Quem dará o primeiro passo?

A iniciativa cristã nos conflitos

Deepak Reju

João e Júlia brigam frequentemente.  Ele fica bravo e agride. Quando ele agride, ela se retrai. Ela fica depressiva, e duvida de si mesmo e de Deus: “Por que o Senhor permitiu esse casamento?”. Eles foram humildes o suficiente para pedir ajuda. Isso é muito importante, porque alguns casais brigam durante longo tempo antes de pedir ajuda a alguém! Como você os ajudaria?

Limitar-se a reprimir a expressão do pecado não é suficiente
Quando em conflito, alguns casais esforçam-se simplesmente em reprimir a expressão do próprio pecado. Por exemplo, se João perde a calma e fica irado, mas não grita com Júlia, então tudo está bem. Esforçar-se para não deixar o vulcão explodir é um primeiro passo muito importante. No entanto, quando esses casais fazem uma tentativa de conversar a respeito de seus desentendimentos, eles se veem diante de um impasse. Ele pensa que está certo, ela pensa que está certa. Nenhum deles é humilde o suficiente para abaixar sua arma. Eles encontram milhares de desculpas ou autojustificações para continuar a brigar. Uma discussão de dois minutos sobre algo pequeno torna-se uma guerra nuclear de duas horas. No final, ambos pensam “O que aconteceu com a gente?”. Há mais trabalho que precisa ser feito! Aqui vão algumas recomendações.

Eles precisam aprender o que significa santidade durante os conflitos
A primeira pergunta a considerar é: Eles sabem como lidar com um conflito?
Para ajudá-los, ensine-os a lidar com os momentos desagradáveis. Penetre no âmago dos conflitos fazendo com que eles contem detalhadamente o que aconteceu. Entre no meio do ringue com eles. Não deixe eles generalizarem – “Ele sempre faz isso” ou “Ele me odeia”. Descubra o que acontece quando eles brigam: Quem diz isso? Quem quer isso ou aquilo? Em seguida, ensine-lhes como seria proceder em santidade. Uma parte vital de lidar com conflitos é ajudá-los a ver outras possibilidades, mostrando um grande contraste entre tais possibilidades e como eles normalmente lidam com uma briga.

Ele precisa aprender o que um homem cristão faz durante os conflitos
Outra pergunta a ser considerada é: Ele sabe ser um homem?
Ser homem não é ser macho, dominador ou controlador.  Ao contrário, ele está disposto a ser um líder com coração de servo (Ef 5.21-33; Fp 2)? Ele está disposto a tomar uma iniciativa, assim como Cristo deu sua vida por sua noiva, a Igreja? No calor do conflito, quando ambos estão convencidos de que estão certos, ele deve estar disposto a abaixar a sua arma, dar um passo em direção à esposa e buscar entendê-la invés de apenas defender sua própria opinião.

Ela precisa aprender a ter coragem durante os conflitos
Uma terceira pergunta: O quanto ela está disposta a ceder em suas vontades?
O que acontecerá se o marido continuar preso em sua posição de presunçoso? Ela tem a escolha de dar um passo em direção a ele e deixar sua raiva de lado invés de provocá-lo ainda mais, ou ela pode ceder à tentação de fugir e ficar longe da linha de fogo. É preciso coragem para dar um passo em direção à cova de um leão e aprender a domar a sua fúria. Mas Deus nos disse: “Seja forte! Coragem!” (Sl 27.14). “Nunca se cansem de fazer o bem” (2Ts 3.13). “O Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará” (Dt 31.6). Quando ela dá um passo à frente, ela não está sozinha.  Deus está do seu lado. Embora o marido deva estabelecer no casamento o padrão de não guardar rancor e se reconciliar rapidamente, se ele não o fizer, ela deve dar o seu melhor para cumprir a parte dela. Ela pode tomar a inciativa de salvar o relacionamento de se aprofundar no caminho da autodestruição.

Ambos precisam olhar para Deus durante conflitos
Uma última pergunta a considerar: Eles perderam a visão de Deus?
O conflito é uma guerra contra a pessoa que está bem à sua frente. Ao estar tão focado na pessoa que você pode ver, é muito fácil esquecer-se de Deus. Para um cristão, porém, isso é uma tragédia. Os cristãos sempre convivem em dois planos ao mesmo tempo, o horizontal e o vertical. É muito fácil ser pego em uma briga e esquecer-se do que Deus quer para a sua vida. Paz? Bondade? Humildade? Elas saem de cena. No meio da briga, os desejos da carne vencem.

Em situações de conflito, casais como João e Júlia devem resistir ao pecado. Eles devem pedir força a Deus para ir em direção um ao outro, confiando em Deus. Nos momentos difíceis e tensos, eles não devem deixar a justiça própria ser seu guia. Eles devem lutar contra as tendências de autodefesa que muitas vezes tomam conta das conversas. Lidar bem com conflitos requer a confiança de que Deus fará mais do que eles antecipam, mesmo quando a situação parecer sombria.



Original: Who will take the first step? Godly initiative during nasty conflicts
Artigo publicado pela Biblical Counseling Coalition