Conecte com moderação

conecte_postPara onde vai o seu tempo quando você está conectado, diante do computador ou com o celular em mãos?
Embalagens e propaganda de celulares, notebooks e afins ainda não trazem uma tarja em destaque com o aviso para que se “utilize com moderação”. Mas a ideia pode não ser tão absurda. O uso exagerado de aparelhos eletrônicos e o tempo de permanência na internet já preocupam países como Estados Unidos, Japão, China e Coreia do Sul. Agora é a vez do Brasil. O país, ao mesmo tempo em que encara o desafio de reduzir o fosso da exclusão digital, protagoniza um novo problema: a dependência da internet.

Este é o parágrafo inicial de um post no blog da Biblioteca Central da UFRGS, que revela a preocupação com um novo tipo de dependência que começa a ser identificado e tratado no contexto clínico. Para o conselheiro bíblico, o uso da internet é mais um tema que reporta ao desafio de sermos conhecedores da época, estudiosos da Palavra de Deus e praticantes da verdade bíblica.

Conhecedores da época
O artigo citado traz alguns dados estatísticos. O cenário é preocupante se pensarmos que a cada dia cresce o número de usuários, principalmente a partir dos celulares.

As estimativas indicam que cerca de 10% da população navegue na internet de modo exagerado no Brasil. Isso equivale a mais de 6,7 milhões de pessoas. O brasileiro, por perfil, já é um usuário de risco. Há muito tempo o Brasil detém o 1º lugar entre os países que permanecem mais tempo conectados na rede. Durante o mês de maio, segundo o Ibope Nilsen Online, o tempo médio que o internauta brasileiro ficou conectado foi de 46 horas e 50 minutos. Nos Estados Unidos, essa média não chegou a 38 horas. No Japão, atingiu pouco mais de 31 horas.

No Brasil, entre outras instituições de pesquisa que se dedicam ao assunto, a equipe do Instituto de Psiquiatria da Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) destaca-se pela criação do site Dependência da Internet, que oferece uma série de informações sobre o tema, recebe inscrições de pacientes e oferece um teste detalhado para que a pessoa verifique como anda seu relacionamento com a tecnologia. O retrato do problema, de acordo com site, é que “cada vez mais pessoas buscam ajuda para o tratamento das dependências tecnológicas (Internet e vídeo game), devido a vários aspectos psicológicos (baixa auto-estima, depressão, fobias sociais, dentre tantos outros) e sociais (a solidão, isolamento e o estilo de vida nos grandes centros urbanos). Tal panorama se dá em função do crescimento acelerado do acesso à Internet da população em geral e, em contrapartida, da tendência ao sedentarismo e à reclusão emocional”. O conceito básico é que a “Dependência da Internet manifesta-se como uma inabilidade do indivíduo em controlar o uso e o envolvimento crescente com a Internet e com os assuntos afins, que por sua vez conduzem a uma perda progressiva de controle e aumento do desconforto emocional”. O Centro de Estudos de Dependência da Internet tem por missão oferecer atendimento à população, orientação e pesquisa de novas terapêuticas que tratem de pacientes que desenvolveram alguma forma de dependência tecnológica que esteja criando prejuízo na vida funcional e cotidiana do individuo.

Coordenador do projeto na USP, Cristiano Nabuco de Abreu acaba de escrever um livro sobre o tema. Internet Addiction (Vício em Internet) é um manual clínico em coautoria com Kimberly Young, médica americana especialista no assunto. O livro dirige-se aos profissionais da saúde e será publicado até o fim de 2010 no Brasil e nos Estados Unidos. “Falta médico especializado nesse tipo de tratamento. O objetivo dessa publicação é dar um suporte científico ao assunto”, diz Abreu em entrevista.

Para sermos conhecedores da época, vale a pena visitar o site Dependência da Internet, considerando, como costuma dizer David Powlison, que os psicólogos e psiquiatras têm-se mostrado, com frequência, observadores e investigadores do comportamento humano mais dedicados do que os cristãos e que eles podem nos desafiar a olhar para aspectos que talvez estejamos negligenciado. É oportuno, porém, lembrar sempre que as suas observações, e certamente as suas interpretações, são influenciadas pela visão de mundo e pelas teorias em que são secularmente treinados.

Estudiosos da Palavra de Deus
A Bíblia não cita a dependência da internet. No entanto, podemos mergulhar na Bíblia e encontrar aquilo que necessitamos para lidar com o problema. Ela se dirige plenamente aos elementos do retrato da dependência da internet: relacionamentos interpessoais deficientes, orgulho, medo, ansiedade, mau uso do tempo, falta de domínio próprio, dentre outros. Edward Welch escreve no prefácio do seu livro Vícios: um Banquete no Túmulo:

Vivemos em uma cultura em que a teoria e a linguagem sobre o vício são controladas, na verdade, por categorias seculares. Termos como doença, tratamento, e mesmo vício nos levam à ideia de que estes problemas têm sua causa final no corpo ao invés de na alma – uma visão comumente aceita e que é completamente oposta ao ensinamento bíblico. […] Em última análise, o vício é um transtorno de adoração. Escolheremos adorar a nós mesmo e aos nossos desejos ou adoraremos o Deus verdadeiro? Através destas lenes, as Escrituras ganham vida para o viciado. […] A Bíblia é rica em aplicações para o viciado.

Para aprofundar seus estudos nesse tema, você pode acessar os recursos on-line selecionados por Conexão Conselho Bíblico em #HábitosEscravizadores#MídiaSocial,  #Internet#ModelosTerapêuticosAvaliação .

Na bibliografia Hábitos escravizadores: livros selecionados, você encontra livros para adquirir ou procurar em uma biblioteca. Não temos ainda livros nem mídias que tratam especificamente do vício em internet, mas é possível fazer aplicações relevantes a partir do entendimento bíblico geral sobre o vício, proporcionado pelos recursos mencionados na bibliografia.

Praticantes da verdade bíblica
As mídias sociais (Facebook, Twitter, Orkut, YouTube, blogs, entre outras) e o e-mail são responsáveis por boa parte do tráfego na internet e por aquilo que a nossa cultura identifica como “dependência da internet”. Por um lado, as mídias sociais oferecem uma oportunidade muito boa de colaboração, interação, informação rápida e, por que não, de ministério cristão e propagação do Evangelho. Isso não quer dizer que você necessita dos novos recursos da tecnologia para poder ministrar, mas que pode tirar ótimo proveito deles e ser relevante em sua época. Você pode usar o Twitter para encorajar um grupo de discípulos com textos da Palavra de Deus e com frases edificantes frequentes. Você pode manter um blog para discutir temas relevantes que o seu grupo está estudando e, ao mesmo tempo, alcançar e edificar outros ao redor do mundo. Pode espalhar textos, vídeos, indicações e resenhas de livros, tarefas práticas e recursos os mais diversos para o discipulado-aconselhamento bíblico. E ainda pode ter a oportunidade de evangelizar ali onde você não pode ir pessoalmente.

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (Ef 5.15-16). Estas palavras devem estar na nossa mente com relação ao uso da internet e dos recursos da tecnologia, e também de todos os demais meios de comunicação, inclusive os livros, os artigos e as cartas em papel – todos são recursos ótimos, mas estão nas mãos de pecadores num mundo caído que, a menos que submetam cada área da vida a Deus, têm boas chances de praticar o mal. Precisamos de discernimento e de moderação. Precisamos ser participativos e influentes na nossa geração. Não vamos rejeitar a internet porque alguns são estultos no seu uso, mas vamos nos esforçar para sermos modelo de um uso íntegro, que honra a Deus.

Burk Parsons, pastor e editor do periódico Tabletalk, sugere sete filtros para nos guiar em um uso da tecnologia que honre a Deus. Quando conectamos à internet, e especialmente antes de clicar em “publicar”, podemos fazer as seguintes perguntas para ajudar a guardar o nosso coração e os nossos atos:

1. O uso que faço dos novos recursos da mídia revela disciplina e deliberação nas escolhas, bem como discernimento no uso do tempo?
2. Ajuda a focar a mente nas coisas celestiais?
3. Edifica o corpo de Cristo?
4. Coopera para manter a unidade e a pureza da Igreja?
5. Contribui para a tarefa de levar o conhecimento de Deus aos confins da terra?
6. Glorifica a Deus e encoraja outros a glorificarem a Deus?
7. Contribui para a edificação do reino de Deus ou do nosso reino pessoal?

Original: Taking Captive New Media for the Church

A Editora Fiel disponibilizou em português três artigos de David Clark que focam o uso da internet:
A Revolução das Redes Sociais
Comunicação por Meio da Tecnologia da Internet
O Que os Pais Devem Saber sobre a Internet?

Fica aqui o desafio para que estudemos cuidadosamente a Palavra de Deus, apliquemos sabiamente as categorias e verdades bíblicas às manifestações da nossa cultura, e produzamos recursos práticos não só para edificar a Igreja, mas para levar à nossa geração a esperança verdadeira do Evangelho.

Este artigo faz parte da série As Novas Tecnologias: amigas ou inimigas?

Um comentário sobre “Conecte com moderação

  1. Excelentes comentários, de fato corremos o sério risco ao usarmos os meios de comunicação. Que Deus nos proteja, e continue levantando outros servos Seus para nos alertar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s