No playground da nossa mente

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Katie McCoy

Se existe um Inimigo das Almas… uma coisa que ele não pode suportar é o desejo de pureza.  Assim, as paixões de um homem ou de uma mulher tornam-se seu campo de batalha. O Amante das Almas não impede que isso aconteça… Ele quer que aprendamos a usar as nossas armas. 
Elizabeth Elliot em Paixão e Pureza.

Se você já teve um namorado imaginário, uma fantasia romântica com uma celebridade ou um período de férias mentais do seu marido, você sabe o que é enfrentar lutas em sua vida mental. No que diz respeito à pureza, a nossa vida mental pode ser comparada a um playground. Em dado momento subimos a escada do escorregador em direção à vitória e no momento seguinte não temos como escapar da rampa de descida, até que caímos de volta onde começamos. No balanço, quanto mais confiantes nos sentimos, mais alto queremos ir e escapar de manter os pés no chão. Quanto mais rápido girar o carrossel, mais a realidade torna-se distorcida.

Embora a luta com a lascívia assuma uma forma diferente para as mulheres, ela está longe de ser um problema somente dos homens. No livro Sexo não é problema (lascícia, sim), Joshua Harris explica que quando uma mulher vê um anúncio destacando um homem sedutor, ela pode ser tentada a fantasiar sexualmente com ele, mas as probabilidades são de que esta tentação esteja enraizada em uma fantasia sobre um relacionamento com ele; e o mais provável é que essa tentação esteja arraigada em uma fantasia sobre uma relação com ele, com o prazer físico formando um subconjunto para o seu desejo apaixonado por atenção e intimidade emocional (p. 61).

Da mesma forma que a pornografia visual é uma distorção do projeto perfeito de Deus para a sexualidade masculina, fantasiar é uma distorção do projeto perfeito de Deus para a sexualidade feminina. O desejo sexual em si é dado por Deus e é bom. A diferença entre andar em pureza e deixar-se arrastar por aqueles desejos que não encontram satisfação legítima não está no fato de ter ou não tais desejos, mas naquilo que você faz com eles.

Não é lascívia experimentar a tentação sexual. […] Um pensamento sexual que surge em sua mente não é necessariamente lascívia, mas pode se tornar lascívia rapidamente se for acolhido e alimentado constantemente (p. 26).

Entregar-se à lascívia é incitar e alimentar um desejo que não pode ser satisfeito corretamente. Para John Piper, “lascívia é um desejo sexual que desonra seu objeto e ignora Deus”.

1 Pedro 2.11 nos diz: “abstenham-se dos desejos carnais que guerreiam contra a alma”. Jesus disse que quando alimentamos pensamentos lascivos, cometemos adultério em nosso coração (Mt 5.28). E Paulo descreve aqueles que vivem na paixão de desejos desenfreados como pessoas que não conhecem a Deus (1Ts 4.5). O pecado secreto da lascívia tem consequências terríveis. Harris observa, com razão, que poucas coisas desencorajam a caminhada cristã com Deus como o fracasso na luta pela pureza. Como em uma tentativa fútil de saciar a fome beliscando doces, o que você sente é um vazio acerbo, que amortece o seu apetite pela santidade.

Romanos 6.11-13 diz: “Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a ele, como instrumentos de justiça”. Quando escolhemos alimentar um pensamento lascivo, lançamos mão daquilo que Deus criou para o bem e o oferecemos ao pecado. Nós tomamos posse daquilo que Deus fez para a Sua glória e usamos como instrumento da injustiça. Em seguida, Romanos 6 faz uma pergunta séria: “Que fruto colheram então das coisas das quais agora vocês se envergonham? O fim delas é a morte!”. O que a lascívia pode dar a você além de descontentamento, vergonha e um desejo cíclico cada vez maior por aquilo que o deixa com um senso de vazio? Isso não é satisfação. É escravidão. No entanto, se você foi crucificada com Cristo, você não é mais uma escrava do pecado, mas uma escrava do seu Deus misericordioso, que satisfaz a sua alma e cujo desejo para você é a plenitude da santificação (Rm 6.21-22, 1 Ts 4.4). O plano de Deus é que você encontre satisfação completa, alegria e aceitação no Seu amor.

No cerne da lascívia habitual está uma questão mais profunda do coração. Para nós mulheres, arrisco sugerir que o problema com os pensamentos costuma ser um problema com o nosso Deus. Todas nós lutamos para submeter os nossos desejos à autoridade de Cristo. O mundo de fantasia, porém, é o lugar onde você se refugia quando está cansada, aborrecida e frustrada, ou quando se sente solitária e carente de amor. O que você está dizendo ao seu Criador – quer de forma ciente ou não − é que Ele decepcionou você de alguma maneira.

Sua vida não aconteceu como você teria preferido. Você sabe que Deus poderia ter concedido plena realização nessa área. Mas visto que Ele não deu, você procura se satisfazer do seu jeito, pois você acredita que tem direito a mais do aquilo que recebeu dEle. Você não está apenas insatisfeita; você está silenciosamente irada com o seu Criador. Se a sua vida mental é sistematicamente um campo de batalha, frear o desejo sexual significa apenas tratar um sintoma, e não a causa. A batalha que se trava na mente é tão antiga quanto o Jardim do Éden e, como Eva, acreditamos que Deus está sonegando algum bem (Gn 3.5). Para uma vitória verdadeira, e obediência autêntica, devemos nos arrepender da rebeldia para com o nosso Senhor, reconhecer Sua autoridade sobre cada parte de nossa vida e descansar no conhecimento de que Ele é bom para nós (Sl 119.68) e quer o nosso bem (Sl 84.11).

Além de aprendemos a pensar corretamente a respeito de Deus, existem alguns hábitos que podemos cultivar na vida diária, que nos ajudam a caminhar em obediência a Deus e obter a vitória em nossa vida mental. Essas sugestões são parte de uma lista proposta por John Piper em um artigo intitulado Strategies for Fighting Sexual Sin [Estratégias para Combater o Pecado Sexual]:

-— acredite  que Deus está a seu favor (Salmo 84.11);

-— reconheça que as leis de Deus têm por propósito proteger algo precioso, e não negar algo prazeroso (1 Tessalonicenses 4.3);

-— cultive coisas boas em que pensar (Filipenses 4.8);

-— medite sobre a verdade que Cristo sofreu profundamente por sua pureza. Combata uma imagem com outra imagem (Tito 2.14, 1Coríntios 5.15);

-— perceba que a cobiça mutila e enfraquece nossa capacidade para provar o mais alto prazer espiritual com Deus (1Pedro 2.11, Marcos 4.19).

Parar de alimentar o pecado na mente é uma solução incompleta – precisamos substituir os pensamentos pecaminosos e encher nossa mente com o pensamento voltado para Cristo. Devemos dar as costas para daquilo que temos contemplado e começar a completar a Pessoa, a obra e o caráter de Cristo. Quando nos concentramos em quem é Jesus e saboreamos de fato a verdade sobre o nosso Salvador, a atração do desejo pecaminoso, não mais alimentada na mente, morre. Temos que pregar a nós mesmas: “Como você pode se deter nisso quando você está morta para o pecado e viva para Cristo?” (cf. Rm 6.2, 11). “O que esta tentação pode me trazer além de mais vergonha?” (cf. Rm 6.21) “Eu fui libertada para permanecer livre, e pelo Espírito de Deus não serei escravizada de novo” (cf. Gl 5.1).

Outra maneira prática para evitar a lascívia é estar ciente daquilo que constitui um gatilho. Para algumas mulheres, alguns momentos específicos do dia são mais propícios para a tentação do que outros. Meditar nas Escritura antes de dormir focará a sua mente naquilo que é puro e verdadeiro. Para outras, certas músicas, filmes ou novelas podem ser causa frequente de tropeço. Se a mídia constitui motivo constante de quedas, tente um jejum de músicas, filmes e novelas durante trinta dias. Pode parecer uma medida extrema. No entanto, se você eliminar as distrações por algum tempo e estiver mais propensa a andar em sintonia com o Espírito, a mídia poderá ser reintroduzida mais adiante sem, necessariamente, conduzi-la a uma espiral descendente.  Para muitas mulheres o gatilho são os romances. Talvez esteja na hora de fechá-los e avaliar que efeito eles têm em sua caminhada com Deus.

2Timóteo 2.22 nos diz que devemos “seguir a justiça, a fé, amor e paz, juntamente com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro”. As pessoas com as quais você convive são uma ajuda ou um obstáculo à pureza? Você está cercada por pessoas que a influenciam a desejar (física ou emocionalmente) as coisas que Deus, em Sua soberania, não deu ou você tem amigos que a incentivam ao amor e às boas obras (Hb 10.24)? Siga a justiça, juntamente com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro.

Você não está sozinha na luta pela pureza interior. Seu Sumo Sacerdote compadece-se de suas fraquezas e, como você, foi tentado em todos os sentidos, mas sem pecado. Ele mesmo pagou pelas suas falhas e pensamentos. O seu Advogado está intercedendo junto ao Pai em seu nome agora mesmo (1Jo 2.1, Rm 8.34) e Ele “é poderoso para impedi-la de cair e para apresentá-la diante da Sua glória sem mácula e com grande alegria” (Jd 24).

Querida irmã em Cristo, por causa da misericórdia de Deus, apresente seu corpo como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”(Rm 12.1), o seu culto racional a Ele.
Que o Senhor Jesus reine no playground da nossa mente.
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Original em Unlocking Femininity
Tradução de Conexão Conselho Bíblico com permissão da autora.

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