Existe pecadinho e pecadão?

Roberto Rodrigues

Se você frequentou uma igreja evangélica quando criança, é muito provável que tenha ouvido sua professora de escola dominical dizer que, para Deus, não existe pecadinho ou pecadão, e que todos os pecados são iguais. Será mesmo? Todos os pecados são iguais diante de Deus? Será que roubar um real é um pecadinho enquanto roubar milhões é pecadão? O aluno que cola na prova – que é uma fraude – é um pecadorzinho, enquanto o político que frauda e rouba do povo é um pecadorzão?

Normalmente, vejo a galera usando o argumento de que todos os pecados são iguais quando querem diminuir o que fizeram.  Por exemplo, alguém fez algo muito ruim, que todo mundo acha errado – como usar drogas ou roubar. Quando é acusado, ele logo dispara: “É, mas por que você tá me julgando? Não existe pecadinho e pecadão. Todo mundo peca!”.

Não, não existe pecadinho e pecadão.
O primeiro problema neste assunto é que, quando se comparam com outras pessoas, muitos pensam que são pessoas boas, pois não são tão ruins quanto fulano ou beltrano. Pensam que existem pecados pequenos, pecados que são mais comuns e aceitáveis como, por exemplo, falar mal de alguém, colar na  prova, falar um palavrão. Como não fazem coisas terríveis como matar alguém ou roubar, eles não se importam com seus “pecadinhos”.

Se você pensa assim, preciso lhe dar uma notícia: até mesmo o menor pecado já é suficiente para nos levar ao inferno. Romanos 3.23 diz que todos pecaram e pouco antes, o versos 10 e 11 dizem que ninguém busca a Deus, todos estão separados dEle.  Em outras palavras, se estamos falando sobre a salvação e a perdição, preciso lhe dizer que não existe pecadinho ou pecadão. Qualquer pecado, até aquele que é considerado o menor deles, é suficiente para nos condenar.

Este assunto é tão sério que se você pensa que não tem pecado ou que seus pecados são pequenos demais, sugiro que leia 1 João. Você vai encontrar textos como este: “Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós“ (1 Jo 1.8).

Todos temos pecado e, qualquer pecado que façamos nos torna culpados. Agora, se olharmos para outro aspecto do pecado, para sua extensão aqui na terra, suas consequências, como cada pecada afeta outras pessoas, podemos ver que existe, sim, pecadinho e pecadão.

Sim, existe pecadinho e pecadão.
Em alguns textos bíblicos, os pecados são classificados como diferentes. Por exemplo, quando o povo de Israel fez o bezerro de ouro, Deus disse que cometeram “grande pecado” (Êx 32.30). Em João 19.11, Jesus disse para Pilatos que quem o tinha entregado para a morte, no caso Judas, tinha cometido pecado maior que o dele, e Ele falou sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo em Mateus 12.31.

Além de alguns pecados serem considerados mais graves, os castigos eram diferentes. Quem matava outra pessoas recebia a pena de morte, enquanto aquele que roubava tinha que devolver quatro vezes mais.

As consequências de diferentes pecados na vida daqueles que os cometem também são diferentes. Se você contou uma mentira, tem que se acertar com a outra pessoa. No entanto, aquele que entra na prática do crime pode acabar morto ou preso. Sim, existem pecados que trazem consequências piores. Não estou dizendo que existem pecados que você pode praticar enquanto outros você deve evitar. Devemos buscar a santificação, mas alguns pecados são mais graves e trazem consequências piores. Devemos estar atentos!

Na Bíblia, o apóstolo Paulo orientou seu discípulo Timóteo a fugir de desejos da juventude. José, lá no Egito, fugiu de uma mulher que queria seduzi-lo (Gn 39.7-12 ) e em Provérbios, Salomão orientou seu filho a tomar cuidado com a mulher adúltera (Pv 7). Outros textos bíblicos nos alertam para tomar muito cuidado:
— pecados na área sexual – 1Tessalonicenses 4.3-6;
— pecados que podem produzir vício – 1Coríntios 6.12;
— pecados ligados à idolatria – 1Coríntios 10.12-14.

Fuja dos pecados “grandes”, pois suas consequências são grandes, e fuja dos pecados “pequenos” porque eles nos levam para os grandes. Pecados pequenos podem abrir espaço para pecados maiores. Siga, portanto, o conselho de Provérbios 22.3: “O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências”.

O consolo quanto ao pecado.
Para terminar, deixo com você as palavras do apóstolo João: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo”  (1Jo 2.1, 2).

Vá a Cristo, peça perdão pelos pecados que você cometeu, e encontre em Cristo a capacitação para fugir do pecado!



Sugestão de leitura para você
Pecados Intocáveis, escrito por Jerry Bridges.  A apresentação do livro pela Editora Vida Nova diz:

“Por que toleramos certos pecados? Será que os cristãos vivem tão preocupados com os pecados considerados mais graves pela sociedade que se tornaram indiferentes à necessidade de tratar dos pecados mais sutis que todos cometemos? Nesta obra Jerry Bridges aborda essa questão e escreve novamente sobre seu tema favorito – a santidade. Ele trata de um grupo específico de pecados em geral considerados “aceitáveis” ou “intocáveis”, pecados que toleramos em nossa vida.”


Roberto Rodrigues é coordenador do Ministério de Juventude da Organização Palavra da Vida, que inclui o Cursos de Liderança e Discipulado (CLD), o Acampamento Palavra de Vida Sudeste (APV-Sudeste) e o Ministério com Igrejas Locais (MIL). É formado no curso Teológico Ministerial do Seminário Bíblico Palavra da Vida. É palestrante para adolescentes e jovens.

Artigo publicado originalmente em Jovem Crente. Material republicado com autorização.