Pedir e conceder perdão: Como praticar o perdão?

Pedir e conceder perdão é sempre um tema atual, e continuará a ser enquanto formos pessoas imperfeitas que vivem no mundo imperfeito. É também uma prática nada fácil. No post anterior, vimos o que é o perdão. O segundo passo é descobrir como praticar o perdão para que a comunhão possa ser restaurada nos relacionamentos quebrados. No artigo Buscar e Conceder Perdão, Timothy Lane explica em detalhes como fazer.


A prática do perdão

É possível perdoar uma pessoa egoísta? Alguém que peca continuamente contra você? Alguém que abusa do cônjuge ou que usa drogas? Podemos sempre praticar o perdão bíblico e refletir o caráter de Cristo? As passagens bíblicas mencionadas a seguir servem para aguçar o nosso entendimento sobre o perdão e nos proteger de pensar que o perdão significa paz a todo custo. Elas nos mostram um caminho melhor: amar ao próximo com honestidade e coragem.

1 – Não faça vista grossa para o pecado
 “Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só” (Mt 18.15).

Jesus traça três passos básicos para dar se não houver arrependimento e se não ocorrer a reconciliação. Mateus 18, como um todo, lida honestamente com o pecado na comunidade da fé:
– Os versículos 1-5 falam sobre ter humildade,
– Os versículos 6-9 falam sobre como não se deve ignorar o pecado, mas levá-lo a sério,
– Os versículos 10-14 falam sobre amar as pessoas perdidas ou inconstantes na vida cristã,
– Os versículos 15-20 falam sobre a confrontação pessoal e a disciplina corporativa da igreja.
O ensinamento sobre o perdão dos versículos 21-35 está inserido nesse contexto maior. O perdão não significa fazer vista grossa para o pecado.

2 – Ame o pecador habitual com sabedoria
“A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, tende paz está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12.17-19)

Essa passagem limita o que se pode fazer quando se ama o pecador habitual. Não procure assumir a solução do problema; antes entregue a pessoa a Deus. A sua disposição amorosa para alcançar uma pessoa tem limites. Quando esses limites se esgotam, o amor e a misericórdia exigem outro curso de ação. Suas tentativas podem incluir outros cristãos (Mt 18.15-20). Você pode confiar a pessoa às autoridades civis para a sua segurança e a dela (Rm 13). Amar devidamente uma pessoa envolve sabedoria.

 3 – Viva de acordo com um alto padrão bíblico
Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais3 ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. (Mt 5.38-41)

Mateus 5.38-41 chama a um padrão alto. Entretanto, essa passagem é muitas vezes mal-entendida e mal aplicada. Embora não seja uma passagem fácil de colocar em prática, ela não ensina que é preciso abrir caminho para que outros o maltratem e abusem de você! Ela nos convida a andar a segunda milha com as pessoas, mesmo as más. No aspecto prático, se alguém pecar contra você, deixe a vingança de lado, permaneça aberto para a possibilidade de reconciliação com o ofensor e faça-lhe o bem enquanto espera pelo resultado. É preciso dizer: “Estou disposto e aberto para ter um relacionamento justo e piedoso com você. Recuso-me a fechar a porta para esse relacionamento”. O contexto desses versículos chama o ofendido a um padrão altíssimo! É um tipo de amor que não é possível ter por nossas próprias forças. Apenas Deus pode operar esse amor em nós por Seu Espírito.

4 – Lide primeiro com a atitude do seu coração
Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas. (Mc 11.25)
Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. (Lc 17.3).

Esses dois versículos se contradizem? Marcos 11.25 parece dizer que quando estiver orando, se você se lembrar de um pecado cometido contra você, você deve perdoar imediatamente o ofensor. Mas Lucas 17.3 diz que você deve perdoar a pessoa apenas se ela se arrepender! Qual deles é verdadeiro? Ambos! Nesses dois versículos, encontramos os dois eixos do perdão: o vertical e o horizontal.

Em Marcos 11.25, vemos o eixo vertical: do homem para Deus. Ele tem a ver com a minha atitude com relação à pessoa, mas essencialmente perante Deus, e ele me chama a arrepender-me da amargura e a perdoar o ofensor, dando atenção ao meu coração diante de Deus. O perdão como uma atitude (a dimensão vertical) precisa estar presente primeiro no meu coração.

Lucas 17.3 fala do eixo horizontal do perdão: de pessoa para pessoa. O perdão como uma transação entre duas pessoas é possível apenas se o ofensor se arrepender, admitir o pecado e pedir perdão. Para que seja possível expressar o perdão a alguém, o pedido de perdão deve partir do ofendido e de sua atitude de coração diante de Deus. No entanto, mesmo que o ofensor não se arrependa, a pessoa ofendida precisa manter o perdão como uma atitude na dimensão vertical. Não se pode usar o fato de que o ofensor não pediu perdão como uma desculpa para agarrar-se à ira e à mágoa.

5 – Peça perdão
A forma de pedirmos perdão é algo crítico. Se eu, sem querer, derramar uma xícara de café em você, eu não pequei contra você e não preciso pedir perdão. No entanto, eu devo pedir desculpas pelo que fiz. Por outro lado, se eu jogar uma xícara de café no seu rosto, eu pequei contra você. Eu preciso me desculpar e pedir que você me perdoe. Um pedido de desculpas é a mesma coisa que pedir perdão? Não. No pedido de perdão, em primeiro lugar, você deve expressar especificamente o pecado. Depois deve pedir explicitamente que a pessoa o perdoe: “Eu errei ao gritar com você. Você me perdoa?”. Se eu disser “Sinto muito por ter gritado com você” e parar por aí, a resposta típica da pessoa ofendida será “Ah, tudo bem”. O que aconteceu? Primeiro, o ofensor não admitiu o seu pecado. Segundo, a pessoa ofendida mentiu e minimizou o pecado. Não está tudo bem quando alguém peca contra outra pessoa! Esse falso “perdão” não é bíblico e pode ser muito destrutivo nos relacionamentos ao longo do tempo.

Série Pedir e conceder perdão
Parte 1 – O que é o perdão


Você encontra na íntegra o artigo Buscar e Conceder Perdão no volume 5 de Coletâneas de Aconselhamento Bíblico, que pode ser adquirido na Livraria OPV.

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