Pedir e conceder perdão: Por que não perdoamos?

Nos dois posts anteriores, com a ajuda do artigo Buscar e Conceder Perdão de Timothy Lane, descobrimos o que é o perdão e como praticar o perdão. A partir da parábola do servo impiedoso, em Mateus 18.21-35, Tim Lane destaca uma típica tendência pecaminosa humana: nós temos muita dificuldade para perdoar.


Por que não perdoamos e o que nos motivará a perdoar?

Trocando em miúdos, essa passagem nos ensina que apenas aquele que reconhece profundamente o quanto foi perdoado é capaz de perdoar os outros. Você nunca perdoará ninguém em medida que se iguale a quanto Deus o perdoou em Cristo. Considere as dívidas dos dois servos. O servo impiedoso devia ao rei milhões de reais (em termos atuais). O seu devedor, porém, devia uma quantia muito menor. A primeira quantia representa o quanto nós pecamos contra Deus e fomos perdoados na morte e ressurreição de Jesus (na casa dos milhões). A segunda quantia representa o quanto nós somos chamados a perdoar – significativamente menos – quando alguém peca contra nós. A Bíblia não minimiza a seriedade do pecado cometido contra nós. O salário de cem dias de trabalho é uma soma significativa em qualquer cultura. A parábola do servo impiedoso enfatiza a graça e o perdão totalmente maravilhosos e extensivos para conosco por meio de Cristo!

É algo além da nossa compreensão. Quando deliberadamente nos rebelamos e pecamos contra Deus, Ele não ignora nem minimiza o nosso pecado. Ele não nos faz pagar. Ele mesmo assume o custo mediante Jesus, o nosso substituto. Ele paga a nossa dívida. Ele assume o custo do nosso pecado por causa da Sua grande misericórdia e graça. Essa comparação não minimiza o pecado entre duas pessoas, mas mostra o quando Deus nos perdoa, mesmo que nós tenhamos acumulado uma dívida muito além do que qualquer pessoa jamais poderia pagar.

Por que, então, não perdoamos mais prontamente? Aqui estão três razões.

1 – Você não crê que precisa ser perdoado
Nenhuma pessoa em sã consciência diria “Eu não preciso ser perdoado”. No entanto, todas as vezes que deixamos de perdoar, demonstramos essa crença operando em nós. O que passa por sua cabeça quando alguém peca contra você? “Eu não acredito que fizeram isso comigo! Eu jamais faria isso!” Esses pensamentos revelam o coração. O que você realmente comunica quando diz “Eu nunca faria isso”? O que você quer mesmo dizer é “Eu posso ser pecador, mas não sou tão ruim assim!”. Essa é uma mentira sutil. Nós nos excluímos da categoria de pecador. Deixamos de ver quão desesperadamente carecemos da graça perdoadora de Deus a cada momento de cada dia. É algo sério supor que somos incapazes de certos pecados. E no momento em que temos a tendência de pensar assim, nosso coração se endurece e não conseguimos perdoar aqueles que pecam contra nós.

2 – Você não se acha perdoável
Esse ponto parece surpreendentemente semelhante ao primeiro. O orgulho impulsiona ambos. Quando você diz “Meu pecado não é perdoável”, parece ser bastante humilde. Na verdade, porém, esta é uma afirmação arrogante! Você pode querer dizer várias coisas.

— O meu pecado é tão grande que a graça de Deus não tem como alcançá-lo!
O orgulho esconde-se atrás de uma máscara de humildade. Você é muito grande e mau para Deus! Em outras palavras, você quer ser maior do que a misericórdia de Deus!

— Eu não quero depender unicamente da misericórdia de Deus!
Você prefere trabalhar pela aprovação dEle a recebê-la como um mendigo recebe uma esmola. Dizer que não é merecedor de perdão é apenas um fino véu para esconder uma máscara de falta de disposição para admitir que não consegue fazer isso sozinho.

— Deus pode me perdoar, mas eu não consigo me perdoar.
Essa afirmação transpira uma falsa humildade, mas, na verdade, é um câncer de orgulho. Deus, que preside como Juiz e Árbitro no mais elevado tribunal, o pronuncia “isento de culpa” em virtude da sua confiança em Cristo. Mas você se assenta como juiz e árbitro em um tribunal muito inferior e anula a ordem do tribunal superior. Isso é desacato flagrante! Quando pensamos e agimos dessa forma, estamos, na verdade, dizendo que somos maiores do que Deus. E se você não enxergar a sua necessidade diária de receber a misericórdia de Cristo e não a experimentar regularmente, você não mostrará o mesmo tipo de misericórdia e perdão aos outros quando eles pecarem contra você.

3 – A alegria do seu perdão em Cristo está ofuscada
Logo que nos convertemos, ficamos chocados ao saber que Deus nos ama de verdade. Ele fez tudo por nós mediante a vida perfeita de Jesus Cristo, Sua morte sacrificial e ressurreição dentre os mortos. Ele nos redime da culpa e do poder do pecado. Com o passar do tempo, porém, podemos cair na monotonia da vida cotidiana com todas as suas lutas e tentações. A verdade ardente do evangelho perde-se na monotonia e logo se torna apenas uma experiência morna e agradável do passado.

Lembrar e celebrar a graça
Não é verdade que a nossa consciência da magnitude do Evangelho fica anestesiada por causa de sua tremenda simplicidade? Os cristãos demonstram, muitas vezes, uma ideia de que o perdão de Deus para com eles não é tão maravilhoso assim. Na verdade, alguns até começam a contar com a graça de Deus e agir como se perdoar fosse uma obrigação de Deus. Quando isso acontece, o desejo, a habilidade e o compromisso de perdoar os outros míngua. Perdoar os outros e pedir perdão é uma obra sobrenatural que só pode acontecer quando a maravilhosa realidade da graça de Deus cativa o nosso coração. É preciso lembrar e celebrar diariamente a graça de Deus, pois pecamos e somos ofendidos diariamente.

Quem você precisa perdoar?
Que pecados você cometeu contra seu próximo?
Você precisa confessar e buscar o perdão de alguém?
Você consegue dizer aquelas palavras frutíferas, libertadoras e que honram a Deus, “Eu errei ao ______. Eu pequei contra você quando fiz aquilo. Você me perdoa?”.
Você consegue dizer “Sim, eu o perdoo”?

Perdoar os outros e pedir perdão nunca é fácil. Pela graça de Deus, porém, é possível. Quando pedimos e concedemos perdão aos outros, expressamos livremente o amor de Cristo de maneira poderosa!

Série Pedir e conceder perdão
Parte 1 – O que é o perdão?
Parte 2 – Como praticar o perdão?


Você encontra na íntegra o artigo Buscar e Conceder Perdão no volume 5 de Coletâneas de Aconselhamento Bíblico, que pode ser adquirido na Livraria OPV.

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