A mulher solteira e seus temores

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Paula Higuchi exerce seu ministério como conselheira no Biblical Counseling Center of estarMaui, no Havaí. Seu compartilhar como jovem adulta solteira, publicado no blog da ACBC,  é edificante para mulheres solteiras em todas as faixas etárias, e também para aquelas que passam pela viuvez ou pela separação conjugal. Suas sugestões práticas são um ponto de partida, e cada uma poderá aplicar a verdade bíblica de acordo com a sua realidade de vida.


Lidando com os temores enfrentados como mulher solteira

Quando menina, eu era uma sonhadora. Minhas ambições resultavam em uma grande variedade de fantasias que iam desde tornar-me a prefeita de Maui, e eliminar a fome no mundo, até estar casada e com filhos aos 25 anos de idade. Mas aqui estou eu, uma mulher solteira de 28 anos de idade, com nenhuma das minhas ambições originais concretizadas. No entanto, estou convencida de que esse é exatamente o lugar onde Deus me quer hoje.

Antes de explorar mais a fundo algumas das tentações que enfrento nessa fase da vida, eu gostaria de compartilhar como posso ter confiança de que Deus está cuidando de mim. Romanos 8.32 diz: “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?” E o salmista lembra-me que “O Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade” (Sl 84.11).

Quando o meu coração se nutre dessas verdades, eu encontro conforto e posso dar graças pelas oportunidades únicas que tenho. Estar solteira tem-me permitido servir de maneiras que teriam sido impossíveis se eu estivesse casada. Por exemplo, tenho podido ajudar minha igreja local a começar um centro de aconselhamento bíblico e dedicar tempo a ele em horários os mais diversos, sem que isso afete minha família.

Para ser honesta, porém, há momentos em que eu me desespero e preciso lutar para confiar nas promessas de Deus. Quando não medito continuamente na Palavra de Deus para renovar os meus pensamentos, as emoções mais cruéis tomam conta do meu coração e eu me vejo brigando com o fato de estar solteira. As três áreas a seguir são aquelas com que mais luto.

 Insegurança pessoal

A mente não renovada
Será que estou solteira devido à minha aparência? Será que devo agir de forma diferente para ser mais atraente? Por que os homens piedosos parecem ser atraídos pelo padrão que o mundo exalta e não pelo padrão que a Bíblia louva? Será que cultivar a santidade ainda vale a pena à espera de um cônjuge?

O coração da questão
Permitindo que esses pensamentos me dirijam, dedico-me a cultivar a vaidade e as qualidades exteriores passageiras (Pv 31.30). A exigência de ser atraente e desejável para os homens ocupa, então, um lugar central em minha vida. Além disso, posso julgar injustamente as motivações dos meus irmãos e desprezar a soberania de Deus e o fato de que Ele pode operar graciosamente em tudo (Ef 1.11; Sl 115.3), inclusive para unir duas pessoas em casamento. O desejo de intimidade conjugal pode se tornar mais importante do que o de santidade (Mt 6.24).

A mente renovada
Em Sua sabedoria perfeita e Seu poder, Deus me criou. Ele moldou cada um de nós no ventre materno (Sl 139. 13, 14). Em Sua bondade e amor, Deus colocou cada um de nós em sua situação atual, para que possamos ser transformados à semelhança de Jesus com maior eficácia (Rm 8.28, 29).

O que fazer
Cultivar um coração caracterizado por um espírito manso e tranquilo, uma beleza imperecível (1Pe 3.3, 4), e não acreditar na mentira de que mudar a situação resolverá o problema. O casamento não elimina as inseguranças. Em vez disso, devo estar decidida a andar em obediência a Deus e contar o mais como pouco importante diante do valor incomparável de conhecer mais a Jesus (Jo 8.31, 32; Fp 3.7, 8).

Ficar sozinha

A mente não renovada
E se eu nunca mais me casar? Eu morrerei sozinha. Viver uma vida de solidão parece insuportável. Eu prefiro me contentar com qualquer um, em vez de ninguém.

O coração da questão
Envelhecer e morrer sozinha é um pensamento assustador. Mas esses receios são egocêntricos em sua essência. Alimentando-os, fico disposta a negociar as promessas da presença de Deus e da adoção no corpo de Cristo pela satisfação que imagino encontrar em um casamento (Ef 4.14-16). O relacionamento conjugal torna-se aquilo em que eu deposito toda minha confiança para satisfazer a minha alma em lugar de depositar a confiança em Deus, cujo amor por mim permanece leal (Sl 90.14).

A mente renovada
Posso encontrar aconchego na presença de Deus e andar em obediência a Ele. Só o fato de eu considerar a troca daquilo que tenho em Deus por algo menos glorioso deveria me entristecer. Devo ter como alvo agradar sempre a Deus (2Co 5.9).

O que fazer
Buscar boas amizades no contexto da igreja. Amar os outros tendo Jesus como exemplo (1Jo 3.16). Jesus tomou iniciativa de ir ao encontro das pessoas para suprir as necessidades delas. Ao invés de ficar ansiosa com respeito ao desconhecido, posso optar pelo domínio próprio e ser intencionalmente disciplinada no uso dos meus dias (Ef 5.15, 16). Basta a cada dia o seu próprio problemas (Mt 6.34).

Ciúme e comparação

A mente não renovada
Por que Deus deu o casamento para ela e não para mim?

O coração da questão
Começo a achar que Deus está retendo algo que deveria me dar, e que Ele não entende o que é melhor para mim. Eu me esqueço de que sou filha de Deus e que Ele satisfará todas as minhas necessidades. Além disso, estou eu me exponho a ficar amargurada com o casamento de meus irmãos e irmãs em Cristo (Fp 4.4-8Cl 3.12-17).

A mente renovada
Devo lembrar a verdade do evangelho que me diz que Deus deu o Seu Filho unigênito para morrer em meu lugar (Rm 5.8). Na redenção, eu tenho tudo aquilo de que mais necessito. O meu desejo deve ser de alegrar-me por meus irmãos que estão casados, amando-os de coração (1Pe 1.22). A comparação e o descontentamento matam o amor impulsionado pelo evangelho.

O que fazer
“Alegrem-se com os que se alegram” (Rm 12.15). Aceitar o lugar que Deus tem para mim nesse momento. Pedir a Deus um coração cheio de gratidão em lugar do descontentamento. Lembrar-me da bondade de Deus em salvar-me do pecado, e considerar a graça concedida em Cristo para o passado, o presente e o futuro. Amar e servir de forma prática os casais.

Eu não posso querer supor que essas lutas sejam reais para todas as mulheres solteiras. Você deve trabalhar os seus medos pessoais. Olhe para Cristo! Há esperança quando você conduz seu coração a honrar a Deus como solteira! Nós somos a noiva de Cristo – o casamento aqui na terra é uma imagem do mistério do evangelho, em que o Noivo sem pecado algum morreu por Sua noiva manchada pelo pecado e lhe deu vida (Ef 5.32). Anime-se, então, sabendo que em Cristo podemos ser embaixadoras das verdades celestiais independentemente do nosso estado civil aqui na terra.


OriginalAddressing Fears Faced as a Single Woman  – ACBC Blog
Paula Higuchi cresceu em Maui, no Havaí, é membro da Kahului Baptist Church e faz parte da equipe do Biblical Counseling Center of Maui. Paula completou seus estudos em The Master’s University e no Southern Baptist Theological Seminary. Ela é membro da Association of Certified Biblical Counselors (ACBC).