Novos e notáveis (mar 2015 -1)

Destaques on-line da semana

Um post que compartilha textos, vídeos e outros conteúdos selecionados na internet.

Esta semana, os artigos em português são escritos por mulheres para mulheres e tratam da vida mental, inveja e redes sociais. Nos links em inglês, o assunto em destaque é a educação de filhos em seus vários aspectos: o perigo da pornografia, a orientação vocacional, as influências distintas do pai e da mãe, os filhos que se distanciam de Deus.

PORTUGUÊS

Artigos

Aline Dolan. A perigosa vida paralela de nossas mentes
É confortável e prazeroso imaginar-nos em situações agradáveis ou dedicar tempo a “novela” de vida que criamos em nossas cabeças. Por esta razão, muitas vezes nos damos o direito de “viajar” sem nenhum controle ou censura. Entretanto, nossos desejos, pensamentos ou emoções não podem ter autoridade sobre nossas ações. É preciso manter nossos pensamentos cativos (2Co 10.5). Decidir conservar sua mente provida de alimento próprio é declarar uma verdadeira guerra!”#MudançaDeMente #CrescimentoCristão #MulherCristã

Lydia Brownback. 5 benefícios de ser uma mulher sábia
“Os benefícios de um viver sábio são muito numerosos para serem incluídos em um único livro; entretanto, observemos alguns deles.” #MulherCristã

Marília Berti. Uma vida coerente: redes sociais e as meninas
Você ainda não acha que passar o dia na internet seja um problema? Então que tal fazermos um teste? Responda a estas duas perguntas: (1) Quanto tempo você tem gastado na internet em seu tempo livre? (2) E quanto tempo tem gastado com a Bíblia a cada dia? Provavelmente você gasta mais tempo navegando, acertei?” #MídiaSocial #MulherCristã #Jovens

Renata Veras. 6 (péssimos) disfarces para a inveja
A inveja revela um coração insatisfeito com o que Deus tem lhe dado. Revela um coração ingrato e cobiçoso. Revela um coração que não é totalmente controlado pelo Espírito, mas que ainda age de acordo com a carne.”#Inveja #MulherCristã

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INGLÊS
Caso precise de ajuda para a leitura dos artigos em inglês, recorra ao Tradutor do Google. A tradução nem sempre é perfeita, especialmente nas concordâncias nominais e verbais, mas permite ter uma boa noção do conteúdo do artigo.

Artigos

Courtney Reissig. My son needs a mommy and a daddy
Much of our differences in marriage and parenting is often owed to a misunderstanding of God’s good design for us—intrinsically as men and women created equally, but different. #EducaçãoDeFilhos

Gene Edward Veith, Jr. Why your job matters
Today children are asked, “What are you going to be when you grow up?” as soon as they can talk. College students are pressured into declaring a major on their application forms. Advice from books and consultants about choosing a career, going after that perfect job, and “vocational development” has become a big business in itself.The Christian doctrine of vocation approaches these issues in a completely different way. Instead of “what job shall I choose?” the question becomes “what is God calling me to do?” Our vocation is not something we choose for ourselves. It is something to which we are called. #Trabalho #Vocação #OrientaçãoVocacional

Heath Lambert. Addressing parenting in a hyper-sexualized culture
We can speak about sex the way God does in the Bible and we can do so in an age appropriate way.”  #EducaçãoDeFilhos #PurezaSexual

Joey Cochran. Send him on his way: sons and vocation
As I think about helping your son figure out his vocation — I can’t help but think that it doesn’t matter how young they are — they’re never too young to coach them and help think through what they love to do and what they might do for a lifetime. Here’s a few things I’ve done with my three year old boy. #EducaçãoDeFilhos #OrientaçãoVocacional

Mike Boling. Five ways parents can speak to their children about the evils of pornography
Your child is almost assuredly being exposed to porn. I hope that caught your attention. Now an understandable response is “That is impossible. We do not watch porn in our home and we ensure that no inappropriate programming is allowed.” I get that; however, your child is almost assuredly being exposed to porn. How can I make that claim? I can make it from personal experience. #EducaçãoDeFilhos #VícioEmPornografia

Tedd Tripp. Getting to the heart of behavior: an example
Ask good questions to help your children understand their attitudes of heart. #EducaçãoDeFilhos

Julie Ganschow. Parents of the prodigal
When you learn that your child has abandoned their faith in Christ your first inclination is to find something or someone to blame. Was it that new friend? Was it the school they’re attending? Was it the influence of a public figure or a boyfriend or girlfriend? We know that bad company corrupts good character (1 Cor. 15:33), and we know that the Scriptures talk about listening to foolish talk and how it corrupts (Eph. 5:4). But are those really the cause of a person abandoning their faith? #FilhosRebeldes #FilhosAdultos

Áudios

John Piper. Advice to teens about their parents
#Adolescentes #AconselhamentoDeAdolescentes
(Duração — 10:01)

Vídeos

Heath Lambert. Parenting in a hyper-sexualized culture
Speaking as a father, Heath Lambert gives parents some practical ways they can shepherd their children well in a hyper-sexualized culture. #EducaçãoDeFilhos #PurezaSexual

Lama no para-brisa

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“Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma”, afirma o salmista em sua oração a Deus (Sl 94.19). Quando a ansiedade se abate sobre nós e embaça nossa visão, a verdade da Palavra de Deus traz de volta a perspectiva certa para prosseguir, relembrando-nos quem é o nosso Deus e qual o Seu plano para nós.

John Piper ilustra esta verdade, recomendando-nos que liguemos o “limpador de para-brisa” e prossigamos sem sair da estrada. Como fazê-lo?

Suponha que você está em uma corrida de carros e seu inimigo, que não quer que você termine a corrida, lance lama no seu para-brisa. O fato de você perder a visão do alvo temporariamente e começar a guinar para cá e para lá não significa o abandono da corrida. E certamente não significa estar na pista de corrida errada. Se assim fosse, o inimigo nem se incomodaria com você. Isso significa que você deve ligar o limpador de para-brisa e esguichar a água para lavá-lo. […]

Salmo 56.4 diz: “Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti”. Observe que não diz: “Eu nunca tenho problema com o medo”. O medo ataca, e a batalha começa. Assim também a Bíblia não pressupõe que verdadeiros crentes não passem por ansiedades. Em vez disso, a Bíblia nos mostra como combater quando elas atacam. Por exemplo, 1Pedro 5.7 diz: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês”. Não diz: “Vocês nunca terão ansiedades”. Diz que quando você as tiver, lance-as sobre Deus. Quando a lama salpicar o seu para-brisa e você perder temporariamente a visão da estrada e começar a cambalear em ansiedade, ligue o limpador e esguiche água para limpar o para-brisa.

PIPER, John. Graça futura: o caminho para prevalecer sobre as promessas enganosas do pecado. São Paulo: Vida Nova, 2009. p. 57

Novos e notáveis (fev. 2015 -2)

Destaques on-line da semana

Um post que compartilha textos, vídeos e outros conteúdos selecionados na internet.
Esta semana os assuntos vão de métodos de aconselhamento a como lidar com alguém que enfrenta o luto por ter perdido um filho, como entender o transtorno obsessivo compulsivo, encorajamento para o dia a dia da mulher cristã, e muito mais.

PORTUGUÊS

Artigos

Jay Adams. Como avaliar o compromisso do aconselhado?
“Um compromisso pleno geralmente envolve cinco elementos.” Conheça quais são.
#AconselhamentoBíblicoMetodologia

INGLÊS

Artigos

Christina Fox. A prayer for when you are waiting 
“Are you currently in a place of waiting? Perhaps you are waiting for a job, for healing, for restoration in a relationship, or for wisdom to know where you should go next.That place of waiting is a place we are all familiar with. It’s a place we find ourselves in often over the course of our lives. Though it’s a familiar place and one we know well, we can often grow wearing in our waiting. Sometimes our hearts grow heavy with worry and doubt. Sometimes we might wonder if God has forgotten about us or given up on us.” #Espera #MulherCristã #Oração

Erin Davis. To love others, do I have to “love myself?”
“The Bible gives us a formula for lasting love that doesn’t teach us to love ourselves first.”
#AmorPróprio #RelacionamentosInterpessoais

Greg Gibson. Thinking different about teenagers and dating
“I have been working with teenagers and their families for the past 10 years, and nothing brings more counseling sessions with conflicted parents and teens who are full of guilt and shame to my office than this topic.  Whenever these conversations, counseling sessions, teaching moments, and sermons take place, I always go back to 5 words to guide our conversation.”
#Adolescentes #Namoro #AconselhamentoDeAdolescentes

Kim Shay. Age with zeal
“Aging is a part of God’s created order, and as Christian women, we don’t want to be sucked into the pursuit of eternal youth. We want to embrace that grey hair, those hard won wrinkles, that extra girth around the middle which demonstrates the years of living which we’ve done. We don’t want to look like those aging celebrities who inject their faces with stuff that makes them look as though they’ve been attacked by a vacuum cleaner. We don’t want resort to dressing like we’re twenty-one in the name of taking pride in our aging bodies. But aging is more than bodily changes; it’s about our hearts, minds, and attitudes.”
#MulherCristã #TerceiraIdade

MichaelDavid Sills. 8 essential components for discerning God’s will
“These are the eight components you should keep in mind as you pray about God’s will and make the best decision for the next step in your life, whether that is to serve in missions, pursue a particular field of study, move to a new city, etc. These are not ‘8 easy steps to know God’s will for your life.’ They are simply biblical considerations to consider in those moments.”
#Decisões #VontadeDeDeus

Patricia Ennis. Mary and Martha’s home management tips
“Mary and Martha, significant women who impact our Christian faith, offer a clear portrait of biblical Servanthood applied to the home.”
#MulherCristã #PlanejamentoPessoal

Paul Tautges. Sin in the believer
“The Puritans’ practical theology concerning the presence of sin in the believer (stemming from an accurate interpretation of Romans 5-7) may be summarized into three categories. This helps us to understand temptation, our responsibility to kill sin, and the power of Christ and His gospel to set us free.”
#Pecado #Tentação

Áudios

John Street. The Bible, mental health, and OCD
(Duração 46:09)

Vídeos

Nancy Guthrie. What do we say to grieving people?
“Because my husband David and I have gone through the death of two of our children, and we do a lot of speaking and interacting with grieving people, oftentimes people ask us, “What do I say to someone who has just lost someone, or what do I do?” None of us wants to be that person who says the really stupid thing, or the really insensitive thing.”
#Luto

O conselheiro “agradável”

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Gostamos de conversar com pessoas agradáveis. Mais ainda, queremos ser pessoas agradáveis, conselheiros agradáveis. No entanto, ser uma pessoa “agradável” não significa necessariamente ser uma pessoa que cultiva um relacionamento vital com Cristo.

Edward Welch levanta um alerta para o conselheiro bíblico: você pode parecer paciente e bondoso, mas verifique se isso se deve a traços pessoais herdados e influenciados pelas circunstâncias, ou à expressão contínua do fruto do Espírito em sua vida. Aqui está uma lista de perguntas que Ed Welch sugere para um exame pessoal do conselheiro.

●  Minha vida privada é coerente com minha vida pública?
●  Costumo orar por aquelas pessoas que abrem seu coração comigo?
●  Eu não me satisfaço a menos que esteja crescendo na fé, esperança e amor?
●  Tenho prazer no crescimento espiritual dos outros?
●  A pessoa e obra de Jesus estão presentes naturalmente em minhas conversas?
●  Estou disposto a levantar questões difíceis como a dureza de coração do aconselhado ou sua cegueira à ira, e levantá-las com humildade e amor?
●  Confesso regularmente meu pecado, o que significa que busco identificar minhas motivações mistas, um coração indiferente e uma simples “agradabilidade” que pode se passar por amor genuíno?

A maioria dos conselheiros cristãos concorda em querer evitar a secularização. Queremos que a nossa fé esteja de forma vital no centro de tudo quanto fazemos. E uma vez que a maioria dos conselheiros são pessoas agradáveis, podemos concordar com o fato de que a melhor coisa a fazer é consultar com frequência esta lista de perguntas.

Extraído de: “Nice” counselors and vital faith

Sofrimento: versículos selecionados

O SOFRIMENTO É INEVITÁVEL NO MUNDO CAÍDO
Jo 16.33 – Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
Rm 8.22-25 – Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.

O SOFRIMENTO TRAZ BENEFÍCIOS PARA O CRISTÃO
Revela o coração
Dt 8.2 – Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.

Aperfeiçoa e fortalece o caráter cristão
Rm 8.28, 29 – Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

●● Perseverança
Tg 1.2-4 – Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.
Rm 5.1-4 – Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.

●● Obediência
Sl 119.67, 71 – Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra. […] Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.

●● Humildade e dependência
2Co 12.7, 9 – Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

●● Confiança em Deus
2Co 1.8, 9 – Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. 9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;

Prepara para confortar outras pessoas
1Co 1.3, 4 – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

O SOFRIMENTO VEM ACOMPANHADO DE ESPERANÇA EM CRISTO
O amor constante de Cristo
Rm. 8.35-39 – Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

A graça sempre suficiente
2Co 12.9, 10 – Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

O poder e amparo de Deus
Sl 68.19 – Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo!
2Co 4.8-10 – Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos.

Um futuro glorioso
Rm 8.18 – Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

Novos e notáveis (fev. 2015 -1)

Destaques on-line da semana

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PORTUGUÊS

Artigos

Elyse Fitzpatrick. Você fala do evangelho para seus filhos ou só de regras?
Quando mudamos a história da Bíblia do evangelho da graça para um livro de ensinamentos morais, como as fábulas de Esopo, todos os tipos de coisas dão errado. Crianças descrentes são encorajadas a mostrar o fruto do Espírito Santo, mesmo que estejam espiritualmente mortas em seus delitos e pecados (Ef. 2:1). Crianças impenitentes são ensinadas a dizer que estão arrependidas e a pedir perdão, mesmo que nunca tenham provado a verdadeira tristeza piedosa. Crianças não regeneradas são informadas de que elas estão agradando a Deus por terem conseguido alguma “vitória moral”.
#EducaçãoDeFilhos

Joel Holland. Dicas de como conversar com seus filhos sobre o sermão
Deixe-me apresentar-lhe a regra mais importante ao conversar com seus filhos sobre o sermão: Eles retêm mais do que você imagina. A segunda regra mais importante é a seguinte: Eles entendem mais do que você imagina. Considerando essas duas verdades escrevo este breve guia sobre como conversar com seus filhos sobre o sermão.
#EducaçãoDeFilhos

Jonathan Parnell. Dez coisas para orar por sua esposa
Não tenho dúvida que para ser um bom pai, antes devemos ser bons maridos. Um marido piedoso, ora por sua esposa.
#Maridos #Oração

Michael Emlet. Teologia, Bíblia e aconselhamento
Qual é a conexão entre teologia bíblica e aconselhamento na igreja local? Talvez, à primeira vista, você diga que não há muita ligação! Por quê? Ao ouvir “teologia bíblica”, você tende a pensar em categorias abrangentes, tais como criação, queda, redenção e consumação. Você pensa em termos de temas bíblicos centrais, como pecado, sofrimento, êxodo, sacrifício, lei, reino e exílio, e como eles se desenvolvem na Escritura ao longo da história redentiva. Ao ouvir “aconselhamento”, o que vem à mente são temas como ministério interpessoal, diálogo, discipulado, conflitos pessoais e crises. Você vê nomes e rostos específicos.
#AconselhamentoBíblicoMetodologia #AconselhamentoEBíblia #AconselhamentoBíblicoFilosofia

Paul Washer. 12 características do verdadeiro filho de Deus
Fazendo uma leitura da primeira epístola de João, podemos concluir rapidamente algumas características do verdadeiro filho de Deus apresentadas. É nossa esperança que o crente cresça em sua segurança da salvação, e que os não convertidos venham ao reconhecimento de que ainda precisam conhecer a Cristo.
#CrescimentoCristão #CertezaDeSalvação

Rebecca Van Doodewaard. A alegria de uma mãe
Em um mundo perfeito, mães seriam alegres o tempo todo. Mas esse mundo não é perfeito e há coisas específicas que podem roubar a alegria de uma mãe. Como cristãos, nós temos as ferramentas que precisamos para identificar o que está ao nosso redor que “desmancha-prazeres” e cultivar a alegria que Deus nos criou para ter em nossos papéis como mães.
#Mães #Alegria

INGLÊS

Artigos

Carolyn Mahaney. How do I handle the pain of broken relationships?
The friends we welcomed into our home and into our lives, the friends we confessed sin to and worshipped with and shared the gospel alongside—these broken relationships are painful in direct proportion to how sweet they once were.
#ConflitosInterpessoais

Jon Bloom. What is your doing saying?
Your actions speak. Your works are words. The question is what are they saying?
#CrescimentoCristão #MudançaDeComportamento

Julie Ganschow. Why “Stop it” doesn’t work
As biblical counselors, we counsel out of our theology not secular psychology. We believe we need a power greater than ourselves with wisdom beyond what we humanly possess to navigate the trials of life. Our paradigm opposes the secular perspective which promotes the theory that mankind has enough goodness and wisdom within himself individually or collectively to overcome problems.
#AconselhamentoBíblicoMetodologia #MulherCristã

Katie McCoy. The best kept secret behind “50 Shades of Grey”
50 Shades seemed to fill a void for many women. It spiced up their marriages, eased the ache of loneliness, helped them escape the discontent of lost intimacy, masked resentment over singleness, or just relieved stress. But this pop-culture phenomenon reveals a problem even bigger than the book’s content: Many women are dissatisfied. And they still haven’t found what they’re looking for.
#PurezaSexual #MulherCristã #VícioEmPornografia

Luke Gilkerson. You don’t get the Gospel if it doesn’t change you
How does God transform people from the inside out? In our fractured, fragmented, and sinful lives, how does God bring about lasting change?
#MudançaDeMente #MudançaDeComportamento

R.C. Sproul. Doubt and obedience
One comment that Christian pastors sometimes hear from people they are counseling is that it would be easier for them to have a strong faith if they could see God doing the same kinds of miracles today as are recorded in the Bible. The unspoken assumption is that seeing is believing—that the people who lived in Jesus’ day found themselves more readily trusting Him because they could see His great works.
#Dúvidas #CrescimentoCristão

Rachel Coyle. “Fifty Shades of Grey” dispels an old myth
The best-selling book Fifty Shades of Grey dispels the old myth that women do not use pornography, that it’s a “man’s problem.” Forever we’ve heard the claim that women are “not turned on by sight.” But the popularity of Fifty Shades of Grey reveals how pornography captivates women, too. In fact, it may captivate them more since women often indulge in other forms of pornographic literature that are not commonly recognized as such because they appear softer.
#PurezaSexual #MulherCristã #VícioEmPornografia

Robert Kellemen. Mental Illness and the Church: developing a Compassionate and comprehensive biblical counseling response
How do we cultivate a gospel-centered culture of grace in our churches as we respond to sufferers struggling with deep, ongoing emotional distress? How do we become redemptive communities engaging in gospelcentered relationships with people diagnosed with mental illness? How do we respond to a Christian world that has, perhaps, accepted a definition of mental illness that is not always comprehensively biblical or fully compassionate? How do we speak wisely about mental illness and the complex interaction of the brain/body/mind/heart/soul? How do we address root causes of life struggles (heart) without being heard to say that we are ignoring the whole person or lacking empathy for social factors (nurture) and physiological issues (nature)?
#DoençaMental #AconselhamentoEModelosTerapêuticos

Robert Kellemen. Mental Illness and the Church
As the Body of Christ and as a biblical counseling movement, God calls us to respond compassionately and comprehensively to individuals (and their families) suffering with troubling emotions and thoughts. To minister Christ’s gospel of grace to people compassionately and comprehensively, we need to reflect biblically and historically (church history) on several interrelated questions.
#DoençaMental #AconselhamentoEModelosTerapêuticos

Sean Perron. Whether you eat, drink, or decline a date
Girls can be placed in an awkward position when they are asked out. How should a girl turn down a guy?
#Namoro #JovemCristã

Gráficos, esboços e apostilas

Brent Aucoin. Two hearts diagrams
#MudançaDeMente #MudançaDeComportamento #Adoração

Vídeos

Brent Aucoin. Heart of change
If you had the key to human behavior, what could that do for you? Having the key to human behavior would help you understand why you do the things you do and why others do what they do. Our behavior indicates that all of us have a heart problem.
#MudançaDeMente #MudançaDeComportamento #Adoração

John Piper. You can say no to porn
Not all sexual desire is lust. God made sexual desire. It has its good place and it can, in fact, become an act of worship in the temple of marriage. But lust is sexual desire gone wrong. Here’s my definition: Lust is a sexual desire that dishonors its object and disregards God. Disregards the promises and the warnings of having or losing the beauties of Christ.
#PurezaSexual #VícioEmPornografia

semana 2015-02-14

Facebook – Igreja Batista Boas Novas – Caldas Novas

O trabalho: versículos selecionados

O trabalho instituído e regulamentado
Gn 2.15 – Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.
Êx 20.9-11 – Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.

O trabalho observado e recomendado
Sl 127.1 – Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
Sl 128.1, 2 – Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem.
Pv 6.6-11 – Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega, ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
Pv 10.4, 5 – O que trabalha com mão remissa empobrece, mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se. O que ajunta no verão é filho sábio, mas o que dorme na sega é filho que envergonha.
Pv 12.11 – O que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso.
Pv 12.27 – O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente.
Pv 13.4 – O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta.
Pv 14.23 – Em todo trabalho há proveito; meras palavras, porém, levam à penúria.
Pv 18.9 – Quem é negligente na sua obra já é irmão do desperdiçador.
Pv 20.4 – O preguiçoso não lavra por causa do inverno, pelo que, na sega, procura e nada encontra.
Pv 20.13 – Não ames o sono, para que não empobreças; abre os olhos e te fartarás do teu próprio pão.
Pv 21.25 – O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar.
Pv 22.29 – Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe.
Pv 24.30-34 – Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas. Tendo-o visto, considerei; vi e recebi a instrução. Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado.
Pv 26.13-16 – Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas. Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim, o preguiçoso, no seu leito. O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca. Mais sábio é o preguiçoso a seus próprios olhos do que sete homens que sabem responder bem.
Pv 28.19 – O que lavra a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que se ajunta a vadios se fartará de pobreza.

O trabalho exemplificado por Cristo
Jo 5.17 – Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
Jo 17.4 – Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer.

O trabalho exemplificado por Paulo
At 18.1-3 – Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto. Lá, encontrou certo judeu chamado Áqüila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas.
1Co 15.10 – Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.
1Ts 2.9, 10 – Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o evangelho de Deus. Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes.

O trabalho ordenado para a vida aqui na terra
At 20.34, 35 – De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber.
Ef 4.28 – Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.
Ef 6.5-8 – Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.
Cl 3.17 – E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Cl 3.23, 24 – Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo.
2Ts 3.10-12 – Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão.
1Ts 4.10-12 – Contudo, vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais e a diligenciardes por viver tranquilamente, cuidar do que é vosso e trabalhar com as próprias mãos, como vos ordenamos; de modo que vos porteis com dignidade para com os de fora e de nada venhais a precisar.
1Tm 6.18 – Que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir.

O trabalho prometido aos salvos para a vida na eternidade
Ap. 22.3 – Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão.

Lembretes para navegar na rede: versículos selecionados

Ao navegar

Sl 101.2-4 − Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero. Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará. Longe de mim o coração perverso; não quero conhecer o mal.
Sl 119.104 −  Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade.
Pv 14.15 – O simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.
Pv 15.3 − Os olhos do Senhor estão em todo lugar.
Pv 16.25 − Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte.
1Co 6.12 − Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
1Co 10.31 – Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.
1Ts 5.21, 22 −  Julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal.

Ao postar nas redes sociais

Pv 15.2 – A língua dos sábios adorna o conhecimento, mas a boca dos insensatos derrama a estultícia.
Pv 18.2 – O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar o seu interior.
Pv 21.23 – O que guarda a boca e a língua guarda a sua alma das angústias.
Pv 27.2 – Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios.
Gl 2.19, 20 – Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.

Mutualidade cristã: versículos selecionados

Uns aos outros no Novo Testamento

 Acolher, receber
Rm 15.7Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.

 Aconselhar, admoestar
Cl 3.16 Instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente
Rm 15.14 E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros.

●  Amar
Rm 12.10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal.
Rm 13.8A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros.
1Ts 3.12E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco.
1Ts 4.9…vós mesmos estais por Deus instruídos que deveis amar-vos uns aos outros.
1Pe 1.22… amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente.
1Pe 4.8Tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.
1Jo 3.11Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros.
1Jo 3.23; 4.7, 11; 2 Jo 1.5… amemos uns aos outros.

● Levar o peso, suster
Gl 6.2Levai as cargas uns dos outros.

● Confessar os pecados, admitir, reconhecer.
Tg 5.16Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros.

● Considerar com atenção e estimular ao bem
Hb 10.24Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.

● Consolar, exortar, chamar ao lado para auxiliar
1Ts 4.18Consolai-vos, pois, uns aos outros.
1Ts 5.11Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente.
Hb 3.13…exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.

● Cooperar, manter comunhão
Hb 13.16Não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação.
1Jo 1.7… mantemos comunhão uns com os outros.

● Cultivar a paz, a harmonia
Rm 14.19Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.
1Ts 5.13Vivei em paz uns com os outros.

● Cultivar a humildade
Ef 4.2Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.
Fp 2.3Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.
1Pe 5.5Outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça.

● Cultivar a disposição para servir
Gl 5.13Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.

● Dar a preferência, considerar com respeito e deferência
Rm 12.10Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.

● Edificar
Rm 14.19Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.
1Ts 5.11Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente.

● Ensinar
Cl 3.16Instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente.

● Evitar o mau julgamento e não ser obstáculo, empecilho
Rm 14.13Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.

● Evitar queixas, reclamações
Tg 5.9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados.

● Falar a verdade em lugar de mentiras, falar aquilo que confiável, fidedigno e justo
Ef 4.25Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo.
Cl 3.9Não mintais uns aos outros

● Hospedar
1Pe 4.9Sede mutuamente hospitaleiros sem murmuração.

● Manter o espírito de unidade em pensamento e atitude
Rm 12.16Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.
Rm 15.5Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros.

● Orar
Tg 5.16…  e orai uns pelos outros.

● Perdoar
Ef 4.32Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.
Cl 3.13Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente.

● Servir, ajudar
1Pe 4.10Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu.

● Sujeitar-se, ser submissa
Ef 5.21… sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

● Suportar, suster
Ef 4.2com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.

Relacionamentos interpessoais: versículos selecionados

O relacionamento com Deus: base para os demais relacionamentos e antídoto contra a solidão

Sl 16.8 – O SENHOR, tenho-o sempre à minha presença; estando ele à minha direita, não serei abalado.
Sl 23.4 – Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.
Sl 27.10 – Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá.
Sl 34.18 – Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido.
Jo 14.16, 17 – E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.
Jo 14.21, 23 – Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. […] Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.
Jo 15.13-15 – Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.
Rm 8.38, 39 – Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
1Co 1.9 – Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Hb 13.5b – Porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.
1Jo 1.5-7 – Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.

—Os relacionamentos interpessoais sábios: os conselhos de Provérbios

Pv 18.1 – O solitário busca o seu próprio interesse, e insurge-se contra a verdadeira sabedoria.

● O companheiro e colega (rea’), e o vizinho (shoken)
Pv 3.29 – Não maquines o mal contra o teu próximo, pois habita junto de ti confiadamente.
Pv 11.9 – O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento.
Pv 11.12 – O que despreza o próximo é falto de senso, mas o homem prudente, este se cala.
Pv 12.26 – O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar.
Pv 13.20 – Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau.
Pv 14.21 – O que despreza ao seu vizinho peca, mas o que se compadece dos pobres é feliz.
Pv 22.11 – O que ama a pureza do coração e é grácil no falar terá por amigo o rei.

● O amigo que ama (‘ohev) e o amigo mais chegado (‘allup)
Pv 15.30 – O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos.
Pv 17.17 – Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão.
Pv 18.24 – O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão.
Pv 27.6 – Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.
Pv 27.9, 10 – Como o óleo e o perfume alegram o coração, assim, o amigo encontra doçura no conselho cordial.
Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade.
Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe.
Pv 27.17 – Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.

Submissão: versículos selecionados

A submissão uns aos outros reflete nossa submissão a Deus

—● Submissão a Deus
Dt 8.6 – Guarda os mandamentos do SENHOR, teu Deus, para andares nos seus caminhos e o temeres.
1Sm 15.22, 23 – Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros.  Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar.
Sl 119.4-6 – Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca. Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos. Então, não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus mandamentos.
Sl 119. 10, 11 – De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.
Is 45.9 — Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça. 
Mt 5.17-19 – Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
Mt 7.24-27 – Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.
Jo 14.15 – Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
Jo 14.21 – Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.
Jo 15.10 – Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.
Rm 6.17, 18 — Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. 
Tg 1.22-25 – Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.
1Pe 5.6 – Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte.
1Jo 2.3-6 – Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.
1Jo 3.21-24 – Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável. Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou. E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.
1Jo 5.2, 3 – Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.
2Jo 1.6 – E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor.

Submissão uns aos outros
Ef 5.18, 21 — … enchei-vos do Espírito, […] sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo

—● Submissão da esposa ao marido
Ef 5.22-33As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.
Cl 3.18, 19 –  Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura..
1Pe 3.1-6 – Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,  ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor. Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seu próprio marido, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.

—● Submissão dos filhos aos pais
Êx 20.12 — Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
Mt 19.19 — honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Ef 6.1-4 — Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.
Cl 3.20, 21 — Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados.

—● Submissão aos líderes espirituais
1Ts 5.12, 13  — Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros.
Hb 13.17 — Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.
1Pe 5.2-5 — Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça.

—● Submissão às autoridades civis
Rm 13.1-7 — Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
Tt 3.1, 2 —  Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens.
1Pe 2.13-17 — Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.

—● Submissão aos empregadores
Ef 6.5-9Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre. E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.
Cl 3.22-25 — Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas.
1Tm 6.1, 2 — Todos os servos que estão debaixo de jugo considerem dignos de toda honra o próprio senhor, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. Também os que têm senhor fiel não o tratem com desrespeito, porque é irmão; pelo contrário, trabalhem ainda mais, pois ele, que partilha do seu bom serviço, é crente e amado.
Tt 2.9, 10 — Quanto aos servos, que sejam, em tudo, obedientes ao seu senhor, dando-lhe motivo de satisfação; não sejam respondões, não furtem; pelo contrário, deem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador.
1Pe 2.18-20 — Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.

Quando uma autoridade pode ser desobedecida
—● O exemplo dos amigos de Daniel: Daniel 3.16-18
—● O exemplo de Daniel: Daniel 6.1-28
—● O exemplo de Pedro: Atos 5.27-29

Finanças e bens materiais: versículos selecionados

Praticamente todos os livros das Bíblia têm algo a ensinar sobre finanças e bens materiais, seja por meio de princípios, preceitos, parábolas ou histórias de vida. No livro de Provérbios, em especial, encontramos as observações do sábio sobre o andamento da vida e suas recomendações.

Guardar o coração
● Não depositar a confiança nos bens materiais nem tê-los como prioridade.
Pv 11.28 – Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem.
Pv 23.4, 5 – Não te fatigues para seres rico; não apliques nisso a tua inteligência. Porventura, fitarás os olhos naquilo que não é nada? Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus.

● Tanto a riqueza quanto a pobreza estão debaixo da soberania de Deus.
Pv 22.2 – O rico e o pobre se encontram; a um e a outro faz o SENHOR.

● Há perigos tanto na pobreza quanto na riqueza.
Pv 30.8, 9 – Afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.

● A riqueza é menos valiosa que a sabedoria, os relacionamentos e a consciência limpa.
Pv 3.13, 14 – Feliz o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento; porque melhor é o lucro que ela dá do que o da prata, e melhor a sua renda do que o ouro mais fino.
Pv 15.16, 17 – Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação. Melhor é um prato de hortaliças onde há amor do que o boi cevado e, com ele, o ódio.
Pv 17.1 – Melhor é um bocado seco e tranquilidade do que a casa farta de carnes e contendas.
Veja ainda: Pv 8.11; Pv 16.16

Ganhar bens materiais
● Apenas traçar objetivos não é suficiente.
Pv 14.23 – Em todo trabalho há proveito; meras palavras, porém, levam à penúria.

● É preciso trabalhar com diligência.
Pv 10.4 – O que trabalha com mão remissa empobrece, mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se.
Pv 12:11 – O que lavra a sua terra será farto de pão, mas o que corre atrás de coisas vãs é falto de senso.
Veja ainda: Pv 13.11, Pv 18.9; Pv 19.15; Pv 20.4; Pv 20.13; Pv 24.30-34; Pv 28.19

● É sábio fugir de métodos duvidosos para enriquecer rápido.
Pv 15.27 – O que é ávido por lucro desonesto transtorna a sua casa, mas o que odeia o suborno, esse viverá.
Pv 16.8 – Melhor é o pouco, havendo justiça, do que grandes rendimentos com injustiça.
Pv 22.1 – Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro.
Veja ainda: Pv 19.1; Pv 20.17; Pv 21.5; Pv 22.16; Pv 22.22; Pv 28.6; Pv 28.8; Pv 28.20

Gerenciar com planejamento
● É preciso estar ciente do quanto possuímos.
Pv 13.7 – Uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos.

● É preciso fazer planos na dependência de Deus.
Pv 16.1 – O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.

● É preciso pedir e ouvir conselhos, e aceitar a instrução da sabedoria.
Pv 15.22 – Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito.
Pv 13.18 – Pobreza e afronta sobrevêm ao que rejeita a instrução, mas o que guarda a repreensão será honrado.

● É nossa responsabilidade cuidar daquilo que temos.
Pv 27.23, 24 – Procura conhecer o estado das tuas ovelhas e cuida dos teus rebanhos, porque as riquezas não duram para sempre, nem a coroa, de geração em geração.

Gerenciar as ofertas e contribuições
● Devemos honrar a Deus em primeiro lugar com a nossa renda.
Pv 3.9, 10 – Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.

● É sábio conhecer as necessidades de pessoas ao nosso redor e repartir com elas aquilo que o Senhor nos dá.
Pv 3.27 – Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo.
Pv 14.21 – O que despreza ao seu vizinho peca, mas o que se compadece dos pobres é feliz.
Veja ainda: Pv 11.24, 25; Pv 14.31; Pv 19.17; Pv 21.13; Pv 22.9; Pv 28.27; Pv 29.7; Pv 31.7, 8

Gerenciar os gastos
● Não devemos contrair dívidas.
Pv 22.7 – O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta.

● Não é sábio ficar como fiador de dívidas.
Pv 11.15 – Quem fica por fiador de outrem sofrerá males, mas o que foge de o ser estará seguro.
Pv 17.18 – O homem falto de entendimento compromete-se, ficando por fiador do seu próximo.
Veja ainda:  Pv 6.1-5; Pv 20.16; Pv 22.26, 27; Pv 27.13

 Não é sábio fazer gastos precipitados, sem antes avaliar bem a propaganda.
Pv 14.15 – O simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.
Pv 19.2 – Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado.
Pv 27.12 – O prudente vê o mal e esconde-se; mas os simples passam adiante e sofrem a pena.

● É preciso ter domínio próprio.
Pv 25.28 – Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.

● É preciso não desperdiçar em prazeres.
Pv 21.17 – Quem ama os prazeres empobrecerá, quem ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá.
Pv 23.21 – Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem.

Guardar para o futuro
Pv 21.20 – Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os desperdiça.
Pv 30.24, 25 – Há quatro coisas mui pequenas na terra que, porém, são mais sábias que os sábios: as formigas, povo sem força; todavia, no verão preparam a sua comida.
Veja ainda:  Pv 6.6-8

Descansar em Deus: versículos selecionados

O convite dos salmistas

Sl 9. 9, 10 – O SENHOR é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação. Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, não desamparas os que te buscam.
Sl 23.1, 2 – O SENHOR é o meu pastor: nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso;
Sl 25.5 – Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo o dia.
Sl 27.14 – Espera pelo SENHOR, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo SENHOR.
Sl 33.18 – Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia.
Sl 33.20 – Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo.
Sl 37.7 – Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios.
Sl 39.7 – E eu, Senhor, que espero? Tu és a minha esperança.
Sl 40.1 – Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.
Sl 42.5 – Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.
Sl 55.22 – Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.
Sl 62.1 – Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação.
Sl 68.19 – Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.
Sl 91.1, 2 – O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio.
Sl 119.114 – Tu és o meu refúgio e o meu escudo; na tua palavra, eu espero.
Sl 147.11 – Agrada-se o SENHOR dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.

O convite do sábio

Pv 3.5 – Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.
Pv 16.3 – Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos.
Pv 20.22 – Não digas: Vingar-me-ei do mal; espera pelo SENHOR, e ele te livrará.

O convite dos profetas

Is 26.3 – Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.
Is 40.31 – Os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.
Jr 17.7 – Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR.
Lm 3.25 – Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.

O convite do Senhor Jesus

Mt 11.28, 29 – Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.

Conflitos e paz: versículos selecionados

O Deus da paz

Fp 4.9 – O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.
1Ts 5.23 – O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
2Ts 3.16 – Ora, o Senhor da paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias. O Senhor seja com todos vós.
Hb 13.20, 21 – Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!

Reconciliados em Cristo uma vez por todas, temos paz com Deus

Rm 5.1 – Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
Ef 2.13-16­ – Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.
Cl 1.19-22 – Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis.

Vivendo diariamente em Cristo, temos a paz de Deus

Jo 14.27 – Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.
Jo 16.33 – Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.
Fp 4.7 – Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.
Gl 5.22, 23 – Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Rm 15.13 – E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
2Pe 1.2 – Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor.

Somos pacificadores, ministros de reconciliação

2Co 5.17-20 – E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.
Mt 5.9 – Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Tg 3.18 – Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.

Devemos buscar a paz nos relacionamentos

Hb 12.14 – Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.
Mc 9.50 – Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.

1Pe 3.10, 11 – Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente; aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la.
Rm 12.18 – Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.
Rm 14.19 – Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.
Ef 4.1-3 – Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
1Ts 5.13 – Vivei em paz uns com os outros.
2Co 13.11 – Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.

Aconselhamento bíblico: versículos selecionados

Alguns termos relacionados ao aconselhamento no Novo Testamento

  • Parakaleō (cf. 1Ts 2.11, 12; 1Ts 5.11; Hb 3.13) tem grande variedade na tradução para o português: consolar, confortar, fortalecer, exortar, admoestar. A idéia principal é a de chamar ao lado para auxiliar, incluindo confortar com relação a alguma circunstância da vida, mas também encorajar ou exortar a seguir determinado curso de conduta futuro. Na prática, consolação e exortação misturam-se muitas vezes. “No Novo Testamento, admoestação torna-se conforto genuíno e vice-versa, de modo que é difícil separar entre ambos.” [1]
  • Katartizō (cf. Gl 6.1) é traduzido como preparar, aperfeiçoar, corrigir, reparar, consertar. Refere-se a restaurar à utilidade, reparar o que está errado, aperfeiçoar visando a uma utilidade maior.[2]
  • Makrothumeō (cf. 1Ts 5.14, 15), traduzido como exercer paciência e longanimidade, indica a disposição paciente e humilde de lidar com os irmãos.[3]
  • Noutheteō (cf. At 20.31; Cl 1.28; Cl 3.16; 1Ts 5.14, 15; Rm 15.14) é traduzido como admoestar, advertir, exortar, aconselhar. Podemos identificar pelo menos três elementos básicos contidos neste termo: algo errado precisa ser tratado na vida do irmão, o tratamento do problema é pela confrontação e instrução verbal, e a motivação é ajudar o irmão em amor, com envolvimento genuíno e intenso.[4]
  • Paramutheomai (cf. 1Ts 2.11, 12; 1Ts 5.14, 15) é traduzido por consolar, encorajar, animar. Tem o sentido geral de falar bem de perto com alguém, de modo positivo e benevolente, para confortar, consolar, encorajar uns aos outros. [5]

● O aconselhamento é dever do líder espiritual, exemplificado pelo apóstolo Paulo.

At 20.31 — Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.
Cl 1.27-29 — Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a Sua eficácia que opera eficientemente em mim.
1Ts 2.11, 12 — E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.

●  O aconselhamento é dever de cada cristão

Rm 15.14 — E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros.
Gl 6.1 — Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.
Cl 3.16 — Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.
1Ts 5.11 — Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.
1Ts. 5.14, 15 — Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos.
Hb 3.13 — Pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.

 _____________________

[1] Schmitz & Stählin. Parakaleō. In KITTEL, Gerhard (edit.) Theological dictionary of the New Testament. Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1983. v.5, p. 821.
[2] Schippers, R. Katartizō. In BROWN, Colin. O novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1983, v. 4.
[3] LIDDELL, Henry George, SCOTT, Robert. A Greek-English lexicon. Oxford: At Clarendon Press, 1968.
[4] ADAMS, Jay E. Conselheiro capaz. São Paulo: Fiel, 1977, p. 58.
[5] Schütz, H. Paramutheomai.  In BROWN, Colin. O novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1982, v. 1.

Como navegar na internet sem naufragar

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A escolha em um mar de links: tenha cuidado!

PESQUISE NA INTERNET
Escolha com cuidado!
Seleção A informação que circula na internet não está sujeita a qualquer tipo de avaliação ou seleção. Qualquer um pode publicar as suas opiniões e seus trabalhos. Ao lado de sites com informação relevante, há informação que pode ser pouco útil para trabalhos de pesquisa séria. É preciso saber onde e como procurar.
Organização As bases de dados e bibliotecas virtuais estão organizadas, mas boa parte da informação disponível na diversidade de sites não está organizada. Nenhum diretório ou motor de busca tem capacidade de organizar ou indexar a totalidade das páginas existentes.
Permanência Boa parte da informação publicada na internet é temporária. Os sites bem mantidos são atualizados com frequência e disponibilizam textos e outros recursos de valor para pesquisa. Existem, contudo, muitos outros cuja informação se desatualiza rapidamente. Alguns sites acabam por desaparecer sem deixar rastro.

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A avaliação: cinco passos que ajudam a evitar o naufrágio

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Navegue, mas não naufrague! Mantenha o foco. Perder tempo ao distrair-se na web é bem fácil. Afinal, encontramos tantas coisas interessantes, mesmo sem querer…

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William Barcley. O segredo do contentamento

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“A tentação ao descontentamento está por toda parte. Somos bombardeados com anúncios que querem nos convencer de que nos falta alguma coisa. No entanto, as sementes do descontentamento já estão presentes no nosso próprio coração pecaminoso. Há quase 400 anos, Jeremiah Burroughs escreveu sobre a “joia rara” do contentamento cristão. Se contentamento era uma raridade nos dias dos Puritanos, quanto mais raro é hoje!”  É com estas palavras que P&R Publishing apresenta a edição original de O segredo do contentamento.

William Barcley aborda o cerne da questão – o descontentamento que se encontra dentro de nós. Ele revisita as meditações sobre contentamento de dois grandes escritores Puritanos – Jeremiah Burroughs e Thomas Watson – e as traz para o público atual.  Acima de tudo, ele busca a sabedoria de Paulo, que declarou ter encontrado o “mistério” ou o “segredo” para viver contente. O contentamento deve ser aprendido, e Barcley revela-nos o que fazer, chamando-nos a um contentamento que vem de conhecer pessoalmente a Deus e nos deleitarmos com Sua bondade soberana e Seu cuidado paternal.

Na introdução à edição brasileira, o Pr. Jayro Cáceres escreve:

No último capítulo da epístola aos hebreus, o autor faz uma significativa advertência aos seus leitores: “Contentai-vos com as coisas que tendes; …” (Hb 13.5). A inclinação humana para o descontentamento justifica a palavra do autor.

Há um inerente descontentamento no coração do homem. A desobediência de Eva no Jardim revelou que seu coração desejou obter o que lhe fora oferecido pelo outro conselheiro – Satanás – afirmando que provar do fruto a tornaria uma pessoa mais completa (Gn 3.5,6).

Ela provou do fruto na expectativa de que obteria o que lhe fora ardilosamente oferecido pelo Enganador (Gn 3.6). O resultado foi que a mulher não obteve o que esperava. Daquele momento em diante, estar descontente com a provisão de Deus passou a ser a inclinação natural do homem. O homem tornou-se descontente com as coisas que possui, com a porção de bens que recebeu, com os talentos que Deus lhe deu, com seu cônjuge, com seus dons, com seu emprego, com sua igreja, com seus líderes, com sua condição atual, enfim…

Neste livro, o Dr. William Barcley nos oferece um tremendo encorajamento para vivermos contentes com o que temos e com o que Deus deseja prover a nós. Tendo a carta de Paulo aos filipenses como ponto de partida, e examinando as demais Escrituras, o autor nos leva a perceber que o apóstolo Paulo e outros fiéis, aprenderam por meio das circunstâncias providas por Deus, agradáveis ou não, ser possível viver contente com as coisas que temos.

Estou certo de que você irá se deleitar com a leitura deste livro. Minha oração é que esta obra o(a) leve a uma atitude contínua de gratidão a Deus pela provisão dEle para sua vida, que contamine sua igreja, e os que estão ao seu redor, de tal maneira que sejam estimulados a serem igualmente gratos a Deus, manifestando um coração contente e satisfeito com Deus e com aquilo que Ele deseja prover.

FICHA TÉCNICA
Autor: William B. Barcley
Título:  O segredo do contentamento
Título original:  The secret of contentment
Editora: Nutra
Páginas: 184
Data de publicação: 2014

William B. Barcley é pastor da Sovereign Grace Presbyterian Church em Charlotte, Carolina do Norte. É também professor adjunto de Novo Testamento no Gordon-Conwell Theological Seminary e no Reformed Theological Seminary. Ele possui um BA em Estudos Bíblicos pelo Gordon College, um MA em Estudos Teológicos pelo Gordon-Conwell Theological Seminary e um PhD em Novo Testamento pela Boston University.

Edward Welch. Depressão

Depressao_resenhaA tenebrosa noite da alma

Em seu artigo Palavras de esperança para aqueles que lutam com a depressão, Edward Welch ofereceu inicialmente uma descrição daquilo que chamamos de “depressão”.

Ela é chamada tecnicamente de depressão, apesar de não podermos expressá-la em uma só palavra. Você se sente entorpecido, mas ao mesmo tempo sua cabeça dói; sente-se vazio, mas ao mesmo tempo há gritos no seu interior; sente-se fatigado, no entanto seus medos afluem. Aquilo que antes era prazeroso agora mal chama sua atenção. Seu cérebro está como que coberto permanentemente por uma neblina. É como se algo o puxasse para baixo. Você consegue se lembrar de quando tinha alvos? Coisas pelas quais ansiava? Mesmo que fossem coisas simples como ir ao cinema na sexta-feira à noite ou um trabalho que esperava concluir. Agora lhe restaram poucos alvos. Conseguir chegar ao fim de mais um dia já lhe parece ser suficiente. Já percebeu como fica a nossa vida quando não temos alvos? Todos os dias são iguais. Não há um ritmo de antecipação estimulante, satisfação e, logo depois, o descanso. Cada dia traz consigo uma monotonia mortal, e você teme que o dia seguinte seja praticamente igual. A monotonia da vida parece matá-lo aos poucos. Seu sono? Está uma bagunça. Você nunca consegue dormir o suficiente. É impossível lembrar-se de quando foi a última vez em que acordou e se sentiu renovado.[1]

Agora, em seu livro Depressão: a tenebrosa noite da alma, ele desenvolve amplamente o assunto de maneira compassiva e bíblica.

Sugestões práticas e muitas páginas de tarefas de casa poderiam encher vários livros, mas provavelmente não fariam com que nos sentíssemos mais vivos. Aquilo que eu e você precisamos é mais profundo do que sugestões práticas. Você não precisa de uma lista de “como fazer” as coisas. Na verdade, você mesmo seria capaz de produzir uma lista plausível de coisas para fazer. Provavelmente já fez algumas delas e sabe de muitas outras que poderia fazer.

A depressão, e a miríade de sentimentos e pensamentos embutidos nessa palavra, invocam a pergunta “por quê?”. […] Uma lista de coisas a fazer não atende às questões de propósito, esperança, nem responde a perguntas fundamentais sobre a existência e a fé que inevitavelmente surgem com a depressão. Não é de surpreender que, ao mesmo tempo que o Prozac vem sendo propalado como a cura para a doença, os filósofos também encontrem um nicho na área de ajuda às pessoas deprimidas.

No caminho que temos em frente, portanto, procure descobrir uma parceria entre os “por quês” e os “como”. Quando surgirem as perguntas do tipo “por quê?”, essas serão religiosas, como todas as perguntas desse tipo. Elas dizem respeito a Deus. (p. 10)

Em resenha publicada em Discerning Reader, Leslie Wiggins lembra que cristãos bem-intencionados podem querer explicar que a depressão é algo impossível na vida do crente, pois parece não combinar com a vida abundante que Jesus prometeu a Seus discípulos. O fato, porém, é que nós ainda vivemos sob a maldição do pecado e da morte e mesmo o crente em Cristo Jesus não está imune a esta realidade. Como Ed Welch menciona em Depressão, a inteira criação está gemendo enquanto aguarda a completa redenção e renovação, mas nós não estamos desprovidos de esperança. Leslie Wiggins prossegue, descrevendo cada parte do livro.

Na introdução, Ed Welch compartilha a premissa principal, o propósito e suas sugestões para o uso do livro. Ele está escrevendo tanto para as pessoas deprimidas como para aqueles que as amam. Ele explica: “Se você estiver deprimido, os capítulos que se seguem são intencionalmente breves e, às vezes, provocantes. Se você quiser ajudar alguém que está deprimido, esses capítulos têm a intenção de oferecer direção e poderão ser usados como leituras a ser compartilhadas com a pessoa deprimida” (p. 12).

Ed Welch descreve um retrato detalhado da depressão: como ela é sentida, qual é a sua aparência, como são os pensamentos, como é a fala e para onde ela conduz. Ele ganha a confiança do leitor, demonstrando sua compreensão e compaixão para com a pessoa que sofre.

Em um capítulo mais técnico, Ed Welch leva o leitor através das muitas camadas da depressão. Ele relata os sintomas de depressão conforme mencionadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), tanto para a depressão maior como para a distimia, e explica: “Pense na depressão como uma linha contínua e crescente em termos de gravidade. Em um dos extremos ela perturba, no outro, debilita. A depressão menos severa é chamada de Transtorno Distímico; a mais severa, Depressão Maior.” (p. 20). Ele oferece as características da experiência depressiva para que o leitor possa identificar as facetas do seu sofrimento. No entanto, Welch dirige-nos uma palavra de cautela quando se trata de diagnosticar a depressão, particularmente a depressão que pode ser causada por um desequilíbrio químico. Ele escreve: “Existe toda espécie de teoria quanto às causas da depressão. Indo em direção ao menos severo, muitos presumem que as causas sejam relacionamentos, circunstâncias difíceis, ou pensamentos negativos. Em direção ao mais severo, a teoria popular é que se origine de um desequilíbrio químico. Não compre ainda as generalizações. Tente permanecer descrente por mais um pouco, pois aqui, é cedo demais para fazer juízos. Ninguém poderá diagnosticar um desequilíbrio químico convicto de estar totalmente certo porque não há como saber isso com segurança. Ainda que existisse um teste para isso (o que não há), esse não pode dizer se o desequilíbrio causou a depressão ou resultou dela” (p. 22).

A tendência é acreditar que o problema é apenas físico e que um comprimido resolverá o problema. Embora a medicação possa aliviar os sintomas da depressão, ela não pode tratar as causas profundas (o pecado, os problemas de relacionamento, as crenças sobre Deus etc.). Ed Welch escreve: “Não permita que um diagnóstico técnico ou científico o impeça de ver esses problemas como ordinários. Quando estiver em dúvida, espere até encontrar, logo abaixo da superfície, uma situação frequente a todo ser humano, em forma de medo, ira, culpa, vergonha, inveja, carência, desespero quanto a uma perda, fraqueza física e outros problemas presentes em cada pessoa. Nem sempre a depressão será causada por tais coisas, mas sempre será ocasião para considerá-las” (p. 11).

Na Parte I, “Depressão é sofrimento”, Ed Welch desafia a pessoa deprimida com relação às suas crenças a respeito de Deus. A depressão pode vir como resultado de um acúmulo de pecados não confessados. Ela pode vir como resultado de uma brecha em um relacionamento importante. A forma como uma pessoa lida com o pecado e os eventos dolorosos indica o que ela acredita a respeito de Deus. Ed Welch ajuda o leitor a responder a algumas das perguntas mais importantes: Por que estou deprimido? O que está causando isso? O que eu fiz para isso? Qual o papel de Deus na minha depressão? Qual o papel que Satanás desempenha na minha depressão? Para onde vou me voltar? Como a Bíblia me ajuda? A depressão tem um propósito? Esta seção de seu livro culmina em uma forte admoestação para que o leitor se lembre de Jesus e persevere.

Na Parte II, “Escutar a depressão”, Ed Welch orienta o leitor a ouvir a mensagem da depressão, complexa e rica de emoções, e a dissecá-la. Ele explica: “As emoções têm uma história. Para colocar um processo complexo da maneira mais simples possível, essa história consiste de duas partes: (1) acontecimentos fora de nós, incluindo problemas físicos e (2) crenças, alianças espirituais e interpretações, no interior. A interação desses pares, com o tempo, é o que causa a depressão” (p. 78). Ele avalia cuidadosamente o coração humano e nossas muitas maneiras de interpretar as circunstâncias à luz daquilo em que acreditamos. Finalmente, ele explica como o temor, a ira, o fracasso e a vergonha, as esperanças esmagadas, a culpa e o legalismo, e a morte relacionam-se com a depressão. Todas as emoções envolvidas ensinam-nos algo sobre nós mesmos e aquilo que acreditamos a respeito de Deus. Ed Welch compartilhar, então, como o deprimido pode aprender a confiar em Deus. O verdadeiro amor é a chave para ficar livre do medo, da ira, da culpa e do legalismo, e dos pensamentos suicidas.

Na Parte III, ” Ajuda e conselhos de outros”, Ed Welch discute o tratamento para a depressão, e o tratamento médico em particular. A depressão tornou-se tão comum que os possíveis tratamentos têm proliferado. Sobre a escolha de um tratamento, ele diz: “A questão com tais tratamentos físicos não é se tal tratamento está certo ou errado, mas se é o correto. As diretrizes de sabedoria se aplicam” (p. 163). Ed Welch sugere várias estratégias que se provaram úteis para pessoas deprimidas como, por exemplo, seguir um cronograma realista, tomar vitaminas, praticar exercícios físicos com regularidade e comer bem. A Parte III também inclui um capítulo de ajuda específica para os familiares e amigos da pessoa deprimida.

Parte IV, “Esperança e alegria: pensando os pensamentos de Deus”, é um incentivo direto a combater a depressão com a compreensão do seu lugar na história de Deus, esperança em Deus, gratidão e alegria no Senhor. Ed Welch expõe várias verdades espirituais importantes. A primeira delas é que não devemos ansiar tanto por evitar o sofrimento e a dor. Se você está triste ou deprimido, é importante descobrir a razão, mas não necessariamente para que você possa eliminar de sua vida o sofrimento. Deus usa o sofrimento e as provações para treinar o coração, para nos ensinar a obediência, para nos conformar à imagem de Seu Filho. Faz sentido ceder diante de Sua autoridade sobre nossa vida e ir a Deus em busca de entender as lições da dor e procurar uma comunhão mais profunda com Ele enquanto ainda sofremos na depressão.

A segunda verdade surge da ressurreição. O fato de que Jesus ressuscitou dos mortos oferece aos crentes deprimidos uma grande esperança e promessa para o futuro. Ele escreve: “Todo desespero é, em última análise, uma negação da ressurreição […] a ressurreição venceu a morte, o pecado, a miséria e tudo o mais que foi contaminado pela maldição da Queda” (p. 191). Ed Welch explica que as pessoas deprimidas têm a tendência de abandonar a esperança e reescrever sua vida fora da história de Deus. Ele incentiva a pessoa deprimida a parar de ter medo da esperança e abraçar o seu lugar dentro da grande história de Deus.

A terceira verdade desafia a sabedoria convencional que diz que um indivíduo deprimido deve olhar para dentro de si mesmo, descobrir o que pode fazê-lo feliz e, então, atuar em busca da felicidade. Em vez disso, Ed Welch traz à lembrança do leitor o ensinamento de Jesus: a alegria é encontrada em servir e amar os outros, e aqueles que querem achar a própria vida acabarão por perdê-la. Embora possa parecer sábio isolar-se de relacionamentos chegados para eliminar a dor, isso prejudica a alma. É importante ser capaz de sentir as emoções. Investir na vida de outras pessoas, de alguma forma, não importa se muito ou pouco, é a chave para começar a se levantar da depressão.

No final de cada capítulo, há uma parte intitulada “Resposta”. Em parte é um resumo das ideias do capítulo, mas o autor também acrescenta exercícios simples e uma ou duas perguntas para responder. A maioria destas são muito pessoais, concebidas para revelar o coração.

Depressão: a tenebrosa noite da alma traz muita informação e encorajamento. Nas palavras de abertura do livro, Sinclair Ferguson, professor no Westminster Theological Seminary diz:

Uma combinação rara de compreensão do evangelho, sabedoria bíblica, empatia pessoal e longa experiência como conselheiro brilha nessas páginas. Este é um manual legível a confiável para todos os que experimentam a tenebrosa noite da alma ou que pretendem ajudar os outros que a enfrentam. O mais necessário é um tratamento antidepressivo divinamente prescrito. Como um hábil farmacêutico espiritual, Ed Welch avia a receita para nós.

Para aqueles que tiram proveito da literatura em inglês, o livro ganhou em 2012 uma nova edição revista e ampliada, com o título Depression: looking up from the stubborn darkness, e que vale a pena verificar. Sobre a nova edição, Robert Kellemen escreve: “Welch escreve com uma rara combinação de compaixão e desafio, sustentada por uma teologia do sofrimento. Esta é, possivelmente, a maior contribuição do livro. Os leitores que procuram uma abordagem instigante da depressão, que trate o problema do ponto de vista espiritual, relacional, racional, volitivo, emocional e físico, não ficarão desapontados com Depression: looking up from the stubborn darknes.

FICHA TÉCNICA
Autor: Edward T. Welch
Título:  Depressão: a tenebrosa noite da alma
Título original:  Depression: a stubborn darkness: light for the path
Editora: Cultura Cristã
Páginas: 208
Data de publicação: 2011

Edward Welch – atua como conselheiro e integrante do corpo docente da Christian Counseling and Educational Foundation (CCEF), além de professor de Teologia Prática no Westminster Theological Seminary.  Conselheiro bíblico há mais de 30 anos, ele tem escrito extensivamente sobre temas como depressão, medo e vícios. Entre os seus livros, além de Depressão, já estão disponíveis em português:
Quando as pessoas são grandes e Deus é pequeno (Editora Batista Regular),
Vícios: um banquete no túmulo (Nutra Publicações).

Você pode encontrar mais recursos por Edward Welch aqui.

[1] O artigo Palavras de esperança para aqueles que lutam com a depressão pode ser lido em forma impressa em Coletâneas de Aconselhamento Bíblico, revista publicada pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida (Atibaia, 2004, v.3, p. ), ou em forma digital no site Gospel Translations.

Não seja tão rápido em citar versículos bíblicos para seus amigos

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Josh Blount

Será que existe alguma ocasião para você não citar um versículo bíblico? Imagine este cenário. Domingo, após o culto, um amigo aproxima-se de você pedindo para conversar. Ele está com dificuldades em seu casamento. No emprego, um projeto está exigindo horas extras e, em casa, as crianças estão com um pique de energia que deixa sua esposa maluca. O resultado é um lar cheio de tensão e irritação, com um número crescente de pequenos conflitos latentes que, gradualmente, estão assumindo a proporção de um incêndio permanente.

“Eu sei que essas discussões não agradam ao Senhor, e eu sei que eu sou parcialmente culpado”, seu amigo lhe diz. Ele pergunta: “O que você acha?” É a sua vez de falar. Tempo para citar um versículo bíblico, certo? “Irmão, você tem que amar sua esposa como Cristo ama a igreja. Vou orar por você!”

Isso é bíblico (Ef 5.25). É verdadeiro. Relaciona-se à situação. Mas será que é isso que seu amigo necessita ouvir como resposta? Por mais surpreendente que possa parecer, a resposta é não. Ou melhor, ainda não. Por quê? Aqui está o princípio: não cite versículos bíblicos até que você possa personalizar a verdade.

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja” é a verdade bíblica – certamente gloriosa e desafiadora. É também geral – tamanho único, serve para todos. Os maridos da Papua Nova Guiné podem e devem aplicá-la tanto quanto os maridos do Rio de Janeiro. Mas seu amigo não é um representante simbólico de todos os maridos ao redor do planeta. Ele é uma pessoa singular, que conduz sua vida diante do Senhor, ama uma mulher específica e filhos específicos, em uma sucessão de momentos que não podem ser repetidos nem duplicados. O objetivo final de Deus é que Efésios 5.25 seja incorporado de forma concreta e específica, em momentos reais, às 18:47 da sexta-feira, dia 10 de outubro, ou às 09:30 da manhã do sábado, após o café.

O que isso significa para você? Algo simples: você deve fazer mais perguntas. Não use um versículo da Bíblia para colocar fim a uma conversa antes que ela exija muito de você. Descubra em detalhes como seu amigo está lutando: Quando o problema aconteceu pela última vez? Onde? Por quê? Quando você for ajudar seu amigo a entender o que significa amar a sua esposa, na realidade dele, esta semana, talvez você possa lhe mostrar que planejar um passeio com as crianças no sábado à tarde ou encomendar pizza para o jantar da quarta-feira, para que ela não tenha que cozinhar, é sua expressão personalizada de Efésios 5.29.

Às vezes, mesmo com uma boa pergunta, você pode continuar sem saber como ajudar alguém a aplicar a verdade de forma pessoal. Você sabe que aquele versículo tem a ver com a situação, mas você não tem certeza de como ele se aplica especificamente, pois a situação é complexa. Não se preocupe. Nesse caso, você pode ser honesto com seu amigo, usar o versículo, mas não usá-lo para cortar a conversa. Você pode falar sobre o versículo. Vocês podem orar juntos. Você pode se comprometer a caminhar ao lado de seu amigo para ajudá-lo enquanto ambos crescem em sabedoria na aplicação das Escrituras. Mas o alvo é fazer com que a verdade se torne pessoal – mesmo se isso exigir um investimento significativo de tempo.

Por que isso é tão importante? A resposta final é “porque Deus é uma Pessoa”. Sua verdade não é apenas geral, mas pessoal. Deus não se relaciona com a humanidade de forma abstrata, mas Ele se relaciona com indivíduos reais. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Redentor vivo cita nomes em Sua Palavra, capítulos inteiros de nomes (veja Romanos 16, por exemplo).

Então, sim, seu amigo precisa de versículos bíblicos. Você também precisa deles – mas de versículos personalizados, inseridos na vida real. Não se contente com abstrações. Faça perguntas. Ore por sabedoria. E, depois, fale.

Original: Don’t be so quick to quote scripture at your friends

Robert Jones. Ira: arrancando o mal pela raiz

ira_resenhaOrientação bíblica para um problema comum.

Resenha por Chris Boucher – Biblical Counseling Coalition

Expectativas superadas
Quando peguei em mãos esse livro pela primeira vez, eu não sabia o que esperar. Seria um livro para pessoas que lutam para controlar sua ira? Seria um livro para pessoas que ficam iradas e desejam entender melhor como lidar com suas emoções? Ou seria um livro para aqueles que conhecem alguém que luta com questões de ira e está em busca de ajuda? Para minha alegria, a resposta é: todas as alternativas acima. Nenhum sequer dos que caminham nesse planeta escapa de ficar irado. O livro de Robert Jones, portanto, beneficiará todos aqueles que peregrinam atualmente no planeta terra.

Uma definição prática e útil de ira
Como Robert Jones afirma em seu primeiro capítulo, muitas pessoas teriam maior facilidade para descrever a ira do que para defini-la (p. 18). Eu também descobri que isso é verdade. Sua própria definição pode ser uma ferramenta para avaliar a ira. Minha ira é justa? Estou reagindo pecaminosamente? Há realmente algo errado aqui ou só eu estou percebendo um erro? Eis a definição de Robert Jones:

Nossa ira é nossa resposta ativa e integral de juízo moral negativo contra um mal por nós percebido. (p. 19)

A maioria das pessoas com as quais converso, pensam que a ira é uma resposta apenas emocional, não uma resposta ativa, pessoal e integral. Não é assim, diz Robert Jones.

Nas Escrituras a palavra ira comunica emoção, cobrindo todo o espectro da ira ardente e explosiva até a rejeição gélida. Mas a ira sempre envolve crenças, motivações, percepções e desejos. Além disso, a Bíblia descreve a ira em termos comportamentais ricos e gráficos. (p. 16)

Cada componente da definição de Robert Jones ajuda-nos a ser mais parecidos com Cristo.

Enraizado nas Escrituras
Ira: arrancando o mal pela raiz tem base bíblica animadora e é teologicamente perspicaz. Quando penso na ira justa, ou peço aos meus alunos no seminário para lembrarem de um exemplo bíblico de ira justa, o exemplo mais comumente citado é o de Jesus virando as mesas e limpando o templo (Mt 21.12, 13). Entretanto, como era se esperar, o Antigo Testamento contém vários exemplos da indignação de Deus contra o mal. Depois de citar os resultados de seu estudo da Palavra, Robert Jones afirma:

Quando acrescentamos o restante do vocabulário do Antigo e do Novo Testamento, descobrimos várias centenas de referências à ira de Deus na Bíblia. Num certo sentido, Deus é ao mesmo tempo o ser mais amoroso e o mais irado de nosso planeta. (p. 24)

Esta foi uma surpresa que me deixou perplexo. No entanto, a ira de Deus sempre flui de Sua justiça e retidão.

Sua ira é justa?
Os cristãos, citando Jesus como exemplo, costumam exclamar que sua ira é justa. Robert Jones dedica um capítulo inteiro para responder à pergunta “Sua ira é realmente justa?”.  Ele oferece três critérios para uma ira justa (p. 35 e 36):

A ira justa reage contra o pecado real.
A ira justa tem seu foco em Deus e Seu reino, Seus direitos e preocupações, não em mim, no meu reino, meus direitos e minhas preocupações.
A ira justa é acompanhada por outras qualidades piedosas e se expressa de maneiras piedosas.

Esses critérios bíblicos e práticos provaram-se úteis para mim na avaliação da minha própria ira, bem como ferramenta no meu ministério de aconselhamento. Robert Jones termina o segundo capítulo de seu livro examinando esses critérios em três exemplos na vida de Cristo, e também com os exemplos de Saul e Jonatas.

O coração da ira
O terceiro capítulo é um estudo minucioso de Tiago 4 sobre a verdadeira causa da ira: o coração.

Primeiro, a ira surge de desejos e prazeres entrincheirados que ‘guerreiam’ dentro de nós. (p. 59)

Desejo não é o problema; o problema é o que fazemos com o nosso desejo, especialmente nossos desejos não satisfeitos – eles podem produzir ira.

O problema com esses desejos é que eles nos dominam e controlam. Ao final, se não forem postos em cheque, produzem pecado e morte. […] Por fim, com base no versículo 3, a ira procede de motivações egoístas. Tiago adverte contra orarmos para desfrutarmos de ‘prazeres’ pessoais. O coração pecaminoso busca agradar-se a si mesmo mais do que agradar a Deus. (p. 59)

Nós pedimos a Deus o que queremos. Mas quando Ele não responde, nós nos iramos contra Ele. Este é o assunto do capítulo 7: A ira contra Deus. Isso reforça a definição de ira como sendo mais do que apenas uma emoção.

João e Júlia
Uma característica irresistível de Ira: arrancando o mal pela raiz é a história de João e Júlia entretecida ao longo de todo o livro.  Como pode-se esperar de um livro prático, cada capítulo traz vários exemplos de aplicação do conteúdo. Ao invéz de mudar os nomes em cada capítulo ou ilustração, Robert Jones usou sempre os personagens João e Júlia. Infelizmente, eu pude me ver no papel de João algumas vezes, talvez um pouco mais do que eu gostaria de admitir, mas foi algo irresistível e cativante.

Ajudando as pessoas a lidarem com a ira
Robert Jones dedica um capítulo especificamente ao tema de ajudar outras pessoas a lidarem com sua ira. Se você conhece alguém que tem um problema de ira, esse livro irá ajudá-lo a entender a ira biblicamente e, no capítulo 9, irá ajudá-lo a encorajar as mudanças com compaixão e coragem. Este capítulo contém excelentes conselhos sobre “como fazer” além de direcionar o leitor para mais recursos, tanto no Apêndice quanto em outras publicações. Robert Jones também lhe garante que vale a pena oferecer ajuda e até mesmo atribuir tarefas.

Não presuma que você não pode designar tarefas em aconselhamentos informais ou encontros de discipulado. Assim como emprestar o carrinho de mão a um vizinho, compartilhar uma ou duas ferramentas cristãs de crescimento com um amigo que confiou em você e mostrou interesse em Cristo irá, com certeza elevar o nível de sua amizade e mostrar a ele que você é um amigo verdadeiro que deseja ajudar. (p. 166)

Um conselho sábio.

A ocultação pecaminosa
Os capítulos 5 e 6 tratam do âmago da questão. Robert Jones lida inicialmente com as pessoas cuja ira manifesta-se costumeiramente de forma verbal. Provavelmente, isto é o que a maioria de nós pensa quando considera a ira – gritar, levantar a voz, insultar. No entanto, em seguida, ele se dirige também à “ocultação pecaminosa”.

Júlia era uma mulher irada, embora suas críticas raramente fossem verbalizadas. Ela aprendera a esconder habilmente sua ira. Ela se fechava e a internalizava. Embora no exterior fosse calma e controlada, ardia e fervia por dentro. (p. 111, 112)

Considerei esta colação muito perspicaz – eu nunca havia dado muita atenção a esse “estilo” de ira antes de ler Ira: arrancando o mal pela raiz. Como nos demais capítulos, ele oferece ao leitor ensino extraído de textos bíblicos e também passos práticos e estratégias para a mudança.

Reflexão posterior e aplicação à vida
Cada capítulo termina com uma seção “Para reflexão posterior e aplicação à vida”. Essas ideias, tarefas e perguntas desafiam e incentivam crescimento durante a leitura individual. Elas também podem ser excelentes para debates em grupos pequenos ou para o ministério do conselheiro.

Conclusão
Ira: arrancando o mal pela raiz é um livro que eu preciso ler novamente. Os passos práticos e estratégias de mudança apresentados em cada capítulo para cada tipo de ira valem o preço do livro. Para o conselheiro, seria útil ter esses passos reunidos em uma única folha de papel para facilitar a consulta. Eu recomendaria o mesmo a alguém que esteja lutando com algum tipo de ira:  copie os passos e coloque-os em algum formato de fácil acesso.

A definição de ira e os versículos bíblicos também são de grande valor, e algo que usarei. Ira: arrancando o mal pela raiz é um livro que você precisa ter e que todo crente precisa ler. Recomendo amplamente o livro.

FICHA TÉCNICA
Autor: Robert Jones
Título:  Ira: arrancando o mal pela raiz
Título original:  Uprooting anger: biblical help for a common problem
editora: Nutra
Páginas: 220
Data de publicação: 2010

Robert Jones é Doutor em Ministério pelo Westminster Theological Seminary; Mestre em Teologia pelo Trinity Evangelical Divinity School. É professor de aconselhamento bíblico no Southeastern Baptist Theological Seminary. É membro daACBC – Association of Certified Biblical Counselors. Também é conciliador cristão certificado e instrutor adjunto do Peacemaker Ministries. Conferencista experiente, foi preletor em conferências de aconselhamento nos Estados Unidos, na Espanha e no Brasil.

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Original da Resenha: Review: Uprooting-anger

Brecha em sua [nossa] santidade

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Poucos cristãos evidenciam o desejo de aprumar integralmente a sua vida com Deus. A maioria vai adiante sem dar importância a parecer-se com Cristo — das grandes escolhas aos pequenos detalhes do dia a dia, daquilo que entristece àquilo que diverte. Esta situação motivou Kevin DeYoung a escrever Brecha em Nossa Santidade.

Kevin DeYoung chama o cristão a compreender biblicamente e dar importância à santidade. Um dos capítulos do livro, cuja leitura recomendamos, tem por título “Os santos e a imoralidade sexual”. Embora o escopo do capítulo seja amplo, tratando de várias formas de imoralidade sexual, selecionamos aqui cinco citações que podem nos incentivar especialmente a uma avaliação daquilo que vemos e ouvimos nos meios de comunicação, e daquilo que postamos e curtimos na mídia social.

Existe uma brecha em sua santidade?  Aproveite a oportunidade, como diz o autor, para analisar a sua vida e enxergar que pode estar em descompasso com as Escrituras. O propósito é encorajar no caminho de Deus, de forma que você possa viver de acordo com sua Palavra.

Temo que nós – e existe um “eu” nesse “nós” – não temos olhos para enxergar o quanto o mundo já nos fez encaixar no seu molde. Se pudéssemos transportar cristãos de qualquer outro século que nos antecedeu para ver os países “cristãos” do Ocidente de hoje, penso que o que mais os surpreenderia (além de nossa fenomenal fartura) seria como os cristãos se portam como em casa quanto à impureza sexual. Ela não nos choca mais. Não nos deixa perturbados. Não ofende nossa consciência. Aliás, a menos que seja algo realmente ruim, a impureza sexual parece normal, apenas um estilo de vida e, frequentemente, simples entretenimento.

3 Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. 4 Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças. 5 Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6 Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. 7 Portanto, não participem com eles dessas coisas. 8 Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, 9 pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; 10 e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. 11 Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. 12 Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso.  Ef 5.3-12

De forma mais básica possível, vemos nesta passagem que imoralidade sexual é incompatível com vida de “reino” (v. 5). […] Mas repare que Paulo não para com o simples afirmar que não devemos praticar essas coisas. O padrão da Palavra de Deus é mais alto. Imoralidade sexual, impureza, cobiça (especialmente, neste contexto, o desejo insaciável pelo corpo de outra pessoa) não devem nem ser mencionadas entre vocês. A NVI usa a frase “nem sequer menção”. Há não muito tempo eu dirigia rumo ao meu trabalho, ouvindo um programa de entrevistas no rádio. O anfitrião do programa começou a dar as últimas “notícias” quanto a uma de nossas celebridades mais ordinárias. Enquanto ele ria acerca dessas revelações fresquinhas de depravação moral, encontrei-me curioso e enojado ao mesmo tempo. Graças a Deus, eu trabalhava neste capítulo naqueles dias, portanto o enojar triunfou e eu mudei de estação. “Nem sequer menção” não nos permite divertir com as coisas que são escandalosamente não dignas de menção. Da mesma maneira, o v. 4 fala contra obscenidade, conversas tolas, gracejos imorais, que são inconvenientes. Se formos honestos, é comum nos permitirmos estar expostos à imoralidade sexual e à tentação à impureza, e chamamos isso de divertimento “inocente”. 

Queridos irmãos e irmãs, precisamos ser mais vigilantes. Com nossos filhos, nossas famílias, com nossas contas de Facebook, com nossos textos, nosso tuitar, com nossos olhos e coração. Será que somos diferentes do que a cultura ao nosso redor? Será que não fizemos uma falsa paz conosco mesmos, por meio da qual dissemos “nós não faremos as coisas que vocês fazem nem seremos sensuais como vocês são, mas de bom grado assistiremos vocês fazendo essas coisas em nosso lugar”? O tipo de coisa que Paulo nem ousava mencionar, o tipo de coisas sobre as quais não ousava fazer piadas, os comportamentos vergonhosos demais para serem sequer citados – nós ouvimos isso tudo nos enlatados estrangeiros, seriados de TV, novelas e assistimos isso no telão do cinema. Sinto que muitos de nós ficamos entorpecidos ao veneno que estamos bebendo. Quando o assunto é imoralidade sexual, o pecado parece ser coisa normal e a justiça (em termos de valor espiritual) parece algo um tanto quanto alienígena, e acabamos nos parecendo com todos os demais à nossa volta.

Somos santos, assim declarados em Cristo, e tornando-nos gradativamente (mais) santos por seu Espírito. Imoralidade sexual não é apenas algo errado para nós. Ela não nos serve. É imprópria. […] Sei que é fácil ser excessivamente dogmático acerca de coisas que a Bíblia não trata diretamente, como filmes e música, namoro e forma de vestir. Precisamos permitir que bons cristãos tomem decisões diferenciadas para si mesmos. Não quero minimizar a realidade da liberdade cristã e da consciência. Mas se você está em Cristo, considere, por favor, se a sua consciência está funcionando tão bem quanto deveria.

A imoralidade sexual está por toda parte para vermos, e pouquíssimos de nós, com a mente de Cristo, estamos nos preocupando em fechar os olhos.

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DeYOUNG, Kevin. Brecha em nossa santidade. São José dos Campos, SP: Fiel, 2014. Capítulo 8.

Você pode conhecer mais a respeito do livro e ler um trecho disponibilizado pela Editora Fiel.

Assista também ao vídeo.

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Quem está dizendo que a medicina e a medicação são desprezíveis?

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Heath Lambert

Aconselhamento e medicação
Os conselheiros que se identificam com o aconselhamento bíblico têm uma reputação persistente como contrários ao uso de medicamentos psiquiátricos. Visto que a próxima conferência anual da Association of Certified Biblical Counselors (ACBC) tem como tema a doença mental, temos escrito vários artigos sobre medicação e doença mental ao longo do ano do ano de 2014.[1]  Cada vez que escrevo sobre aconselhamento e questões médicas, deixo claro que o cuidado físico com o corpo é importante, e que os conselheiros não devem atuar como médicos e levar as pessoas a parar de fazer uso dos medicamentos que lhes foram prescritos. Apesar desses esclarecimentos, as pessoas costumam acusar-me e acusar outros conselheiros bíblicos também, dizendo que somos contrários à medicina e à medicação.

Quem odeia a medicina e a medicação pode, por favor, levantar-se?
Esse quadro faz com eu me pergunte qual a origem dessa acusação. Quem está dizendo que a medicina e a medicação não são importantes? Alguém deve estar fazendo isso. Na verdade, alguém me disse durante uma conversa recente: “Bem, você pode não estar dizendo isso, mas outros conselheiros bíblicos estão”. Quando indaguei sobre a identidade desses outros conselheiros bíblicos nenhum nome foi mencionado.

Isso me fez pensar sobre os líderes no aconselhamento bíblico e suas declarações a respeito desse assunto. Acredito que qualquer avaliação objetiva do aconselhamento bíblico como movimento apontaria para quatro grandes líderes no desenvolvimento do nosso modelo de aconselhamento: Jay Adams e Wayne Mack, que tiveram um papel fundamental como iniciadores do atual movimento, e David Powlison e Ed Welch, que desenvolveram significativamente o movimento nos últimos anos. Cada pessoa que hoje abraça e pratica o aconselhamento bíblico aprendeu sobre o aconselhamento com pelo menos um desses quatro homens.

O que eu fiz, então, foi partir em busca de declarações sobre aconselhamento e questões médicas vindas do ensino desses quatro homens. Aqui está um breve e incrível resumo do que eu encontrei.

Jay Adams
Em Conselheiro capaz, o primeiro livro de Jay Adams sobre aconselhamento, ele apoiou claramente a presença da doença e a necessidade de médicos, incluindo psiquiatras, para o cuidado das pessoas que precisam de ajuda. Em What about nouthetic counseling?, um livro escrito alguns anos depois de Conselheiro Capaz, Adams disse o seguinte:

Está perfeitamente claro que […] as doenças podem afetar e de fato afetam o comportamento. Em tais casos, devemos buscar e recomendar a ajuda médica, e nos manter em oração.

Wayne Mack
Em Counseling: how to counsel biblically, Wayne Mack diz o seguinte sobre o aconselhamento e as questões médicas:

Às vezes, a doença pode ser causada pelo pecado pessoal (Sl 32. 3, 4; 38. 3; Pv 14.30; 1Co 11.30). No entanto, a doença que não é causada pelo pecado pessoal também pode ser um fator importante nas lutas e tentações que os nossos aconselhados enfrentam. Por exemplo, doenças como viroses, hepatite, mononucleose, diabetes e hipotireoidismo estão associadas à depressão. Em muitos casos, quando os cristãos são afetados por uma dessas condições clínicas, os sintomas de depressão pode ser simplesmente uma consequência do cansaço e desconforto causado pela doença. Não devemos, portanto, presumir que todos os casos de depressão sejam resultado direto do pecado pessoal. A depressão poderia ser aliviada ou eliminada com um simples diagnóstico e tratamento correto de um problema clínico.

Ele prossegue e acrescenta:

Não é o nosso papel como conselheiros bíblicos prescrever medicamentos nem retirar os medicamentos que foram receitados aos aconselhados.

Ed Welch
O livro de Ed Welch Blame it on the brain é um esforço maravilhoso de reafirmar o ensino bíblico de que os seres humanos são constituídos por corpo e alma. Ele desenvolve, de capítulo em capítulo, uma análise cuidadosa que enfatiza a importância do corpo, a importância da alma e a importância de cuidar de cada um deles. A questão central do livro é ajudar os cristãos a perceberem a diferença entre as questões espirituais, os problemas físicos e a combinação de ambos, para que possam ajudar as pessoas de forma mais efetiva.

Ed Welch diz:

Visto que tratamos os problemas físicos e os problemas espirituais de maneiras diferentes, precisamos saber distinguir entre eles. Nós nos dirigimos dos problemas físicos com compreensão, compaixão e ensino criativo. Também nos dirigimos aos problemas espirituais com compreensão, compaixão e ensino criativo, mas o conteúdo do ensino é a lei de Deus e o Evangelho de Jesus, e a resposta é o arrependimento e a fé, em vez de compreensão intelectual ou uma simples mudança de comportamento.

Ao longo de seu livro, Ed Welch admite e incentiva o cuidado médico para os problemas médicos.

David Powlison
David Powlison é autor do documento Afirmações e negações, que muitos têm usado como um padrão de declaração de fé e prática no aconselhamento bíblico. Powlison diz nesse documento:

Afirmamos que a graça comum e providencial de Deus traz muitas bênçãos – bênçãos tanto individuais como sociais: por exemplo, tratamentos médicos, recursos econômicos, justiça, proteção aos fracos, oportunidades educacionais.[2]

“Onde está a essência da questão?”[3]
Mais uma vez, este é apenas um pequeno levantamento. Cada um desses homens disse muito mais sobre a importância dos cuidados médicos para os problemas médicos. E além desses, outros conselheiros bíblicos disseram muito mais.

Minha ênfase é que mesmo uma leitura superficial dos escritos dos líderes no aconselhamento bíblico indica que eles têm articulado cuidadosamente sua crença na importância do corpo e do tratamento médico. Não consigo encontrar nenhuma indicação de que a liderança intelectual do aconselhamento bíblico como movimento tenha dado alguma voz à prática perigosa de ignorar as doenças orgânicas ou incentivar a rejeição dos cuidados médicos.

Se isso é verdadeiro, então como é que o aconselhamento bíblico ganhou essa reputação?
Acredito que existem quatro respostas para essa pergunta.

1. Contaram-me que alguns conselheiros dizem de fato aos seus aconselhados que parem de tomar a medicação.
Uso a expressão “contaram-me” porque eu realmente não conheço ninguém que tenha dito a um aconselhado que ele deveria parar de tomar os medicamentos prescritos. Acredito naquilo que algumas pessoas me contam, mas não consegui constatar isso de primeira mão.

Os conselheiros que praticam tal comportamento não devem fazê-lo. Na verdade, os conselheiros certificados pela ACBC não estão autorizados a fazê-lo. Simplesmente não é o papel de um conselheiro atuar como médico.

Se um conselheiro lhe disse que você deve parar de tomar seus medicamentos, ou se você conhece alguém a quem isso tenha sido dito, eu tenho uma mensagem para você: este conselho é errado, e não tem a aprovação do movimento de aconselhamento bíblico do qual a ACBC tem feito parte ao longo de décadas.

2. Muitos aconselhados não gostam de tomar os medicamentos psiquiátricos.
Em meu ministério de aconselhamento, nunca sugeri a um aconselhado que ele parasse de tomar os medicamentos prescritos por um médico. Raramente levanto com os aconselhados a questão da medicação. Meus aconselhados, porém, levantam muito essa questão. Na verdade, dos aconselhados que já tive, foram poucos aqueles que estavam tomando medicamentos psiquiátricos e que não levantaram esse assunto. Muitos dos meus aconselhados expressam um forte desagrado com esses medicamentos.

Às vezes, os aconselhados têm razões muito boas para não gostar da medicação. Eles podem não ver melhora nenhuma em sua condição depois de tomar os medicamentos por algum tempo, ou podem sofrer efeitos colaterais aborrecedores como, por exemplo, náuseas, perda do sono, letargia, impotência e assim por diante. Se eu estivesse enfrentando uma situação parecida, eu também estaria preocupado com meus medicamentos.

Outras vezes, os aconselhados têm razões que não são boas para não gostar da medicação. Por exemplo, algumas pessoas acham que se elas fossem santas o suficiente não precisariam de medicamentos. No caso desses aconselhados, é preciso ajudá-los a entender que o compromisso bíblico com o bem-estar do corpo aprova o tratamento médico. Quando as pessoas vão ao médico e tomam os medicamentos que ele prescreve, elas honram o seu corpo e o Deus que as criou.

A questão que quero destacar aqui é que já tive muitos aconselhados que deixaram de tomar seus medicamentos por conta própria, independentemente de seu raciocínio estar certo ou errado. Em meu ministério, eu de fato não tenho ideia de quantas pessoas têm feito isso, mas tenho recebido frequentemente em meu escritório aconselhados que me dizem que pararam por conta própria de tomar seus medicamentos.

Eu não quero que eles façam isso. Digo-lhes para não fazer isso. Quando eles me dizem que já o fizeram, encorajo-os a consultar o seu médico. Não posso, no entanto, obrigá-los a manter o uso dos medicamentos. Sei de outros conselheiros que passaram por situações semelhantes.

“Culpa gerada por medicação” é uma realidade no aconselhamento, mas no aconselhamento que eu e meus colegas conselheiros bíblicos praticamos sei que ela não é induzida pelo conselheiro.

3. Os conselheiros bíblicos praticam o aconselhamento, não a medicina.
Certa tarde, eu estava ensinando sobre como aconselhar as pessoas com problemas complexos. Eu estava apresentando uma abordagem geral de ajuda quando uma mão se levantou. A pergunta veio de uma aluna frustrada. Ela me perguntou por que eu passei tão pouco tempo falando sobre as intervenções clínicas. Ela disse: “A primeira coisa que você disse foi que ‘devemos encaminhar para um médico os aconselhados que apresentam tais problemas, pois eles precisam receber uma avaliação médica completa e tratamento para os problemas orgânicos que eles têm’. Dali em diante, você não mencionou mais nada sobre isso. Por que não investir mais tempo falando sobre o tratamento médico?”.

Essa é uma boa pergunta. Acredito que muitos tenham indagações a esse mesmo respeito. Os conselheiros bíblicos gastam energia para dizer às pessoas que o seu corpo é importante e que elas devem tomar os medicamentos que lhes foram prescritos, mas normalmente não investem muito tempo nos problemas físicos. Por que isso? Minha resposta àquela aluna foi simples. Eu não invisto mais tempo falando sobre as questões médicas porque eu não sou um médico. Acredito que a melhor forma de honrar a necessidade do nosso corpo de receber cuidado físico seja deixando esses assuntos para aqueles que estão preparados para lidar com eles. Se eu fosse um estudante de medicina na Universidade de Yale, e meu professor de anatomia e fisiologia começasse a falar sobre aconselhamento, eu diria que ele estava saindo de sua área. Eu desejaria que ele cobrisse o tema da aula em lugar de falar sobre outro assunto.

Quando os conselheiros bíblicos evitam discorrer detalhadamente sobre as questões médicas, eles não estão ignorando a importância do corpo, mas cumprindo o seu chamado. Se Deus tivesse me chamado para ser médico, eu estaria fazendo um trabalho muito diferente daquele que faço hoje. Eu cumpro o chamado de Deus para mim quando falo sobre aconselhamento. Deixo que as pessoas com conhecimentos médicos discutam as questões clínicas.

4. Vivemos em uma cultura que “medicaliza” todos os problemas.
Vivemos notadamente em uma época que vê grandes avanços na medicina. Eu não gostaria de ter vivido nos Estados Unidos há 125 anos. Eu também não gostaria de precisar fazer uma cirurgia em outras partes do mundo onde a medicina ainda está menos desenvolvida. Sei que sou abençoado por viver neste lugar do planeta e em um período da história em que acontece um maravilhoso avanço tecnológico. Um dos inconvenientes de tal bênção, porém, é que muitas pessoas em nossa cultura presumem que todos os problemas intensos sejam um problema médico. A ansiedade e a ira não são mais pecados; elas são doenças que requerem tratamento médico. A tristeza nunca tem um correlato espiritual – ela é sempre “clínica” e requer medicamentos.

Como cristãos, devemos rejeitar tal argumentação. E a razão desta rejeição é o fato de que nós acreditamos na Bíblia, que nos diz que os seres humanos têm um corpo e uma alma. Isso significa que enfrentamos problemas que são físicos e exigem soluções médicas, e problemas que são espirituais e exigem soluções baseadas na fé. Também enfrentamos muitos problemas complexos, que são uma combinação de ambos.

Ao abraçar esta verdade bíblica, conhecida como dicotomia, os cristãos podem parecer excêntricos. As pessoas pensam que desvalorizamos o corpo simplesmente porque acreditamos que as pessoas podem ter outros problemas – e problemas maiores! – do que os problemas meramente físicos.  Aqui está o que David Powlison escreveu a esse respeito:

Quando dizemos “Nós podemos aconselhar pessoas iradas e ansiosas para que se arrependam e aprendam a viver em fé e amor”, parece que estamos dizendo algo do gênero “Expulse o demônio do câncer” ou “E só crer em Jesus e você pode jogar fora seus óculos”. Quando a ira e a ansiedade passaram a ser vistas como doenças do corpo, tratáveis pela medicina, nós parecemos pessoas excêntricas que espiritualizam a vida, e isso até mesmo aos olhos daqueles que estão nos bancos das igrejas ou em outros púlpitos. Temos muito trabalho a fazer para proteger e edificar o corpo de Cristo.[4]

Powlison está certo em dois aspectos. Ele está certo em dizer que a mensagem cristã soa estranha em nossos dias. Ele também está certo em dizer que temos trabalho a fazer para proteger e edificar o corpo de Cristo.

Cuidado integral
Se os conselheiros bíblicos são acusados de serem contrários à medicina simplesmente porque não acreditam que todos os problemas sejam clínicos, então isso justifica a necessidade que temos de continuar a escrever, ensinar, pregar e aconselhar. Nossa persistência não deve ser fruto de um mero desejo de provar que estamos certos. Nossa persistência deve vir do desejo de ajudar. As pessoas que têm problemas espirituais não mudarão enquanto continuarem a tomar medicamentos como cura. Elas só mudarão quando se aproximarem de Jesus com arrependimento e fé.

Se você considerar essa realidade, será fácil ver que não são os conselheiros bíblicos que procuram impedir que as pessoas recebam toda a ajuda de que necessitam, seja pela medicina ou de outra forma. Pelo contrário, queremos ter certeza de que as pessoas estejam recebendo um cuidado integral, que trata tanto as suas necessidades físicas quanto as espirituais.

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[1] NdT. Conexão Conselho Bíblico já traduziu um outro artigo de Heath Lambert sobre o assunto: Reflexões cristãs sobre a doença mental.
Outras duas séries de artigos sobre o mesmo assunto podem ser lidas em inglês no blog da ACBC:

Can Jesus heal mental illness?
Part 1: The nature of mental illness
Part 2: Mental illness and the healing of Jesus
Part 3: The importance of the body
Part 4: Mental illness, spiritual issues, and suffering

The spiritual nature of mental illness
Part 1: The Gospel and mental illness
Part 2: Why do we ignore the spiritual nature of mental illness?
Part 3: Who is normal, who is not, and a biblical orientation of what ails troubled people
Part 4: What psychiatrists don’t know about hard problems

[2] NdT. Este documento está publicado em português no volume 4 das Coletâneas de Aconselhamento Bíblico (Atibaia, SP: SBPV) e também está disponível on-line em português no site Reforma 21, com tradução por Rafael Bello.

[3] NdT. No original, “Where’s the beef” é uma expressão usada nos Estados Unidos e no Canadá, que surgiu como um slogan para a cadeia de fast food Wendy . Desde então, tornou-se uma frase usada para todos os fins, questionando a consistência de uma ideia, evento ou produto. Fonte: Wikipedia

[4] NdT. Você pode ler o artigo completo Biopsiquiatria no volume 2 das Coletâneas de Aconselhamento Bíblico (Atibaia, SP: SBPV).

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Originais:
Who is saying medicine is unimportant? Part 1
Who is saying medicine is unimportant? Part 2
Fonte: Biblical Counseling Coalition e ACBC

Heath Lambert é diretor executivo da ACBC e professor adjunto de Aconselhamento Bíblico no Southern Seminary e no Boyce College. É autor de Finally free.

13 princípios sábios para quando seu namoro terminar

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Como romper um relacionamento para a glória de Deus
Deepak Reju

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1Coríntios 10.31

Se eu ganhasse um centavo cada vez que alguém senta em meu sofá, em prantos por causa do rompimento recente de um relacionamento, acho que eu seria um homem rico. Sou pastor de uma igreja que reúne muitos jovens – a idade média dos membros é de 28 anos. Via de regra, se você juntar vários homens e mulheres solteiros no mesmo ambiente, é natural que eles passem tempo juntos e, eventualmente, eles se casem. Conversas sobre “com quem eu deveria namorar?” ou “com quem eu devo me casar?” são parte corriqueira do meu ministério.[1]

Nem todos os relacionamentos terminam em casamento. E os cristãos, infelizmente, podem se parecer muito com os incrédulos quando se trata de terminar um relacionamento. Eles podem ignorar um ao outro, espalhar fofocas sobre o “ex”, sentir uma falta intensa demais, lutar com amargura na superação da dor da perda, render-se às contínuas espiadelas na sua página do Facebook ou Instagram para saciar a curiosidade – será que ele já superou nosso rompimento? Será que ela ainda está sofrendo tanto quanto eu?

Se o evangelho faz uma diferença real em nossa vida, isso deveria ficar claro nos piores momentos.  Mas se o namoro do cristão não é diferente do namoro de um incrédulo, então nossa fé mostra-se relativamente inútil.

O que significa terminar um relacionamento para a glória de Deus? Estou falando sério. Como terminar um relacionamento de maneira que honre a Deus e honre a outra pessoa, especialmente quando consideramos que essa pessoa é um irmão ou irmã em Cristo?

Treze princípios para lembrar

1. Lembre-se de que vivemos em um mundo caído.
Não existe um namoro sem risco. Provérbios 13.12 lembra que “a esperança que se retarda deixa o coração doente, mas o anseio satisfeito é árvore de vida.”. Muitas vezes, quando acontece um rompimento no relacionamento, pelo menos um dos dois ainda alimentava a esperança de trabalhar o relacionamento, mas o seu anseio fica insatisfeito. Embora gostaríamos que não fosse dessa forma, precisamos ter expectativas realistas e, acima de tudo, colocar nossa esperança não na pessoa com quem estamos namorando, mas em Deus que nunca falha.

2. Seja seu “sim”, “sim” e seu “não”, “não”.[2]
Não use de rodeios. Se você sabe que deve terminar o namoro, é melhor arrancar o band-aid, e ir direto ao ponto.  Isso não significa que você deve ser cruel. Nós ainda somos chamados para falar a verdade em amor (Ef 4.15) e falar apenas palavras que edifiquem e sejam oportunas (Ef 4.29).

3. Fale pessoalmente, não por e-mail, Twitter, Facebook ou telefone.
Essa é uma maneira simples de honrar o outro e de proporcionar espaço para perguntas e esclarecimentos.

4. Não faça do rompimento uma conversa de mão única.
Muitas vezes, a pessoa que está terminando o relacionamento investiu bastante tempo para pensar no assunto e chegar às suas conclusões, mas então despeja tudo sobre a outra pessoa e vai embora. Não faça isso. Há momentos em que é útil deixar espaço para uma outra conversa, dando “um tempo”, se você quiser chamar assim, uma oportunidade de ouvir e processar um pouco mais. Pode haver dúvidas ou aspectos para discutir depois. Alguns preferem pensar sozinhos, outros não.

5. Seja bondoso e amável em sua forma de agir.
A pior coisa a se fazer é atirar pedras e lançar a culpa na outra pessoa, fazendo com que ela se sinta não apenas triste pelo relacionamento perdido, mas também culpada, como se ela fosse a responsável. Mesmo no momento do rompimento, você precisa ser atencioso, gentil e amoroso para com a outra pessoa (Efésios 4.1-3; Colossenses 4.6; Tito 3.2). Afinal de contas, você está lidando com um filho de Deus, amado por Deus e, então, o que lhe dá o direito de tratá-lo diferentemente de como Deus o trata? Se você não está seguro de como agir, procure um crente mais maduro e peça-lhe ajuda.

6. Não use como um trunfo o conselho do pastor, de um amigo, dos pais ou de um conselheiro.
“Eu falei com fulano sobre isso, e ele acha que nós devemos terminar.”  É tentador fazer isso ao invés de assumir a própria responsabilidade. Quando se trata de decidir com quem vamos ou não casar, precisamos nos aconselhar, mas ainda lembrar que, em última instância, essa é uma decisão que cada pessoa deve tomar. Se você concorda com os conselhos recebidos, aproprie-se deles

7. Lute contra a amargura
Quando a nossa esperança quanto a um relacionamento se despedaça, existe a tentação de remoer os detalhes mais e mais em nossa mente até apodrecerem. O que podemos fazer para lutar contra a amargura? Considere os pontos 8, 9 e 10.

8. Presuma o melhor quanto à motivação da outra pessoa.
1 Coríntios 13.7 lembra-nos que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Nós não podemos perscrutar os corações, julgar as motivações e concluir que estas estão sendo maliciosas.  Presuma o melhor.

9. Pregue a verdade para si mesmo.[3]
Por exemplo, quando você estiver lutando contra a tentação de cultivar a amargura, abandone-a porque Deus é reto e justo – nós não precisamos tomar a vingança em nossas mãos. Paulo escreveu em Romanos 12.19, 21: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. […] Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”. Nós podemos perdoar quando lembramos como Deus nos perdoou em Cristo, conforme lemos em Efésios 4.32: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo”.

10. Encontre sua identidade em Cristo, não no relacionamento perdido.
“Apesar disso, esta certeza eu tenho: viverei até ver a bondade do Senhor na terra. Espere no Senhor. Seja forte! Coragem! Espere no Senhor” (Salmo 27.13, 14). Precisamos lembrar que assim como nossa identidade está baseada em Cristo durante o relacionamento de namoro (nós não somos definidos com base nesse relacionamento nem por termos feito ou recebido um pedido de namoro), o mesmo acontece  na hora do rompimento. O relacionamento rompido não define quem você é agora. A maioria das pessoas na igreja não está pensando sobre esse rompimento o quanto como você está.  Então, quando as pessoas lhe perguntarem como vai sua vida, sinta-se à vontade para compartilhar sobre outras coisas que estejam acontecendo, pois é bem provável que você tenha muitos assuntos sobre os quais falar. Considere ter todo cuidado, e até mesmo falar somente com um casal de amigos próximos sobre os detalhes de como você está processando ou lutando com a questão, tendo em vista proteger e edificar os outros em suas conversas.

11. Lembre-se de nossa responsabilidade de fazer o bem a todos os cristãos, mesmo ao seu ex-namorado ou ex-namorada.
É normal (e às vezes é necessário) que o relacionamento entre vocês não volte a ser exatamente como era antes do namoro. É correto manter certa distância ou colocar limites para proteger seu coração – dê tempo ao tempo.  Por outro lado, você tem a responsabilidade de fazer o bem a essa pessoa como irmão ou irmã em Cristo. Paulo escreveu em Colossenses 3.13: “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou”. Isso inclui um ex-namorado, ou ex-namorada, especialmente se essa pessoa quebrou seu coração.

12. Não presuma que depois do rompimento você deva procurar outra igreja.
É possível você e a pessoa que você namorou permanecerem na mesma igreja. Muitos presumem que devem sair da igreja devido ao desconforto inicial. É mais fácil fugir e evitar a situação do que cumprir a difícil tarefa de viver “em paz” uns com os outros para finalmente, às vezes anos mais tarde, voltarem a ser amigos. Não é errado ir para outra igreja, mas não queremos presumir que esta seja a única saída que você pode encontrar depois de terminar o namoro.

13. Lembre-se de que, independentemente de quão dolorosa seja a separação, Deus está usando essa experiência difícil para a sua santificação.
Paulo disse em Romanos 8.28: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito”. Seu rompimento está incluído nesta frase: “todas as coisas”. Se você é um crente em Cristo, Deus está usando essa experiência para o seu bem. Por mais duro que possa ser, Ele está trabalhando para que você seja mais parecido com Seu Filho. Você pode não querer isso agora.  Em meio à dor e à tristeza por causa do relacionamento desfeito, o que você mais desejaria é ter seu ex-namorado ou namorada de volta. Ou talvez você queira só ficar se revolvendo em sua mágoa e tristeza. Busque conforto no fato de que Deus quer usar essa situação para refinar sua vida; Ele quer usar as “diversas provações” (Tiago 1.2) para ajudá-lo a se tornar mais parecido com Cristo .

[1] O primeiro rascunho deste artigo foi preparado por Zach Schlegel, que redigiu as ideias que compartilhamos em uma classe à qual ministramos juntos sobre namoro. Fiz uma revisão e alguns acréscimos à versão original.
[2] Mateus 5.37 diz: “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno”.
[3] Exemplos de pregar a verdade a si mesmo podem ser Salmo 42.5 e Salmo 62.5.

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Original:  13 wisdom principles when ending a dating relationship: how to break up to the glory of God
Fonte: The Biblical Counseling Coalition

Tradução: Cláudia Sacchetto / Revisão: Maria Cecilia Alfano

Reflexões cristãs sobre a doença mental

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Heath Lambert

No mundo inteiro, milhões de pessoas lutam com a dor de um diagnóstico de doença mental. Sou um conselheiro bíblico e tenho caminhado com muitas pessoas na jornada árdua e escura em busca de respostas para esses problemas. Da distimia ao transtorno do pânico, existem na experiência humana poucas dificuldades que provocam tanta dor e isolamento, e são tão complexas quanto aquelas que a nossa cultura chama de doença mental.

Junto como muitos outros, tenho buscado dedicar minha vida para ajudar pessoas a superar a dor desse diagnóstico.  Há muitos desafios envolvidos nesse processo. Um deles é que quando usamos o termo “doença mental” poucos realmente compreendem sobre o que estamos falando.

A maioria dos cristãos simplesmente não têm um entendimento claro da natureza da doença mental. Entre os cristãos, acredito que a maioria use esse termo para falar de problemas difíceis e complicados, que produzem efeitos debilitantes significativos. Quando se defrontam com tais problemas, eles os percebem como tão intensos e perturbadores que acreditam que a situação requeira essencialmente algum tipo de medicação para corrigir uma condição física.

Os cristãos estão certos em querer providenciar toda a ajuda possível para esse tipo de problema. No entanto, se quisermos realmente ajudar, é importante saber sobre o que estamos falando quando usamos o termo doença mental.

O que é doença mental?
Definir a doença mental é algo difícil. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), catálogo de doenças mentais criado pela American Psychiatric Association (APA), muda regularmente a definição de doença mental. Essas mudanças de definição têm por propósito manter o DSM atualizado de acordo com a mudança de opiniões no campo da psicologia e psiquiatria a respeito da doença mental. Muitas vezes, porém, as definições da APA discordam das definições dadas por outras entidades como a  The National Alliance of Mental Illness. Em artigo escrito para a revista Psychology Today, o psicólogo Eric Maisel aponta para o fracasso de seus colegas na tarefa de definir a doença mental como uma prova de que o fenômeno nem sequer existe.

Todos sabem que as pessoas que recebem um diagnóstico de doença mental têm problemas reais.  A questão diz respeito à natureza do problema. O DSM foi publicado pela primeira vez em 1952 para criar um sistema de linguagem para novos tipos de problemas. Os profissionais tiveram a boa intenção de criar categorias para problemas sérios, que sobrecarregavam as pessoas afetadas, mas para os quais eles não conseguiam encontrar evidências de patologia.

Patologia é aquilo que os médicos procuram quando diagnosticam uma doença. É uma anomalia física que se constitui na causa da doença. Por exemplo, as pessoas recebem o diagnóstico de cancer quando elas têm uma massa de células no corpo que se divide e se multiplica em ritmo rápido e incontrolável. Os cientistas conhecem essa patologia devido a repetidos testes e observações que comparam o crescimento celular normal ao crescimento celular anômalo. Os médicos solicitam análises clínicas que determinam resultados objetivos com relação a um padrão claro. Eles dão um diagnóstico clínico de doenças por meio de exames que demonstram evidências concretas de patologia.

A maioria das pessoas presume, erradamente, que as doenças mentais do DSM sejam caracterizadas por este mesmo nível de precisão clínica. Elas não são. Infelizmente, não existem exames clínicos para determinar a existência da maioria dos transtornos que constam no DSM.

Em geral, os transtornos listados no DSM têm várias características que os distinguem das doenças tratadas nos demais ramos da medicina. A seguir, listo três delas.

  1. Não uma patologia, mas votos de uma comissão.

Ao contrário das doenças de outros ramos da medicina, as doenças do DSM são criadas por votos de uma comissão. Uma razão pela qual existem diferentes versões de DSM é porque diferentes comissões votaram para adicionar, subtrair e modificar os vários transtornos. Há muitos exemplos dessa prática na história do DSM.  Um exemplo flagrante é a homossexualidade.

Nas primeiras edições do DSM, a homossexualidade estava classificada como transtorno mental. Em 1974, a APA removeu a homossexualidade do DSM-II. A homossexualidade foi declarada normal pelo voto de uma comissão de 15 membros. Esta comissão não estava respondendo a qualquer informação científica nova, mas às pressões políticas dos ativistas dos direitos gays.

Nem todos os transtornos classificados no DSM são tão politicamente voláteis como a homossexualidade, mas todos são caracterizados pelo fato de que são criados, removidos e modificados pelos votos de uma comissão.  Esta prática de votações é completamente diferente da prática da ciência médica por trás de doenças como o câncer, o diabetes e o mal de Alzheimer.

  1. Não uma patologia, mas descrições subjetivas de comportamentos.

A ciência médica objetiva diagnostica as doenças por meio de biópsias, exames de sangue, radiografias e outros exames que descobrem a patologia. A psicologia e a psiquiatria diagnosticam as doenças mentais de forma diferente. A mesma comissão que vota quais problemas são normais e quais não são, elege os comportamentos descritivos que determinam a doença. A depressão é apenas um entre tantos exemplos.

A comissão elaboradora do DSM-IV concordou em considerar as pessoas mentalmente doentes, atribuindo-lhes o diagnóstico de transtorno depressivo maior, se elas tiveram um humor deprimido por duas semanas e manifestaram cinco de nove critérios que incluem alterações no ritmo de sono, no interesse nas atividades e sensação de culpa. A comissão do DSM-V votou por mudanças significativas nesses critérios de forma que, atualmente, uma mulher em luto pela morte do marido pode receber esse diagnóstico.

As pessoas que atendem a esses critérios do DSM têm um problema para o qual necessitam de ajuda, e os cristãos devem estar desejoso de ajudá-las. No entanto, fazer um diagnóstico médico a partir de uma lista mutável de descrições de comportamentos subjetivos não é típico da prática médica, que investiga a patologia.

  1. Não uma patologia, mas comportamentos morais.

Muitos dos comportamentos que o DSM descreve são categorias morais que Deus descreve.  Mencionei anteriormente a homossexualidade. Mas considere agora o Transtorno de Identidade de Gênero (TIG), descrito no DSM-IV como um transtorno mental. O TIG substituiu o transexualismo.[1] A DSM o definia como uma forte identificação com o gênero oposto e um desconforto persistente com o próprio sexo. As pessoas eram assim diagnosticadas por desejarem viver como membros do sexo oposto e usarem frequentemente roupas e maneirismos associados ao outro gênero. Os profissionais recomendavam diferentes tipos de tratamentos para o TIG, desde o aconselhamento para lidar com a dor de ter nascido com o sexo “errado” até a cirurgia de mudança de sexo.

É uma característica do DSM transformar em problemas clínicos os problemas morais – da disforia do gênero à ansiedade – que são tratados por Deus em Sua Palavra.

O que isso significa e o que não significa
Nenhuma dessas considerações diminui o sofrimento significativo presente na vida das pessoas diagnosticadas com doença mental. As pessoas que lutam com esses problemas precisam de ajuda complexa e multifacetada. Frequentemente, são pessoas que têm alguma patologia física para a qual necessitam de uma intervenção médica.

Esse entendimento leva-nos, porém, à necessidade de admitir que esses problemas são tipicamente diferentes de meros problemas clínicos. Se quisermos ajudar as pessoas com doença mental, é preciso ter um entendimento correto daquilo de que estamos falando.  Quando concluímos que as doenças mentais são equivalentes a algo como um linfoma não-Hodgkin em seu grau de patologia, nós estamos indo além até mesmo daquilo que entendem os profissionais seculares que escreveram o DSM.

Antropologia bíblica
Como cristãos, cremos que o ser humano possui corpo e alma. Isso é algo que a Bíblia ensina clara e repetidamente (Gn 2.7; Mt 10.28; 2Co 5.1; 1Tm 4.8).  A Bíblia ratifica tanto os problemas físicos quanto os espirituais, pois Deus criou o ser humano de forma que ele vivencia essas duas realidades.

Esse ensinamento bíblico, chamado de dicotomia, significa que biblicamente é tão correto tomar Paracetamol para uma dor de cabeça quanto lutar para depender de Deus nos momentos de dificuldade financeira. O ensino bíblico sobre dicotomia é também uma advertência para os cristãos. Visto que o ser humano possui corpo e alma, é pecado e ignorância reduzir todos os problemas a apenas problemas espirituais. O inverso também é verdadeiro: é errado reduzir todos os problemas a apenas problemas de natureza física.

Conforme já mencionei, acredito que os cristãos olhem para os problemas representados pelos termos de diagnóstico das doenças mentais e pensem que eles são tão intensos em sua natureza que devem ser problemas essencialmente físicos. Um entendimento bíblico do ser humano e da importância da alma demonstra que os problemas não precisam ser clínicos para serem intensos. A tristeza esmagadora de Jó, os ímpetos assassinos de Saul, o comportamento perturbado de Nabucodonozor e os delírios dos endemoninhados no Novo Testamento são todos exemplos de problemas espirituais intensos para os quais a intervenção médica nunca traria plena solução.  Os cristãos não devem presumir que todos os problemas graves sejam problemas essencialmente clínicos.

Nós gostamos de extremos. Nós nos sentimos confortáveis quando os problemas são todos da mesma espécie e nada mais que isso. O ensino bíblico sobre dicotomia mostra que os problemas podem ser fisicos, espirituais ou uma combinação de ambos. Cuidar de pessoas significa estar alerta para os problemas físicos que requerem tratamento médico e para os problemas espirituais que requerem Cristo e Sua Palavra. O entendimento de doença mental proposto pelo DSM não é tão útil para determinar a diferença entre esses campos como eu gostaria que fosse.

Minha oração é pelo avivamento de uma preocupação singularmente cristã para com as pessoas aflitas por aquilo que é comumente chamado de doença mental. Quando olham para as pessoas diagnosticadas com transtornos depressivos, transtorno de ansiedade, disforia de gênero, os cristãos não devem ver meros problemas clínicos. Questões médicas podem estar presentes, mas onde estão os cristãos prontos a fazer mais do que incentivar a medicação? Onde estão os cristãos prontos a suplicar para que aqueles que estão em grande luta com uma diversidade de problemas – da depressão à disforia de gênero – aproximem-se de Jesus Cristo, o Consolador da alma?

Quando olhamos para a “doença mental” e enxergamos apenas as categorias clínicas, deixamos de compreender devidamente esse termo e desonramos Jesus Cristo. Agindo desta forma, nós também privamos essas pessoas de receber a plena ajuda de que necessitam. Sim, as pessoas com problemas intensos muitas vezes precisam de medicação.  Mas mesmo quando a medicação é necessária, nenhum médico pode prescrever aquilo que só o Grande Médico pode oferecer.

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Original: Christian reflections on mental illnessThe Gospel Coalition

Heath Lambert é professor assistente de aconselhamento bíblico em Boyce College e The Southern Baptist Theological Seminary.

[1] NdT. No DSM-IV, a APA retirou dos seus diagnósticos os termos transexualismo e travestismo, e adotou o termo Transtornos da Identidade de Gênero (TIG), entendimo como menos discriminatório. No DSM-V, o TIG foi eliminado e aparece agora a Disforia de Gênero, isto é, a condição de inquietude de que sofre uma pessoa que não se identifica com o seu sexo de nascimento.