Essas emoções incômodas! Parte 2

Equilíbrio bíblico para as nossas emoções

Na série de artigos Those Pesky Emotions, Sherry Allchin considera os princípios bíblicos que nos ajudam a lidar com as emoções do dia a dia, aquelas emoções ativadas pela diversidade de situações corriqueiras que vivenciamos. A parte 1 tratou de como compreender e processar as emoções com maturidade. A parte 2 destaca e aplica os princípios bíblicos que nos ajudam rumo a um equilíbrio na vida emocional diária.


Uma capacidade criada por Deus
Deus nos criou com a capacidade de sentir emoções. Elas nos ajudam na identificação do quadro que vivemos e nos motivam às mudanças necessárias. No Salmo 38, Davi identificou os sintomas de depressão e seus gatilhos para ser capaz de identificar, em seguida, para onde se voltar em meio aos seus problemas. No Salmo 51, vemos os sentimentos de culpa e vergonha motivando-o a arrepender-se e mudar seu comportamento. Mais adiante, no Salmo 73, o ciúme foi a emoção que ajudou Asafe a comparar dois estilos de vida, o dele e o dos perversos, avaliar o destino eterno de cada um e firmar o seu estilo de vida piedoso. O Salmo 133, no qual Davi expressou sua alegria pela convivência com os irmãos na fé, é um exemplo de emoções que contribuem para que a nossa vida seja mais agradável.

Nossa cultura nos programa para acreditarmos que os sentimentos são a parte mais importante de nossa existência. Ela nos ensina a comunicar nossos pensamentos, crenças, atitudes e desejos pessoais expressando o que sentimos. Os terapeutas costumam falar mais sobre os sentimentos provocados em alguém por dada circunstância do que sobre o que aquela mesma pessoa poderia mudar em seus pensamentos e ações para mudar, então, os sentimentos negativos sobre a circunstância. As emoções são normalmente o ponto de entrada para o aconselhamento. Como conselheiros bíblicos, precisamos entender como conduzir as pessoas dos sentimentos incômodos àquilo que elas podem fazer quanto a esses sentimentos por meio da processo de santificação.

Interpretando as emoções
Quando nós, como conselheiros ou pais, menosprezamos ou invalidamos os sentimentos de outra pessoa, podemos roubar-lhe uma oportunidade de crescer, identificando o que ela realmente acredita sobre suas circunstâncias, sobre si mesma e sobre Deus. Devemos ouvir as emoções para identificar o que elas revelam sobre o sistema de crenças de uma pessoa, em lugar de negar ou minimizar aquilo que a pessoa está sentindo. Use as emoções para ajudar a pessoa a ter uma percepção daquilo que precisa de fato mudar.

Aquilo que uma pessoa sente a respeito de algo não significa que seja preciso e honre a Deus. O fato é que quando alguém exalta as emoções como supremas, tal pessoa passa a determinar o que é verdadeiro e certo em sua vida com base em sentimentos e não na Palavra de Deus. No entanto, as emoções podem dar um insight sobre seu coração. Sentir-se bem diante de um comportamento pecaminoso não faz aquele comportamento ser certo; isso apenas indica um coração desalinhado em relação ao coração de Deus. Nosso objetivo, primeiramente, é ajudar a pessoa a realinhar seu coração com a Palavra de Deus e, em seguida, os seus desejos, pensamentos, atitudes e comportamentos definirão o cenário para as emoções equilibradas e piedosas.

Os gatilhos para o desequilíbrio
A esse ponto, posso ouvir algumas pessoas protestando e dizendo que os desequilíbrios químicos devem ser considerados. Eu não nego que a química do corpo pode desempenhar um papel na depressão ou ansiedade de algumas pessoas, mas ainda está por decidir o quem vem em primeiro lugar, o gatilho ou o desequilíbrio. Esse não é o tema da nossa conversa aqui, uma vez que todos nós entendemos que tanto o nosso corpo quanto o nosso coração foram afetado pela Queda.

Termino nossa conversa sobre emoções olhando para Lucas 2.52, o único registro que temos do desenvolvimento de Jesus rumo à maturidade. Quatro esferas da vida são mencionadas no texto. Jesus crescia em sabedoria (mente, intelecto), em estatura (física), e graça diante de Deus (espiritual) e dos homens (social). A ausência da esfera emocional não significa que Jesus não tinha emoções! Ele certamente externou emoções com regularidade durante seu ministério aqui na terra, e Ele era emocionalmente equilibrado.  Creio que o relato do desenvolvimento de Jesus deteve-se nas quatro esferas que nós somos responsáveis ​​por equilibrar em nosso processo de amadurecimento. Se uma pessoa não mantém o equilíbrio em qualquer uma das quatro esferas, as emoções são afetadas de maneira negativa. A volta ao equilíbrio nessas esferas costuma reequilibrar as emoções.

Uma pessoa que está fisicamente desequilibrada, seja por causa de doença, má alimentação, falta de exercício ou falta de descanso, experimenta um desequilíbrio emocional. Pode se fazer necessário um médico para ajudar a corrigir os problemas físicos. Dieta, exercício físico e descanso devem certamente fazer parte de um estilo de vida integralmente saudável.

Pense em alguém cujo aspecto intelectual não está em bom equilíbrio, talvez alguém que esteja lidando com objetivos profissionais ou educacionais não alcançados em consequência de falhas no desenvolvimento de habilidades de compreensão e comunicação. Essa pessoa pode lutar com as emoções de medo, raiva, ciúme ou depressão desencadeadas por sua condição intelectual deficiente. Reavaliar as metas educacionais, a formação profissional ou, ainda, aprender habilidades que lhe permitam crescer em compreensão e sabedoria de maneira correta fará, possivelmente, uma grande diferença no equilíbrio emocional.

O desequilíbrio social devido a um relacionamento fora de sintonia com alguém próximo pode ser sócio de um desequilíbrio emocional. Por exemplo, os casais que vivem em conflito são mais motivados a procurar aconselhamento devido aos seus sentimentos do que à necessidade de aprender a relacionar-se de maneira que honre a Deus. No entanto, aprender a conviver um com ou outo e a amar um ao outro biblicamente é fundamental para como eles se sentirão com relação ao outro.

Por último, mas o mais importante, o desequilíbrio espiritual pela falta do relacionamento e comunhão pessoal com o Senhor, pela incompreensão e má aplicação da Palavra de Deus, ou pela culpa que vem do pecado, resulta em um desequilíbrio emocional. O arrependimento e a confissão, seguidos pelo crescimento na santificação, são necessários para ajudar a pessoa a desenvolver uma visão correta de si mesma diante de Deus.

Em busca do equilíbrio
Como podemos, então, ajudar alguém a reequilibrar as emoções? Ajudando a pessoa a entender e corrigir as outras esferas da sua vida que estão desequilibradas. As emoções são um subproduto daquilo em que acreditamos e daquilo que fazemos em cada uma dessas esferas da vida. Quando uma ou mais de uma dessas esferas não estão em equilíbrio, o que resulta são emoções “incômodas”. Quando as quatro esferas estão funcionando de maneira saudável e que honra a Deus, há um equilíbrio emocional e uma estabilidade que nos permite superar qualquer provação que venhamos a enfrentar em nossa vida.

Isso não significa que nós nunca mais sentiremos emoções incômodas. Nós as sentimos e continuaremos a sentir. Mas elas não nos dominam porque o fruto do Espírito prevalece em nossa vida. Ainda que as circunstâncias difíceis não mudem, a nossa atitude a respeito das circunstâncias deve ser de acordo com a mente de Cristo, resultando no caráter de Cristo expresso por nós e por nossos aconselhados para a glória de Cristo.


O artigo Those Pesky Emotions – Part 2, por Sherry Allchin, foi publicado originalmente no site da Biblical Counseling Coalition e usado com permissão.