Série Amizade #7: A amizade requer serviço sacrificial

Joshua Greiner

Se você já teve a chance de viajar na primeira classe em um voo internacional, você conheceu um dos serviços mais voltados para a sua pessoa. Tive a oportunidade de viajar de primeira classe, não por minha própria conta, e o serviço prestado foi inigualável. Disseram-me que a diferença entre a cabine principal e a primeira classe seria significativa, mas eu não tinha ideia daquilo que me esperava. Foi ótimo ser servido durante aquele voo, ter alguém disposto a providenciar tudo aquilo que eu quisesse pedir, além de poder deitar totalmente a cadeira durante uma longa viagem de avião. Para a tripulação que me servia, era parte de seu trabalho e eu tive realmente a impressão de que eles gostavam de fazer seu trabalho, gostavam de servir as pessoas.

A alegria de servir, porém, nem sempre acontece em áreas de nossa vida nas quais não somos pagos para fazer alguém feliz. Frequentemente, quando somos chamados a servir seja em nossa igreja, seja diretamente a outra pessoa, nosso coração entra em cena. Simplesmente, nós não gostamos de servir e temos que dizer a nós mesmos verdades de todos os tipos que nos façam acreditar que Deus está mesmo nos chamando para servir.

Indo além em termos de desafios, a dificuldade aumenta quando somos chamados para servir e isso vai realmente nos custar algo. Uma coisa é ser chamado para servir no ministério das crianças quando você já está na igreja e isso ocupará apenas uma hora do seu dia. Bem diferente é quando servir custa muito mais do que uma hora do seu tempo. Ainda assim, para ser um bom amigo e ter uma grande amizade, você precisará praticar o serviço sacrificial.

As razões são óbvias
A razão de lutarmos para servir quando isso nos custa algo não é um grande segredo guardado a sete chaves. Quem gosta de desistir de alguma coisa em benefício de outra pessoa? O meu eu me diz que o mais importante nesta vida é cuidar de mim. Cuidar de mim vem em primeiro lugar! Não posso desistir de um direito meu em benefício de outros porque se eu o fizer, o que poderá acontecer comigo? O anseio de cuidar de nós mesmos é tão grande que muitas vezes ele nos impede de dar amor aos outros. No entanto, apegar-se ao amor e ao cuidado de si mesmo é como se agarrar a um porco-espinho, ou seja, tudo o que você conseguirá são muitos pequenos cortes dolorosos e nenhuma recompensa.

O chamado ao sacrifício é fundamental para o cristianismo
Cristo nos diz que não há maior amor do que o sacrifício por nossos amigos (Jo 15.13). No cenáculo, Cristo não estava apenas chamando seus apóstolos de amigos, mas lembrando que não há maior amor do que se sacrificar por quem que você ama, e Ele faria isso dando Sua vida. Cristo fez isso, como nos é dito em Hebreus 12.2, porque Sua “alegria” estava em fazê-lo. Cristo sabia que, ao se sacrificar por Seus amigos, encontraria a verdadeira alegria, e Ele chamou Seus seguidores para fazer o mesmo. Antes da cruz, Ele disse a seus seguidores que eles precisariam morrer para si mesmos e segui-lo (Mt 10.38, 39) e que, fazendo isso, eles encontrariam o que estavam procurando.

O sacrifício e os amigos
Embora a maioria de nós não tenha a oportunidade — uso a palavra “oportunidade” intencionalmente – de dar a vida pelos amigos no verdadeiro sentido da palavra, teremos muitas oportunidades para dar de nós. O sacrifício por nossos amigos é algo que temos a chance de fazer regularmente se nos mantivermos atentos. Pode ser algo que exige esforço físico como ajudá-los a empacotar a mudança e se mudar, ou pode ser algo que demanda tempo como colocar suas atividades em pausa e tirar algumas horas para conversar sobre as dificuldades que um amigo está enfrentando. O fato é que, se você está se relacionando com alguém, terá muitas oportunidades de morrer para si mesmo para que outra pessoa viva. Morrendo para si mesmo, você realmente encontrará a vida!

O que fazer?
Não estou pedindo que você procure inventar maneiras de servir e se sacrificar por seus amigos para que possa ter alegria. Criar problemas para então poder servir os outros só lhe causará ainda mais problemas. Então, quais são algumas coisas que você pode fazer?

Em primeiro lugar, você pode manter sua palavra — mesmo que doa. Pode parecer que isso não se encaixa com o que estamos falando, mas muitas vezes uma das maneiras mais significativas de se sacrificar é cumprindo sua palavra. Nossa sociedade perdeu o valor de manter a palavra quando fazer isso pode nos machucar. Achamos que precisamos cumprir nossa palavra somente se for bom para nós. Pense em quantas vezes você cancelou ou mudou os planos que tinha com alguém porque algo deu errado em sua vida. Talvez você tenha dito a alguém que estaria lá para almoçarem juntos em um momento difícil, mas depois você se sentiu sobrecarregado pelo trabalho e cancelou o encontro. Talvez você tenha dito que apareceria para ajudar uma pessoa, mas depois quis fazer outra coisa. Independentemente da situação, você colocou a si mesmo e seus desejos antes dos interesses dos outros. O Salmo 15 nos lembra que esse tipo de vida só trará dor para todos os envolvidos: “Senhor, quem habitará no teu santuário? Quem poderá morar no teu santo monte? Aquele […] que mantém a sua palavra, mesmo quando sai prejudicado” (Sl 15:1, 4).

Em segundo lugar, você deve se perguntar: O que acontecerá com essa pessoa se eu disser “Não”?  Muitas vezes, ao considerar um pedido para fazer algo, eu penso primeiramente sobre qual será o impacto “para mim”. Como isso irá me afetar? Em vez disso, os cristãos devem fazer a pergunta “O que acontecerá com meu irmão se eu não me dispuser a servir?” ou, então, “Quão negativamente ele será impactado se eu disser não?”. Devemos mostrar aos nossos amigos o amor que vemos na parábola do Bom Samaritano. Quando você não se coloca em primeiro lugar na sua agenda, mas cede aos outros o primeiro lugar, você manifesta uma amizade forte e benévola.

Existem muitas outras maneiras para servir de maneira sacrificial aqueles que Deus coloca ao nosso lado, e essas são apenas duas delas. Com certeza, porém, sempre que praticarmos o serviço sacrificial, quando manifestarmos o amor que fomos chamados a ter uns para com os outros, teremos grandes amizades e muita alegria!


Os posts da série
Série Amizade #1: Os ingredientes essenciais para a amizade
Série Amizade #2: A amizade requer comunhão frequente
Série Amizade #3: A amizade requer profundidade intencional
Série Amizade #4: A amizade requer afeto genuíno
Série Amizade #5: A amizade requer esforço mutuo
Série Amizade #6: A amizade requer cuidado espontâneo
Série Amizade #7: A amizade requer serviço sacrificial
Série Amizade #8: A amizade requer incentivo ao crescimento
Série Amizade #9: A amizade requer vulnerabilidade e transparência


Joshua M. Greiner  faz parte da equipe de Faith desde 2010. Ele se formou na Purdue University, onde completou o curso de bacharel em Ciência Política. Em seguida, completou o mestrado em divindade no Faith Bible Seminary e o mestrado em teologia com ênfase em aconselhamento bíblico  no The Southern Baptist Theological Seminary (SBTS). Atualmente cursa o doutorado em aconselhamento bíblico também no  SBTS. Ele serve como pastor de ministérios em Faith West.



Original: Friendship Series #7: Friendship Requires Sacrificial Service
Publicado em Counseling with Confidence and Compassion – Faith Biblical Counseling
Tradução: Carla Silva
Revisão e adaptação: Conexão Conselho Bíblico