou não tratada?

3.. Ouça mais atentamente
Como conselheiros, ouvir deve ser uma habilidade na qual buscamos contínuo crescimento. Mesmo assim, eu percebo que estou sendo um pouco preguiçoso no desenvolvimento de como ouvir. Na minha impaciência, posso ter a tendência de querer que o aconselhado termine logo o que está dizendo para que eu possa intervir com uma frase pronta ou o versículo bíblico seguinte. Aprender a esperar pacientemente depois de fazer uma pergunta pode, muitas vezes, proporcionar amplas oportunidades para o desenrolar do problema.

David Powlison fala com freqüência sobre fazer perguntas sábias aos nossos aconselhados, mas também sobre esperar pelas respostas sábias. Uma das formas de crescer nesta disciplina espiritual é pela escuta amorosa, que se expressa até mesmo com nossa postura.

4.. Examine a rede de cuidado cristão do aconselhado
Se estou chegando ao fim da linha no aconselhamento, uma das áreas que devo examinar é a rede de cuidado cristão na vida do aconselhado. Quem está presente em sua vida? Como acontecem os relacionamentos e as interações? Estamos formando uma rede com todos quantos podemos agregar? Será que há um líder de grupo pequeno, um facilitador de estudo bíblico ou outros líderes da igreja que deveríamos chamar para ajudar e encorajar o aconselhado?

Na igreja Parkside, nós não só encorajamos, mas pedimos que cada aconselhado venha com um tutor preparado biblicamente para ajudar a fazer da forma mais tranquila possível a transição entre o período de aconselhamento e a continuidade da vida no corpo de Cristo. Durante o aconselhamento, o aconselhado pode muitas vezes depender do encontro com o conselheiro para satisfazer todas as necessidades de relacionamento cristão e cuidado. Salientar a necessidade de estar ligado ao corpo de Cristo, de forma mais ampla, é algo que pode ajudar o aconselhado a enxergar a vida com novos olhos.

5.. Avalie se o aconselhado está cumprindo suas responsabilidades
No aconselhamento, percebo muitas vezes que desenvolvi uma forma um pouco vaga de chamar o aconselhado a um compromisso e empenho consistentes no processo de aconselhamento. Uma das perguntas que faço aos nossos conselheiros é: “Você está trabalhando e se esforçando mais no aconselhamento do que o próprio aconselhado?”.

Eu não pergunto isso no sentido de negar a necessidade de um amor sacrificial por parte do conselheiro, mas será que o aconselhado está participando dos encontros de forma negligente e com um entendimento de que você é quem irá mudá-lo, ao invés de ser o Espírito de Deus que trabalha por meio da Palavra de Deus?

6.. Considere se você se dá bem com o aconselhado
Essa pergunta pode expor a culpa do conselheiro, e é uma questão com que se deve lidar caso o aconselhamento tenha chegado ao fim da linha. Lembro-me de ouvir Ed Welch perguntar: “Você se dá bem com a pessoa que está aconselhando?”. Isso parece algo simples, mas posso dizer honestamente que quando tenho dificuldade de me relacionar com o aconselhado, minha maneira de aconselhar muda. Eu percebo que fico um pouco mais impaciente, brusco e inclinado a julgar, e sou menos amoroso.

Por outro lado, quando aquele aconselhado realmente me agrada, percebo que sou mais gracioso, faço perguntas melhores e sou um conselheiro mais paciente em todos os aspectos. Ed foi adiante dizendo que aquelas pessoas com as quais temos maior dificuldade no aconselhamento estão lá justamente por esta razão – por serem pouco agradáveis e difíceis de se amar – e esse é provavelmente o porquê de Deus tê-las colocado em nossa vida.

7.. Prove uma nova abordagem ou uma nova pergunta
Não consigo contar quantas vezes uma linha completamente nova de investigação abriu um novo caminho no aconselhamento. Faça algumas perguntas simples:
— Qual o seu versículo bíblico favorito?
— Qual o seu hino favorito?
— Em qual aspecto você está crescendo em Cristo?
— Por que você acha que isso está acontecendo?
— Vamos examinar o fruto que você vê atualmente em sua vida, e percorrer o caminho rumo ao seu coração.
— Em quais aspectos você pode identificar crescimento ao longo dos nossos últimos encontros?
— O que Deus está proporcionando de bom na sua vida? Em quais aspectos a sua vida está difícil ou ruim?
— Em quais áreas da vida você está encontrando um novo rumo?

8.. Considere parar os encontros e encaminhar para outro conselheiro
Apesar de esperar que esse não seja o seu primeiro impulso ao encontrar obstáculos no aconselhamento, o encaminhamento do aconselhado não deixa de ser uma possibilidade a ser colocada sobre a mesa e conversada com outros conselheiros sábios ou o seu pastor de aconselhamento.

Seja qual for a nossa atuação como conselheiros, deparar-se com obstáculos no caminho e com fins de linha lembra-nos de que não estamos, em última análise, no controle da situação. Cada encontro de aconselhamento deve ser submetido ao Espírito Santo, o único que pode abrir corações e olhos cegos.

No aconselhamento, somos chamados à humildade quando nos damos conta de quem é o Único que pode trazer a verdadeira mudança e esperança. Que continuemos a apontar para Ele como nossa única esperança, mesmo quando o aconselhamento se apresenta difícil e duro!


O artigo 8 Recommendations “When Counseling Hits a Dead End” por Jonathan Holmes foi publicado originalmente no site da Biblical Counseling Coalition e usado com permissão.

Jonathan Holmes serve como pastor de aconselhamento na igreja Parkside em Cleveland, Ohio.