Aconselhando um mentiroso: como lidar com um mentiroso (parte 3)

Joshua M. Greiner

Na parte 1  da série “Aconselhando um mentiroso”, examinamos a metáfora do solo aplicada às escolhas do mentiroso. Na parte 2, discutimos a respeito dos desejos que controlam o do coração e levam alguém a mentir. Ao fazermos isso, começamos a ver o que está acontecendo por trás da ação de mentir para que seja possível ajudar a pessoa a mudar. Na parte 3 da nossa série, iremos nos concentrar em como nós devemos agir. Veremos como é possível lidar com uma pessoa quando você pensa que ela possa estar mentindo, mas ela ainda não foi honesta a esse respeito.

Uma das perguntas mais frequentes que ouço de conselheiros e cristãos em geral é como lidar com uma pessoa quando há uma suspeita de que ela esteja mentindo. Muitas vezes, lutamos até mesmo para admitir que estamos apenas suspeitando de uma mentira. Nós agimos como se já tivéssemos provas de que aquela pessoa está de fato mentindo quando, na verdade, o que temos é no máximo uma suposição. Para começar, examinaremos o que fazer quando não tivermos certeza de que a pessoa está mentindo, quando a pessoa não admitir que está mentindo, ou quando ela afirmar que está dizendo a verdade, mas nós não acreditarmos nela.

Faça muitas perguntas.
Uma das coisas mais difíceis para nós é fazer perguntas. Todos nós temos a tendência de tirar conclusões precipitadas e presumir que sabemos o que está acontecendo. Pensamos que temos informações suficientes – no entanto, o que fizemos foi juntar dados – e estamos prontos para chegar a uma conclusão. Muitas vezes, essa conclusão foi alcançada sem se fazer muitas perguntas à pessoa, se é que lhe fizemos alguma pergunta. O que fizemos foi talvez confiar em informações de terceiros ou coletar informações por outros meios não totalmente confiáveis. Uma das coisas mais importantes que você pode fazer quando achar que alguém não está dizendo a verdade é fazer muitas perguntas.

Aqui estão algumas razões pelas quais precisamos fazer muitas perguntas.

Em primeiro lugar, é necessário fazer perguntas porque precisamos presumir que possa existir algum mal-entendido de nossa parte e que, se tivéssemos um pouco mais de informação, chegaríamos a uma conclusão diferente. Esse é o caminho da humildade em que você reconhece que não sabe tudo no mundo e coloca os outros em primeiro lugar, procurando ouvir antes de falar.

Em segundo lugar, é necessário fazer perguntas porque, se uma pessoa estiver mentindo, é provável que isso faça com que sua história se esclareça. Se você fizer perguntas, o mentiroso pode não ser capaz de fornecer detalhes com rapidez suficiente e, muitas vezes, ele não consegue pintar uma história que seja confiável ou até mesmo pareça verdadeira. Isso é parte de como Deus nos fez. À medida que a pessoa procurar mentir, ela encontrará cada vez maior dificuldade para inserir detalhes que sustentem sua versão. Quando esses detalhes começarem a ser reveladores, a pessoa começará a suspeitar de que você já sabe que ela está mentindo. É essencial não acusar, mas continuar a fazer perguntas. A essa altura dos acontecimentos, a maioria das pessoas escolherá falar a verdade.

Dito isto, é importante lembrar que você não é o Espírito Santo. Você não é o quarto membro da Trindade. Você não é um detetive. Você não foi chamado para descobrir a verdade, mas para fazer fielmente o que Deus o incumbiu de fazer com o conhecimento que você tem. Usar de meios duvidosos para descobrir informações – ou seja, bisbilhotar, manipular, mentir, entre outros – não é o que Deus quer que você faça.

Creia no melhor.
É importante lembrar que somos chamados a crer no melhor a respeito das pessoas (1Co 13.7). Isso não significa que precisamos nos deixar enganar incessantemente, vez após vez. No entanto, isso significa que daremos à pessoa o benefício da dúvida e verificaremos antes se há como termos entendido a história de forma errada. Frequentemente, os conselheiros levantam objeções quanto a isso e se mostram uma preocupação crescente com estarem sendo enganados. É importante lembrar que podemos simplesmente nos entregar ao Justo Juiz (1Pe 2.23) e lembrar que os mentirosos irão um dia dar contas a nosso Pai Celestial de tudo o que fizeram (2Co 5.10)

Lembre-se de que o mentiroso precisa ser amado.
Em seguida, é muito proveitoso lembrar que o amor fará mais do que qualquer outra coisa que procuremos fazer. Uma pessoa que está mentindo para você e para outros é alguém que, em essência, está realmente sofrendo. O mentiroso pode não demonstrar que está sofrendo, mas por baixo de um exterior endurecido e escorregadio há um filho de Deus que caiu e necessita não apenas do seu amor, mas do amor do nosso Pai. Demonstrando amor e conduzindo-o em direção ao amor que Deus tem por ele, você será capaz de fazer o que nenhuma quantidade de perguntas ou investigação conseguiria jamais fazer.

Peça-lhe para escrever s história quando os fatos parecem não se alinhar.
Ao longo do fio condutor das perguntas, pedir que a pessoa escreva sua versão da história pode ser muito útil. É por isso que você frequentemente vê alguém fazendo esse tipo de pedido em programas policiais. O processo é útil por algumas razões. Em primeiro lugar, você consegue ver no papel o que a pessoa está dizendo. Quando você conversa com alguém, pode perder muito do que a pessoa está dizendo, porque você precisa processar todas as informações com tamanha rapidez que pode ser difícil acompanhar o relato. Pedir para colocar por escrito permite que você vá em ritmo mais lento e tenha uma referência para recordar o que foi dito. Mais do que isso, porém, é a possibilidade de identificar brechas na história quando você estuda o que a pessoa escreveu. Por exemplo, se uma pessoa escrever uma história e existir uma brecha significativa no que ela escreveu, muitas vezes pode ser um sinal de que ela não esteja dizendo a verdade. As pessoas podem nos enganar na conversa, mas isso é muito mais difícil de perceber enquanto só as ouvimos. Por fim, ter uma história no papel pode ser útil porque pode servir como prova no futuro. Se a pessoa estiver constantemente mudando sua história, você pode levá-la de volta para o que ela escreveu e ela terá de admitir a verdade ou inventar outra mentira.

Confronte quando os fatos parecem se contradizer.
Esse é ponto pelo qual, muitas vezes, nós queremos começar, mas a confrontação precisa realmente ficar para o final, e ela precisa ser feita graciosamente. Quando você acredita que tem informações contraditórias, a melhor coisa a fazer é colocar essas informações sobre a mesa e perguntar à pessoa como ela explica as contradições. Na parte anterior, “Aconselhando um mentiroso: os desejos do coração”, usei o exemplo de um marido que gastava muito dinheiro em ingressos de futebol e não dizia à esposa a verdade sobre quanto eles custavam. A esposa precisou simplesmente mostrar ao marido o custo dos ingressos e perguntar o que estava acontecendo. Por que os ingressos eram mais caros do que ele dizia ser? Poderia haver uma explicação razoável, mas antes de ela ficar aborrecida e irada, ela precisava confrontá-lo. Ele poderia não só ter uma resposta razoável, mas também poderia simplesmente falar a verdade ao ser confrontado com os fatos de forma amorosa e graciosa.

Continue a orar.
Quando tudo mais falhar, continue a orar. Lembre-se de que Deus pode fazer o que você não pode. Ao orar pela pessoa, levando-a ao trono de Deus, você estará envolvendo o Deus Soberano. Ao orar pela pessoa, você desenvolverá um coração de amor por ela. Você se dará conta de que ela é tão humana quanto você e precisa da graça salvadora de Cristo tanto quanto você. Você irá pedir ao Espírito Santo que a convença de seus pecados. Não são raras as vezes em que esquecemos de orar por aqueles que praticam o mal contra nós (Lc 6.28).

Seja paciente
Por fim, devemos ser pacientes com todos (1Ts 5.14). As Escrituras são claras em dizer que não devemos desprezar uma pessoa ou desistir dela porque ela pecou contra nós. Vemos isso exemplificado até mesmo quando Cristo foi arguido por seus seguidores a respeito de quantas vezes eles deveriam perdoar um irmão. A resposta de Cristo foi setenta vezes sete. Para fazer isso, você precisará de muita paciência para com seu irmão ou irmã em Cristo. Lembre-se de quão paciente Cristo foi e ainda é com você. Lembre-se de que Ele é longânimo quando se trata do seu pecado. Lembre-se de que Ele não desiste de você, e você não deve desistir de seus irmãos e irmãs.

Na parte 4 de “Aconselhando um mentiroso”, veremos como pensamos e agimos quando somos a parte enganada, e como devemos reagir quando o mentiroso arrependido, ciente de que é errado mentir, deseja mudar.


Original: Counseling a Liar 3: How to Treat a Liar
Publicado em Counseling with Confidence and Compassion

Joshua M Greiner é o pastor de Faith West Community Ministries, e faz parte da equipe ministerial de Faith Ministries desde 2010. É formado em ciências políticas pela Purdue University e fez seu mestrado no Faith Bible Seminary.