Conflitos e paz: versículos selecionados

O Deus da paz

Fp 4.9 – O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.
1Ts 5.23 – O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
2Ts 3.16 – Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias. O Senhor seja com todos vós.
Hb 13.20, 21 – Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!

Reconciliados em Cristo uma vez por todas, temos paz com Deus

Rm 5.1 – Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
Ef 2.13-16­ – Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.
Cl 1.19-22 – Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis.

Vivendo diariamente em Cristo, temos a paz de Deus

Jo 14.27 – Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
Jo 16.33 – Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
Fp 4.7 – Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.
Gl 5.22, 23 – Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Rm 15.13 – E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
2Pe 1.2 – Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor.

Somos pacificadores, ministros de reconciliação

2Co 5.17-20 – E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.
Mt 5.9 – Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Tg 3.18 – Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.

Devemos buscar a paz nos relacionamentos

Hb 12.14 – Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.
Mc 9.50 – Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.

1Pe 3.10, 11 – Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.
Rm 12.18 – Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.
Rm 14.19 – Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.
Ef 4.1-3 – Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
1Ts 5.13 – Vivei em paz uns com os outros.
2Co 13.11 – Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.

Aconselhamento bíblico: versículos selecionados

Alguns termos relacionados ao aconselhamento no Novo Testamento

  • Parakaleō (cf. 1Ts 2.11, 12; 1Ts 5.11; Hb 3.13) tem grande variedade na tradução para o português: consolar, confortar, fortalecer, exortar, admoestar. A idéia principal é a de chamar ao lado para auxiliar, incluindo confortar com relação a alguma circunstância da vida, mas também encorajar ou exortar a seguir determinado curso de conduta futuro. Na prática, consolação e exortação misturam-se muitas vezes. “No Novo Testamento, admoestação torna-se conforto genuíno e vice-versa, de modo que é difícil separar entre ambos.” [1]
  • Katartizō (cf. Gl 6.1) é traduzido como preparar, aperfeiçoar, corrigir, reparar, consertar. Refere-se a restaurar à utilidade, reparar o que está errado, aperfeiçoar visando a uma utilidade maior.[2]
  • Makrothumeō (cf. 1Ts 5.14, 15), traduzido como exercer paciência e longanimidade, indica a disposição paciente e humilde de lidar com os irmãos.[3]
  • Noutheteō (cf. At 20.31; Cl 1.28; Cl 3.16; 1Ts 5.14, 15; Rm 15.14) é traduzido como admoestar, advertir, exortar, aconselhar. Podemos identificar pelo menos três elementos básicos contidos neste termo: algo errado precisa ser tratado na vida do irmão, o tratamento do problema é pela confrontação e instrução verbal, e a motivação é ajudar o irmão em amor, com envolvimento genuíno e intenso.[4]
  • Paramutheomai (cf. 1Ts 2.11, 12; 1Ts 5.14, 15) é traduzido por consolar, encorajar, animar. Tem o sentido geral de falar bem de perto com alguém, de modo positivo e benevolente, para confortar, consolar, encorajar uns aos outros. [5]

● O aconselhamento é dever do líder espiritual, exemplificado pelo apóstolo Paulo.

At 20.31 — Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.
Cl 1.27-29 — Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a Sua eficácia que opera eficientemente em mim.
1Ts 2.11, 12 — E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.

●  O aconselhamento é dever de cada cristão

Rm 15.14 — E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros.
Gl 6.1 — Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.
Cl 3.16 — Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.
1Ts 5.11 — Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.
1Ts. 5.14, 15 — Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.
Hb 3.13 — Pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.

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[1] Schmitz & Stählin. Parakaleō. In KITTEL, Gerhard (edit.) Theological dictionary of the New Testament. Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1983. v.5, p. 821.
[2] Schippers, R. Katartizō. In BROWN, Colin. O novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1983, v. 4.
[3] LIDDELL, Henry George, SCOTT, Robert. A Greek-English lexicon. Oxford: At Clarendon Press, 1968.
[4] ADAMS, Jay E. Conselheiro capaz. São Paulo: Fiel, 1977, p. 58.
[5] Schütz, H. Paramutheomai.  In BROWN, Colin. O novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1982, v. 1.

Como navegar na internet sem naufragar

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A escolha em um mar de links: tenha cuidado!

PESQUISE NA INTERNET
Escolha com cuidado!
Seleção A informação que circula na internet não está sujeita a qualquer tipo de avaliação ou seleção. Qualquer um pode publicar as suas opiniões e seus trabalhos. Ao lado de sites com informação relevante, há informação que pode ser pouco útil para trabalhos de pesquisa séria. É preciso saber onde e como procurar.
Organização As bases de dados e bibliotecas virtuais estão organizadas, mas boa parte da informação disponível na diversidade de sites não está organizada. Nenhum diretório ou motor de busca tem capacidade de organizar ou indexar a totalidade das páginas existentes.
Permanência Boa parte da informação publicada na internet é temporária. Os sites bem mantidos são atualizados com frequência e disponibilizam textos e outros recursos de valor para pesquisa. Existem, contudo, muitos outros cuja informação se desatualiza rapidamente. Alguns sites acabam por desaparecer sem deixar rastro.

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A avaliação: cinco passos que ajudam a evitar o naufrágio

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Navegue, mas não naufrague! Mantenha o foco. Perder tempo ao distrair-se na web é bem fácil. Afinal, encontramos tantas coisas interessantes, mesmo sem querer…

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William Barcley. O segredo do contentamento

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“A tentação ao descontentamento está por toda parte. Somos bombardeados com anúncios que querem nos convencer de que nos falta alguma coisa. No entanto, as sementes do descontentamento já estão presentes no nosso próprio coração pecaminoso. Há quase 400 anos, Jeremiah Burroughs escreveu sobre a “joia rara” do contentamento cristão. Se contentamento era uma raridade nos dias dos Puritanos, quanto mais raro é hoje!”  É com estas palavras que P&R Publishing apresenta a edição original de O segredo do contentamento.

William Barcley aborda o cerne da questão – o descontentamento que se encontra dentro de nós. Ele revisita as meditações sobre contentamento de dois grandes escritores Puritanos – Jeremiah Burroughs e Thomas Watson – e as traz para o público atual.  Acima de tudo, ele busca a sabedoria de Paulo, que declarou ter encontrado o “mistério” ou o “segredo” para viver contente. O contentamento deve ser aprendido, e Barcley revela-nos o que fazer, chamando-nos a um contentamento que vem de conhecer pessoalmente a Deus e nos deleitarmos com Sua bondade soberana e Seu cuidado paternal.

Na introdução à edição brasileira, o Pr. Jayro Cáceres escreve:

No último capítulo da epístola aos hebreus, o autor faz uma significativa advertência aos seus leitores: “Contentai-vos com as coisas que tendes; …” (Hb 13.5). A inclinação humana para o descontentamento justifica a palavra do autor.

Há um inerente descontentamento no coração do homem. A desobediência de Eva no Jardim revelou que seu coração desejou obter o que lhe fora oferecido pelo outro conselheiro – Satanás – afirmando que provar do fruto a tornaria uma pessoa mais completa (Gn 3.5,6).

Ela provou do fruto na expectativa de que obteria o que lhe fora ardilosamente oferecido pelo Enganador (Gn 3.6). O resultado foi que a mulher não obteve o que esperava. Daquele momento em diante, estar descontente com a provisão de Deus passou a ser a inclinação natural do homem. O homem tornou-se descontente com as coisas que possui, com a porção de bens que recebeu, com os talentos que Deus lhe deu, com seu cônjuge, com seus dons, com seu emprego, com sua igreja, com seus líderes, com sua condição atual, enfim…

Neste livro, o Dr. William Barcley nos oferece um tremendo encorajamento para vivermos contentes com o que temos e com o que Deus deseja prover a nós. Tendo a carta de Paulo aos filipenses como ponto de partida, e examinando as demais Escrituras, o autor nos leva a perceber que o apóstolo Paulo e outros fiéis, aprenderam por meio das circunstâncias providas por Deus, agradáveis ou não, ser possível viver contente com as coisas que temos.

Estou certo de que você irá se deleitar com a leitura deste livro. Minha oração é que esta obra o(a) leve a uma atitude contínua de gratidão a Deus pela provisão dEle para sua vida, que contamine sua igreja, e os que estão ao seu redor, de tal maneira que sejam estimulados a serem igualmente gratos a Deus, manifestando um coração contente e satisfeito com Deus e com aquilo que Ele deseja prover.

FICHA TÉCNICA
Autor: William B. Barcley
Título:  O segredo do contentamento
Título original:  The secret of contentment
Editora: Nutra
Páginas: 184
Data de publicação: 2014

William B. Barcley é pastor da Sovereign Grace Presbyterian Church em Charlotte, Carolina do Norte. É também professor adjunto de Novo Testamento no Gordon-Conwell Theological Seminary e no Reformed Theological Seminary. Ele possui um BA em Estudos Bíblicos pelo Gordon College, um MA em Estudos Teológicos pelo Gordon-Conwell Theological Seminary e um PhD em Novo Testamento pela Boston University.

Edward Welch. Depressão

Depressao_resenhaA tenebrosa noite da alma

Em seu artigo Palavras de esperança para aqueles que lutam com a depressão, Edward Welch ofereceu inicialmente uma descrição daquilo que chamamos de “depressão”.

Ela é chamada tecnicamente de depressão, apesar de não podermos expressá-la em uma só palavra. Você se sente entorpecido, mas ao mesmo tempo sua cabeça dói; sente-se vazio, mas ao mesmo tempo há gritos no seu interior; sente-se fatigado, no entanto seus medos afluem. Aquilo que antes era prazeroso agora mal chama sua atenção. Seu cérebro está como que coberto permanentemente por uma neblina. É como se algo o puxasse para baixo. Você consegue se lembrar de quando tinha alvos? Coisas pelas quais ansiava? Mesmo que fossem coisas simples como ir ao cinema na sexta-feira à noite ou um trabalho que esperava concluir. Agora lhe restaram poucos alvos. Conseguir chegar ao fim de mais um dia já lhe parece ser suficiente. Já percebeu como fica a nossa vida quando não temos alvos? Todos os dias são iguais. Não há um ritmo de antecipação estimulante, satisfação e, logo depois, o descanso. Cada dia traz consigo uma monotonia mortal, e você teme que o dia seguinte seja praticamente igual. A monotonia da vida parece matá-lo aos poucos. Seu sono? Está uma bagunça. Você nunca consegue dormir o suficiente. É impossível lembrar-se de quando foi a última vez em que acordou e se sentiu renovado.[1]

Agora, em seu livro Depressão: a tenebrosa noite da alma, ele desenvolve amplamente o assunto de maneira compassiva e bíblica.

Sugestões práticas e muitas páginas de tarefas de casa poderiam encher vários livros, mas provavelmente não fariam com que nos sentíssemos mais vivos. Aquilo que eu e você precisamos é mais profundo do que sugestões práticas. Você não precisa de uma lista de “como fazer” as coisas. Na verdade, você mesmo seria capaz de produzir uma lista plausível de coisas para fazer. Provavelmente já fez algumas delas e sabe de muitas outras que poderia fazer.

A depressão, e a miríade de sentimentos e pensamentos embutidos nessa palavra, invocam a pergunta “por quê?”. […] Uma lista de coisas a fazer não atende às questões de propósito, esperança, nem responde a perguntas fundamentais sobre a existência e a fé que inevitavelmente surgem com a depressão. Não é de surpreender que, ao mesmo tempo que o Prozac vem sendo propalado como a cura para a doença, os filósofos também encontrem um nicho na área de ajuda às pessoas deprimidas.

No caminho que temos em frente, portanto, procure descobrir uma parceria entre os “por quês” e os “como”. Quando surgirem as perguntas do tipo “por quê?”, essas serão religiosas, como todas as perguntas desse tipo. Elas dizem respeito a Deus. (p. 10)

Em resenha publicada em Discerning Reader, Leslie Wiggins lembra que cristãos bem-intencionados podem querer explicar que a depressão é algo impossível na vida do crente, pois parece não combinar com a vida abundante que Jesus prometeu a Seus discípulos. O fato, porém, é que nós ainda vivemos sob a maldição do pecado e da morte e mesmo o crente em Cristo Jesus não está imune a esta realidade. Como Ed Welch menciona em Depressão, a inteira criação está gemendo enquanto aguarda a completa redenção e renovação, mas nós não estamos desprovidos de esperança. Leslie Wiggins prossegue, descrevendo cada parte do livro.

Na introdução, Ed Welch compartilha a premissa principal, o propósito e suas sugestões para o uso do livro. Ele está escrevendo tanto para as pessoas deprimidas como para aqueles que as amam. Ele explica: “Se você estiver deprimido, os capítulos que se seguem são intencionalmente breves e, às vezes, provocantes. Se você quiser ajudar alguém que está deprimido, esses capítulos têm a intenção de oferecer direção e poderão ser usados como leituras a ser compartilhadas com a pessoa deprimida” (p. 12).

Ed Welch descreve um retrato detalhado da depressão: como ela é sentida, qual é a sua aparência, como são os pensamentos, como é a fala e para onde ela conduz. Ele ganha a confiança do leitor, demonstrando sua compreensão e compaixão para com a pessoa que sofre.

Em um capítulo mais técnico, Ed Welch leva o leitor através das muitas camadas da depressão. Ele relata os sintomas de depressão conforme mencionadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), tanto para a depressão maior como para a distimia, e explica: “Pense na depressão como uma linha contínua e crescente em termos de gravidade. Em um dos extremos ela perturba, no outro, debilita. A depressão menos severa é chamada de Transtorno Distímico; a mais severa, Depressão Maior.” (p. 20). Ele oferece as características da experiência depressiva para que o leitor possa identificar as facetas do seu sofrimento. No entanto, Welch dirige-nos uma palavra de cautela quando se trata de diagnosticar a depressão, particularmente a depressão que pode ser causada por um desequilíbrio químico. Ele escreve: “Existe toda espécie de teoria quanto às causas da depressão. Indo em direção ao menos severo, muitos presumem que as causas sejam relacionamentos, circunstâncias difíceis, ou pensamentos negativos. Em direção ao mais severo, a teoria popular é que se origine de um desequilíbrio químico. Não compre ainda as generalizações. Tente permanecer descrente por mais um pouco, pois aqui, é cedo demais para fazer juízos. Ninguém poderá diagnosticar um desequilíbrio químico convicto de estar totalmente certo porque não há como saber isso com segurança. Ainda que existisse um teste para isso (o que não há), esse não pode dizer se o desequilíbrio causou a depressão ou resultou dela” (p. 22).

A tendência é acreditar que o problema é apenas físico e que um comprimido resolverá o problema. Embora a medicação possa aliviar os sintomas da depressão, ela não pode tratar as causas profundas (o pecado, os problemas de relacionamento, as crenças sobre Deus etc.). Ed Welch escreve: “Não permita que um diagnóstico técnico ou científico o impeça de ver esses problemas como ordinários. Quando estiver em dúvida, espere até encontrar, logo abaixo da superfície, uma situação frequente a todo ser humano, em forma de medo, ira, culpa, vergonha, inveja, carência, desespero quanto a uma perda, fraqueza física e outros problemas presentes em cada pessoa. Nem sempre a depressão será causada por tais coisas, mas sempre será ocasião para considerá-las” (p. 11).

Na Parte I, “Depressão é sofrimento”, Ed Welch desafia a pessoa deprimida com relação às suas crenças a respeito de Deus. A depressão pode vir como resultado de um acúmulo de pecados não confessados. Ela pode vir como resultado de uma brecha em um relacionamento importante. A forma como uma pessoa lida com o pecado e os eventos dolorosos indica o que ela acredita a respeito de Deus. Ed Welch ajuda o leitor a responder a algumas das perguntas mais importantes: Por que estou deprimido? O que está causando isso? O que eu fiz para isso? Qual o papel de Deus na minha depressão? Qual o papel que Satanás desempenha na minha depressão? Para onde vou me voltar? Como a Bíblia me ajuda? A depressão tem um propósito? Esta seção de seu livro culmina em uma forte admoestação para que o leitor se lembre de Jesus e persevere.

Na Parte II, “Escutar a depressão”, Ed Welch orienta o leitor a ouvir a mensagem da depressão, complexa e rica de emoções, e a dissecá-la. Ele explica: “As emoções têm uma história. Para colocar um processo complexo da maneira mais simples possível, essa história consiste de duas partes: (1) acontecimentos fora de nós, incluindo problemas físicos e (2) crenças, alianças espirituais e interpretações, no interior. A interação desses pares, com o tempo, é o que causa a depressão” (p. 78). Ele avalia cuidadosamente o coração humano e nossas muitas maneiras de interpretar as circunstâncias à luz daquilo em que acreditamos. Finalmente, ele explica como o temor, a ira, o fracasso e a vergonha, as esperanças esmagadas, a culpa e o legalismo, e a morte relacionam-se com a depressão. Todas as emoções envolvidas ensinam-nos algo sobre nós mesmos e aquilo que acreditamos a respeito de Deus. Ed Welch compartilhar, então, como o deprimido pode aprender a confiar em Deus. O verdadeiro amor é a chave para ficar livre do medo, da ira, da culpa e do legalismo, e dos pensamentos suicidas.

Na Parte III, ” Ajuda e conselhos de outros”, Ed Welch discute o tratamento para a depressão, e o tratamento médico em particular. A depressão tornou-se tão comum que os possíveis tratamentos têm proliferado. Sobre a escolha de um tratamento, ele diz: “A questão com tais tratamentos físicos não é se tal tratamento está certo ou errado, mas se é o correto. As diretrizes de sabedoria se aplicam” (p. 163). Ed Welch sugere várias estratégias que se provaram úteis para pessoas deprimidas como, por exemplo, seguir um cronograma realista, tomar vitaminas, praticar exercícios físicos com regularidade e comer bem. A Parte III também inclui um capítulo de ajuda específica para os familiares e amigos da pessoa deprimida.

Parte IV, “Esperança e alegria: pensando os pensamentos de Deus”, é um incentivo direto a combater a depressão com a compreensão do seu lugar na história de Deus, esperança em Deus, gratidão e alegria no Senhor. Ed Welch expõe várias verdades espirituais importantes. A primeira delas é que não devemos ansiar tanto por evitar o sofrimento e a dor. Se você está triste ou deprimido, é importante descobrir a razão, mas não necessariamente para que você possa eliminar de sua vida o sofrimento. Deus usa o sofrimento e as provações para treinar o coração, para nos ensinar a obediência, para nos conformar à imagem de Seu Filho. Faz sentido ceder diante de Sua autoridade sobre nossa vida e ir a Deus em busca de entender as lições da dor e procurar uma comunhão mais profunda com Ele enquanto ainda sofremos na depressão.

A segunda verdade surge da ressurreição. O fato de que Jesus ressuscitou dos mortos oferece aos crentes deprimidos uma grande esperança e promessa para o futuro. Ele escreve: “Todo desespero é, em última análise, uma negação da ressurreição […] a ressurreição venceu a morte, o pecado, a miséria e tudo o mais que foi contaminado pela maldição da Queda” (p. 191). Ed Welch explica que as pessoas deprimidas têm a tendência de abandonar a esperança e reescrever sua vida fora da história de Deus. Ele incentiva a pessoa deprimida a parar de ter medo da esperança e abraçar o seu lugar dentro da grande história de Deus.

A terceira verdade desafia a sabedoria convencional que diz que um indivíduo deprimido deve olhar para dentro de si mesmo, descobrir o que pode fazê-lo feliz e, então, atuar em busca da felicidade. Em vez disso, Ed Welch traz à lembrança do leitor o ensinamento de Jesus: a alegria é encontrada em servir e amar os outros, e aqueles que querem achar a própria vida acabarão por perdê-la. Embora possa parecer sábio isolar-se de relacionamentos chegados para eliminar a dor, isso prejudica a alma. É importante ser capaz de sentir as emoções. Investir na vida de outras pessoas, de alguma forma, não importa se muito ou pouco, é a chave para começar a se levantar da depressão.

No final de cada capítulo, há uma parte intitulada “Resposta”. Em parte é um resumo das ideias do capítulo, mas o autor também acrescenta exercícios simples e uma ou duas perguntas para responder. A maioria destas são muito pessoais, concebidas para revelar o coração.

Depressão: a tenebrosa noite da alma traz muita informação e encorajamento. Nas palavras de abertura do livro, Sinclair Ferguson, professor no Westminster Theological Seminary diz:

Uma combinação rara de compreensão do evangelho, sabedoria bíblica, empatia pessoal e longa experiência como conselheiro brilha nessas páginas. Este é um manual legível a confiável para todos os que experimentam a tenebrosa noite da alma ou que pretendem ajudar os outros que a enfrentam. O mais necessário é um tratamento antidepressivo divinamente prescrito. Como um hábil farmacêutico espiritual, Ed Welch avia a receita para nós.

Para aqueles que tiram proveito da literatura em inglês, o livro ganhou em 2012 uma nova edição revista e ampliada, com o título Depression: looking up from the stubborn darkness, e que vale a pena verificar. Sobre a nova edição, Robert Kellemen escreve: “Welch escreve com uma rara combinação de compaixão e desafio, sustentada por uma teologia do sofrimento. Esta é, possivelmente, a maior contribuição do livro. Os leitores que procuram uma abordagem instigante da depressão, que trate o problema do ponto de vista espiritual, relacional, racional, volitivo, emocional e físico, não ficarão desapontados com Depression: looking up from the stubborn darknes.

FICHA TÉCNICA
Autor: Edward T. Welch
Título:  Depressão: a tenebrosa noite da alma
Título original:  Depression: a stubborn darkness: light for the path
Editora: Cultura Cristã
Páginas: 208
Data de publicação: 2011

Edward Welch – atua como conselheiro e integrante do corpo docente da Christian Counseling and Educational Foundation (CCEF), além de professor de Teologia Prática no Westminster Theological Seminary.  Conselheiro bíblico há mais de 30 anos, ele tem escrito extensivamente sobre temas como depressão, medo e vícios. Entre os seus livros, além de Depressão, já estão disponíveis em português:
Quando as pessoas são grandes e Deus é pequeno (Editora Batista Regular),
Vícios: um banquete no túmulo (Nutra Publicações).

Você pode encontrar mais recursos por Edward Welch aqui.

[1] O artigo Palavras de esperança para aqueles que lutam com a depressão pode ser lido em forma impressa em Coletâneas de Aconselhamento Bíblico, revista publicada pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida (Atibaia, 2004, v.3, p. ), ou em forma digital no site Gospel Translations.

Não seja tão rápido em citar versículos bíblicos para seus amigos

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Josh Blount

Será que existe alguma ocasião para você não citar um versículo bíblico? Imagine este cenário. Domingo, após o culto, um amigo aproxima-se de você pedindo para conversar. Ele está com dificuldades em seu casamento. No emprego, um projeto está exigindo horas extras e, em casa, as crianças estão com um pique de energia que deixa sua esposa maluca. O resultado é um lar cheio de tensão e irritação, com um número crescente de pequenos conflitos latentes que, gradualmente, estão assumindo a proporção de um incêndio permanente.

“Eu sei que essas discussões não agradam ao Senhor, e eu sei que eu sou parcialmente culpado”, seu amigo lhe diz. Ele pergunta: “O que você acha?” É a sua vez de falar. Tempo para citar um versículo bíblico, certo? “Irmão, você tem que amar sua esposa como Cristo ama a igreja. Vou orar por você!”

Isso é bíblico (Ef 5.25). É verdadeiro. Relaciona-se à situação. Mas será que é isso que seu amigo necessita ouvir como resposta? Por mais surpreendente que possa parecer, a resposta é não. Ou melhor, ainda não. Por quê? Aqui está o princípio: não cite versículos bíblicos até que você possa personalizar a verdade.

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja” é a verdade bíblica – certamente gloriosa e desafiadora. É também geral – tamanho único, serve para todos. Os maridos da Papua Nova Guiné podem e devem aplicá-la tanto quanto os maridos do Rio de Janeiro. Mas seu amigo não é um representante simbólico de todos os maridos ao redor do planeta. Ele é uma pessoa singular, que conduz sua vida diante do Senhor, ama uma mulher específica e filhos específicos, em uma sucessão de momentos que não podem ser repetidos nem duplicados. O objetivo final de Deus é que Efésios 5.25 seja incorporado de forma concreta e específica, em momentos reais, às 18:47 da sexta-feira, dia 10 de outubro, ou às 09:30 da manhã do sábado, após o café.

O que isso significa para você? Algo simples: você deve fazer mais perguntas. Não use um versículo da Bíblia para colocar fim a uma conversa antes que ela exija muito de você. Descubra em detalhes como seu amigo está lutando: Quando o problema aconteceu pela última vez? Onde? Por quê? Quando você for ajudar seu amigo a entender o que significa amar a sua esposa, na realidade dele, esta semana, talvez você possa lhe mostrar que planejar um passeio com as crianças no sábado à tarde ou encomendar pizza para o jantar da quarta-feira, para que ela não tenha que cozinhar, é sua expressão personalizada de Efésios 5.29.

Às vezes, mesmo com uma boa pergunta, você pode continuar sem saber como ajudar alguém a aplicar a verdade de forma pessoal. Você sabe que aquele versículo tem a ver com a situação, mas você não tem certeza de como ele se aplica especificamente, pois a situação é complexa. Não se preocupe. Nesse caso, você pode ser honesto com seu amigo, usar o versículo, mas não usá-lo para cortar a conversa. Você pode falar sobre o versículo. Vocês podem orar juntos. Você pode se comprometer a caminhar ao lado de seu amigo para ajudá-lo enquanto ambos crescem em sabedoria na aplicação das Escrituras. Mas o alvo é fazer com que a verdade se torne pessoal – mesmo se isso exigir um investimento significativo de tempo.

Por que isso é tão importante? A resposta final é “porque Deus é uma Pessoa”. Sua verdade não é apenas geral, mas pessoal. Deus não se relaciona com a humanidade de forma abstrata, mas Ele se relaciona com indivíduos reais. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Redentor vivo cita nomes em Sua Palavra, capítulos inteiros de nomes (veja Romanos 16, por exemplo).

Então, sim, seu amigo precisa de versículos bíblicos. Você também precisa deles – mas de versículos personalizados, inseridos na vida real. Não se contente com abstrações. Faça perguntas. Ore por sabedoria. E, depois, fale.

Original: Don’t be so quick to quote scripture at your friends

Robert Jones. Ira: arrancando o mal pela raiz

ira_resenhaOrientação bíblica para um problema comum.

Resenha por Chris Boucher – Biblical Counseling Coalition

Expectativas superadas
Quando peguei em mãos esse livro pela primeira vez, eu não sabia o que esperar. Seria um livro para pessoas que lutam para controlar sua ira? Seria um livro para pessoas que ficam iradas e desejam entender melhor como lidar com suas emoções? Ou seria um livro para aqueles que conhecem alguém que luta com questões de ira e está em busca de ajuda? Para minha alegria, a resposta é: todas as alternativas acima. Nenhum sequer dos que caminham nesse planeta escapa de ficar irado. O livro de Robert Jones, portanto, beneficiará todos aqueles que peregrinam atualmente no planeta terra.

Uma definição prática e útil de ira
Como Robert Jones afirma em seu primeiro capítulo, muitas pessoas teriam maior facilidade para descrever a ira do que para defini-la (p. 18). Eu também descobri que isso é verdade. Sua própria definição pode ser uma ferramenta para avaliar a ira. Minha ira é justa? Estou reagindo pecaminosamente? Há realmente algo errado aqui ou só eu estou percebendo um erro? Eis a definição de Robert Jones:

Nossa ira é nossa resposta ativa e integral de juízo moral negativo contra um mal por nós percebido. (p. 19)

A maioria das pessoas com as quais converso, pensam que a ira é uma resposta apenas emocional, não uma resposta ativa, pessoal e integral. Não é assim, diz Robert Jones.

Nas Escrituras a palavra ira comunica emoção, cobrindo todo o espectro da ira ardente e explosiva até a rejeição gélida. Mas a ira sempre envolve crenças, motivações, percepções e desejos. Além disso, a Bíblia descreve a ira em termos comportamentais ricos e gráficos. (p. 16)

Cada componente da definição de Robert Jones ajuda-nos a ser mais parecidos com Cristo.

Enraizado nas Escrituras
Ira: arrancando o mal pela raiz tem base bíblica animadora e é teologicamente perspicaz. Quando penso na ira justa, ou peço aos meus alunos no seminário para lembrarem de um exemplo bíblico de ira justa, o exemplo mais comumente citado é o de Jesus virando as mesas e limpando o templo (Mt 21.12, 13). Entretanto, como era se esperar, o Antigo Testamento contém vários exemplos da indignação de Deus contra o mal. Depois de citar os resultados de seu estudo da Palavra, Robert Jones afirma:

Quando acrescentamos o restante do vocabulário do Antigo e do Novo Testamento, descobrimos várias centenas de referências à ira de Deus na Bíblia. Num certo sentido, Deus é ao mesmo tempo o ser mais amoroso e o mais irado de nosso planeta. (p. 24)

Esta foi uma surpresa que me deixou perplexo. No entanto, a ira de Deus sempre flui de Sua justiça e retidão.

Sua ira é justa?
Os cristãos, citando Jesus como exemplo, costumam exclamar que sua ira é justa. Robert Jones dedica um capítulo inteiro para responder à pergunta “Sua ira é realmente justa?”.  Ele oferece três critérios para uma ira justa (p. 35 e 36):

A ira justa reage contra o pecado real.
A ira justa tem seu foco em Deus e Seu reino, Seus direitos e preocupações, não em mim, no meu reino, meus direitos e minhas preocupações.
A ira justa é acompanhada por outras qualidades piedosas e se expressa de maneiras piedosas.

Esses critérios bíblicos e práticos provaram-se úteis para mim na avaliação da minha própria ira, bem como ferramenta no meu ministério de aconselhamento. Robert Jones termina o segundo capítulo de seu livro examinando esses critérios em três exemplos na vida de Cristo, e também com os exemplos de Saul e Jonatas.

O coração da ira
O terceiro capítulo é um estudo minucioso de Tiago 4 sobre a verdadeira causa da ira: o coração.

Primeiro, a ira surge de desejos e prazeres entrincheirados que ‘guerreiam’ dentro de nós. (p. 59)

Desejo não é o problema; o problema é o que fazemos com o nosso desejo, especialmente nossos desejos não satisfeitos – eles podem produzir ira.

O problema com esses desejos é que eles nos dominam e controlam. Ao final, se não forem postos em cheque, produzem pecado e morte. […] Por fim, com base no versículo 3, a ira procede de motivações egoístas. Tiago adverte contra orarmos para desfrutarmos de ‘prazeres’ pessoais. O coração pecaminoso busca agradar-se a si mesmo mais do que agradar a Deus. (p. 59)

Nós pedimos a Deus o que queremos. Mas quando Ele não responde, nós nos iramos contra Ele. Este é o assunto do capítulo 7: A ira contra Deus. Isso reforça a definição de ira como sendo mais do que apenas uma emoção.

João e Júlia
Uma característica irresistível de Ira: arrancando o mal pela raiz é a história de João e Júlia entretecida ao longo de todo o livro.  Como pode-se esperar de um livro prático, cada capítulo traz vários exemplos de aplicação do conteúdo. Ao invéz de mudar os nomes em cada capítulo ou ilustração, Robert Jones usou sempre os personagens João e Júlia. Infelizmente, eu pude me ver no papel de João algumas vezes, talvez um pouco mais do que eu gostaria de admitir, mas foi algo irresistível e cativante.

Ajudando as pessoas a lidarem com a ira
Robert Jones dedica um capítulo especificamente ao tema de ajudar outras pessoas a lidarem com sua ira. Se você conhece alguém que tem um problema de ira, esse livro irá ajudá-lo a entender a ira biblicamente e, no capítulo 9, irá ajudá-lo a encorajar as mudanças com compaixão e coragem. Este capítulo contém excelentes conselhos sobre “como fazer” além de direcionar o leitor para mais recursos, tanto no Apêndice quanto em outras publicações. Robert Jones também lhe garante que vale a pena oferecer ajuda e até mesmo atribuir tarefas.

Não presuma que você não pode designar tarefas em aconselhamentos informais ou encontros de discipulado. Assim como emprestar o carrinho de mão a um vizinho, compartilhar uma ou duas ferramentas cristãs de crescimento com um amigo que confiou em você e mostrou interesse em Cristo irá, com certeza elevar o nível de sua amizade e mostrar a ele que você é um amigo verdadeiro que deseja ajudar. (p. 166)

Um conselho sábio.

A ocultação pecaminosa
Os capítulos 5 e 6 tratam do âmago da questão. Robert Jones lida inicialmente com as pessoas cuja ira manifesta-se costumeiramente de forma verbal. Provavelmente, isto é o que a maioria de nós pensa quando considera a ira – gritar, levantar a voz, insultar. No entanto, em seguida, ele se dirige também à “ocultação pecaminosa”.

Júlia era uma mulher irada, embora suas críticas raramente fossem verbalizadas. Ela aprendera a esconder habilmente sua ira. Ela se fechava e a internalizava. Embora no exterior fosse calma e controlada, ardia e fervia por dentro. (p. 111, 112)

Considerei esta colação muito perspicaz – eu nunca havia dado muita atenção a esse “estilo” de ira antes de ler Ira: arrancando o mal pela raiz. Como nos demais capítulos, ele oferece ao leitor ensino extraído de textos bíblicos e também passos práticos e estratégias para a mudança.

Reflexão posterior e aplicação à vida
Cada capítulo termina com uma seção “Para reflexão posterior e aplicação à vida”. Essas ideias, tarefas e perguntas desafiam e incentivam crescimento durante a leitura individual. Elas também podem ser excelentes para debates em grupos pequenos ou para o ministério do conselheiro.

Conclusão
Ira: arrancando o mal pela raiz é um livro que eu preciso ler novamente. Os passos práticos e estratégias de mudança apresentados em cada capítulo para cada tipo de ira valem o preço do livro. Para o conselheiro, seria útil ter esses passos reunidos em uma única folha de papel para facilitar a consulta. Eu recomendaria o mesmo a alguém que esteja lutando com algum tipo de ira:  copie os passos e coloque-os em algum formato de fácil acesso.

A definição de ira e os versículos bíblicos também são de grande valor, e algo que usarei. Ira: arrancando o mal pela raiz é um livro que você precisa ter e que todo crente precisa ler. Recomendo amplamente o livro.

FICHA TÉCNICA
Autor: Robert Jones
Título:  Ira: arrancando o mal pela raiz
Título original:  Uprooting anger: biblical help for a common problem
editora: Nutra
Páginas: 220
Data de publicação: 2010

Robert Jones é Doutor em Ministério pelo Westminster Theological Seminary; Mestre em Teologia pelo Trinity Evangelical Divinity School. É professor de aconselhamento bíblico no Southeastern Baptist Theological Seminary. É membro daACBC – Association of Certified Biblical Counselors. Também é conciliador cristão certificado e instrutor adjunto do Peacemaker Ministries. Conferencista experiente, foi preletor em conferências de aconselhamento nos Estados Unidos, na Espanha e no Brasil.

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Original da Resenha: Review: Uprooting-anger

Brecha em sua [nossa] santidade

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Poucos cristãos evidenciam o desejo de aprumar integralmente a sua vida com Deus. A maioria vai adiante sem dar importância a parecer-se com Cristo — das grandes escolhas aos pequenos detalhes do dia a dia, daquilo que entristece àquilo que diverte. Esta situação motivou Kevin DeYoung a escrever Brecha em Nossa Santidade.

Kevin DeYoung chama o cristão a compreender biblicamente e dar importância à santidade. Um dos capítulos do livro, cuja leitura recomendamos, tem por título “Os santos e a imoralidade sexual”. Embora o escopo do capítulo seja amplo, tratando de várias formas de imoralidade sexual, selecionamos aqui cinco citações que podem nos incentivar especialmente a uma avaliação daquilo que vemos e ouvimos nos meios de comunicação, e daquilo que postamos e curtimos na mídia social.

Existe uma brecha em sua santidade?  Aproveite a oportunidade, como diz o autor, para analisar a sua vida e enxergar que pode estar em descompasso com as Escrituras. O propósito é encorajar no caminho de Deus, de forma que você possa viver de acordo com sua Palavra.

Temo que nós – e existe um “eu” nesse “nós” – não temos olhos para enxergar o quanto o mundo já nos fez encaixar no seu molde. Se pudéssemos transportar cristãos de qualquer outro século que nos antecedeu para ver os países “cristãos” do Ocidente de hoje, penso que o que mais os surpreenderia (além de nossa fenomenal fartura) seria como os cristãos se portam como em casa quanto à impureza sexual. Ela não nos choca mais. Não nos deixa perturbados. Não ofende nossa consciência. Aliás, a menos que seja algo realmente ruim, a impureza sexual parece normal, apenas um estilo de vida e, frequentemente, simples entretenimento.

3 Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. 4 Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças. 5 Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6 Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. 7 Portanto, não participem com eles dessas coisas. 8 Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, 9 pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; 10 e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. 11 Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. 12 Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso.  Ef 5.3-12

De forma mais básica possível, vemos nesta passagem que imoralidade sexual é incompatível com vida de “reino” (v. 5). […] Mas repare que Paulo não para com o simples afirmar que não devemos praticar essas coisas. O padrão da Palavra de Deus é mais alto. Imoralidade sexual, impureza, cobiça (especialmente, neste contexto, o desejo insaciável pelo corpo de outra pessoa) não devem nem ser mencionadas entre vocês. A NVI usa a frase “nem sequer menção”. Há não muito tempo eu dirigia rumo ao meu trabalho, ouvindo um programa de entrevistas no rádio. O anfitrião do programa começou a dar as últimas “notícias” quanto a uma de nossas celebridades mais ordinárias. Enquanto ele ria acerca dessas revelações fresquinhas de depravação moral, encontrei-me curioso e enojado ao mesmo tempo. Graças a Deus, eu trabalhava neste capítulo naqueles dias, portanto o enojar triunfou e eu mudei de estação. “Nem sequer menção” não nos permite divertir com as coisas que são escandalosamente não dignas de menção. Da mesma maneira, o v. 4 fala contra obscenidade, conversas tolas, gracejos imorais, que são inconvenientes. Se formos honestos, é comum nos permitirmos estar expostos à imoralidade sexual e à tentação à impureza, e chamamos isso de divertimento “inocente”. 

Queridos irmãos e irmãs, precisamos ser mais vigilantes. Com nossos filhos, nossas famílias, com nossas contas de Facebook, com nossos textos, nosso tuitar, com nossos olhos e coração. Será que somos diferentes do que a cultura ao nosso redor? Será que não fizemos uma falsa paz conosco mesmos, por meio da qual dissemos “nós não faremos as coisas que vocês fazem nem seremos sensuais como vocês são, mas de bom grado assistiremos vocês fazendo essas coisas em nosso lugar”? O tipo de coisa que Paulo nem ousava mencionar, o tipo de coisas sobre as quais não ousava fazer piadas, os comportamentos vergonhosos demais para serem sequer citados – nós ouvimos isso tudo nos enlatados estrangeiros, seriados de TV, novelas e assistimos isso no telão do cinema. Sinto que muitos de nós ficamos entorpecidos ao veneno que estamos bebendo. Quando o assunto é imoralidade sexual, o pecado parece ser coisa normal e a justiça (em termos de valor espiritual) parece algo um tanto quanto alienígena, e acabamos nos parecendo com todos os demais à nossa volta.

Somos santos, assim declarados em Cristo, e tornando-nos gradativamente (mais) santos por seu Espírito. Imoralidade sexual não é apenas algo errado para nós. Ela não nos serve. É imprópria. […] Sei que é fácil ser excessivamente dogmático acerca de coisas que a Bíblia não trata diretamente, como filmes e música, namoro e forma de vestir. Precisamos permitir que bons cristãos tomem decisões diferenciadas para si mesmos. Não quero minimizar a realidade da liberdade cristã e da consciência. Mas se você está em Cristo, considere, por favor, se a sua consciência está funcionando tão bem quanto deveria.

A imoralidade sexual está por toda parte para vermos, e pouquíssimos de nós, com a mente de Cristo, estamos nos preocupando em fechar os olhos.

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DeYOUNG, Kevin. Brecha em nossa santidade. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. Capítulo 8.

Você pode conhecer mais a respeito do livro e ler um trecho disponibilizado pela Editora Fiel.

Assista também ao vídeo.

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Quem está dizendo que a medicina e a medicação são desprezíveis?

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Heath Lambert

Aconselhamento e medicação
Os conselheiros que se identificam com o aconselhamento bíblico têm uma reputação persistente como contrários ao uso de medicamentos psiquiátricos. Visto que a próxima conferência anual da Association of Certified Biblical Counselors (ACBC) tem como tema a doença mental, temos escrito vários artigos sobre medicação e doença mental ao longo do ano do ano de 2014.[1]  Cada vez que escrevo sobre aconselhamento e questões médicas, deixo claro que o cuidado físico com o corpo é importante, e que os conselheiros não devem atuar como médicos e levar as pessoas a parar de fazer uso dos medicamentos que lhes foram prescritos. Apesar desses esclarecimentos, as pessoas costumam acusar-me e acusar outros conselheiros bíblicos também, dizendo que somos contrários à medicina e à medicação.

Quem odeia a medicina e a medicação pode, por favor, levantar-se?
Esse quadro faz com eu me pergunte qual a origem dessa acusação. Quem está dizendo que a medicina e a medicação não são importantes? Alguém deve estar fazendo isso. Na verdade, alguém me disse durante uma conversa recente: “Bem, você pode não estar dizendo isso, mas outros conselheiros bíblicos estão”. Quando indaguei sobre a identidade desses outros conselheiros bíblicos nenhum nome foi mencionado.

Isso me fez pensar sobre os líderes no aconselhamento bíblico e suas declarações a respeito desse assunto. Acredito que qualquer avaliação objetiva do aconselhamento bíblico como movimento apontaria para quatro grandes líderes no desenvolvimento do nosso modelo de aconselhamento: Jay Adams e Wayne Mack, que tiveram um papel fundamental como iniciadores do atual movimento, e David Powlison e Ed Welch, que desenvolveram significativamente o movimento nos últimos anos. Cada pessoa que hoje abraça e pratica o aconselhamento bíblico aprendeu sobre o aconselhamento com pelo menos um desses quatro homens.

O que eu fiz, então, foi partir em busca de declarações sobre aconselhamento e questões médicas vindas do ensino desses quatro homens. Aqui está um breve e incrível resumo do que eu encontrei.

Jay Adams
Em Conselheiro capaz, o primeiro livro de Jay Adams sobre aconselhamento, ele apoiou claramente a presença da doença e a necessidade de médicos, incluindo psiquiatras, para o cuidado das pessoas que precisam de ajuda. Em What about nouthetic counseling?, um livro escrito alguns anos depois de Conselheiro Capaz, Adams disse o seguinte:

Está perfeitamente claro que […] as doenças podem afetar e de fato afetam o comportamento. Em tais casos, devemos buscar e recomendar a ajuda médica, e nos manter em oração.

Wayne Mack
Em Counseling: how to counsel biblically, Wayne Mack diz o seguinte sobre o aconselhamento e as questões médicas:

Às vezes, a doença pode ser causada pelo pecado pessoal (Sl 32. 3, 4; 38. 3; Pv 14.30; 1Co 11.30). No entanto, a doença que não é causada pelo pecado pessoal também pode ser um fator importante nas lutas e tentações que os nossos aconselhados enfrentam. Por exemplo, doenças como viroses, hepatite, mononucleose, diabetes e hipotireoidismo estão associadas à depressão. Em muitos casos, quando os cristãos são afetados por uma dessas condições clínicas, os sintomas de depressão pode ser simplesmente uma consequência do cansaço e desconforto causado pela doença. Não devemos, portanto, presumir que todos os casos de depressão sejam resultado direto do pecado pessoal. A depressão poderia ser aliviada ou eliminada com um simples diagnóstico e tratamento correto de um problema clínico.

Ele prossegue e acrescenta:

Não é o nosso papel como conselheiros bíblicos prescrever medicamentos nem retirar os medicamentos que foram receitados aos aconselhados.

Ed Welch
O livro de Ed Welch Blame it on the brain é um esforço maravilhoso de reafirmar o ensino bíblico de que os seres humanos são constituídos por corpo e alma. Ele desenvolve, de capítulo em capítulo, uma análise cuidadosa que enfatiza a importância do corpo, a importância da alma e a importância de cuidar de cada um deles. A questão central do livro é ajudar os cristãos a perceberem a diferença entre as questões espirituais, os problemas físicos e a combinação de ambos, para que possam ajudar as pessoas de forma mais efetiva.

Ed Welch diz:

Visto que tratamos os problemas físicos e os problemas espirituais de maneiras diferentes, precisamos saber distinguir entre eles. Nós nos dirigimos dos problemas físicos com compreensão, compaixão e ensino criativo. Também nos dirigimos aos problemas espirituais com compreensão, compaixão e ensino criativo, mas o conteúdo do ensino é a lei de Deus e o Evangelho de Jesus, e a resposta é o arrependimento e a fé, em vez de compreensão intelectual ou uma simples mudança de comportamento.

Ao longo de seu livro, Ed Welch admite e incentiva o cuidado médico para os problemas médicos.

David Powlison
David Powlison é autor do documento Afirmações e negações, que muitos têm usado como um padrão de declaração de fé e prática no aconselhamento bíblico. Powlison diz nesse documento:

Afirmamos que a graça comum e providencial de Deus traz muitas bênçãos – bênçãos tanto individuais como sociais: por exemplo, tratamentos médicos, recursos econômicos, justiça, proteção aos fracos, oportunidades educacionais.[2]

“Onde está a essência da questão?”[3]
Mais uma vez, este é apenas um pequeno levantamento. Cada um desses homens disse muito mais sobre a importância dos cuidados médicos para os problemas médicos. E além desses, outros conselheiros bíblicos disseram muito mais.

Minha ênfase é que mesmo uma leitura superficial dos escritos dos líderes no aconselhamento bíblico indica que eles têm articulado cuidadosamente sua crença na importância do corpo e do tratamento médico. Não consigo encontrar nenhuma indicação de que a liderança intelectual do aconselhamento bíblico como movimento tenha dado alguma voz à prática perigosa de ignorar as doenças orgânicas ou incentivar a rejeição dos cuidados médicos.

Se isso é verdadeiro, então como é que o aconselhamento bíblico ganhou essa reputação?
Acredito que existem quatro respostas para essa pergunta.

1. Contaram-me que alguns conselheiros dizem de fato aos seus aconselhados que parem de tomar a medicação.
Uso a expressão “contaram-me” porque eu realmente não conheço ninguém que tenha dito a um aconselhado que ele deveria parar de tomar os medicamentos prescritos. Acredito naquilo que algumas pessoas me contam, mas não consegui constatar isso de primeira mão.

Os conselheiros que praticam tal comportamento não devem fazê-lo. Na verdade, os conselheiros certificados pela ACBC não estão autorizados a fazê-lo. Simplesmente não é o papel de um conselheiro atuar como médico.

Se um conselheiro lhe disse que você deve parar de tomar seus medicamentos, ou se você conhece alguém a quem isso tenha sido dito, eu tenho uma mensagem para você: este conselho é errado, e não tem a aprovação do movimento de aconselhamento bíblico do qual a ACBC tem feito parte ao longo de décadas.

2. Muitos aconselhados não gostam de tomar os medicamentos psiquiátricos.
Em meu ministério de aconselhamento, nunca sugeri a um aconselhado que ele parasse de tomar os medicamentos prescritos por um médico. Raramente levanto com os aconselhados a questão da medicação. Meus aconselhados, porém, levantam muito essa questão. Na verdade, dos aconselhados que já tive, foram poucos aqueles que estavam tomando medicamentos psiquiátricos e que não levantaram esse assunto. Muitos dos meus aconselhados expressam um forte desagrado com esses medicamentos.

Às vezes, os aconselhados têm razões muito boas para não gostar da medicação. Eles podem não ver melhora nenhuma em sua condição depois de tomar os medicamentos por algum tempo, ou podem sofrer efeitos colaterais aborrecedores como, por exemplo, náuseas, perda do sono, letargia, impotência e assim por diante. Se eu estivesse enfrentando uma situação parecida, eu também estaria preocupado com meus medicamentos.

Outras vezes, os aconselhados têm razões que não são boas para não gostar da medicação. Por exemplo, algumas pessoas acham que se elas fossem santas o suficiente não precisariam de medicamentos. No caso desses aconselhados, é preciso ajudá-los a entender que o compromisso bíblico com o bem-estar do corpo aprova o tratamento médico. Quando as pessoas vão ao médico e tomam os medicamentos que ele prescreve, elas honram o seu corpo e o Deus que as criou.

A questão que quero destacar aqui é que já tive muitos aconselhados que deixaram de tomar seus medicamentos por conta própria, independentemente de seu raciocínio estar certo ou errado. Em meu ministério, eu de fato não tenho ideia de quantas pessoas têm feito isso, mas tenho recebido frequentemente em meu escritório aconselhados que me dizem que pararam por conta própria de tomar seus medicamentos.

Eu não quero que eles façam isso. Digo-lhes para não fazer isso. Quando eles me dizem que já o fizeram, encorajo-os a consultar o seu médico. Não posso, no entanto, obrigá-los a manter o uso dos medicamentos. Sei de outros conselheiros que passaram por situações semelhantes.

“Culpa gerada por medicação” é uma realidade no aconselhamento, mas no aconselhamento que eu e meus colegas conselheiros bíblicos praticamos sei que ela não é induzida pelo conselheiro.

3. Os conselheiros bíblicos praticam o aconselhamento, não a medicina.
Certa tarde, eu estava ensinando sobre como aconselhar as pessoas com problemas complexos. Eu estava apresentando uma abordagem geral de ajuda quando uma mão se levantou. A pergunta veio de uma aluna frustrada. Ela me perguntou por que eu passei tão pouco tempo falando sobre as intervenções clínicas. Ela disse: “A primeira coisa que você disse foi que ‘devemos encaminhar para um médico os aconselhados que apresentam tais problemas, pois eles precisam receber uma avaliação médica completa e tratamento para os problemas orgânicos que eles têm’. Dali em diante, você não mencionou mais nada sobre isso. Por que não investir mais tempo falando sobre o tratamento médico?”.

Essa é uma boa pergunta. Acredito que muitos tenham indagações a esse mesmo respeito. Os conselheiros bíblicos gastam energia para dizer às pessoas que o seu corpo é importante e que elas devem tomar os medicamentos que lhes foram prescritos, mas normalmente não investem muito tempo nos problemas físicos. Por que isso? Minha resposta àquela aluna foi simples. Eu não invisto mais tempo falando sobre as questões médicas porque eu não sou um médico. Acredito que a melhor forma de honrar a necessidade do nosso corpo de receber cuidado físico seja deixando esses assuntos para aqueles que estão preparados para lidar com eles. Se eu fosse um estudante de medicina na Universidade de Yale, e meu professor de anatomia e fisiologia começasse a falar sobre aconselhamento, eu diria que ele estava saindo de sua área. Eu desejaria que ele cobrisse o tema da aula em lugar de falar sobre outro assunto.

Quando os conselheiros bíblicos evitam discorrer detalhadamente sobre as questões médicas, eles não estão ignorando a importância do corpo, mas cumprindo o seu chamado. Se Deus tivesse me chamado para ser médico, eu estaria fazendo um trabalho muito diferente daquele que faço hoje. Eu cumpro o chamado de Deus para mim quando falo sobre aconselhamento. Deixo que as pessoas com conhecimentos médicos discutam as questões clínicas.

4. Vivemos em uma cultura que “medicaliza” todos os problemas.
Vivemos notadamente em uma época que vê grandes avanços na medicina. Eu não gostaria de ter vivido nos Estados Unidos há 125 anos. Eu também não gostaria de precisar fazer uma cirurgia em outras partes do mundo onde a medicina ainda está menos desenvolvida. Sei que sou abençoado por viver neste lugar do planeta e em um período da história em que acontece um maravilhoso avanço tecnológico. Um dos inconvenientes de tal bênção, porém, é que muitas pessoas em nossa cultura presumem que todos os problemas intensos sejam um problema médico. A ansiedade e a ira não são mais pecados; elas são doenças que requerem tratamento médico. A tristeza nunca tem um correlato espiritual – ela é sempre “clínica” e requer medicamentos.

Como cristãos, devemos rejeitar tal argumentação. E a razão desta rejeição é o fato de que nós acreditamos na Bíblia, que nos diz que os seres humanos têm um corpo e uma alma. Isso significa que enfrentamos problemas que são físicos e exigem soluções médicas, e problemas que são espirituais e exigem soluções baseadas na fé. Também enfrentamos muitos problemas complexos, que são uma combinação de ambos.

Ao abraçar esta verdade bíblica, conhecida como dicotomia, os cristãos podem parecer excêntricos. As pessoas pensam que desvalorizamos o corpo simplesmente porque acreditamos que as pessoas podem ter outros problemas – e problemas maiores! – do que os problemas meramente físicos.  Aqui está o que David Powlison escreveu a esse respeito:

Quando dizemos “Nós podemos aconselhar pessoas iradas e ansiosas para que se arrependam e aprendam a viver em fé e amor”, parece que estamos dizendo algo do gênero “Expulse o demônio do câncer” ou “E só crer em Jesus e você pode jogar fora seus óculos”. Quando a ira e a ansiedade passaram a ser vistas como doenças do corpo, tratáveis pela medicina, nós parecemos pessoas excêntricas que espiritualizam a vida, e isso até mesmo aos olhos daqueles que estão nos bancos das igrejas ou em outros púlpitos. Temos muito trabalho a fazer para proteger e edificar o corpo de Cristo.[4]

Powlison está certo em dois aspectos. Ele está certo em dizer que a mensagem cristã soa estranha em nossos dias. Ele também está certo em dizer que temos trabalho a fazer para proteger e edificar o corpo de Cristo.

Cuidado integral
Se os conselheiros bíblicos são acusados de serem contrários à medicina simplesmente porque não acreditam que todos os problemas sejam clínicos, então isso justifica a necessidade que temos de continuar a escrever, ensinar, pregar e aconselhar. Nossa persistência não deve ser fruto de um mero desejo de provar que estamos certos. Nossa persistência deve vir do desejo de ajudar. As pessoas que têm problemas espirituais não mudarão enquanto continuarem a tomar medicamentos como cura. Elas só mudarão quando se aproximarem de Jesus com arrependimento e fé.

Se você considerar essa realidade, será fácil ver que não são os conselheiros bíblicos que procuram impedir que as pessoas recebam toda a ajuda de que necessitam, seja pela medicina ou de outra forma. Pelo contrário, queremos ter certeza de que as pessoas estejam recebendo um cuidado integral, que trata tanto as suas necessidades físicas quanto as espirituais.

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[1] NdT. Conexão Conselho Bíblico já traduziu um outro artigo de Heath Lambert sobre o assunto: Reflexões cristãs sobre a doença mental.
Outras duas séries de artigos sobre o mesmo assunto podem ser lidas em inglês no blog da ACBC:

Can Jesus heal mental illness?
Part 1: The nature of mental illness
Part 2: Mental illness and the healing of Jesus
Part 3: The importance of the body
Part 4: Mental illness, spiritual issues, and suffering

The spiritual nature of mental illness
Part 1: The Gospel and mental illness
Part 2: Why do we ignore the spiritual nature of mental illness?
Part 3: Who is normal, who is not, and a biblical orientation of what ails troubled people
Part 4: What psychiatrists don’t know about hard problems

[2] NdT. Este documento está publicado em português no volume 4 das Coletâneas de Aconselhamento Bíblico (Atibaia, SP: SBPV) e também está disponível on-line em português no site Reforma 21, com tradução por Rafael Bello.

[3] NdT. No original, “Where’s the beef” é uma expressão usada nos Estados Unidos e no Canadá, que surgiu como um slogan para a cadeia de fast food Wendy . Desde então, tornou-se uma frase usada para todos os fins, questionando a consistência de uma ideia, evento ou produto. Fonte: Wikipedia

[4] NdT. Você pode ler o artigo completo Biopsiquiatria no volume 2 das Coletâneas de Aconselhamento Bíblico (Atibaia, SP: SBPV).

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Originais:
Who is saying medicine is unimportant? Part 1
Who is saying medicine is unimportant? Part 2
Fonte: Biblical Counseling Coalition e ACBC

Heath Lambert é diretor executivo da ACBC e professor adjunto de Aconselhamento Bíblico no Southern Seminary e no Boyce College. É autor de Finally free.

13 princípios sábios para quando seu namoro terminar

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Como romper um relacionamento para a glória de Deus
Deepak Reju

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1Coríntios 10.31

Se eu ganhasse um centavo cada vez que alguém senta em meu sofá, em prantos por causa do rompimento recente de um relacionamento, acho que eu seria um homem rico. Sou pastor de uma igreja que reúne muitos jovens – a idade média dos membros é de 28 anos. Via de regra, se você juntar vários homens e mulheres solteiros no mesmo ambiente, é natural que eles passem tempo juntos e, eventualmente, eles se casem. Conversas sobre “com quem eu deveria namorar?” ou “com quem eu devo me casar?” são parte corriqueira do meu ministério.[1]

Nem todos os relacionamentos terminam em casamento. E os cristãos, infelizmente, podem se parecer muito com os incrédulos quando se trata de terminar um relacionamento. Eles podem ignorar um ao outro, espalhar fofocas sobre o “ex”, sentir uma falta intensa demais, lutar com amargura na superação da dor da perda, render-se às contínuas espiadelas na sua página do Facebook ou Instagram para saciar a curiosidade – será que ele já superou nosso rompimento? Será que ela ainda está sofrendo tanto quanto eu?

Se o evangelho faz uma diferença real em nossa vida, isso deveria ficar claro nos piores momentos.  Mas se o namoro do cristão não é diferente do namoro de um incrédulo, então nossa fé mostra-se relativamente inútil.

O que significa terminar um relacionamento para a glória de Deus? Estou falando sério. Como terminar um relacionamento de maneira que honre a Deus e honre a outra pessoa, especialmente quando consideramos que essa pessoa é um irmão ou irmã em Cristo?

Treze princípios para lembrar

1. Lembre-se de que vivemos em um mundo caído.
Não existe um namoro sem risco. Provérbios 13.12 lembra que “a esperança que se retarda deixa o coração doente, mas o anseio satisfeito é árvore de vida.”. Muitas vezes, quando acontece um rompimento no relacionamento, pelo menos um dos dois ainda alimentava a esperança de trabalhar o relacionamento, mas o seu anseio fica insatisfeito. Embora gostaríamos que não fosse dessa forma, precisamos ter expectativas realistas e, acima de tudo, colocar nossa esperança não na pessoa com quem estamos namorando, mas em Deus que nunca falha.

2. Seja seu “sim”, “sim” e seu “não”, “não”.[2]
Não use de rodeios. Se você sabe que deve terminar o namoro, é melhor arrancar o band-aid, e ir direto ao ponto.  Isso não significa que você deve ser cruel. Nós ainda somos chamados para falar a verdade em amor (Ef 4.15) e falar apenas palavras que edifiquem e sejam oportunas (Ef 4.29).

3. Fale pessoalmente, não por e-mail, Twitter, Facebook ou telefone.
Essa é uma maneira simples de honrar o outro e de proporcionar espaço para perguntas e esclarecimentos.

4. Não faça do rompimento uma conversa de mão única.
Muitas vezes, a pessoa que está terminando o relacionamento investiu bastante tempo para pensar no assunto e chegar às suas conclusões, mas então despeja tudo sobre a outra pessoa e vai embora. Não faça isso. Há momentos em que é útil deixar espaço para uma outra conversa, dando “um tempo”, se você quiser chamar assim, uma oportunidade de ouvir e processar um pouco mais. Pode haver dúvidas ou aspectos para discutir depois. Alguns preferem pensar sozinhos, outros não.

5. Seja bondoso e amável em sua forma de agir.
A pior coisa a se fazer é atirar pedras e lançar a culpa na outra pessoa, fazendo com que ela se sinta não apenas triste pelo relacionamento perdido, mas também culpada, como se ela fosse a responsável. Mesmo no momento do rompimento, você precisa ser atencioso, gentil e amoroso para com a outra pessoa (Efésios 4.1-3; Colossenses 4.6; Tito 3.2). Afinal de contas, você está lidando com um filho de Deus, amado por Deus e, então, o que lhe dá o direito de tratá-lo diferentemente de como Deus o trata? Se você não está seguro de como agir, procure um crente mais maduro e peça-lhe ajuda.

6. Não use como um trunfo o conselho do pastor, de um amigo, dos pais ou de um conselheiro.
“Eu falei com fulano sobre isso, e ele acha que nós devemos terminar.”  É tentador fazer isso ao invés de assumir a própria responsabilidade. Quando se trata de decidir com quem vamos ou não casar, precisamos nos aconselhar, mas ainda lembrar que, em última instância, essa é uma decisão que cada pessoa deve tomar. Se você concorda com os conselhos recebidos, aproprie-se deles

7. Lute contra a amargura
Quando a nossa esperança quanto a um relacionamento se despedaça, existe a tentação de remoer os detalhes mais e mais em nossa mente até apodrecerem. O que podemos fazer para lutar contra a amargura? Considere os pontos 8, 9 e 10.

8. Presuma o melhor quanto à motivação da outra pessoa.
1 Coríntios 13.7 lembra-nos que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Nós não podemos perscrutar os corações, julgar as motivações e concluir que estas estão sendo maliciosas.  Presuma o melhor.

9. Pregue a verdade para si mesmo.[3]
Por exemplo, quando você estiver lutando contra a tentação de cultivar a amargura, abandone-a porque Deus é reto e justo – nós não precisamos tomar a vingança em nossas mãos. Paulo escreveu em Romanos 12.19, 21: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. […] Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”. Nós podemos perdoar quando lembramos como Deus nos perdoou em Cristo, conforme lemos em Efésios 4.32: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo”.

10. Encontre sua identidade em Cristo, não no relacionamento perdido.
“Apesar disso, esta certeza eu tenho: viverei até ver a bondade do Senhor na terra. Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor” (Salmo 27.13, 14). Precisamos lembrar que assim como nossa identidade está baseada em Cristo durante o relacionamento de namoro (nós não somos definidos com base nesse relacionamento nem por termos feito ou recebido um pedido de namoro), o mesmo acontece  na hora do rompimento. O relacionamento rompido não define quem você é agora. A maioria das pessoas na igreja não está pensando sobre esse rompimento o quanto como você está.  Então, quando as pessoas lhe perguntarem como vai sua vida, sinta-se à vontade para compartilhar sobre outras coisas que estejam acontecendo, pois é bem provável que você tenha muitos assuntos sobre os quais falar. Considere ter todo cuidado, e até mesmo falar somente com um casal de amigos próximos sobre os detalhes de como você está processando ou lutando com a questão, tendo em vista proteger e edificar os outros em suas conversas.

11. Lembre-se de nossa responsabilidade de fazer o bem a todos os cristãos, mesmo ao seu ex-namorado ou ex-namorada.
É normal (e às vezes é necessário) que o relacionamento entre vocês não volte a ser exatamente como era antes do namoro. É correto manter certa distância ou colocar limites para proteger seu coração – dê tempo ao tempo.  Por outro lado, você tem a responsabilidade de fazer o bem a essa pessoa como irmão ou irmã em Cristo. Paulo escreveu em Colossenses 3.13: “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou”. Isso inclui um ex-namorado, ou ex-namorada, especialmente se essa pessoa quebrou seu coração.

12. Não presuma que depois do rompimento você deva procurar outra igreja.
É possível você e a pessoa que você namorou permanecerem na mesma igreja. Muitos presumem que devem sair da igreja devido ao desconforto inicial. É mais fácil fugir e evitar a situação do que cumprir a difícil tarefa de viver “em paz” uns com os outros para finalmente, às vezes anos mais tarde, voltarem a ser amigos. Não é errado ir para outra igreja, mas não queremos presumir que esta seja a única saída que você pode encontrar depois de terminar o namoro.

13. Lembre-se de que, independentemente de quão dolorosa seja a separação, Deus está usando essa experiência difícil para a sua santificação.
Paulo disse em Romanos 8.28: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito”. Seu rompimento está incluído nesta frase: “todas as coisas”. Se você é um crente em Cristo, Deus está usando essa experiência para o seu bem. Por mais duro que possa ser, Ele está trabalhando para que você seja mais parecido com Seu Filho. Você pode não querer isso agora.  Em meio à dor e à tristeza por causa do relacionamento desfeito, o que você mais desejaria é ter seu ex-namorado ou namorada de volta. Ou talvez você queira só ficar se revolvendo em sua mágoa e tristeza. Busque conforto no fato de que Deus quer usar essa situação para refinar sua vida; Ele quer usar as “diversas provações” (Tiago 1.2) para ajudá-lo a se tornar mais parecido com Cristo .

[1] O primeiro rascunho deste artigo foi preparado por Zach Schlegel, que redigiu as ideias que compartilhamos em uma classe à qual ministramos juntos sobre namoro. Fiz uma revisão e alguns acréscimos à versão original.
[2] Mateus 5.37 diz: “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno”.
[3] Exemplos de pregar a verdade a si mesmo podem ser Salmo 42.5 e Salmo 62.5.

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Original:  13 wisdom principles when ending a dating relationship: how to break up to the glory of God
Fonte: The Biblical Counseling Coalition

Tradução: Cláudia Sacchetto / Revisão: Maria Cecilia Alfano

Reflexões cristãs sobre a doença mental

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Heath Lambert

No mundo inteiro, milhões de pessoas lutam com a dor de um diagnóstico de doença mental. Sou um conselheiro bíblico e tenho caminhado com muitas pessoas na jornada árdua e escura em busca de respostas para esses problemas. Da distimia ao transtorno do pânico, existem na experiência humana poucas dificuldades que provocam tanta dor e isolamento, e são tão complexas quanto aquelas que a nossa cultura chama de doença mental.

Junto como muitos outros, tenho buscado dedicar minha vida para ajudar pessoas a superar a dor desse diagnóstico.  Há muitos desafios envolvidos nesse processo. Um deles é que quando usamos o termo “doença mental” poucos realmente compreendem sobre o que estamos falando.

A maioria dos cristãos simplesmente não têm um entendimento claro da natureza da doença mental. Entre os cristãos, acredito que a maioria use esse termo para falar de problemas difíceis e complicados, que produzem efeitos debilitantes significativos. Quando se defrontam com tais problemas, eles os percebem como tão intensos e perturbadores que acreditam que a situação requeira essencialmente algum tipo de medicação para corrigir uma condição física.

Os cristãos estão certos em querer providenciar toda a ajuda possível para esse tipo de problema. No entanto, se quisermos realmente ajudar, é importante saber sobre o que estamos falando quando usamos o termo doença mental.

O que é doença mental?
Definir a doença mental é algo difícil. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), catálogo de doenças mentais criado pela American Psychiatric Association (APA), muda regularmente a definição de doença mental. Essas mudanças de definição têm por propósito manter o DSM atualizado de acordo com a mudança de opiniões no campo da psicologia e psiquiatria a respeito da doença mental. Muitas vezes, porém, as definições da APA discordam das definições dadas por outras entidades como a  The National Alliance of Mental Illness. Em artigo escrito para a revista Psychology Today, o psicólogo Eric Maisel aponta para o fracasso de seus colegas na tarefa de definir a doença mental como uma prova de que o fenômeno nem sequer existe.

Todos sabem que as pessoas que recebem um diagnóstico de doença mental têm problemas reais.  A questão diz respeito à natureza do problema. O DSM foi publicado pela primeira vez em 1952 para criar um sistema de linguagem para novos tipos de problemas. Os profissionais tiveram a boa intenção de criar categorias para problemas sérios, que sobrecarregavam as pessoas afetadas, mas para os quais eles não conseguiam encontrar evidências de patologia.

Patologia é aquilo que os médicos procuram quando diagnosticam uma doença. É uma anomalia física que se constitui na causa da doença. Por exemplo, as pessoas recebem o diagnóstico de cancer quando elas têm uma massa de células no corpo que se divide e se multiplica em ritmo rápido e incontrolável. Os cientistas conhecem essa patologia devido a repetidos testes e observações que comparam o crescimento celular normal ao crescimento celular anômalo. Os médicos solicitam análises clínicas que determinam resultados objetivos com relação a um padrão claro. Eles dão um diagnóstico clínico de doenças por meio de exames que demonstram evidências concretas de patologia.

A maioria das pessoas presume, erradamente, que as doenças mentais do DSM sejam caracterizadas por este mesmo nível de precisão clínica. Elas não são. Infelizmente, não existem exames clínicos para determinar a existência da maioria dos transtornos que constam no DSM.

Em geral, os transtornos listados no DSM têm várias características que os distinguem das doenças tratadas nos demais ramos da medicina. A seguir, listo três delas.

  1. Não uma patologia, mas votos de uma comissão.

Ao contrário das doenças de outros ramos da medicina, as doenças do DSM são criadas por votos de uma comissão. Uma razão pela qual existem diferentes versões de DSM é porque diferentes comissões votaram para adicionar, subtrair e modificar os vários transtornos. Há muitos exemplos dessa prática na história do DSM.  Um exemplo flagrante é a homossexualidade.

Nas primeiras edições do DSM, a homossexualidade estava classificada como transtorno mental. Em 1974, a APA removeu a homossexualidade do DSM-II. A homossexualidade foi declarada normal pelo voto de uma comissão de 15 membros. Esta comissão não estava respondendo a qualquer informação científica nova, mas às pressões políticas dos ativistas dos direitos gays.

Nem todos os transtornos classificados no DSM são tão politicamente voláteis como a homossexualidade, mas todos são caracterizados pelo fato de que são criados, removidos e modificados pelos votos de uma comissão.  Esta prática de votações é completamente diferente da prática da ciência médica por trás de doenças como o câncer, o diabetes e o mal de Alzheimer.

  1. Não uma patologia, mas descrições subjetivas de comportamentos.

A ciência médica objetiva diagnostica as doenças por meio de biópsias, exames de sangue, radiografias e outros exames que descobrem a patologia. A psicologia e a psiquiatria diagnosticam as doenças mentais de forma diferente. A mesma comissão que vota quais problemas são normais e quais não são, elege os comportamentos descritivos que determinam a doença. A depressão é apenas um entre tantos exemplos.

A comissão elaboradora do DSM-IV concordou em considerar as pessoas mentalmente doentes, atribuindo-lhes o diagnóstico de transtorno depressivo maior, se elas tiveram um humor deprimido por duas semanas e manifestaram cinco de nove critérios que incluem alterações no ritmo de sono, no interesse nas atividades e sensação de culpa. A comissão do DSM-V votou por mudanças significativas nesses critérios de forma que, atualmente, uma mulher em luto pela morte do marido pode receber esse diagnóstico.

As pessoas que atendem a esses critérios do DSM têm um problema para o qual necessitam de ajuda, e os cristãos devem estar desejoso de ajudá-las. No entanto, fazer um diagnóstico médico a partir de uma lista mutável de descrições de comportamentos subjetivos não é típico da prática médica, que investiga a patologia.

  1. Não uma patologia, mas comportamentos morais.

Muitos dos comportamentos que o DSM descreve são categorias morais que Deus descreve.  Mencionei anteriormente a homossexualidade. Mas considere agora o Transtorno de Identidade de Gênero (TIG), descrito no DSM-IV como um transtorno mental. O TIG substituiu o transexualismo.[1] A DSM o definia como uma forte identificação com o gênero oposto e um desconforto persistente com o próprio sexo. As pessoas eram assim diagnosticadas por desejarem viver como membros do sexo oposto e usarem frequentemente roupas e maneirismos associados ao outro gênero. Os profissionais recomendavam diferentes tipos de tratamentos para o TIG, desde o aconselhamento para lidar com a dor de ter nascido com o sexo “errado” até a cirurgia de mudança de sexo.

É uma característica do DSM transformar em problemas clínicos os problemas morais – da disforia do gênero à ansiedade – que são tratados por Deus em Sua Palavra.

O que isso significa e o que não significa
Nenhuma dessas considerações diminui o sofrimento significativo presente na vida das pessoas diagnosticadas com doença mental. As pessoas que lutam com esses problemas precisam de ajuda complexa e multifacetada. Frequentemente, são pessoas que têm alguma patologia física para a qual necessitam de uma intervenção médica.

Esse entendimento leva-nos, porém, à necessidade de admitir que esses problemas são tipicamente diferentes de meros problemas clínicos. Se quisermos ajudar as pessoas com doença mental, é preciso ter um entendimento correto daquilo de que estamos falando.  Quando concluímos que as doenças mentais são equivalentes a algo como um linfoma não-Hodgkin em seu grau de patologia, nós estamos indo além até mesmo daquilo que entendem os profissionais seculares que escreveram o DSM.

Antropologia bíblica
Como cristãos, cremos que o ser humano possui corpo e alma. Isso é algo que a Bíblia ensina clara e repetidamente (Gn 2.7; Mt 10.28; 2Co 5.1; 1Tm 4.8).  A Bíblia ratifica tanto os problemas físicos quanto os espirituais, pois Deus criou o ser humano de forma que ele vivencia essas duas realidades.

Esse ensinamento bíblico, chamado de dicotomia, significa que biblicamente é tão correto tomar Paracetamol para uma dor de cabeça quanto lutar para depender de Deus nos momentos de dificuldade financeira. O ensino bíblico sobre dicotomia é também uma advertência para os cristãos. Visto que o ser humano possui corpo e alma, é pecado e ignorância reduzir todos os problemas a apenas problemas espirituais. O inverso também é verdadeiro: é errado reduzir todos os problemas a apenas problemas de natureza física.

Conforme já mencionei, acredito que os cristãos olhem para os problemas representados pelos termos de diagnóstico das doenças mentais e pensem que eles são tão intensos em sua natureza que devem ser problemas essencialmente físicos. Um entendimento bíblico do ser humano e da importância da alma demonstra que os problemas não precisam ser clínicos para serem intensos. A tristeza esmagadora de Jó, os ímpetos assassinos de Saul, o comportamento perturbado de Nabucodonozor e os delírios dos endemoninhados no Novo Testamento são todos exemplos de problemas espirituais intensos para os quais a intervenção médica nunca traria plena solução.  Os cristãos não devem presumir que todos os problemas graves sejam problemas essencialmente clínicos.

Nós gostamos de extremos. Nós nos sentimos confortáveis quando os problemas são todos da mesma espécie e nada mais que isso. O ensino bíblico sobre dicotomia mostra que os problemas podem ser fisicos, espirituais ou uma combinação de ambos. Cuidar de pessoas significa estar alerta para os problemas físicos que requerem tratamento médico e para os problemas espirituais que requerem Cristo e Sua Palavra. O entendimento de doença mental proposto pelo DSM não é tão útil para determinar a diferença entre esses campos como eu gostaria que fosse.

Minha oração é pelo avivamento de uma preocupação singularmente cristã para com as pessoas aflitas por aquilo que é comumente chamado de doença mental. Quando olham para as pessoas diagnosticadas com transtornos depressivos, transtorno de ansiedade, disforia de gênero, os cristãos não devem ver meros problemas clínicos. Questões médicas podem estar presentes, mas onde estão os cristãos prontos a fazer mais do que incentivar a medicação? Onde estão os cristãos prontos a suplicar para que aqueles que estão em grande luta com uma diversidade de problemas – da depressão à disforia de gênero – aproximem-se de Jesus Cristo, o Consolador da alma?

Quando olhamos para a “doença mental” e enxergamos apenas as categorias clínicas, deixamos de compreender devidamente esse termo e desonramos Jesus Cristo. Agindo desta forma, nós também privamos essas pessoas de receber a plena ajuda de que necessitam. Sim, as pessoas com problemas intensos muitas vezes precisam de medicação.  Mas mesmo quando a medicação é necessária, nenhum médico pode prescrever aquilo que só o Grande Médico pode oferecer.

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Original: Christian reflections on mental illnessThe Gospel Coalition

Heath Lambert é professor assistente de aconselhamento bíblico em Boyce College e The Southern Baptist Theological Seminary.

[1] NdT. No DSM-IV, a APA retirou dos seus diagnósticos os termos transexualismo e travestismo, e adotou o termo Transtornos da Identidade de Gênero (TIG), entendimo como menos discriminatório. No DSM-V, o TIG foi eliminado e aparece agora a Disforia de Gênero, isto é, a condição de inquietude de que sofre uma pessoa que não se identifica com o seu sexo de nascimento.

Filtros para os seus pensamentos

Fp 4-8_post

Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.
Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.
Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática. E o Deus da paz estará com vocês
. Fp 4.6-9

No livro Overcoming Fear, Worry and Anxiety, entre outras ilustrações práticas que ajudam a aplicar a Palavra de Deus no nosso dia a dia, Elyse Fitzpatrick usa o texto de Filipenses para compor um “filtro” para nossos pensamentos – um quadro que pode ser muito útil para uso no crescimento pessoal e também no discipulado e aconselhamento. Após enfatizar a importância da oração como nosso primeiro passo diante de um problema com potencial para nos encher de preocupação, ela passa ao segundo passo: aprender, pela graça de Deus, a controlar os pensamentos de acordo com o ensino de Paulo.

Verdadeiro – O que eu estou pensando é verdadeiro a respeito de Deus e, especialmente, do Seu cuidado paternal comigo?

Nobre – Meus pensamentos honram a Deus? Eles refletem o conhecimento de que Ele é maravilhoso, bondoso, amoroso, sábio e poderoso?

Correto – Meus pensamentos são santos, corretos, justos? Eles são o tipo de pensamento que o próprio Senhor teria?

Puro - Meus pensamentos colocam em dúvida a bondade de Deus ou a veracidade das Suas promessas? Eles elevam a minha importância ou a importância dos meus desejos acima de Deus?

Amável – Meus pensamentos fluem de um coração cheio de ternura e afeição pelo Senhor? Meus pensamentos agradam a Deus?

De boa fama – Meus pensamentos são recomendáveis? Eles estão fundamentados na fé em Deus?

Excelente – Meus pensamentos enchem-me de medo ou eles enchem meu coração de coragem e de um forte compromisso com uma vida notável?

Digno de louvor – O Senhor elogiaria meus pensamentos? Meus pensamentos glorificam a Deus?

(Quadro em formato PDF para você imprimir e ter sempre ao seu alcance)

Elyse conclui:

Finalmente, Paulo nos diz que devemos praticar com disciplina a oração, com ação de graças, e a avaliação diária dos nossos pensamentos. Para mim, este é o ponto crucial. Minha tendência é ser alguém que começa bem, mas que não é uma boa “praticante”. Praticar significa não desistir já na primeira (ou mesmo na segunda) tentativa. Terei de trabalhar com perseverança para controlar meus pensamentos de ansiedade, mas posso descansar por saber que Deus está trabalhando comigo.

Paulo encoraja-nos a trabalhar no controle dos pensamentos dando-nos uma promessa preciosa. Ele escreve: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (v. 7) e “E o Deus da paz estará com vocês” (v. 9).  Você se dispõe a perseverar para vivenciar a paz de Deus e a presença do Deus da paz? (p. 119)

E o que você tem feito para mudar?

morning coffee

Julie Ganschow

Um dos desafios do aconselhamento bíblico é ajudar o aconselhado a desenvolver um plano de ação para a mudança.  É muito comum uma aconselhada me dizer que ela tem “orado” e “decorado versículos”, ou que ela tem “tentado” fazer uma coisa ou outra com respeito a algum pecado específico que ela precisa vencer.

Embora a oração e a Palavra de Deus sejam fundamentais na renovação da mente para a mudança de comportamento, percebo que a maioria dos aconselhados contentam-se em parar nesse ponto como se orar, memorizar e “tentar mudar” fossem suficientes para obter uma mudança. Esse tipo de atitude faz as disciplinas espirituais parecerem com uma “varinha mágica” espiritual. Muitos aconselhados têm um conhecimento bíblico amplo e uma aplicação prática limitada.

Tem que haver um equilíbrio entre a vida de oração, leitura e estudo da Palavra de Deus, e o esforço para mudança. É claro que a oração é a comunicação com Deus e que algumas vezes, quando estamos trabalhando uma questão de pecado, é necessário suplicar e clamar a Deus para que Ele transforme o coração.  Humildemente, peça a Deus para lhe dar Sua perspectiva sobre o pecado em questão.  Implore Sua ajuda para ver o pecado como Ele vê, e peça que Ele lhe dê um “ódio santo” por aquele pecado.

As Escrituras são um instrumento para nos convencer do nosso pecado e do que é necessário mudar.  O Santo Espírito, agindo no coração através da Palavra de Deus, é quem nos convence do pecado. A Bíblia é o único padrão imutável para o cristão. “Assim diz o Senhor” é tão verdadeiro hoje quanto era há 6000 anos. Precisamos da Palavra de Deus para quebrantar nosso coração e nossa consciência, alertar-nos para a necessidade de mudança  e nos instruir em como mudar .

Deus nunca nos diz o que fazer sem nos dizer como fazer.  Ele nunca nos diz o que tem que ser mudado, sem nos dar uma atitude ou uma ação alternativa.  Memorizar passagens das Escrituras para lembrar em momentos de tentação e luta é realmente importante, mas não podemos parar por aí. Tenho  aconselhado pessoas que ficam chocadas quando descobrem que não é suficiente somente conhecer a Palavra de Deus.

Quando eu pergunto o que elas têm feito com todo o conhecimento acumulado, e os versículos decorados, a resposta que muitas vezes recebo é algo como: “Eu tento fazer o melhor” ou “Eu estou tentando, mas tenho um longo caminho pela frente” ou “Eu estou tentando, mas ninguém é perfeito”.  Muitas vezes, uma investigação mais a fundo de quais medidas práticas foram tomadas recebe como resposta um olhar vago e uma ou outra desculpa para a falta de ação.

O processo da transformação bíblica é mais do que “fazer tentativas” ou orar!  A oração é essencial, juntamente com a meditação na Palavra de Deus e a súplica pela ação do Santo Espírito em nossa vida. Mas a transformação não começa nem acaba aí. Esses são os passos básicos, e é necessário que nos esforcemos também!  A mudança bíblica requer que coloquemos em prática aquilo que aprendemos. Faça um plano de mudança, um plano de ação que inclua como você colocará em pratica os novos comportamentos aprendidos na Bíblia.

Seu plano de ação tem que ser concreto e específico e deve incluir tanto aqueles velhos pensamentos, crenças, desejos e ações dos quais você quer se despir, quanto aqueles de que você tenciona se revestir [cf. Ef 4.22-24]. Concreto é importante e específico também é importante porque se você não determinar de antemão um plano de ação para vencer a tentação pecaminosa, você não terá nada para colocar em prática quando esse momento chegar.

Desenvolva seu plano começando por aquela área na qual o pecado é mais frequente, aquela que mais necessita de mudança, algo que você sabe que é habitual. Com papel e caneta em mãos, descreva em detalhes o processo desse hábito pecaminoso: pense em onde frequentemente ele acontece, com quem você costuma estar, o que provoca esse pecado e o que, especificamente, você diz, faz ou pensa.

Relembre quando você incorreu nesse pecado pela última vez, trazendo à mente os detalhes que descrevem o processo. Tendo feito isso, escreva o que você vai pensar, dizer e fazer na próxima vez que estiver prestes a pecar.  E cada vez que você falhar, examine em que ponto você se desviou do plano traçado, e faça as mudanças necessárias.  Isso parece tão simples, mas eu não posso deixar de enfatizar o valor de ter um plano como esse e trabalhar de acordo com ele!

Isso exige perseverança e você pode ter certeza de que o Senhor lhe dará muitas oportunidades de praticar seu plano e obter vitória. Lembro-me do que Paulo diz em Romanos 5. 3-5: “E náo somente isso, mas também nos gloriaremos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência, e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”.

Original: But What Have You Done About It?Biblical Counseling for Women
Tradução: Cláudia Sacchetto.  Revisão: Maria Cecilia Alfano

Lou Priolo. O desejo de agradar outros

Priolo_desejo_resenhaNa apresentação de O desejo de agradar outros: livrando-se da armadilha da busca por aprovação, a Editora Nutra destaca o tema do livro: a adoração em forma de temor a homens. “Deus criou o homem como um ser adorador. Contudo, o homem corrompeu essa adoração devida a Deus. Em vez de adorar e temer a Deus o homem passou a adorar e temer aos ídolos. Isto porque o homem pode facilmente cruzar a linha da adoração devida a Deus e enveredar-se pela adoração a objetos, coisas, natureza, animais ou mesmo pessoas. Neste livro Lou Priolo se detém nesse último aspecto da corrupção da adoração, isto é, temer pessoas. Ele enfatiza que o temor aos homens tem muitas facetas e desenvolve de maneira habilidosa um vigoroso argumento para evidenciar que, porque corrompemos o temor e a adoração devidos exclusivamente a Deus, podemos sofrer com um temor que ilude, engana, distorce, subverte e paralisa – o temor aos homens.”

Estas são as palavras de Tim Challies ao fazer uma resenha do livro:

Você é um viciado em aprovação? Você é uma pessoa que depende fortemente da aprovação de outros em princípios, consciência ou moral? E como você pode identificar isso?  Essas são as questões que Lou Priolo aborda em seu livro O desejo de agradar outros.  É um livro que li há algum tempo e, por alguma razão, decidi não fazer uma resenha. No entanto, com o passar do tempo, tenho visto os frutos da leitura desse livro em meu caminhar com o Senhor. Tenho visto sombras de desejo de agradar às pessoas não apenas em minha vida, mas na vida de outros. Percebi que seria melhor eu compartilhar o livro com outros.

Priolo é diretor do Centro de Aconselhamento Bíblico da Igreja Presbiteriana Eastwood em Montgomery, Alabama, e tem atuado como conselheiro e instrutor por quase vinte anos. Em seu ministério, ele tem tido ampla oportunidade de perceber as ramificações da dependência exagerada de aprovação de outros. Ele tem observado as consequências negativas das tentativas de encontrar significado e propósito na aprovação de outras pessoas.  Sua experiência acrescenta valor a esse livro.

O livro está dividido em duas partes: Nosso problema e A solução de Deus.  Na primeira parte, Priolo assume a difícil, porém amável, tarefa de procurar convencer o leitor de pecado por meio do testemunho das Escrituras. Ele não ignora a dificuldade e responsabilidade que isso traz.

A ideia por trás da minha tentativa de convencê-lo do seu pecado pode parecer uma abordagem um tanto severa (se não antipática) ao encorajá-lo a mudar, mas na prática ela é uma abordagem muito amorosa. A verdade é que o que discutiremos neste livro não é uma doença (ou um distúrbio psicológico) para a qual não há cura; não é uma predisposição genética com a qual você, como cristão, será forçado a viver pelo resto de sua vida. Trata-se simplesmente de um pecado! Jesus Cristo veio para resolver a questão do nosso pecado. p. 12

E é aqui que o evangelho entra em cena e partimos para a segunda metade do livro. Depois de mostrar o que é “agradar outros”, Priolo permite que a Palavra de Deus mostre como podemos agradar a Deus ao invés de agradar a homens.

Como em todos os livros que buscam levar a pessoa à conformidade com os requisitos de Deus, corre-se o perigo de uma intromissão do legalismo na tentativa de uma mudança à parte da obra de Cristo e do poder do Espírito. Priolo evita isso cuidadosamente e adverte contra tal tendência.

Em algumas partes [do livro], a ênfase está sobre a justa exigência da lei; em outras, a graça de Deus é claramente o tema predominante. Em alguns lugares, a fé é ensinada não considerando as obras; em outras, a fé é ligada às obras da pessoa. Quando juntamos tudo, entendemos que somos salvos pela graça somente, mas não o tipo de fé que fica sozinha [sem as obras]. p. 14

E assim o autor conduz a discussão.  Como imagino acontecer com boa parte dos leitores, comecei a leitura praticamente convencido de que, apesar de interessante, o livro tinha pouco a oferecer-me. Mas eu estava errado.  Assim que comecei a ler as descrições de uma pessoa que depende muito da aprovação dos outros, e quando comecei a fazer um inventário em meu coração conforme os critérios apresentados, fui logo quebrantado e comecei a ver o quanto esse pecado existe em minha vida. E o melhor de tudo é que pude ver o quanto isso pode ser mudado pelo poder do Espírito em minha vida. Embora seja sempre mais fácil ver o pecado na vida de outras pessoas, esse livro prepara-me para ver o quanto as pessoas que conheço podem depender muito da aprovação de outros, e ele me mostra como posso me aproximar com cuidado para exortá-las sobre esse pecado.

Escrito de forma muito lógica, as soluções e argumentos bíblicos de Priolo são fáceis de seguir e fáceis de entender. Ele é claro no diagnóstico, claro na abordagem do problema e claro na solução.  Ele se baseia na Bíblia para apontar o caminho e simplesmente relata a verdade das Escrituras. Como seria de se esperar, com base na fonte do autor, o livro convence de pecado, mas também traz esperança.  Eu o recomendo com prazer, especialmente àqueles que estão certos de que esse livro não tem nada a lhes oferecer.

FICHA TÉCNICA
Autor: Lou Priolo
Título:  O desejo de agradar outros: livrando-se da armadilha da busca por aprovação
Título original:  Pleasing people: how not to be an “approval junkie”
editora: Nutra
Páginas: 312
Data de publicação: 2013

Lou Priolo graduou-se pelo Calvary Bible College e pela Liberty University. Autor de vários livros, conhecido conferencista, é atualmente diretor do Ministério de Aconselhamento Bíblico da Eastwood Presbyterian Church na cidade de Montgomery, Alabama, onde também serve como presbítero. Além de ser professor no Birmingham Theological Seminary em Birmingham, Alabama, é membro da ACBC – Association of Certified Biblical Counselors (ACBC) e um dos editores do Journal of Modern Ministry.

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Resenha por Tim Challies disponível em Discerning Reader
Tradução de Cláudia Sacchetto

Ajustando o foco de uma mente conturbada

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Julie Ganschow

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.  Filipenses 4.8

Aqueles que costumam passar pelo meu blog regularmente, sabem que acredito em como um coração transformado resulta em uma vida transformada.  A definição bíblica de “coração” compreende a vontade, a alma, a crenças, os desejos, a mente e seus pensamentos.

Filipenses 4.8 nos instrui a pensar ou meditar no que é verdadeiro.  Verdadeiro, é algo que é real e autêntico. É algo que se pode provar. Você costuma investir seu tempo pensando sobre coisas que são verdadeiras ou reais? Ou você se pega meditando em pensamentos como estes:

– Eu não fui realmente perdoado.

– Acho que não sou cristão.

– Deus não sabe o que está acontecendo.

– Deus não vê o que está acontecendo comigo.

– Deus não entende como eu me sinto.

– Deus não vai fazer algo por mim.

– Deus não cuida de mim.

As pessoas que lutam com ansiedade, medo, preocupação ou depressão, muitas vezes me dizem que elas têm pensamentos como estes.

A Palavra de Deus nos diz que Deus vê tudo o que acontece na terra: “O Senhor olha dos céus; vê todos os filhos dos homens” (Salmos 33.13).

Deus está familiarizado com nosso sofrimento e nossa miséria (Isaias 53.3). Ele não abandona Seus filhos (Hebreus 13.5a). Ele cuida (1Pedro 5.7) e Ele realmente nos entende (Hebreus 4.15).

Uma maneira de combater os pensamentos errados é encontrar na Palavra de Deus versículos que vão de encontro a esses pensamentos equivocados e pecaminosos, e aos sentimentos que você tem em decorrência deles. Gostaria de encorajá-lo a escrever os versículos e decorá-los. Você tem que renovar sua mente com a verdade (Romanos 12.2) e substituir seus pensamentos incorretos porque são eles que o levam aos seus sentimentos.

Escolha trabalhar com aquilo que é real em vez de se preocupar com o que voce não sabe se é verdadeiro.  As únicas coisas com as quais você pode lidar, ou para as quais pode esperar alguma mudança, são as coisas reais e verdadeiras. Voltando à lista acima, se é verdade que você não aceitou a Cristo pela graça, mediante a fé, então seu medo e ansiedade são reais, você não foi perdoado e está em perigo. Entretanto, se você está em Cristo, e “sente” que você não foi perdoado por causa de algum pecado terrível (real ou imaginário), você não está pensando corretamente.

Siga avante com determinação, deixando de ser um prisioneiro do passado. Quero encorajá-lo a não ficar preso ao passado, remoendo repetidamente os fatos passados. Não é útil para você ficar pensando em como a vida seria diferente se você tivesse agido de outra forma. Não se torture com esse tipo de pensamento!  Ao invés de ser um escravo dos seus sentimentos, creia nas verdades da Palavra de Deus sobre o perdão e naquilo que Deus faz com o pecado perdoado. Sem dúvida, aprenda com seus erros do passado e com as consequências de seu pecado – mas não viva no passado!

Se você quer renovar sua mente, memorize a Palavra de Deus (não é algo opcional), medite na Palavra de Deus e obedeça à Palavra de Deus. Coloque em prática o que você tem aprendido. E se você assim fizer, você estará a caminho de uma vida mental saudável, que glorifica a Deus e lhe traz a paz.

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Original: Focusing on your troubled mind — Biblical Counseling for Women
Tradução: Cláudia Sacchetto

O perigo de esquecer como se lê a Bíblia

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Dan Doriani

No último mês, descobri que mais dois líderes cristãos que eu conheço mancharam ou destruíram o próprio ministério. Nenhum deles era um amigo no sentido pleno da palavra, embora eu tenha me relacionado com ambos, e respeite o talento e o fruto do trabalho deles.

Mais uma vez, eu me pergunto: Como um homem que estudou as Escrituras, as conhecia e as ensinou fielmente a outros foi capaz de violar descaradamente seus princípios mais básicos de amor e domínio próprio? Mesmo fazendo a pergunta, eu sei que também estou suscetível ao pecado e seu caráter autodestruidor. Todo mundo precisa da admoestação de Paulo: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1). Líderes que andam atentos a si mesmos sabem que somos capazes de violar princípios que achávamos que conhecíamos.

Como, então, podemos rapidamente nos arrepender e evitar que o nosso coração torne-se insensível à voz de Deus que nos chama de volta para Si?

Os líderes tropeçam por muitos motivos, e embora eu possa argumentar que um seminarista zeloso tem pouco em comum com um líder de meia idade presunçoso ou deprimido, há pelo menos um ponto em comum: tanto meus colegas de ministério quando meus alunos podem parar de ler a Bíblia como deveriam.

Leitura técnica e devocional
A leitura da Bíblia por um crente novo tende a ser ingênua e devocional. Novos discípulos devoram as Escrituras, sublinhando palavra após palavra em Bíblias novas. Frequentemente, sentimos que Deus está falando diretamente conosco em cada palavra.

Depois de alguns anos, a leitura de um líder em crescimento torna-se sofisticada e devocional. Ainda sentimos que Deus fala conosco por meio do texto, mas conforme aprendemos princípios básicos de interpretação, dedicamos uma atenção cada vez maior ao contexto literário, cultural e histórico. Compramos e usamos dicionários e comentários bíblicos. Tomamos conhecimento das estratégias de tradução de diferentes versões da Bíblia, e começamos a usar esse conhecimento para chegar ao texto original.

A maior parte dos futuros líderes de igreja irão para um seminário, onde nos tornamos leitores técnicos. Lemos o texto no grego e no hebraico, e consultamos fontes de erudição. Respeitamos a distância entre nosso mundo e o das Escrituras. Cresce o zelo pela descrição da história e da teologia bíblica. Conforme buscamos o sentido original de uma palavra, somos tentados a negligenciar o que ela significa para nós hoje.

Quando estudantes de seminário tornam-se estagiários em igrejas locais, eles se lembram de que o estudo deve edificar a igreja. Continuamos a ler tecnicamente, mas agora compartilhamos nossas descobertas com outras pessoas. Nós nos tornamos leitores técnico-funcionais. Nossa leitura ainda pode ser imparcial, em termos pessoais, mas guardamos e organizamos nossas descobertas para podermos oferecê-las a outros. Embora essa fase possa nos ajudar a redescobrir o uso apropriado da Bíblia, podemos ainda ser leitores profissionais. Podemos apresentar a verdade de Deus aos outros, enquanto impedimos que Sua Palavra chegue a nós.

Alunos e pastores precisam, portanto, tornar-se leitores técnicos e devocionais. Aqui permanece cada habilidade exegética, porém, nós lemos como crianças, permitindo que a Palavra fale novamente ao nosso coração. Podemos descobrir aquilo que Paul Ricoeur chamou de “segunda ingenuidade”. Somos tecnicamente perspicazes e espiritualmente receptivos. Nosso estudo permite-nos explicar e aplicar a Palavra de Deus à igreja e a nós mesmos. Então ouvimos a Palavra de Deus, de modo que ela opera em nós mais uma vez. O resultado é que purificamos nosso coração, lavamos nossas mãos e andamos nos caminhos do Senhor.

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Original: The danger of forgetting how to read the Bible – The Gospel Coalition
Tradução: Jonas Nardes Braga

Em meio à tempestade espiritual, confie nos seus instrumentos.

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Jon Bloom

“Desorientação espacial’ é o que um piloto experimenta quando ele voa em condições climáticas desfavoráveis, que o impedem de poder enxergar o horizonte ou o solo.  Os pontos de referência que lhe dão orientação desaparecem. Suas percepções tornam-se pouco confiáveis. Ele não pode mais ter certeza de estar subindo ou descendo. Isso pode ser mortal. Foi isso que matou John Kennedy Jr.[1]

A única maneira de um piloto superar a desorientação espacial é confiar nos instrumentos de sua cabine mais do que em sua intuição para dizer-lhe o que é real. Essa é a razão por que os instrutores de voo forçam seus alunos a aprenderem a pilotar apenas pelos instrumentos.

Há um paralelo espiritual. Eu já experimentei isso. Num dia primaveril, em maio de 1977, eu voei em plena tempestade espiritual.

Os detalhes são muito longos, mas eu tive, essencialmente, uma crise de fé.  Entrei em uma tempestade de dúvidas como eu nunca havia experimentado antes.  Deus, a quem eu havia conhecido e amado desde a minha infância, de repente ficou nublado em minha visão espiritual.  Eu não podia vê-lO em nenhum lugar. Ele ficou muito escuro em minha alma e os ventos do medo sopraram com força de furacão.  A turbulência da falta de esperança era violenta.  Sem saber com certeza se eu estava subindo ou descendo, constatei minha desorientação espacial.

À primeira vista, entrei em pânico. Recuei, em uma tentativa desesperada de me orientar. Certo dia, um pensamento atingiu-me com uma clareza incomum: “Jon, pilote pelos instrumentos.  É para isso que eles servem. Pare de confiar em suas percepções. Confie no que os instrumentos lhe dizem”.

Nos anos que antecederam essa experiência, Deus havia me treinado de várias maneiras a crer em Sua Palavra, e eu sempre a tive por confiável.  Agora, porém, diante dessa furiosa tempestade, quando tudo parecia incerto, eu tive de escolher: confiar em minha percepção cheia de dúvidas ou confiar na Palavra de Deus.

Visto que minhas dúvidas estavam me levando a mergulhar em confusão e escuridão profundas, e já que as promessas de Deus haviam me dado mais luz e esperança do que qualquer outra coisa que eu conhecesse, decidi orientar-me pela Bíblia até ter evidências suficientes para “determinar” que se tratasse de um instrumento defeituoso.

Foi duro e assustador.  Muitas vezes, lutei contra a tentação de abandonar os instrumentos e seguir pelo meu senso da verdade. Mas eu tinha experiência e conhecimento suficientes da Biblia para saber onde esse “senso” pode levar.  Então continuei minha leitura devocional da Bíblia, continuei a orar e a participar da igreja e pequenos grupos.  Abri meu coração para amigos de confiança e mentores, e procurei conselho.  Lembro-me de ouvir John Piper dizer: “Jon, a rocha verdadeira sob seus pés não vai continuar a parecer areia por muito tempo”. Quando ele disse isso, meu pensamento foi “Tomara que você esteja certo, mas eu duvido de que esteja”.

Minhas dúvidas provaram que eu estava errado. Depois de um longo tempo de escuridão, Deus perfurou as nuvens com Sua luz. Eu nunca vou me esquecer daquele dia. Eu gostaria de poder ter tempo para explicar, mas essa é uma longa história.  E uma vez que os caminhos e o tempo de Deus são diferentes para cada um de nós, talvez apenas seja importante você saber que Deus trouxe um fim à tempestade.  Ela não acabou imediatamente, mas como o Sol da vida rompeu, a tempestade dissipou-se e, finalmente, eu voltei a voar em céu claro!

As promessas de Deus provaram ser instrumentos confiáveis, mesmo que eu tenha duvidado delas no meio da tempestade. Eu não me espatifei no solo. Na verdade, a tempestade me fez muito bem. Aprendi mais do que nunca depois de andar (ou voar) pela fé, e não por vista (2Coríntios 5.7). Agradeço a Deus cada minuto daquela horrível tempestade!

Jesus realmente entende o que significa a escuridão da tempestade (Hebreus 4.15). Suas tempestades, do Getsêmani ao Gólgota, foram muito piores do que qualquer coisa que você e eu possamos conhecer.  E Ele passou por isso voluntariamente, por nós, para que pudéssemos ser resgatados de todas as nossas tempestades, principalmente a tempestade final da ira de Deus contra nosso pecado.  Essa é a razão dEle ter vindo.  Sua tempestade O derrubou para que as nossas tempestades possam nos fazer crescer.

Se você ou alguém que você ama está voando em meio a uma tempestade e perdendo a esperança, lembre-se de que suas percepções, por mais que pareçam reais, não são confiáveis.  Como alguém que já testou as próprias percepções em inúmeras tempestades, posso dizer com confiança:  voe baseando-se nos instrumentos que Deus providenciou para você.  Eles não vão falhar.

[1] Este artigo da Wikipedia explica como uma noite de densa neblina contribuiu para a desorientação espacial que levou à queda do avião de Kennedy.

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Original: When you’re in a spiritual storm, trust your instruments – Desiring God
Tradução de Cláudia Sacchetto

John Street (coord.) Homens aconselhando homens

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Homens aconselhando homens aplica a verdade de Deus aos problemas da vida real. Escrito por membros do corpo docente e ex-alunos do programa de Mestrado em Aconselhamento Bíblico de The Master’s College, sob a coordenação do Dr. John Street, ele é um volume prático, que tem por propósito equipar os homens cristãos para oferecer ajuda bíblica aos homens que lutam com uma variedade de questões da vida diária. Em suas páginas você encontra respostas bíblicas para assuntos como a busca do sentido da vida, depressão, ira, resolução de conflitos, pureza sexual, relacionamento conjugal, paternidade, relacionamento com os filhos adultos, reconstrução de um casamento após o adultério.

Na introdução à edição brasileira, o Pr. Jayro Cáceres escreve:

Vivemos numa cultura onde a definição de “homem” é confusa e corrompida porque as pessoas rejeitaram a Deus e Sua Palavra e enveredaram-se por um caminho idólatra, preferindo adorar a criatura ao Criador (Rm 1.21,25).

Nossa cultura sofre pelo fato de ter rejeitado ao Criador e seus desígnios para a Sua criatura. Não há sabedoria do alto numa sociedade que muda a verdade de Deus em mentira e muda a glória de Deus em semelhança do que é corruptível (Rm 1.23,25).

Embora reivindique para si ser sábia e evoluída, aos olhos de Deus a nossa cultura é louca, nula em seus raciocínios, obscurecida (Rm 1.21,22) e os conselhos que oferece para os homens são conselhos loucos, desprovidos da sabedoria divina. Não os tornam mais piedosos, não os fazem mais santos, nem mais obedientes e semelhantes a Cristo. O que o Senhor disse por meio do profeta Jeremias ao povo de Judá define muito bem o ambiente e a sabedoria do nosso tempo:

Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. (Jr 2.13)

Neste sentido, Homens aconselhando homens é um livro que chega em um momento mais que oportuno. Ele visa lidar com os muitos dilemas da vida de um homem, não pela perspectiva corrompida e distorcida do nosso tempo, que não define e nem distingue mais as características masculinas, e sim, pela perspectiva da imutável, santa, incorruptível e perfeita Palavra de Deus. São conselhos que visam tornar o homem mais piedoso, mais consciente da grandeza e santidade de Deus assim como de sua própria pecaminosidade. São conselhos de homens que desejam que seus leitores sejam mais semelhantes ao nosso Senhor Jesus Cristo.

Dr. John D. Street convidou homens piedosos, maduros e experimentados para compartilharem neste livro o que o próprio Deus lhes tem ensinado. Cada capítulo é um tópico específico no qual cada autor revela uma profunda confiança no Senhor e na suficiência das Escrituras para o aconselhamento. Daí porque este livro é muito oportuno.

Nosso desejo é que Homens aconselhando homens possa contribuir para que os homens sejam mais conformados ao padrão de Deus e mais semelhantes a Cristo.

FICHA TÉCNICA
Autor: John D. Street (coord.)
Título:  Homens aconselhando homens
Título original:  Men counseling men: a biblical guide to the major issues men face
Editora: Nutra
Páginas: 568
Data de publicação: 2014

John D. Street é Coordenador do M. A. em Aconselhamento Bíblico e professor de Aconselhamento Bíblico o The Master’s College, deste 1999. Com sua formação adquirida em Cedarville University e Grand Rapids Theological Seminary, completada pelo D. Min. no Westminster Theological Seminary, John Street serviu como professor assistente nas universidades Cedarville e Cornerstone. Foi o pastor fundador da Clearcreek Chapel em Springboro, Ohio, onde há um forte programa de aconselhamento bíblico e trei­namento para pastores. Escreve regularmente para The Biblical Counselor e The Journal of Biblical Counseling, e é um dos editores do The Journal of Modern Ministry. É presidente Association of Certified Biblical Counselors (ACBC) e membro da Evangelical Theological Society. Serve como presbítero na Grace Community Church, Sun Valley, CA.

Stuart Scott. O homem bíblico

StuartScott_resenhaA apresentação da edição em inglês de O homem bíblico traz a seguinte pergunta: Como é que um homem pode saber se ele é um “homem de verdade”? A resposta está nas Escrituras, e este livro ajuda a encontrá-la. Ele é um recurso valioso para homens solteiros e casados, tratando de três áreas fundamentais: a masculinidade, a liderança e a tomada de decisões. Os apêndices incluem ajuda para combater a tentação na área sexual e para identificar alguns enganos aos quais os homens estão frequentemente sujeitos em sua maneira de pensar.

Estas são as palavras do Pr. Jayro Cáceres na introdução da edição brasileira:

Este é um livro muito oportuno. Em dias em que os gêneros tendem a não ser mais simplesmente homem e mulher, como estabelecido por Deus, o Dr. Stuart Scott, alicerçado na eterna e perfeita Palavra de Deus, apresenta o conceito de masculinidade bíblica, identificando o perfil do homem conforme designado por Deus. Identificar as características bíblicas do homem é importante porque os meninos estão crescendo com um conceito deformado de masculinidade, seja realçando, por um lado, a aspereza e a brutalidade, seja, por outro lado, enfatizando aspectos e trejeitos próprios da feminilidade. A masculinidade bíblica não está situada em nenhum desses extremos.

O homem bíblico ama a Deus e Sua Palavra, cultiva uma vida de genuína devoção a Deus, reconhece sua condição de dependente de Deus e está continuamente examinando seu coração, a exemplo do salmista (Sl 139.23,24) que pede ao próprio Deus que o sonde para ver se seus caminhos estão de acordo com a vontade desejada de Deus. Esse homem está pronto para reconhecer os seus pecados, arrepender-se deles e desenvolver novos caminhos santos. Ele se alegra por ser homem e por ter as qualidades de homem, e não se mostra rebelde para com Deus desejando ser aquilo para o qual não foi criado.

O livro foca três áreas da vida do homem: sua masculinidade, sua liderança e sua tomada de decisões. Embora não seja um tratado exaustivo acerca de cada um desses tópicos, este livro se constitui uma ferramenta útil para aqueles homens que desejam estar alinhados com os propósitos divinos, expressando a masculinidade bíblica, exercitando os traços de um líder bíblico bem como aperfeiçoando sua habilidade para tomar decisões de acordo com as orientações de Deus em Sua Palavra.

Nosso desejo é que este livro contribua para que os homens sejam cada dia mais modelados pela Palavra de Deus e sejam homens de verdade, isto é, homens como designados por Deus. Que o Senhor abençoe ricamente a sua leitura.

FICHA TÉCNICA
Autor: Stuart Scott
Título:  O homem bíblico: masculinidade, liderança e decisões
Título original:  Biblical manhood: masculinity, leadership and decision making
editora: Nutra
Páginas: 150
Data de publicação: 2014

Stuart Scott atua como professor assistente de Aconselhamento Bíblico no Southern Baptist Theological Seminary Louisville, KY, EUA. É também professor e coordenador do Departamento de Aconselhamento Bíblico no Boyce College. Já serviu como pastor auxiliar na Grace Community Church em Sun Valley, CA, e como professor assistente no The Master’s College and Seminary. É membro da Association of Certified Biblical Counselors (ACBC).

Lou Priolo. Maridos perseguindo a excelência

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“Não faltam certamente livros nas prateleiras das livrarias evangélicas que se propõem a tratar esse mesmo tema. No entanto, nenhum deles ‘junta tudo’ em um único volume, com linguagem fácil de entender e tratando a questão de uma perspectiva biblicamente correta – esta era a situação até agora”. Esta observação que a editora Calvary Press fez, acertadamente, por ocasião da publicação de Maridos perseguindo a excelência em língua inglesa mostra o porque de estarmos diante de um livro inovador.

Na introdução à edição brasileira, o Pr. Jayro Cáceres escreve:

Não é incomum encontrar, no contexto da igreja, maridos que reduzem seu papel dentro do lar ao de provedor financeiro. Muitos desses não se veem como pastores de seus filhos nem como líderes amorosos de suas esposas. Para esses, conduzir o lar no temor do Senhor, não raro, limita-se a frequentar regularmente a igreja com a família e observar alguns princípios. Daí porque sua atuação no lar está longe de ser aquela estabelecida por Deus nas Escrituras. Quando focamos especificamente no marido dentro do relacionamento conjugal, percebemos com frequência que aprimorar o seu papel como cônjuge presente e dedicado à sua esposa e aperfeiçoar suas expressões de amor para com ela, não são parte de suas contínuas cogitações.

Lou Priolo escreveu este livro com profundidade bíblica, expondo em cada capítulo, de maneira clara, verdades para os maridos extraídas das Escrituras, a fim de contribuir para que estes sejam aperfeiçoados em sua tarefa, e ao mesmo tempo empenhou-se por fazer aplicações específicas dessas verdades, o que torna esse livro muito especial. Ele é profundo em sua abordagem e fácil de ser apreendido porque é muito prático.

Este livro é uma bem-vinda contribuição para os casamentos dentro do contexto da igreja evangélica brasileira, uma vez que oferecerá aos maridos um modelo bíblico a ser perseguido, ou seja, um padrão de excelência, e apontará as maneiras de alcançá-lo.

O nosso desejo e oração é que esta obra possa encorajar os maridos a amar a Deus de tal maneira que persigam esse padrão de excelência estabelecido por Ele em sua Palavra.

FICHA TÉCNICA
Autor: Lou Priolo
Título:  Maridos perseguindo a excelência: princípios bíblicos para maridos que almejam o ideal de Deus
Título original:  The complete husband: a practical guide to biblical husbanding
Editora: Nutra
Páginas: 314
Data de publicação: 2011

Louis Paul Priolo graduou-se pelo Calvary Bible College e pela Liberty University. Autor de vários livros, conhecido conferencista, é atualmente diretor do ministério de aconselhamento bíblico da Eastwood Presbyterian Church na cidade de Montgomery, Alabama, onde também serve como presbítero. Além de ser professor no Birmingham Theological Seminary em Birmingham, Alabama, é membro da Association of Certified Biblical (ACBC) Counselors e um dos editores do Journal of Modern Ministry. Outros três livros de sua autoria já foram publicados em português: O desejo de agradar outros, O coração da ira e O caminho para o filho andar.

Como escolher livros para marcar a sua vida cristã e o aconselhamento

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Bons discipuladores e conselheiros precisam ser bons leitores. Lemos livros diferentes por razões diferentes: preparo e atualização profissional, aquisição de conhecimentos gerais, entretenimento, e por aí vai. Aqui falaremos especificamente das nossas leituras para crescimento na vida cristã e preparo ministerial. Neste campo, não resta dúvida de que a Bíblia é a leitura essencial – ela é nosso alimento primordial. Mas podemos tirar proveito também de outras leituras que nos ajudam a compreender a Palavra de Deus e nos incentivam a aplicá-la e praticá-la com sabedoria – elas são ferramentas valiosas.

Salomão advertiu que “não há limite para a produção de livros” (Ec 12.12). Não temos como dispor de tempo para ler tudo aquilo que é publicado, e certamente não valeria a pena ler todo e qualquer livro publicado. Não decidiremos ler um livro apenas porque ele foi disponibilizado gratuitamente na internet. Como selecionar, então, os melhores livros com o propósito de crescimento cristão e ministerial, aqueles livros nos quais investiremos nosso dinheiro e nosso tempo? Certamente queremos que sejam livros de qualidade, com argumento bem desenvolvido, conclusão convincente, ortografia correta, apresentação gráfica cuidadosa, citações fieis. Mas podemos ir um pouco além e estabelecer alguns critérios significativos para o discipulador e conselheiro bíblico.

 1. Escolha livros para crescer na vida cristã.
Nossas leituras devem contribuir para conhecermos mais a Deus e crescermos na habilidade de honrá-lO em todas as áreas da vida. Podemos e devemos nos beneficiar do entendimento e aprendizado que outros adquiriram na sua caminhada com Deus, e fazemos isso por meio de livros que nos conduzem a renovar nosso entendimento sobre o caráter de Deus, a obra de Cristo, o andar diário pela graça. Se você está à procura de sugestões, as bibliografias Vida e Caráter Cristão e Vida Devocional podem ajudar.

 2. Escolha livros para crescer no ministério.
● Ampliar o entendimento bíblico e teológico para o ministério – são os livros que ajudam a cavar fundo dentro da Bíblia e da teologia. Deus escolheu mestres no corpo de Cristo para que nos ajudem a aumentar a nossa compreensão da Sua Palavra de Deus. Cerque-se de bons comentários da Bíblia, teologias e outras obras de referência. Você pode encontrar sugestões na Bibliografia de Bíblia e Teologia.
● Orientar na atuação ministerial – são os livros que o ajudarão a ganhar maior entendimento sobre o ministério de discipulado e aconselhamento bíblico e a tornar-se mais habilidoso na aplicação das bases bíblicas à prática ministerial. Para sugestões, consulte a bibliografia Discipulado e aconselhamento bíblico
● Ajudar a compreender as pessoas e seus problemas – são os livros que falam sobre as situações e os problemas possivelmente enfrentados por aqueles que você discípula e aconselha. Eles o ajudam a compreender melhor as responsabilidades e os desafios de diferentes grupos e faixas etárias – eles o preparam para ajudar uma variedade de pessoas. Para sugestões, consulte a coleção de Bibliografias Temáticas para Vida Cristã

 3. Vá a líderes, professores, amigos: peça indicações.
Ler livros que já passaram pelo filtro de outras pessoas pode ajudá-lo a ganhar tempo e energia na busca das melhores leituras. Peça indicações às pessoas cujo caráter cristão e ministério você admira. Pergunte quais são os livros e autores que mais as marcaram. Se possível, depois de ler, discuta com essas pessoas o conteúdo da leitura.
Um segundo grupo de “líderes e mestres”, que mesmo não estando ao seu lado pode apontar para livros que vale a pena você ler, é formado pelos autores cujos livros você admirou e que, muitas vezes, incluem bibliografias em suas obras. Leia diretamente os autores que tiveram uma grande influência sobre o pensamento daqueles a quem você respeita, pois é provável que eles terão um grande impacto na sua vida também, um impacto de “primeira mão”. O inverso é verdadeiro: se algum autor que você admira pela fidelidade às Escrituras levanta um sinal vermelho bem argumentado a respeito de um livro, considere como uma boa indicação de que pode não ser o melhor livro para orientar sua vida pessoal e ministério.

 4. Vá à internet: leia resenhas e consulte bibliografias.
Procure leituras recomendadas por pessoas e ministérios em que você confia. Leia resenhas, pois elas permitem descobrir livros dos quais você ainda não tenha havia ouvido falar, elas estimulam um pensamento crítico, ajudam a priorizar as leituras. Você encontra resenhas na área do discipulado e aconselhamento bíblico em Resenhas e Indicações de Conexão Conselho Bíblico

 5. Identifique os autores.
Procure conhecer quais são os autores que se destacam na área do discipulado e aconselhamento bíblico. Como é que você começa a conhecer quem são estes autores? Selecione-os entre as indicações que você colheu. É recomendável que você leia um conjunto de obras de um mesmo autor, pois assim terá uma perspectiva mais ampla de como ele desenvolve seu pensamento – algo que a leitura de um único livro do autor não permite ter. Lembre-se, porém, de que mesmo na leitura de obras escritas por autores conceituados você deve exercer discernimento, sempre comparando o conteúdo dos livros com o padrão das Escrituras. Por exemplo, no campo do aconselhamento bíblico, já dispomos em português de mais de um título de autores como Paul Tripp, David Powlison, Lou Priolo ou Elizabeth George e Martha Peace.

 6. Identifique as editoras.
Adquira o hábito de identificar a editora do livro. Dê preferência a editoras confiáveis, que não só zelam pela boa apresentação do livro, mas também por uma seleção de obras com conteúdo fiel à Bíblia. Evidentemente, vez ou outra uma editora pode não ser tão feliz na escolha de um projeto editorial, mas isso será raro. Na área do aconselhamento bíblico, são destaques, entre outras, as editoras Nutra e Cultura Cristã.

 7. Olhe o livro por fora e por dentro.
Na escolha de um livro, olhe para a capa e a contracapa, mas não se deixe impressionar pelo título ou pela capa chamativa. Muitas vezes, capa e título são determinados pelo valor de impacto que podem causar no mercado editorial, e não refletem com precisão o conteúdo do livro. Veja qual é a editora. Identifique quem escreveu as recomendações e quem escreveu o prefácio. Abra o livro e consulte o sumário: veja os assuntos que são tratados e se eles atendem à sua necessidade. Alguns livros merecem uma leitura integral. Outros podem ter um ou dois capítulos que ajudam a responder a alguma necessidade específica e, então, você pode se limitar à leitura destes capítulos, embora com o cuidado de avaliar o contexto em que eles estão inseridos. Procure a sinopse ou o primeiro capítulo na internet. Muitas livrarias e editoras disponibilizam um resumo e parte do livro para acesso gratuito, e esta é uma excelente forma de ter contato com o livro antes de comprá-lo. E sinta-se livre para descartar um livro caso perceba que a leitura não vale a pena.

 8. Mergulhe nos clássicos, os livros que resistiram ao teste do tempo.
Bons livros têm resistido ao teste do tempo, e vale a pena conhecê-los. Eles são fiéis às Escrituras e nos desafiam à vida cristã. É possível que não contenham ilustrações idênticas às expressões culturais mais recentes, mas eles trazem o precioso entendimento de uma geração fiel a Deus que nos precedeu. São particularmente os livros que tratam da vida e do caráter cristão como, por exemplo, a obra de A. W. Tozer e C. S. Lewis. Já na área do aconselhamento bíblico, não desconsidere ler os escritos de Jay Adams.

 9. Esteja em dia: identifique os melhores lançamentos e inclua-os na sua lista de leituras.
No ministério, é essencial que você seja uma pessoa atualizada. Se você não tem uma boa livraria cristã ou uma biblioteca teológica atualizada perto de sua residência, visite os sites das editoras evangélicas para ficar por dentro dos últimos lançamentos. Assine para receber novidades por e-mail, curta a página da editora no Facebook e marque para receber atualizações na sua página principal ou crie uma lista de interesses no Facebook específica para as notificações de editoras. Esta última é uma excelente opção se você prefere guardar a sua página inicial para atualizações de parentes e amigos. Em geral, um bom lançamento não apenas repete o que outros disseram antes, mas, de alguma forma, expõem a verdade bíblica com um novo arranjo criativo, sob nova forma ou considerando as questões e ênfase contemporâneas. Por exemplo, ao longo da história do cristianismo, foram escritos bons livros a respeito da educação de filhos e, conquanto a verdade bíblica sobre a educação de filhos permaneça imutável, um livro contemporâneo pode ser valioso se ele ajudar a responder diretamente aos desafios e aos enganos da nossa cultura que podem nos influenciar.

 10. Esteja em dia: conheça os best-sellers, mas seja cuidadoso ao inclui-los na sua lista de leitura.
Mesmo que você não pense em dedicar horas de leitura a todos os best-sellers na sua área ministerial, você precisa estar a par do que outras pessoas estão lendo. São aqueles livros que o seu grupo de discipulado e o seu aconselhado mencionam nas conversas, ou que os seus filhos e amigos querem ler porque os colegas estão lendo. Confira as resenhas na internet, procure as páginas introdutórias no site da editora, consulte a opinião de pessoas nas quais você confia. É possível que você decida ler alguns destes livros para interagir com o autor em primeira mão e compreender melhor o pensamento do autor e sua influência. Não tenha medo de ler autores e obras de que você discorda, mas leia com discernimento, com a Bíblia ao seu lado, verificando os argumentos do autor e em quais aspectos ele se desvia da Verdade, pensando nas implicações práticas desta influência para as pessoas a quem você ministra. Este não é um exercício recomendável para alguém novo na fé e no conhecimento bíblico, mas pode ser um excelente exercício para que um conselheiro bíblico desenvolva seu senso crítico instruído pelas Escrituras.

 11. Desfrute da variedade.
Mantenha sempre uma lista de livros para leitura na área de crescimento pessoal e ministerial. Varie nos temas e autores. Algumas pessoas gostam de ler um livro de cada vez, outras escolhem dois ou mais livros pensando na leitura que melhor “funciona” em momentos diferentes do dia.  E se você separar 15 a 20 minutos por dia para leitura, verá que é possível ler pelo menos um livro por mês. Onde guardar sua lista de livros para ler? Você pode certamente mantê-la com papel e caneta, mas é recomendável usar um aplicativo como Evernote porque onde quer que você esteja, poderá ter sua lista para consultar e para acrescentar itens.

 12. Chegou a hora de também recomendar aos outros.
Agora que você já sabe como escolher a sua próxima leitura, é hora de decidir como escolher os livros que você indica. A recomendação de um livro a um aconselhado costuma ser diferente da indicação acadêmica de livros, que pode incluir livros para leitura crítica. No ministério de discipulado e aconselhamento, indicamos livros com o propósito de que sejam instrumentos de transformação em vidas, uma transformação com base bíblica firme. É importante, portanto, que você já tenha lido aquilo que recomenda e que você considere as perguntas a seguir.

●● Este livro está alicerçado na verdade bíblica?
Seja qual for o assunto, o conteúdo do livro foi elaborado a partir da Bíblia, ou será que o autor partiu da sabedoria e experiência humana e foi depois à Bíblia para encontrar textos que de alguma forma pudessem validar teorias alheias à Palavra de Deus? Na Bíblia, Deus nos dá o privilégio de aprender a ver a vida através da Sua perspectiva. Se queremos entender o ser humano e seus problemas pessoais e interpessoais, e encontrar soluções cristãs, devemos ir diretamente ao ensino e instruções do Autor da vida. Esta é a diferença, por exemplo, entre O Coração da Ira, por Lou Priolo e Educando Crianças Geniosas, por James Dobson. Ambos são escritos por cristãos para ajudar os pais a lidarem com filhos difíceis de conduzir. O primeiro ensina a lidar com o filho a partir da Bíblia, enquanto o segundo busca alicerce em teorias e experiências humanas. Isso não quer dizer que não há absolutamente nada certo ou aproveitável no livro de James Dobson, mas ele não ensina a construir sua perspectiva de vida a partir do alicerce firme e imutável da Palavra de Deus. Teorias e observações humanas podem mudar, a Palavra de Deus é viva e eficaz de geração em geração.

●●  Este livro usa com precisão a verdade bíblica?
É natural que livros cristãos usem textos bíblicos no desenvolvimento de seu argumento. Alguns usam os textos bíblicos adequadamente, enquanto outros usam versículos com interpretação errada ou fora do contexto. Se você quer entender mais sobre este aspecto, consulte Estudo da Bíblia e Uso no Aconselhamento ou leia o capítulo Interpretando a Palavra de Deus Corretamente em Mulheres Aconselhando Mulheres, compilado por por Elyse Fitzpatrick.

●●  Este livro reflete o evangelho de Cristo?
Os cristãos devem pensar e agir distintamente como alguém que “está em Cristo” nas diversas áreas da vida, que pensa continuamente com a mente de Cristo. Os cristãos devem ver a vida à luz de duas realidades fundamentais: a nossa luta contínua com o pecado e nossa necessidade contínua da obra e da graça de Cristo. Assim como é bastante fácil deslizar para “meia dúzia de regras para…” ou “meia dúzia de dicas para…”, também é fácil deslizar para uma graça que desconsidera a necessidade constante de verdadeiro arrependimento diante de Deus como base de uma mudança real e duradoura (Ef 4.22-24) que acontece pela graça (Fp 2.12, 13). Vários livros cristãos oferecem orientações práticas para uma vida bem-sucedida, mas esquecem que de nada vale sermos bem-sucedidos se este “sucesso” não for resultado de um coração transformado verdadeiramente por Cristo e que vive conscientemente perante Deus (Rm 12.1, 2).

●●  Este livro é útil para o ensino, a repreensão, a correção e também a educação na justiça?
Bons livros devem não apenas ensinar a verdade de Deus, mas levar o leitor a perceber claramente em quais pontos ele tem ficado aquém do plano de Deus para sua vida e ajudá-lo na aplicação prática da verdade. A Bíblia é muito clara em dizer que conhecimento deve ser seguido pela prática: “Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática. E o Deus da paz estará com vocês” (Fp 4.9). Conhecimento deve resultar em vida agradável a Deus: “Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-lo, frutificando em toda boa obra” (Cl 1.9, 10).

●●  Este livro é adequado à pessoa a quem estou recomendando?
Cada livro que você indica deve ser adequado à pessoa a quem você o recomenda – seu nível de entendimento, sua linguagem, sua necessidade atual, seu contexto de vida. O livro continuará em diálogo com o seu discípulo ou aconselhado em continuidade ao seu ministério.

Boa leitura!

Como usar livros, artigos e outros recursos no seu ministério

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No discipulado e aconselhamento

Livros, artigos, áudios e vídeos com conteúdo baseado na Palavra de Deus podem ser usados para encorajar, dando esperança à pessoa. Eles podem também expor o coração e o comportamento à luz da Bíblia, e ainda ensinar a pensar biblicamente a respeito do problema que a pessoa está enfrentando e da solução providenciada por Deus, além de aplicar o ensino de forma prática.

 1. Aproveite as oportunidades para mencionar e mostrar recursos durante as conversas.
Recursos bem escolhidos podem dar continuidade ao seu ministério quando a pessoa que você discipula ou aconselha não está ao seu lado. Incentive a pessoa a ler. Na medida do possível, abra e mostre algumas partes de um livro, destaque as qualidades do livro ou artigo e como estas se aplicam à vida do aconselhado. Recomende áudios e vídeos, aproveitando boas palestras e sermões disponíveis gratuitamente.  Se possível, mostre o site onde o aconselhado pode encontrá-los, mande os links para o aconselhado via e-mail, Facebook ou outro meio de fácil comunicação. Lembre-se de que cada livro que você indica deve ser adequado à pessoa a quem você o recomenda – seu nível de entendimento, sua linguagem, sua necessidade atual, seu contexto de vida.

 2. Use citações adequadas ao problema com o qual está lidando.
Tenha o hábito de destacar textos importantes nos livros e artigos que você lê. O ideal é você ter as suas citações guardadas e organizadas por assunto, de modo que possam ser facilmente recuperadas para aplicar no ministério. Dependendo, então, da necessidade da pessoa, use essas citações que já o impactaram. Leia o trecho para o seu aconselhado, compartilhe como ele foi importante para o seu crescimento e explique como ele se relaciona com os problemas do seu aconselhado. Indique o material para uma leitura completa caso seja oportuno e adequado ao aconselhado. Para organizar suas citações e tê-las sempre em mãos, você pode usar o Evernote ou outro aplicativo multiplataforma.

 3. Use livros e artigos para leitura e discussão.
No discipulado, uma atividade muito edificante para discipulador e discípulo é escolherem um bom livro e ambos lerem um capítulo por semana, ou a cada quinze dias, e encontrarem-se para conversar sobre o conteúdo. No aconselhamento, leia com o seu aconselhado durante o encontro. Peça que ele leia. Faça perguntas para verificar o entendimento e suscitar possíveis aplicações, dando tempo para ele pensar e responder. Deixe o aconselhado fazer perguntas e discutam os pontos mais “difíceis de digerir”.

 4. Use recursos para dar tarefas práticas.
Use áudios, vídeos, artigos e livros nas tarefas práticas para o aconselhado fazer entre os encontros com você. Para acertar na dosagem, é preciso que você conheça bem não sós recursos, mas também a pessoa. Algumas têm maior habilidade na leitura do que outras, e ficarão motivadas se você pedir a leitura de um livro inteiro. Para outras, a leitura não poderá passar de um breve artigo bem específico e adequado à necessidade. Nos dois casos, o alvo é despertar para a discussão e a aplicação. Você pode preparar perguntas para entregar à pessoa. Evidentemente, é algo excelente quando o aconselhado pode ter o livro e voltar a consultá-lo mais adiante. Dependendo do poder aquisitivo das pessoas a quem você ministra, é preciso você ter os livros essenciais, que você costuma atribuir como tarefa, disponíveis para emprestar. Indique artigos na internet e imprima-os caso você saiba que a pessoa não tem como acessá-los. Para pessoas com dificuldade na leitura, áudios e vídeos são excelentes. Seja enfático ao atribuir a tarefa. Não diga: “Leia isto [ou ouça isto] porque você irá gostar”. Diga: “Leia [ou ouça] isto porque é a base para o nosso próximo encontro e você precisará ter completado a tarefa para prosseguirmos”.

 5. Nunca deixe de apontar para a supremacia e suficiência das Escrituras.
Parte fundamental da sua tarefa ministerial é mostrar a supremacia e a suficiência das Escrituras para lidar com os problemas do cotidiano de forma agradável a Deus. Não permita que as pessoas que você discípula e aconselha aprendam a depender de livros e mídias, e recebam um ensino bíblico sempre de segunda mão. É bom e útil você usar recursos como livros e mídias, mas use uma “dose direta”, pelo menos igual se não bem superior, de Bíblia. Abra a Bíblia, mostre os estão os textos que muitas vezes são trabalhos nos livros, incentive a memorização de versículos, atribua leitura e estudo bíblico como tarefa. Cuidado para não criar uma cultura de leitura, mas não uma cultura de Bíblia entre seus discípulos e aconselhados!

 6. Ensine a avaliar os recursos.
Aproveite o uso de livros e mídias para ajudar a pessoa a aprender a identificar a qualidade dos recursos que ela encontrará no futuro. Não dê apenas o peixe – ensine a pescar! Use as perguntas sugeridas e explicadas em Como escolher livros para marcar a sua vida cristã e o aconselhamento:

● Este livro está alicerçado na verdade bíblica?
● Este livro usa com precisão a verdade bíblica?
● Este livro reflete o evangelho de Cristo?
● Este livro é útil para o ensino, repreensão, correção e também educação na justiça?

No treinamento de grupos de discipuladores e conselheiros

Além de poder aplicar todas as sugestões dadas acima, considere ainda algumas outras possibilidades para discipulado e treinamento em grupo.

 7. Organize grupos de leitura.
Entre o grupo de pessoas que você treina e acompanha, sugira a formação de um ou mais grupos de leitura. Cada grupo deve escolher um livro de acordo com o interesse dos participantes. Os encontros podem acontecer a cada capítulo lido individualmente, durante a semana ou quinzena, e as perguntas de discussão devem ir além do tradicional “O que você achou do capítulo?” ou “Qual o parágrafo de que você mais gostou?”. Para ver crescimento significativo em vidas, incentive uma discussão objetiva não só das melhores partes do texto, mas de possíveis aplicações concretas e contextualizadas do texto aos problemas do cotidiano da vida pessoal e ministerial dos participantes. E nos encontros seguintes, incentive o acompanhamento das aplicações que foram sugeridas, ou seja, o grupo deverá ver soluções para problemas e mudança prática em vidas a partir da leitura feita. Aproveite também para ler livros que ajudem a formar uma filosofia bíblica do ministério e deem boas sugestões para a prática ministerial. Se no seu ministério nunca houve grupos de leitura, é bom que você mesmo forme e lidere inicialmente um grupo pequeno. Mais adiante, cada participante do seu grupo poderá formar e liderar outros grupos – invista em multiplicação!

 8. Incentive a formação de uma biblioteca para o ministério.
Nem todos têm os recursos financeiros necessários para adquirir todos os livros e mídias que podem ser úteis no treinamento e prática ministerial. Uma biblioteca com ênfase em recursos para o discipulado e aconselhamento, e também recursos para o estudo bíblico-teológico do discipulador e conselheiro, pode colocar bons livros e mídias ao alcance de todos. Não há necessidade de ser uma biblioteca enorme, mas deve ser uma biblioteca de qualidade. Você pode pedir doações ou bons descontos às editoras, explicando a iniciativa. Cada participante do ministério também pode colaborar com itens para o acervo, dependendo da disponibilidade pessoal. Você encontra sugestões nas Bibliografias de Conexão Conselho Bíblico. Para divulgar as novas aquisições da biblioteca, você pode usar o Facebook ou outra rede social.

 9. Divulgue bons recursos.
É preciso estar sempre atualizado, atento a novos lançamentos no mundo editorial evangélico e também aos recursos disponibilizados na internet por ministérios que prezam pela correta interpretação e aplicação da Bíblia. Você encontra sugestões na Infoteca de Conexão Conselho Bíblico. E uma vez que você identificou bons recursos, divulgue-os pelo Facebook ou use outra rede social que os integrantes do seu grupo frequentam, ou ainda crie um blog para o ministério. De forma geral, as pessoas passam uma quantidade de tempo significativa na internet – utilize, portanto, essa ferramenta para educar:
● faça bos indicações de livros, artigos e mídias,
● publique citações — sem esquecer de dar a referência,
● acrescente seus comentários e destaque o valor do conteúdo indicado,
● ofereça sugestões de aplicação para livros e outros recursos, compartilhando aquilo que “deu certo”, ou seja, aquilo que ajudou na edificação de um aconselhado, na mudança de vida de um jovem, no conforto de um idoso – e assim por diante.
É importante que todos os integrantes do grupo recebam a informação e estejam a par dos novos recursos que podem usar no ministério e tenham ideias de como usá-los. Um informativo periódico para o grupo é, portanto, uma excelente forma de mantê-lo atualizado.

 10. Mantenha uma lista de livros e outros recursos recomendados.
Mantenha uma lista de recursos em local facilmente acessível para o grupo e, caso você tenha um blog ou página no Facebook, disponibilize esta lista para que outras pessoas também aproveitem o acesso a ela. Mantenha os títulos organizados por assunto e inclua livros para estudo da Bíblia e da teologia cristã. Certifique-se de inserir novos títulos conforme você os descobrir.

No dia a dia

 

 11. Quando alguém que não pertence ao seu círculo imediato de conhecidos lhe pedir conselhos, aproveite para recomendar bons recursos – livros, artigos, mídias.
É possível que você receba perguntas de pessoas com as quais você não tem um relacionamento próximo e, às vezes, nem mesmo tem contato direto. Quando você não tem a oportunidade de entrar mais de perto na vida de uma pessoa, pela distância ou pelo nível de relacionamento, responda apontando para textos bíblicos e indique também recursos que a pessoa possa ler, ver, ouvir. Torne-se uma referência na sua igreja ou ministério para espalhar indicações de bons recursos para o crescimento cristão.

 12. Dê livros de presente.
Crie o hábito de dar bons livros de presente, separando no seu orçamento uma quantia para este investimento. Aproveite também aquelas ocasiões em que, necessariamente, você teria de dar um presente como, por exemplo, o aniversário de um amigo ou a troca de presentes de amigo secreto no final do ano.

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Robert Jones. Em busca da paz

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Solução para relacionamentos quebrados
Hostilidade no relacionamento conjugal, desapontamento com colegas de trabalho, tensão na família, irritação com as crianças, e a lista vai adiante. Você entendeu o quadro. Vivemos em um mundo caído, o que afeta nossos relacionamentos. Se existe algo que pode manter uma pessoa acordada durante a noite, certamente é um relacionamento tenso. Os pensamentos que nos controlam a respeito da outra pessoa, a culpa, a ansiedade e a frustração de um relacionamento quebrado certamente precisam de solução. É aqui que Em Busca da Paz destaca-se entre muitas outras vozes que disputam nossa atenção quando temos que lidar com conflitos. Alguns livros merecem uma leitura superficial, outros merecem um olhar mais atento e até uma imersão na leitura, outros ainda merecem ser relidos periodicamente. Em Busca da Paz está neste último grupo. É um livro com base bíblica e cristocêntrica, é prático e contém sabedoria provada.

Em busca da paz ou do fracasso
O que acontece quando as pessoas não buscam a paz?  Robert Jones diz: “Os relacionamentos fracassam sem ela”. É claro que você sabe que isso é verdade, eu sei que isso é verdade, e Robert Jones certamente sabe disso, mas muitas vezes fracassamos na busca da paz. Se quisermos parar de fingir que tudo está em paz, e começar a buscar a paz de verdade, este é o livro que precisamos ler.

Em Busca da Paz proporciona para você conselhos bíblicos consistentes, desenvolvidos em três etapas: Passo 1 – Agrade a Deus; Passo 2 – Arrependa-se, e Passo 3 – Ame a outra pessoa. Parece bastante simples, não é? Mas quando se trata de relacionamentos, as coisas podem se complicar. E é aqui que a sabedoria e a experiência de Robert Jones brilham à medida que ele estabelece conexão entre a teologia à vida real.

Comece por agradar a Deus     
Com sabedoria e sinceridade, Robert Jones começa concentrando-se em Deus e, especificamente, no Deus da paz. Ele apresenta a pacificação como um tema de destaque nas Escrituras, já que “ela trata, em todas as suas páginas, de nosso relacionamento com Deus e com os outros” (p. 30). Este tema prendeu minha atenção desde o início do livro. Eu vivo no mundo real e quero ler livros que estabeleçam uma conexão entre as Escrituras e a vida real. Robert Jones ajuda estrategicamente os seus leitores a verem os conflitos interpessoais e a paz através da lente do Evangelho. Ele ensina os leitores a esperar por conflitos porque, os conflitos são inevitáveis em um mundo pecaminoso. No entanto, ele vai além e apresenta a sabedoria bíblica que permite não apenas solucionar os conflitos, mas também recebê-los como oportunidades proporcionadas por Deus (p. 57-64).

Robert Jones lembra-nos que o primeiro objetivo na solução de conflitos é agradar a Deus. Este deve ser o objetivo fundamental antes buscarmos qualquer tipo de reconciliação. Agradar a Deus, antes de agradar a outras pessoas, deve ser o nosso principal alvo de vida (p. 67). Robert Jones também ajuda o leitor a entender o que acontece quando alguém ou alguma coisa que não seja Cristo cativa nosso coração. Ele ilustra estes desejos desmedidos, fora de controle, por meio do diagrama “Escadaria para o Trono” que retrata Cristo no trono e os nossos desejos descontrolados procurando destroná-lO (p. 100). Se você é um conselheiro, pastor, professor de escola dominical ou líder de grupo pequeno, este esquema é uma ferramenta valiosa para o seu ministério. Ele é uma das várias ferramentas para o aconselhamento que são detalhadas ao longo do livro.

Reconheça seu pecado: arrependa-se
Muitos conflitos existem porque nós não vemos as traves em nossos olhos nem entendemos como trabalhar para a reconciliação com aqueles que foram atingidos pelo nosso erro. Em lugar da paz, vivemos atormentadospor rancores e amargura que nos acompanham ao longo dos anos. Os desencontros acontecem, as pessoas ficam ofendidas, o perdão não é buscado nem concedido, todos seguem adiante como se nada tivesse acontecido. Robert Jones destaca: “Nenhum relacionamento – entre marido e esposa, pais e filhos ou outro – prosperará se a parte ofendida duvidar do arrependimento do ofensor ou de sua disposição para assumir responsabilidade pelas suas ações” (p. 113).

O autor prossegue mostrando como remover as traves que nos cegam a fim de que fiquemos livres para pedir e conceder o perdão quando necessário. Além disso, ele disseca cuidadosamente a anatomia de um pedido de perdão, ajudando os leitores a descobrir o caminho da reconciliação genuína (p. 140-152). Coisas como “eu tinha bebido demais; na verdade, foi sua culpa; eu te amo, estava de TPM, eu sinto muito, mas…” (p. 134) são substitutos desastrosos para um pedido sincero de perdão. Como um bom pastor, Robert Jones conduz os leitores para longe destes erros. Ele nos orienta em direção a um reconhecimento saudável do nosso pecado e da nossa necessidade contínua de arrependimento, e nos dá muitas ferramentas para saber como pedir perdão quando erramos nos nossos relacionamentos.

O amor vence, de verdade
Conforme nosso autor prepara-se para a aterrizagem, ele entra na terceira etapa, amar as outras pessoas, e trata de nossas atitudes e de como perdoar, confrontar e servir os outros (p. 158). Os capítulos finais contêm uma ferramenta de valor inestimável para o aconselhamento, que já tenho utilizado. É um gráfico baseado em Lucas 6.27-36, que usa as expressões: “Faça o bem – Abençoe – Ore”. Este gráfico ajuda os leitores a pensar em como eles podem fazer o bem aos outros de forma prática, o que significa abençoar outra pessoa, e como orar pelos outros. Quando usado no aconselhamento, é um bom remédio para quem enfrenta conflitos nos relacionamentos e luta com a amargura.

Este livro é uma ferramenta de valor inestimável para a Igreja. Eu o recomendo plenamente a todos – crentes e também descrentes a quem você queira alcançar com o Evangelho. A divisão clara em doze capítulos faz de Em Busca da Paz um recurso excelente para o discipulado em grupo ou o aconselhamento individual. Robert Jones é profundo na teologia e aplica as verdades à vida cotidiana. Ele é fiel ao texto bíblico e mantém um estilo de leitura clara. Eu simplesmente não poderia pedir nada mais. Compre, leia, releia, passe-o adiante e, mais importante, busque a paz.

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Original da resenha: Pursuing Peace: A Christian Guide to Handling Our Conflicts
Fonte: Biblical Counseling Coalition.
Michael Parks é o pastor de Discipulado e Missões na Paramount Church, em Columbus – OH, uma igreja comprometida com o aconselhamento bíblico. Ele estudou no Moody Bible Institute, Southeastern Baptist Theological Seminary, e obteve seu certificado de aconselhamento bíblico na CCEF.

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Ficha Técnica
Autor: Robert Jones
Título:  Em busca da paz: princípios bíblicos para lidar com conflitos e restaurar relacionamento quebrados
Título original:  Pursuing Peace: a Christian guide to handling our conflicts
Editora: Nutra Publicações
Páginas: 301
Data de publicação: 2014

Robert Jones é Doutor em Ministério pelo Westminster Theological Seminary; Mestre em Teologia pelo Trinity Evangelical Divinity School. É professor de aconselhamento bíblico no Southeastern Baptist Theological Seminary. É membro da Association of Certified Biblical Counselors (ACBC). Também é conciliador cristão certificado e instrutor adjunto de Peacemaker Ministries e da Christian Counseling and Education Foundation (CCEF). Conferencista experiente, já foi preletor em conferências de aconselhamento e cursos nos Estados Unidos, na Espanha e no Brasil.

Conversa entre mães: a culpa e a cruz

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Rebecca VanDoodewaard

Existe alguma mãe na redondeza que nunca tenha se sentido culpada pelo seu desempenho como mãe? Umas mais, outras menos – todas nós estamos fazendo ou deixando de fazer coisas que nos fazem sentir culpadas. Quando você está ciente de que uma pessoa dependente, a quem você ama, conta com você para praticamente tudo (de alimentos a cuidados médicos e férias memoráveis), isso gera uma carga significativa de responsabilidade e também peso por um desempenho imperfeito.

Não estou certa, porém, de que os pecados por comissão ou omissão sejam a causa principal da culpa que as mães sentem. Se formos honestas, o maior responsável é geralmente o orgulho e/ou o temor a homens. Queremos ser a melhor mãe da redondeza e/ou não queremos que as pessoas pensem que não estamos cuidando bem das necessidades dos nossos filhos. Queremos que os nossos filhos e as pessoas que nos rodeiam pensem que somos mães fabulosas, que atendem a todas as necessidades. Queremos ouvir que somos maravilhosas ou, pelo menos, que estamos sendo ótimas mães. Muitas vezes, sentimos mais culpa por achar que a quantidade de artesanato (ou de leitura, de esportes, de ________) que fazemos com os nossos filhos não é suficiente, do que por gritar com eles quando estamos atrasadas. Será que é porque deixar de fazer artesanato é um pecado? Não: felizmente, a Bíblia não diz nada sobre criatividade com palitos de picolé e cola. Sentimo-nos culpadas porque a outra mãe faz artesanato com seus filhos e nós pensamos que ficamos para trás. Gritar com os nossos filhos não é um grande problema porque as outras mães não nos veem gritar com eles – se elas nos vissem, nós não gritaríamos.

Isso é muito feio quando soletrado em preto e branco, não é? Já está me fazendo encolher toda, pois vejo esse retrato na minha própria vida. A culpa que muitas vezes carrego não é culpa por eu ser inconsistente na disciplina dos meus filhos, mas porque alguma outra mãe está fazendo _______ para seus filhos e eu não estou. Minha culpa não vem de uma consciência sensível para com Deus, mas de um coração que quer estar à frente das outras mães.

Com certeza também existe a culpa que vem de uma consciência sadia que está fazendo devidamente sua tarefa e indicando-nos onde temos falhado em cuidar dos filhos conforme Deus nos manda fazer. Sentimo-nos culpadas por esquecer de orar por nossos filhos, pela negligência no ensino, ou então pelo egoísmo presente nas nossas palavras e ações, e esta é uma culpa saudável, que deve nos levar ao arrependimento.

A cruz é a resposta para ambos os tipos de culpa de uma mãe – a culpa pelo orgulho/temor a homens e também a culpa por comissão/omissão. A cruz faz-nos olhar para o nosso Salvador, em lugar de olhar para os outros e, especialmente, em lugar de fixar os olhos em nós mesmas. Quando fixamos nossos olhos na cruz, tudo mais vai para o seu devido lugar. As opiniões das outras pessoas não dominam quando estamos conscientes de que vivemos perante a face de Deus.

E quando pecamos como mães por transgredir a Palavra de Deus ou por ignorá-la, nós podemos correr para a cruz e encontrar o perdão por meio da expiação substitutiva de Jesus. Ao confessar os nossos pecados, somos perdoadas, purificadas de toda injustiça (1João 1.9).

Deus pode nos perdoar não apenas por aqueles momentos de impaciência com nossos filhos, mas pelos momentos quando nos sentimos culpadas ao nos esforçamos por nós mesmas para parecermos melhores do que as outras mães. A culpa é uma dádiva de Deus que vem quando estamos fazendo algo que nós acreditamos ser errado. Se o nosso senso de fracasso na tarefa materna for ditado cada vez mais pelas Escrituras, em lugar de ser ditado pelo Pinterest ou pelo Facebook, poderemos usar a culpa para correr para a cruz e deixar esse fardo lá com o nosso Salvador, que morreu também por pecados como esses. Isso nos liberta tanto da escravidão das opiniões dos outros quanto da culpa merecida pelo nosso pecado. Isso também permite-nos cumprir a tarefa de mãe pela Sua força, pois sem ela falharemos continuamente com nossos filhos.

Original: Mommy Guilt and The Cross
The Christian Pundit