Inveja tem cura?

Elisa Bentivegna da Silva

Você já sentiu inveja do que outras pessoas tinham e você não? Já invejou o que outros eram e você não? Já teve atitudes insensatas por causa desse sentimento? Você e eu não somos os únicos a ter inveja! Ao longo da história, muitas pessoas já fizeram coisas horríveis por causa da inveja. Uma mulher teve inveja do fato de que sua irmã podia ter filhos e ela não, e entregou sua serva para se deitar com seu marido a fim de lhe conceder filhos (Gn 30.1). Um rei teve inveja de um guerreiro fiel que estava ganhando muitos fãs e começou a persegui-lo e tentar matá-lo (1Sm 18.9). Um grupo de religiosos teve inveja de Jesus, passaram a conspirar contra ele e o entregaram para morrer (Mc 15.10).

O que aconteceu com cada uma dessas pessoas? O que as moveu? O que acontece comigo e com você? De onde vem a inveja? Alguns textos bíblicos mostram o que Aquele que conhece 100% o nosso coração tem a dizer sobre isso:

Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. (Mc 7.21, 22)

Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam. Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. (Rm 1.28, 29)

Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. (Gl 5.19-21

O diagnóstico de Deus é claro: inveja é pecado, vem do coração, é resultado da rebeldia para com Deus, é reprovável e é uma obra da natureza pecaminosa. A inveja vem do nosso coração pecaminoso e revela o que está dentro dele – e o que lá dentro, por natureza, não é nem um pouco bom. A inveja revela um coração focado em si mesmo e em seus desejos egoístas em vez de estar focado em glorificar a Deus e servir aos outros. Ela revela falta de contentamento em Deus e em Sua suficiência para nós, falta de gratidão a Ele, falta de confiança nEle.

Qual é, então, a nossa esperança? Se o problema está dentro de nós, ligado ao nosso coração, como podemos ser curados? Gosto de lembrar da história de outro homem que lutou contra a inveja, mas que soube como lidar com ela e teve um fim diferente dos que citei acima. Ele conta a sua história no Salmo 73.

Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios. Eles não passam por sofrimento e têm o corpo saudável e forte. Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como os outros homens. Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas. Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado. (Sl 73.2-14)

O salmista teve inveja dos ímpios, de sua saúde e prosperidade. Chegou ao ponto de pensar que havia sido inútil buscar uma vida correta diante de Deus. Isso o estava consumindo. Quase o fez tropeçar.

Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios. Certamente os pões em terreno escorregadio e os fazes cair na ruína. Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional. 
Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs. Tu me diriges com o teu conselho, e depois me receberás com honras. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração
poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos. (Sl 73.16-18, 21-28)

Foi só em Deus que o salmista encontrou uma resposta para seus sentimentos pecaminosos. Ele entendeu que seu foco estava errado, pois ele o havia colocado em si mesmo e nos outros, em vez de colocá-lo em Deus. Ele se arrependeu-se dessa atitude e pôde se alegrar profundamente em Deus, reconhecendo e confiando que Ele é suficiente. É Deus quem nos sustenta. Ele é a nossa força, nossa herança e nosso refúgio. Ele é justo e soberano.

A cura para a inveja não está em tentar ter pensamentos mais positivos sobre si, mas em voltar os olhos unicamente para Aquele que é tudo de que precisamos.


Elisa Bentivegna da Silva é formada em jornalismo e também no Curso de Liderança e Discipulado (CLD) da Organização Palavra da Vida.  É autora de Rumo ao Altar: conselhos para noivas.

Artigo publicado originalmente em Jovem Crente. Material republicado com autorização.